{"id":23312,"date":"2009-09-04T18:00:09","date_gmt":"2009-09-04T18:00:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23312"},"modified":"2009-09-04T18:00:09","modified_gmt":"2009-09-04T18:00:09","slug":"rever-politica-de-concessoes-e-prioridade-na-confecom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23312","title":{"rendered":"&#8220;Rever pol\u00edtica de concess\u00f5es \u00e9 prioridade na Confecom&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">[T&iacute;tulo original: Confecom: os novos paradigmas.]<\/p>\n<p><em>A Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom), que ser&aacute; realizada em dezembro, tem uma import&acirc;ncia hist&oacute;rica porque o Brasil jamais fez um debate p&uacute;blico sobre sua pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o. Os diferentes segmentos da sociedade e mesmo os partidos pol&iacute;ticos demoraram muito a dar a merecida import&acirc;ncia a este tema, embora os meios de comunica&ccedil;&atilde;o social tenham fundamental import&acirc;ncia na vida do pa&iacute;s e no desenvolvimento da democracia. De outro lado, os empres&aacute;rios da comunica&ccedil;&atilde;o, os donos de jornais, revistas, r&aacute;dios e TVs sempre se opuseram a este debate, temerosos de que a defini&ccedil;&atilde;o de uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o social venha interferir nos seus neg&oacute;cios e na &ldquo;liberdade de imprensa&rdquo;.<\/p>\n<p>O movimento pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o existe pelo menos desde a Constituinte de 1988. Depois da Constituinte, e at&eacute; como resultado dela, alguns segmentos organizaram o F&oacute;rum Nacional da Democratiza&ccedil;&atilde;o da Comunica&ccedil;&atilde;o (FNDC). A partir da&iacute; se estabeleceu um debate sobre o tema. Mas, como lembra o jornalista Marcos Dantas, professor do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro, trata-se de um debate dif&iacute;cil. Mesmo nos meios acad&ecirc;micos, ele praticamente n&atilde;o existe. H&aacute;, em todo o pa&iacute;s, professores e pesquisadores que debatem essa quest&atilde;o isoladamente, sem uma institucionalidade. Durante muito tempo, a discuss&atilde;o ficou restrita a sindicatos de jornalistas e algumas entidades da &aacute;rea. Al&eacute;m disso, os meios de comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pautam essa discuss&atilde;o, e tudo o que se discute na sociedade &eacute; pautado por eles. Da&iacute; a import&acirc;ncia de o governo ter convocado a Confecom, cuja organiza&ccedil;&atilde;o tem envolvido muita pol&ecirc;mica. Nesta entrevista, Dantas, um estudioso do papel dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e de sua influ&ecirc;ncia social, tra&ccedil;a um panorama hist&oacute;rico da comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil e discute como ser&aacute; o futuro.<br \/><\/em><br \/><strong>Como se chegou &agrave; convoca&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia?<\/strong><br \/>H&aacute; tr&ecirc;s ou quatro anos, come&ccedil;ou a crescer no Brasil o movimento pela convoca&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia, por meio das comiss&otilde;es pr&oacute;-confer&ecirc;ncia. Organizou-se uma comiss&atilde;o nacional, que funcionava em Bras&iacute;lia, e come&ccedil;aram a se formar as comiss&otilde;es estaduais. Em alguns estados funcionou melhor, em outros pior. Essa comiss&atilde;o nacional conseguiu uma articula&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, pela a&ccedil;&atilde;o de deputados ligados aos partidos de esquerda (PT, PSOL, PSB, PCdoB). Com isso, foi poss&iacute;vel construir uma massa cr&iacute;tica, adensar o processo para arrancar a Confer&ecirc;ncia, que tinha de ser convocada pelo Executivo. Agora existe uma comiss&atilde;o organizadora formalmente nomeada pelo presidente da Rep&uacute;blica e integrada por representantes do governo, das empresas e da sociedade civil n&atilde;o-empresarial. Essa estrutura deve se repetir, na medida do poss&iacute;vel, nos estados e munic&iacute;pios. <\/p>\n<p><strong>E j&aacute; h&aacute; uma disputa na comiss&atilde;o organizadora&#8230;<\/strong><br \/>H&aacute; um enorme impasse. A comiss&atilde;o organizadora precisa baixar um regimento estabelecendo como a Confer&ecirc;ncia ser&aacute; realizada. Os interesses opostos s&atilde;o muito fortes. O segmento de radiodifus&atilde;o queria que o regimento definisse a agenda, a pauta da confer&ecirc;ncia, e queria que isso se resumisse &agrave; discuss&atilde;o de regulamenta&ccedil;&atilde;o da internet. O setor social quer discutir um enorme contencioso do campo da comunica&ccedil;&atilde;o social, que tem a ver com pol&iacute;tica de concess&atilde;o, com regulamenta&ccedil;&atilde;o do conte&uacute;do de r&aacute;dio e TV nos termos da Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira, que nunca foi regulamentado.<\/p>\n<p><strong>Que contencioso &eacute; esse?<\/strong><br \/>A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 tem um cap&iacute;tulo sobre Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Esse cap&iacute;tulo define a miss&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o social e, sobretudo, a miss&atilde;o da radiodifus&atilde;o. Porque a radiodifus&atilde;o &eacute; um instrumento fundamental de cultura, educa&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o. A televis&atilde;o est&aacute; presente em 99% dos lares e a grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o se informa e se forma pela televis&atilde;o, quando n&atilde;o pelo r&aacute;dio. Desde que o r&aacute;dio, o primeiro instrumento de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica de massa, come&ccedil;ou a se organizar economicamente e socialmente, nos anos 1920, foi visto como um instrumento de pol&iacute;tica de Estado. Na maioria dos pa&iacute;ses, o Estado monopolizou o r&aacute;dio, entendendo sua capacidade &ndash; e depois a da televis&atilde;o &ndash; para formar mentes e mobilizar opini&otilde;es. <br \/>No Brasil, at&eacute; os anos 1960, n&atilde;o havia lei muito clara em rela&ccedil;&atilde;o ao r&aacute;dio. Havia uma r&aacute;dio estatal forte, a R&aacute;dio Nacional, que foi muito importante na forma&ccedil;&atilde;o da mentalidade brasileira ao longo dos anos 1940 e 1950. Havia r&aacute;dios comerciais, mas n&atilde;o regras claras de concess&atilde;o, cassa&ccedil;&atilde;o, regulamenta&ccedil;&atilde;o, nada disso. Em 1962, o ent&atilde;o presidente J&acirc;nio Quadros cassou uma r&aacute;dio e deflagrou-se uma mobiliza&ccedil;&atilde;o no sentido de que era preciso organizar juridicamente esse cen&aacute;rio. Naquele ano, foi redigido o C&oacute;digo Brasileiro de Telemunica&ccedil;&otilde;es. Uma das quest&otilde;es mais importantes definidas pelo C&oacute;digo foi que s&oacute; a Uni&atilde;o, em nome da federa&ccedil;&atilde;o, pode conceder frequ&ecirc;ncias de r&aacute;dio e de TV. O C&oacute;digo estabeleceu isso em um plano muito t&eacute;cnico. A &uacute;nica quest&atilde;o pol&iacute;tica ali, que depois nossa Constitui&ccedil;&atilde;o abrigou, era a necessidade de que o concession&aacute;rio fosse brasileiro nato ou naturalizado. Que fosse uma pessoa f&iacute;sica. Isso, na verdade, &eacute; uma heran&ccedil;a dos tempos em que o r&aacute;dio era visto como uma quest&atilde;o de seguran&ccedil;a nacional. <br \/>Em 1964, houve o golpe e tudo o que o C&oacute;digo organizou foi executado pelos militares. Que, diga-se de passagem, efetivamente modernizaram as comunica&ccedil;&otilde;es deste pa&iacute;s. Houve uma revolu&ccedil;&atilde;o nas comunica&ccedil;&otilde;es brasileiras no per&iacute;odo que vai de 1965, com a cria&ccedil;&atilde;o da Embratel, at&eacute; 1985. Depois surgiram novas quest&otilde;es. N&atilde;o apenas porque come&ccedil;ou o per&iacute;odo democr&aacute;tico, mas porque nos anos 1960 o celular n&atilde;o existia, a TV por assinatura n&atilde;o existia, a internet n&atilde;o existia, a TV digital n&atilde;o existia. O sat&eacute;lite estava nascendo naquele momento.<\/p>\n<p><strong>O que mudou com a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988?<\/strong><br \/>A Constitui&ccedil;&atilde;o estabeleceu, no artigo 221, uma novidade fundamental em rela&ccedil;&atilde;o ao C&oacute;digo. Estabeleceu princ&iacute;pios de uma pol&iacute;tica de conte&uacute;dos. A finalidade cultural e educativa da radiodifus&atilde;o. Definiu a radiodifus&atilde;o como um servi&ccedil;o p&uacute;blico, que pode ser concedido a agentes privados, mas tem obriga&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas a cumprir: cultura, educa&ccedil;&atilde;o, informa&ccedil;&atilde;o de alto n&iacute;vel e regionaliza&ccedil;&atilde;o da programa&ccedil;&atilde;o, para valorizar outros setores culturais do pa&iacute;s. Mas uma coisa &eacute; estabelecer isso em uma Constitui&ccedil;&atilde;o, outra &eacute; colocar em pr&aacute;tica. Precisa haver uma lei para dizer como esses aspectos v&atilde;o ser executados. E essa lei nunca existiu. O Brasil n&atilde;o tem uma lei de comunica&ccedil;&atilde;o. Temos a Lei do Cabo e a Lei Geral das Telecomunica&ccedil;&otilde;es, que tratam do servi&ccedil;o de transporte de comunica&ccedil;&atilde;o. Mas isso tamb&eacute;m mudou. Aparentemente, a Claro ou a TIM s&atilde;o operadoras de telecomunica&ccedil;&atilde;o. Operar telecomunica&ccedil;&atilde;o &eacute; transportar voz, dados. Mas hoje d&aacute; para ver TV no celular, entrar na internet pelo celular, baixar m&uacute;sica. Isso n&atilde;o &eacute; mais telecomunica&ccedil;&atilde;o. Hoje, essas operadoras tamb&eacute;m s&atilde;o provedoras de conte&uacute;do.<\/p>\n<p><strong>E quais s&atilde;o os interesses em disputa?<\/strong><br \/>Quem controla a comunica&ccedil;&atilde;o, controla o poder pol&iacute;tico e o poder econ&ocirc;mico. Nessa quest&atilde;o n&atilde;o h&aacute; acordo, na sociedade brasileira. E &eacute; esse o problema que atravanca a comiss&atilde;o organizadora da Confecom. O que nos mostra a experi&ecirc;ncia internacional, principalmente na Europa, &eacute; uma tend&ecirc;ncia de se considerar a converg&ecirc;ncia e romper com a divis&atilde;o entre radiodifus&atilde;o e telecomunica&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o tem mais sentido, e considerar uma nova divis&atilde;o, que seria entre conte&uacute;do e infraestrutura. Existe uma infraestrutura para levar conte&uacute;dos e existe a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do. E voc&ecirc; passa a regulamentar esses dois blocos, em vez de regulamentar por segmentos verticalizados, que est&atilde;o sendo ultrapassados pela evolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica.<br \/>Sempre cito, como exemplo, a regulamenta&ccedil;&atilde;o inglesa. Poucas pessoas sabem, mas a BBC n&atilde;o &eacute; uma emissora de televis&atilde;o. &Eacute; uma programadora de televis&atilde;o. As frequ&ecirc;ncias usadas para chegar na casa do espectador s&atilde;o operadas por uma empresa chamada Crown Castle. Ent&atilde;o, tem uma programadora de TV que n&atilde;o det&eacute;m mais a frequ&ecirc;ncia VHF, assim como a Fox n&atilde;o det&eacute;m o cabo da NET nem a frequ&ecirc;ncia do sat&eacute;lite Sky. Ela chega nas casas por outros distribuidores, de outras empresas.<br \/>A separa&ccedil;&atilde;o democratiza a produ&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o. Se voc&ecirc; define os elementos da cadeia produtiva (quem produz, quem programa, quem empacota, quem distribui), passa a ter poder (e isso &eacute; papel do Estado) de criar regras que impe&ccedil;am acordos, dentro da cadeia, que gerem monop&oacute;lios ou que obriguem os diferentes segmentos da cadeia a abrir espa&ccedil;o para outros fornecedores &ndash; que n&atilde;o sejam necessariamente comerciais, comandados apenas pela audi&ecirc;ncia. E isso tem como consequ&ecirc;ncia democratizar e pluralizar o acesso e a produ&ccedil;&atilde;o. A TV por assinatura funciona assim: se a revista ARede criar um canal de TV, n&atilde;o entra na Net se a Globosat (que &eacute; do mesmo grupo econ&ocirc;mico da Net) n&atilde;o concordar. Existe um acordo contratual de que qualquer proposta para transmitir um canal na rede da Net tem de receber a concord&acirc;ncia da Globosat. Ent&atilde;o, tem canal que n&atilde;o entra na Net. Agora, se voc&ecirc; identifica esses elementos da cadeia, se cria um &oacute;rg&atilde;o regulador para intervir nessas coisas, come&ccedil;a a abrir espa&ccedil;o. Se estabelece, como a Lei do Cabo estabeleceu, que &eacute; obrigat&oacute;rio ter um canal do Senado, um canal do Judici&aacute;rio, que tem de ter espa&ccedil;o para canal comunit&aacute;rio, tem que transmitir os canais abertos&#8230; tudo isso &eacute; o Estado quem decide, por lei. <\/p>\n<p><strong>Qual &eacute; a maior demanda da sociedade civil em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o?<br \/><\/strong>Rever, por exemplo, a pol&iacute;tica de concess&atilde;o, sobretudo porque ao longo desses anos, desde o C&oacute;digo de 1962, j&aacute; n&atilde;o se sabe direito quem tem concess&atilde;o para qu&ecirc;. Sem falar que muitos parlamentares t&ecirc;m concess&otilde;es ilegalmente, por meio de laranjas. Isso, sem d&uacute;vida, precisa ser revisto. Mas voc&ecirc; poderia abrir espa&ccedil;o para r&aacute;dios e tev&ecirc;s comunit&aacute;rias. Esse &eacute; um aspecto que o pessoal est&aacute; querendo: um espa&ccedil;o maior para a manifesta&ccedil;&atilde;o da sociedade n&atilde;o comercial. Tamb&eacute;m se reivindica a regulamenta&ccedil;&atilde;o. A lei brasileira estabelece, por exemplo, que o concession&aacute;rio est&aacute; obrigado a ocupar aquela concess&atilde;o com programa&ccedil;&atilde;o. Ou devolv&ecirc;-la. Mas n&atilde;o existe regra sobre como se ocupar o espectro. Ent&atilde;o, uma por&ccedil;&atilde;o de gente ocupa com leil&atilde;o de gado, venda de tapete, igrejas. E n&atilde;o &eacute; ilegal, porque n&atilde;o existe regra. Essas coisas t&ecirc;m de ser regulamentadas. <\/p>\n<p><strong>Por que os radiodifusores consideram priorit&aacute;rio regulamentar a internet?<\/strong><br \/>Confesso que ainda n&atilde;o entendi o movimento dos radiodifusores. N&atilde;o sei se n&atilde;o perceberam o mundo, n&atilde;o entenderam direito o que vem por a&iacute;. A TV brasileira aberta, comercial, ainda &eacute; o grande ve&iacute;culo de comunica&ccedil;&atilde;o no Brasil. TV a cabo e internet s&atilde;o para 10%. Pode ser, tamb&eacute;m, que estejam fazendo uma cortina de fuma&ccedil;a, tentando confundir. Quando eles prop&otilde;em regulamentar a internet, uma coisa t&atilde;o dif&iacute;cil de regulamentar e que ao mesmo tempo gera uma grande rea&ccedil;&atilde;o, criam uma pol&ecirc;mica em um campo que n&atilde;o afeta seus interesses comerciais e causa grande confus&atilde;o. A tend&ecirc;ncia &eacute; a popula&ccedil;&atilde;o consumidora no Brasil daqui a cinco, dez anos, estar na TV paga, no celular, na internet. N&atilde;o mais na TV aberta. Em pa&iacute;ses como Estados Unidos, Jap&atilde;o, Holanda, It&aacute;lia, Inglaterra, Fran&ccedil;a, a TV aberta est&aacute; desaparecendo: 90% das resid&ecirc;ncias americanas t&ecirc;m TV por assinatura e uns 60% t&ecirc;m banda larga em casa. <\/p>\n<p><strong>Quais as quest&otilde;es fundamentais para o futuro?<\/strong><br \/>Duas coisas s&atilde;o importantes e t&ecirc;m que vir unidas. Uma &eacute; a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga. Precisamos de uma pol&iacute;tica que fa&ccedil;a com que, em um prazo exequ&iacute;vel, digamos, dez anos, a banda larga seja t&atilde;o disseminada no Brasil quanto &eacute; a TV hoje. &Eacute; &oacute;bvio que isso demanda uma pol&iacute;tica pesada de Estado; sen&atilde;o, n&atilde;o vai acontecer. Outra &eacute; ter uma pol&iacute;tica de conte&uacute;do. Assegurar que, por meio dessa infraestrutura, se garanta aos mais variados produtores de m&iacute;dia a capacidade de se expressar, de produzir, de fazer com que sua informa&ccedil;&atilde;o, seu produto, sua ideia, sua mensagem esteja ali, da maneira que voc&ecirc; queira colocar. Pode ser uma p&aacute;gina de internet, um canal de r&aacute;dio comunit&aacute;ria, de TV comunit&aacute;ria&#8230; &Eacute; preciso assegurar o espa&ccedil;o, pois n&atilde;o h&aacute; capacidade infinita de transporte, h&aacute; um n&uacute;mero limitado de canais de TV, de &aacute;udio, de TV sob demanda, de canais interativos. <\/p>\n<p><strong>Por que as discuss&otilde;es sobre comunica&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o mobilizam outros setores? <br \/><\/strong>Falta, na sociedade brasileira, uma vis&atilde;o clara sobre comunica&ccedil;&atilde;o. O problema da comunica&ccedil;&atilde;o fica restrito aos comunic&oacute;logos. O do petr&oacute;leo, aos petroleiros; o de sa&uacute;de, ao pessoal da sa&uacute;de. N&atilde;o se discute isso em um sentido sist&ecirc;mico, em um projeto de pa&iacute;s. Faltam educadores, falta a turma de sa&uacute;de nesse debate. Faltam tamb&eacute;m os cineastas. Todos os que criam conte&uacute;do t&ecirc;m de estar nessa discuss&atilde;o, porque pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o social &eacute; tamb&eacute;m pol&iacute;tica de conte&uacute;do. E a pol&iacute;tica de conte&uacute;do deve assegurar n&atilde;o apenas os conte&uacute;dos comerciais, mas um espa&ccedil;o amplo para a produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o comercial, a produ&ccedil;&atilde;o social, a produ&ccedil;&atilde;o cultural. Isso implica n&atilde;o s&oacute; espa&ccedil;o para transmitir, mas apoio do Estado, fomento para produ&ccedil;&otilde;es. Uma quest&atilde;o que me preocupa muito &eacute; a do conte&uacute;do nacional, inclusive no espa&ccedil;o comercial. Nada justifica que voc&ecirc; n&atilde;o tenha cotas para produ&ccedil;&atilde;o nacional at&eacute; mesmo nos canais estrangeiros. Esse &eacute; um princ&iacute;pio aceito internacionalmente. Os pa&iacute;ses t&ecirc;m direito a proteger sua cultura. Na Europa, os pa&iacute;ses da comunidade s&atilde;o obrigados a implantar uma pol&iacute;tica de cotas para a produ&ccedil;&atilde;o europeia. Cada pa&iacute;s tem sua pol&iacute;tica de cotas da produ&ccedil;&atilde;o nacional. <\/p>\n<p><strong>Como definir uma pol&iacute;tica diante de posi&ccedil;&otilde;es t&atilde;o divergentes?<\/strong><br \/>&Eacute; preciso desarmar os esp&iacute;ritos e construir consensos. Em toda discuss&atilde;o tem de haver concess&atilde;o, a democracia passa por a&iacute;. N&atilde;o d&aacute; para querer tudo e n&atilde;o perder nada. Os notici&aacute;rios, por exemplo, t&ecirc;m de ser mais neutros, &eacute; preciso abrir espa&ccedil;os para vozes divergentes nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Na TV brasileira h&aacute; absolutos consensos, n&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para o debate, para a veicula&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&otilde;es efetivamente antag&ocirc;nicas. Tem que fazer concess&otilde;es, entender que temos uma sociedade plural. O papel do governo seria construir esse consenso. <\/p>\n<p><em>Marcos Dantas &eacute; professor do Departamento de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da PUC-RJ. Foi Secret&aacute;rio de Educa&ccedil;&atilde;o &agrave; Dist&acirc;ncia do MEC, secret&aacute;rio de Planejamento e Or&ccedil;amento do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, representante do Poder Executivo no Conselho Consultivo da Anatel, representante do MEC no Conselho Deliberativo e no Comit&ecirc; Gestor do Programa TV Digital, representante do governo no Comit&ecirc; Gestor da Internet-Brasil.<\/em><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->Especialista em pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o fala sobre propostas a serem disputadas na confer&ecirc;ncia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1105],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23312"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23312"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23312\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23312"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}