{"id":23304,"date":"2009-09-04T16:13:11","date_gmt":"2009-09-04T16:13:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23304"},"modified":"2009-09-04T16:13:11","modified_gmt":"2009-09-04T16:13:11","slug":"sexismo-e-preconceitos-em-serie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23304","title":{"rendered":"Sexismo e preconceitos em s\u00e9rie"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Afigura-se enorme o grau de sexismo que ronda a pr&oacute;xima disputa eleitoral &ndash; em que tr&ecirc;s candidaturas &agrave; Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, situadas, em grada&ccedil;&otilde;es variadas, &agrave; esquerda do espectro pol&iacute;tico, podem vir a ser representadas por mulheres: Helo&iacute;sa Helena (PSOL), Marina Silva (PV) e Dilma Rousseff (PT).<\/p>\n<p>Com mais de um ano de campanha pela frente, tr&ecirc;s epis&oacute;dios recentes parecem justificar tais temores &ndash; sobretudo por, como veremos a seguir, n&atilde;o serem desferidos pelas for&ccedil;as mais conservadoras da sociedade, mas por comentadores culturais mais ou menos liberais.<\/p>\n<p>O primeiro foi a publica&ccedil;&atilde;o de um post por Marcelo Coelho em seu blog, intitulado &quot;Lina Vieira, Dilma Rousseff&quot;, no qual a an&aacute;lise sobre o caso envolvendo as duas figuras p&uacute;blicas limita-se a um contraste sexista entre a &quot;feminilidade de Lina Vieira e a dureza de Dilma&quot;. Num epis&oacute;dio que se tipificou, na &quot;grande imprensa&quot;, pela invers&atilde;o do princ&iacute;pio consagrado do Direito segundo o qual o &ocirc;nus da prova cabe ao acusador, Coelho promove outra invers&atilde;o: entre acusadora e acusada. Assim, acrescenta miopia pol&iacute;tica e abordagem tendenciosa a um sexismo &agrave; la anos 1950: Lina, ap&oacute;s ter sido, segundo ele, &quot;massacrada no Senado por Romero Juc&aacute;, l&iacute;der da base governista&quot;, &quot;tornou-se fr&aacute;gil, delicada, do jeito que todo homem espera de uma mulher. Triste e bonito destino&quot;.<\/p>\n<p><strong>Machismo proustiano<\/strong><\/p>\n<p>N&atilde;o se sabe de onde o cultivado Coelho tirou essa ideia de que &quot;todo homem&quot; espera que uma mulher se torne &quot;fr&aacute;gil e delicada&quot; ap&oacute;s ser &quot;massacrada&quot;, mas come&ccedil;ar pelo Marqu&ecirc;s de Sade talvez seja uma boa op&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>J&aacute; contra Dilma, o cr&iacute;tico cultural da <em>Folha <\/em>brada as acusa&ccedil;&otilde;es de sempre: autoritarismo, &quot;aus&ecirc;ncia de charme&quot;, falta de feminilidade &ndash; s&oacute; falta chamar de marimacho. Em rela&ccedil;&atilde;o a Marina Silva, Helo&iacute;sa Helena e Marta Suplicy, ele pergunta, em tom de acusa&ccedil;&atilde;o: que mulheres s&atilde;o essas?<\/p>\n<p>Sob o pretexto de responder &agrave; pergunta-acusa&ccedil;&atilde;o, elenca preconceitos em s&eacute;rie: Helo&iacute;sa Helena, embora &quot;pudesse ser atraente&quot;, &quot;representa, na verdade, a mesma dureza que Dilma encarna, numa vers&atilde;o mais burguesa. Por que, indago, n&atilde;o ser simplesmente uma mulher?&quot; &Eacute; mais uma das muitas platitudes chauvinistas de um texto recheado de p&eacute;rolas do tipo &quot;o grande problema de uma mulher combativa &eacute; o de n&atilde;o parecer hist&eacute;rica&quot; e no qual a inclus&atilde;o inexplicada de Marta Suplicy &ndash; sobretudo se analisada face &agrave; exclus&atilde;o de qualquer outra pol&iacute;tica da direita nacional (algumas com maior evid&ecirc;ncia do que a petista), como Yeda Crusius, Roseana Sarney, Rosinha Garotinho ou K&aacute;tia Abreu &ndash; &eacute; significativa das antipatias pol&iacute;tico-ideol&oacute;gicas do colunista, que ao sexismo v&ecirc;m se somar.<\/p>\n<p>A grosseria maior de Coelho &eacute; direcionada a Marina Silva, que segundo ele n&atilde;o tem nenhum charme e contra a qual, como um mach&atilde;o de pornochanchada dos anos 1970, comete a agress&atilde;o suprema de afirmar que ela &quot;n&atilde;o &eacute; desej&aacute;vel sexualmente&quot;. Educa&ccedil;&atilde;o refinada, a do mo&ccedil;o.<\/p>\n<p>Embora Coelho tenha tido, ao menos, a dec&ecirc;ncia de, com rapidez e de forma clara, sem subterf&uacute;gios, reconhecer que errou e pedir desculpas &ndash; procedimento rar&iacute;ssimo nas cercanias da Alameda Bar&atilde;o de Limeira &ndash;, fica a pergunta: que &oacute;dios tamanhos teriam levado um cr&iacute;tico cultural de autoproclamados laivos proustianos, da melhor estirpe uspiana, que sempre se caracterizou por an&aacute;lises equilibradas e detalhadas, a descer t&atilde;o baixo?<\/p>\n<p><strong>Liberais chauvinistas<\/strong><\/p>\n<p>O segundo epis&oacute;dio deplor&aacute;vel veio &agrave; tona atrav&eacute;s de um tweet [mensagem de no m&aacute;ximo 140 caracteres transmitida via Twitter] enviado, na segunda-feira, 24\/08, &agrave;s 23:09h, pelo jornalista Jorge Pontual: &quot;Se voc&ecirc; receber um email intitulado `Fotos nuas de Dilma Rousseff&acute;, n&atilde;o abra! Pode realmente conter fotos de Dilma Rousseff nua.&quot;<\/p>\n<p>O impacto, capilarizado pelo efeito-cascata do Twitter, foi grande, para o que contribuiu o contraste entre a imagem vendida pelo correspondente da Globo em Nova York &ndash; que busca associ&aacute;-lo &agrave; urbanidade e ao liberalismo &ndash; e uma piada t&atilde;o infame e sexista.<\/p>\n<p>Pode-se argumentar, como exerc&iacute;cio de defesa, que Pontual provavelmente agiu por ingenuidade: achou a piada engra&ccedil;ada e resolveu divulg&aacute;-la, achando que o m&aacute;ximo que provocaria seria um ataque de risos &ndash; sem se dar conta nem da temperatura da disputa pr&eacute;-eleitoral nem do conte&uacute;do machista derris&oacute;rio &agrave; imagem de qualquer mulher &ndash; quanto mais de uma candidata popular &ndash; imediatamente detectado por parte dos seguidores de Pontual na rede. Por&eacute;m, por mais que a din&acirc;mica pr&oacute;pria do Twitter fa&ccedil;a com que uma mensagem n&atilde;o se circunscreva necessariamente ao &acirc;mbito da representa&ccedil;&atilde;o &quot;institucional&rsquo; (leia-se, &quot;jornalista da Rede Globo&quot;) e ceda espa&ccedil;o &agrave; express&atilde;o do universo pessoal, uma declara&ccedil;&atilde;o dessas atinge, a um tempo, o ser humano e o jornalista enquanto profissional &ndash; pondo em quest&atilde;o, ante parcela do p&uacute;blico, tanto sua imparcialidade para lidar, de agora em diante, com tudo que se refira &agrave; candidata em quest&atilde;o, quanto, de forma mais ampla, seu sistema de valores enquanto mediador de sentidos (inclusive morais) para milh&otilde;es de telespectadores.<\/p>\n<p>A demora em se retratar e, sobretudo, a arrog&acirc;ncia impl&iacute;cita n&atilde;o apenas em seu pedido de desculpas (que, debochando de Alo&iacute;zio Mercadante, afirma que &quot;trata-se de decis&atilde;o irrevog&aacute;vel&quot; n&atilde;o mais divulgar mensagens do tipo), mas nos tweets seguintes &ndash; orbitando em torno das tem&aacute;ticas da sexualidade e da repress&atilde;o &ndash; angariou mais rea&ccedil;&otilde;es contr&aacute;rias.<\/p>\n<p>Como apontou a blogueira Marjorie Rodrigues, n&atilde;o passaria pela cabe&ccedil;a de ningu&eacute;m ridicularizar publicamente a masculinidade de Jos&eacute; Serra (e nem de Lula, acrescentaria eu para &quot;despartidarizar&quot; a quest&atilde;o). Para al&eacute;m do fato de a masculinidade dos candidatos estar a salvo dos questionamentos da imprensa &ndash; o que, como se sabe, n&atilde;o ocorre com as mulheres que se candidatam &ndash;, talvez seja prudente enfatizar que o machismo socialmente arraigado no Brasil vai bem mais longe. <\/p>\n<p>A masculinidade dos principais pol&iacute;ticos, se heterossexuais, tende a s&oacute; ser tematizada se sob vi&eacute;s positivo (j&aacute; em se tratando de homossexuais, o machismo tende a dar lugar &agrave; homofobia). Isso fica evidente, por exemplo, na recorrente abordagem do comportamento de A&eacute;cio Neves, sobre quem h&aacute; toda uma boataria quanto ao seu curr&iacute;culo sexual (&quot;As loiras do A&eacute;cio&quot;, como se l&ecirc; jocosamente nas colunas sociais), expressiva dessa forma particularmente curiosa de machismo que &eacute; o orgulho pela conquista alheia. &Eacute; precisamente essa assimetria no tratamento da quest&atilde;o de g&ecirc;neros que a aparentemente ing&ecirc;nua piada sobre Dilma &quot;twitada&quot; por Jorge Pontual a um tempo oculta e repisa.<\/p>\n<p><strong>O machismo feminino<\/strong><\/p>\n<p>O terceiro e &uacute;ltimo fato sexista da semana foi a inacredit&aacute;vel coluna em forma de blog de Ruth de Aquino em <em>&Eacute;poca<\/em>, intitulada &quot;Abaixa esses dedos em riste, Dilma&quot;. O tom imperativo do t&iacute;tulo &eacute; um indicativo da trucul&ecirc;ncia verbal que est&aacute; por vir &ndash; trucul&ecirc;ncia esta que Aquino acusa em Dilma Rousseff, como parte dos esfor&ccedil;os para &quot;colar&quot;, pela en&eacute;sima vez, o r&oacute;tulo de autorit&aacute;ria na pr&eacute;-candidata do PT. Dessa vez, at&eacute; um expert &eacute; chamado para dar bases pseudocient&iacute;ficas &agrave; opera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A coluna &eacute; de uma baixeza e de um &oacute;dio figadal que a tentativa de afetar imparcialidade soa n&atilde;o apenas canhestra, mas parece evidenciar ainda mais a m&aacute;-f&eacute;. A colunista distorce os dados relativos &agrave;s pesquisas de inten&ccedil;&atilde;o de votos em Dilma, pintando, a partir dessa leitura distorcida, um quadro pol&iacute;tico-eleitoral inveross&iacute;mil, baseado sempre no &quot;ouvi-dizer&quot;, sem citar uma &uacute;nica fonte pass&iacute;vel de checagem; acusa, por vias transversas, Dilma de mentirosa por, entre outras coisas, ela ter negado o encontro com Lina (como se esta tivesse produzido uma prova sequer de que ele de fato ocorrera); e, por fim, apresenta at&eacute; &quot;informa&ccedil;&otilde;es&quot; equivocadas (como a de que a ministra n&atilde;o teria conclu&iacute;do o mestrado, quando na verdade o fez; o que ela n&atilde;o concluiu foi o doutorado).<\/p>\n<p>Mas o pior &eacute; a cr&iacute;tica sexista que domina o artigo, perpetuada atrav&eacute;s do contraste da figura de Dilma com uma imagem idealizada do feminino como docilidade e &quot;bons modos&quot; &ndash; como se estiv&eacute;ssemos em plena Inglaterra vitoriana. Para tanto, Aquino utiliza-se de uma s&eacute;rie de fotos que captam flagrantes ocasionais de Dilma apresentando-se em p&uacute;blico, sem apresentar a m&iacute;nima contextualiza&ccedil;&atilde;o e imbuindo-as de uma significa&ccedil;&atilde;o predefinida de um modo t&atilde;o tosco que uma crian&ccedil;a que nunca ouviu falar em an&aacute;lise do discurso desconstruiria tal leitura em poucos segundos. Assim, para tentar refor&ccedil;ar a p&iacute;fia argumenta&ccedil;&atilde;o, a colunista chama um &quot;psicanalista&quot;, Francisco Daudt.<\/p>\n<p>Daudt &eacute; aquele mesmo que, no dia posterior ao acidente com o avi&atilde;o da TAM em Congonhas, declarou &agrave; <em>Folha de S.Paulo <\/em>que &quot;gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, `Governo assassina mais de 200&acute;&quot;. Ou seja, demonstra n&atilde;o ter nem equil&iacute;brio emocional nem isen&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para opinar no caso (o que as investiga&ccedil;&otilde;es sobre o acidente comprovaram, desmentindo-o). Trata-se de mais um desses pseudo-experts sempre &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia para referendar seus ataques de baixo n&iacute;vel.<\/p>\n<p>Trechos da entrevista falam por si:<\/p>\n<p>** &quot;Dilma fez pl&aacute;stica porque a cara que ela tinha antes da pl&aacute;stica era assustadora, era a cara de uma pessoa agressiva, autorit&aacute;ria, impositiva, de dar medo&quot; &ndash; alguma coisa dr. Daudt e Danuza Le&atilde;o t&ecirc;m em comum, como se v&ecirc;.<\/p>\n<p>** Pergunta: &quot;O que representa esse dedo erguido, a m&atilde;o crispada?&quot; Resposta: &quot;H&aacute; v&aacute;rios tipos de dedo em riste (&#8230;) O dedo cujas costas da m&atilde;o est&atilde;o viradas para o interlocutor, enquanto os outros est&atilde;o fechados, &eacute; um gesto stalinista, reflete o desejo de impor uma opini&atilde;o (&#8230;) O dedo erguido &eacute; quase um lembrete: olhe, a an&aacute;gua est&aacute; aparecendo.&quot;<\/p>\n<p><strong>Armadilhas de g&ecirc;nero<\/strong><\/p>\n<p>Como essa &quot;taxonomia do dedo&quot; de ares lombrosianos, exata em sua cientificidade e fina em sua express&atilde;o, demonstra com brilho, o artigo de Aquino &eacute; um engodo. Serve, por&eacute;m, como um alerta para as armadilhas das quest&otilde;es de g&ecirc;nero, com o ataque sexista mais pesado &agrave; Dilma vindo da lavra de outra mulher, uma semana ap&oacute;s a coluna extremamente agressiva escrita por Danuza Le&atilde;o.<\/p>\n<p>A leitura do texto da colunista da <em>&Eacute;poca<\/em>, contrastada &agrave; relativamente alta audi&ecirc;ncia do blog, choca como retrato da dieta &quot;cultural&quot; a que &eacute; submetida uma legi&atilde;o de leitores &ndash; e, no caso de Aquino, de leitoras, sobretudo &ndash;, inocentes do produto de baixo n&iacute;vel que lhes &eacute; oferecido e, n&atilde;o poucos, como se l&ecirc; nos coment&aacute;rios abaixo do texto da colunista, crentes que aquilo &eacute; bom jornalismo.<\/p>\n<p>Por fim, conv&eacute;m lembrar que Aquino, respons&aacute;vel por um texto &eacute;tica e jornalisticamente t&atilde;o abaixo do n&iacute;vel m&iacute;nimo que se espera de um produto associado a uma grande revista semanal, &eacute; nada menos do que a diretora da revista <em>&Eacute;poca <\/em>no Rio. Numa triste ironia, trata-se de uma mulher que se al&ccedil;ou a uma alta posi&ccedil;&atilde;o ocupada majoritariamente por homens &ndash; realizando, assim, um dos objetivos b&aacute;sicos do feminismo de resultados &ndash;, mas que se utiliza de sua posi&ccedil;&atilde;o para desferir ataques sexistas e infundados &agrave; candidata presidencial com mais chances, na hist&oacute;ria do Brasil, de ser a primeira mulher a assumir a presid&ecirc;ncia.<\/p>\n<p><em>* Maur&iacute;cio Caleiro &eacute; jornalista, cineasta e doutorando em Comunica&ccedil;&atilde;o pela UFF.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Afigura-se enorme o grau de sexismo que ronda a pr&oacute;xima disputa eleitoral<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23304"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23304"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23304\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23304"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23304"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23304"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}