{"id":23324,"date":"2009-09-09T15:22:55","date_gmt":"2009-09-09T15:22:55","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23324"},"modified":"2009-09-09T15:22:55","modified_gmt":"2009-09-09T15:22:55","slug":"aprovado-no-parana-projeto-que-propoe-vigiar-usuarios-de-lan-houses","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23324","title":{"rendered":"Aprovado no Paran\u00e1 projeto que prop\u00f5e vigiar usu\u00e1rios de lan houses"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">A Assembl&eacute;ia Legislativa do Paran&aacute; aprovou em agosto um projeto de lei para combater crimes praticados em computadores dispon&iacute;veis em locais de acesso &agrave; internet. A medida, se sancionada pelo governador Roberto Requi&atilde;o, deve afetar principalmente as lan houses e cibercaf&eacute;s do estado. No entanto, entidades da sociedade civil paranaense acreditam que a proposta apresentada n&atilde;o seja capaz de cumprir os objetivos a que se prop&otilde;e. Mais que isso, ela pode diminuir a privacidade dos freq&uuml;entadores desses estabelecimentos no Paran&aacute;, al&eacute;m de impulsionar a aprova&ccedil;&atilde;o de leis mais r&iacute;gidas de controle da internet no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>O projeto de lei aprovado pelos deputados estaduais &eacute; parecido com outros existentes no Brasil, como o PL 84\/99, que cria penalidades para crimes praticados pela internet e ainda est&aacute; em discuss&atilde;o no Congresso). Tamb&eacute;m se assemelha a projetos em discuss&atilde;o em outros pa&iacute;ses, como a Fran&ccedil;a. Em comum, todos estes projetos utilizam o argumento de aumentar a seguran&ccedil;a na rede e facilitar a identifica&ccedil;&atilde;o de criminosos para aumentar a vigil&acirc;ncia sobre quem navega na web. S&oacute; que, no caso paranaense, apenas para os locais p&uacute;blicos de acesso. <\/p>\n<p>O projeto exige que os estabelecimentos voltados &agrave; comercializa&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; internet do Paran&aacute; instalem c&acirc;meras de vigil&acirc;ncia para monitorar os clientes. Al&eacute;m disso, os donos desses com&eacute;rcios ter&atilde;o que manter por dois anos um cadastro de todos os usu&aacute;rios, contendo o documento, endere&ccedil;o, telefone, o hor&aacute;rio de uso do computador e o protocolo (IP) da m&aacute;quina usada. Ou seja, durante esse per&iacute;odo, ser&aacute; poss&iacute;vel saber quem usou determinado computador e o que essa pessoa fez. Esses dados, segundo a proposta, ser&atilde;o armazenados por meio eletr&ocirc;nico e s&oacute; ser&atilde;o liberados mediante autoriza&ccedil;&atilde;o do cliente ou por ordem judicial.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do argumento de combate &agrave; pedofilia e de crimes banc&aacute;rios, na justificativa apresentada junto com o projeto, o deputado Ney Leprevost (PP) afirma que &ldquo;ao inibir a pr&aacute;tica de delitos, a medida em quest&atilde;o resguardar&aacute; a seguran&ccedil;a e a sa&uacute;de dos menores, afastando os delinq&uuml;entes desses estabelecimentos e, por conseguinte, de sua conviv&ecirc;ncia&rdquo;.<\/p>\n<p>No entanto, parte da sociedade civil paranaense, organizada na Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia do estado, acredita que o projeto, apesar das boas inten&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o deve ser sancionado pelo governador Roberto Requi&atilde;o. A comiss&atilde;o afirma que a proposta atenta contra as liberdades civis e a privacidade. &ldquo;Reafirmamos nosso compromisso com o combate aos cibercrimes, mas que estas a&ccedil;&otilde;es destes poucos n&atilde;o prejudiquem o desenvolvimento do pa&iacute;s e o direito de toda a popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz a organiza&ccedil;&atilde;o, em nota assinada por 26 entidades.<\/p>\n<p>Para o representante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social na Comiss&atilde;o Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia, Jo&atilde;o Paulo Mehl, o projeto tem uma s&eacute;rie de equ&iacute;vocos. Um dos principais, &eacute; que ele pode ser ineficaz no combate aos crimes que se prop&otilde;e. &ldquo;Quem comete crime de pedofilia n&atilde;o faz isso nas lan houses, com outras pessoas olhando. Assim como as pessoas que cometem crimes banc&aacute;rios. O criminoso de verdade tem uma identidade falsa. Vai alugar uma casa falsa, contratar uma internet com dados falsos&rdquo;, argumenta Jo&atilde;o Paulo. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, ele acredita que o projeto pode criar um impeditivo econ&ocirc;mico para os usu&aacute;rios das lan houses. Isso porque a exig&ecirc;ncia da instala&ccedil;&atilde;o de c&acirc;meras de vigil&acirc;ncia e o arquivamento dos cadastros (que significa pagar por mais espa&ccedil;o de um servidor de internet) podem encarecer o servi&ccedil;o oferecido aos clientes, que s&atilde;o justamente os que mais precisam, j&aacute; que boa parte n&atilde;o possui internet em casa. &ldquo;&Eacute; um mini PL do Azeredo&rdquo;, resume Jo&atilde;o Paulo, comparando o projeto paranaense com o substitutivo do senador Eduardo Azeredo ao PL 84\/99, que tramita no Congresso h&aacute; dez anos e sofreu duras cr&iacute;ticas da sociedade civil.<\/p>\n<p>A proposta est&aacute; sendo avaliada pelo Poder Executivo paranaense. Como o projeto foi aprovado por unanimidade na Assembl&eacute;ia do Estado, a dificuldade de vet&aacute;-lo pode ser maior. A assessoria do governo estadual, por&eacute;m, n&atilde;o adiantou a posi&ccedil;&atilde;o do governador sobre o assunto. <\/p>\n<p>Esse n&atilde;o &eacute; um projeto isolado. Sob os mesmos argumentos, existem outras propostas sendo discutidas e implementadas no pa&iacute;s. Para Jo&atilde;o Paulo, elas t&ecirc;m em comum alguns pontos, como a press&atilde;o do setor banc&aacute;rio em jogar os custos que teriam com seguran&ccedil;a para a sociedade. Al&eacute;m disso, podem abrir brechas para cria&ccedil;&atilde;o de leis mais r&iacute;gidas de controle, incluindo a proibi&ccedil;&atilde;o de downloads na rede.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Assembl&eacute;ia Legislativa do Paran&aacute; aprovou em agosto um projeto de lei para combater crimes praticados em computadores dispon&iacute;veis em locais de acesso &agrave; internet. 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