{"id":23303,"date":"2009-09-03T19:32:56","date_gmt":"2009-09-03T19:32:56","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23303"},"modified":"2009-09-03T19:32:56","modified_gmt":"2009-09-03T19:32:56","slug":"regras-eleitorais-decisoes-proximas-do-ridiculo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23303","title":{"rendered":"Regras eleitorais: Decis\u00f5es pr\u00f3ximas do rid\u00edculo"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><em>Coment&aacute;rio para o programa radiof&ocirc;nico do OI, 3\/9\/2009<\/em><\/p>\n<p>Os jornais vinham acompanhando sem muito empenho os debates e a vota&ccedil;&atilde;o na C&acirc;mara dos Deputados e no Senado Federal sobre as novas regras eleitorais, por meio das quais os parlamentares tentam pela primeira vez regulamentar o uso da internet em campanha pol&iacute;tica. Longe dos olhos da opini&atilde;o p&uacute;blica, os deputados haviam enfiado no projeto de reforma uma s&eacute;rie de medidas que, na pr&aacute;tica, tentam equiparar a internet ao r&aacute;dio e &agrave; televis&atilde;o, que t&ecirc;m o conte&uacute;do monitorado durante o per&iacute;odo da campanha.<\/p>\n<p>Do jeito que chegou ao Senado, a proposta aprovada na C&acirc;mara proibia, por exemplo, a divulga&ccedil;&atilde;o de charges e coment&aacute;rios em sites e blogs durante os tr&ecirc;s meses da campanha &ndash; que come&ccedil;a oficialmente no dia 5 de julho do ano que vem.<\/p>\n<p>Os relatores das comiss&otilde;es do Senado, Marco Maciel e Eduardo Azeredo, deixaram passar a tentativa de controle, sob os olhares pouco interessados da chamada grande imprensa. Somente no final da quarta-feira (2\/9), depois que o assunto j&aacute; provocava muita indigna&ccedil;&atilde;o de internautas e de alguns juristas, os senadores come&ccedil;aram a se manifestar contra a proposta e a decis&atilde;o acabou sendo adiada para a semana seguinte. <\/p>\n<p><strong>Livre de controles<\/strong><\/p>\n<p>Durante os debates, ficou muito claro que Maciel e Azeredo andaram tomando decis&otilde;es sobre assunto que desconhecem. O senador do PSDB, por exemplo, chegou a declarar que o YouTube deveria seguir as mesmas regras da televis&atilde;o. S&oacute; n&atilde;o explicou como a Justi&ccedil;a Eleitoral iria proibir algu&eacute;m de montar um site no exterior e postar v&iacute;deos a favor ou contra determinado candidato.<\/p>\n<p>No meio dos debates, quando finalmente o tema come&ccedil;ou a agitar o Senado e atrair maior aten&ccedil;&atilde;o dos sites jornal&iacute;sticos, foi divulgado o resumo do julgamento da Lei de Imprensa no Supremo Tribunal Federal. No texto, o relator, ministro Carlos Ayres Britto, deixa claro que a internet deve ser considerada &quot;territ&oacute;rio virtual livremente veiculador de id&eacute;ias, debate, not&iacute;cia e tudo mais que se contenha no conceito essencial da plenitude da informa&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica&quot;.<\/p>\n<p>O processo de impor restri&ccedil;&otilde;es &agrave; internet foi interrompido. Mas o assunto est&aacute; longe de ser encerrado e o Congresso Nacional andou beirando o rid&iacute;culo.<\/p>\n<p>O Brasil tem quase 70 milh&otilde;es de usu&aacute;rios de internet, e os brasileiros s&atilde;o os mais ativos nas chamadas redes sociais virtuais. Assim, &eacute; natural que pol&iacute;ticos conservadores, habituados a controlar seus currais eleitorais, temam os resultados de uma elei&ccedil;&atilde;o na qual as escolhas n&atilde;o ficar&atilde;o restritas &agrave; influ&ecirc;ncia do r&aacute;dio e da televis&atilde;o.<\/p>\n<p>Lembre-se o leitor(a) atento(a) que muitos parlamentares s&atilde;o donos de concess&otilde;es de r&aacute;dio e TV, e que a imprensa tradicional nunca colocou esse tema em debate p&uacute;blico; tem sido c&uacute;mplice dessa ilegalidade.<\/p>\n<p>Quando o desenvolvimento tecnol&oacute;gico coloca &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o da sociedade um meio amplo, livre de controles, os parlamentares tentam inventar uma forma de restringir seu uso. Sob o olhar distra&iacute;do da imprensa.<\/p>\n<p><strong>Candidatos a censores<\/strong><\/p>\n<p>Os candidatos a controladores da internet seguem ativos no Congresso, mas na quinta-feira (3\/9), pela primeira vez, os jornais dedicam &agrave; mini-reforma eleitoral um espa&ccedil;o adequado. O tema deve ir &agrave; vota&ccedil;&atilde;o no come&ccedil;o da semana que vem, e n&atilde;o se pode adivinhar o que vai sair da cabe&ccedil;a dos legisladores, mas alguns ensaios de liberaliza&ccedil;&atilde;o j&aacute; come&ccedil;aram a aparecer.<\/p>\n<p>Uma das propostas consiste em agilizar o direito de resposta, que teria de ser garantido no prazo m&aacute;ximo de 48 horas ap&oacute;s a inser&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do considerado ofensivo a algum candidato. Al&eacute;m disso, a corre&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ficar no ar por pelo menos o dobro do tempo em que ficou exposto o conte&uacute;do ofensivo.<\/p>\n<p>A proposta aprovada na quarta-feira (2) pelas comiss&otilde;es de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a e de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Senado &eacute; um primor de conservadorismo e uma clara demonstra&ccedil;&atilde;o de que os integrantes dos dois comit&ecirc;s caminharam ao largo dos direitos essenciais de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, pelas declara&ccedil;&otilde;es com as quais tentaram se justificar, fica claro que al&eacute;m de n&atilde;o serem muito entusiasmados com o livre debate de id&eacute;ias, tamb&eacute;m est&atilde;o muito longe de entender o que s&atilde;o os novos meios de comunica&ccedil;&atilde;o em rede.<\/p>\n<p>Mas o que mais chama aten&ccedil;&atilde;o do observador &eacute; o fato de que os chamados grandes jornais demonstram surpresa com os pareceres aprovados nas duas comiss&otilde;es. <\/p>\n<p>A solu&ccedil;&atilde;o encontrada para remediar a situa&ccedil;&atilde;o foi tentar aprovar uma emenda no plen&aacute;rio revogando os itens que representam censura aos meios online. Mas nada garante que n&atilde;o acabe passando um monstrengo sem sentido. Ainda corremos o risco de ter uma lei que tentar&aacute; submeter a controle aquilo que nasceu para ser livre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Os candidatos a controladores da internet seguem ativos no Congresso Nacional<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23303"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23303"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23303\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}