{"id":23292,"date":"2009-09-02T15:25:29","date_gmt":"2009-09-02T15:25:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23292"},"modified":"2009-09-02T15:25:29","modified_gmt":"2009-09-02T15:25:29","slug":"tv-comunitaria-de-vitoria-e-dirigida-por-ex-secretario-estadual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23292","title":{"rendered":"TV comunit\u00e1ria de Vit\u00f3ria \u00e9 dirigida por ex-secret\u00e1rio estadual"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t     <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><span class=\"padrao\">Enquanto sobram conte&uacute;dos na TV que n&atilde;o contribuem para incentivar a cidadania, uma oportunidade de mudar o foco dos conte&uacute;dos televisivos &eacute; mal aproveitada. Poucas s&atilde;o as pessoas que sabem que as entidades da sociedade civil t&ecirc;m uma emissora de televis&atilde;o, o canal comunit&aacute;rio previsto pela Lei do Cabo, de 1995. As limita&ccedil;&otilde;es do modelo &ndash; que disponibiliza um &uacute;nico canal para o conjunto das organiza&ccedil;&otilde;es &ndash;, as dificuldades de articula&ccedil;&atilde;o entre entidades, a pouca disposi&ccedil;&atilde;o das operadoras para de fato ofertar o canal e a falta de informa&ccedil;&atilde;o fizeram com que, em Vit&oacute;ria, ele s&oacute; fosse ocupado dez anos depois, em 2005. Desde ent&atilde;o, ele passou a hospedar a TV Ambiental e &eacute; gerenciado por um grupo liderado pelo bi&oacute;logo e ex-secret&aacute;rio estadual de Meio Ambiente Almir Bressan J&uacute;nior. <\/p>\n<p>A TV Ambiental &eacute; transmitida pelas operadoras Net (canal 10) e RCA (canal 2). A grade de programa&ccedil;&atilde;o conta com sete programas que, segundo Almir Bressan, s&atilde;o feitos por uma produtora chamada Din&acirc;mica Produ&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Fala-se em cultura, com&eacute;rcio-exterior, log&iacute;stica, de desenvolvimento sustent&aacute;vel e da vida da cidade&rdquo;, relata. Se de um lado exalta a programa&ccedil;&atilde;o, a falta de objetividade para responder quest&otilde;es sobre a gest&atilde;o do canal deixa claro que ao menos de uma qualidade a TV ainda carece: transpar&ecirc;ncia. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil conseguir informa&ccedil;&otilde;es sobre o funcionamento desse canal que &eacute; p&uacute;blico e, segundo a legisla&ccedil;&atilde;o, deveria ser gerido pelo conjunto das entidades interessadas.<\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\">Segundo Bressan, que afirma estar licenciado de fun&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, existe uma entidade que coordena o uso da TV comunit&aacute;ria. &Eacute; a Associa&ccedil;&atilde;o dos Canais Comunit&aacute;rios de Vit&oacute;ria, que tem o pr&oacute;prio Bressan como presidente. No entanto, a lista de quem participa dessa associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; p&uacute;blica. Ela n&atilde;o possui nem ao menos um site e seu presidente restringe-se a dizer que s&atilde;o &ldquo;v&aacute;rias entidades&rdquo;.<\/p>\n<p>At&eacute; uma informa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica como o local de funcionamento da associa&ccedil;&atilde;o &eacute; omitida. Perguntado sobre o endere&ccedil;o da organiza&ccedil;&atilde;o, Bressan se limita a dizer que ela se situa no centro de Vit&oacute;ria. Independente da desconfian&ccedil;a que a falta desta informa&ccedil;&atilde;o possa gerar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; gest&atilde;o do canal, no m&iacute;nimo esta omiss&atilde;o impede que uma organiza&ccedil;&atilde;o social que deseja participar do canal, o que &eacute; seu direito, consiga contatar a associa&ccedil;&atilde;o. Mesmo assim, o diretor da TV afirma que o grupo que quiser participar de alguma forma no canal pode procur&aacute;-lo &ldquo;para conversar sobre a proposta&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Se o canal n&atilde;o for utilizado pelas entidades, ele fica como qualquer outro canal comercial&rdquo;, critica Fernando Trezza, representante da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rios (ABCCom).<\/p>\n<p>Outra informa&ccedil;&atilde;o que deveria ser p&uacute;blica &eacute; a forma de financiamento do canal. O modelo mais comumente adotado pelos canais comunit&aacute;rios &eacute; que a entidade que realiza um determinado programa banca seu custo de produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; uma sa&iacute;da encontrada pelas organiza&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que &eacute; proibida a propaganda comercial nesses canais e tamb&eacute;m n&atilde;o existe nenhum tipo de mecanismo de financiamento p&uacute;blico para eles. <\/p>\n<p>No caso capixaba, n&atilde;o foi poss&iacute;vel conhecer a forma com que a TV consegue sustentar sua programa&ccedil;&atilde;o. O diretor da TV Ambiental afirmou que os custos de produ&ccedil;&atilde;o s&atilde;o elevados, mas tamb&eacute;m n&atilde;o disse quem paga a confec&ccedil;&atilde;o dos programas.<\/p>\n<p><strong>A autoriza&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p><\/strong>Diferente do que ocorre com os canais abertos de r&aacute;dio e TV, o grupo interessado em coordenar o uso de um canal comunit&aacute;rio n&atilde;o precisa passar por avalia&ccedil;&atilde;o do governo Federal e do Congresso Nacional. Ele entra em contato direto com a operadora de TV a cabo local, que analisa o pedido e depois distribui a programa&ccedil;&atilde;o para os seus assinantes. Quando h&aacute; mais de um grupo pleiteando o canal, &eacute; feita uma tentativa de acordo entre eles para que haja um consenso em rela&ccedil;&atilde;o ao seu uso.<\/p>\n<p>A autoriza&ccedil;&atilde;o para ocupa&ccedil;&atilde;o do canal comunit&aacute;rio pela TV Ambiental foi dada em 2005. A forma como isso foi feito, por&eacute;m, tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; clara. A operadora Net n&atilde;o quis explicar como foi o processo para a concess&atilde;o da autoriza&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o soube informar nem qual a data correta em que a autoriza&ccedil;&atilde;o foi emitida.<\/p>\n<p>Sabe-se que, para conseguir a autoriza&ccedil;&atilde;o, a entidade que pretende gerenciar o canal deve cumprir alguns crit&eacute;rios. Um deles diz que empresas privadas n&atilde;o podem participar da gest&atilde;o da emissora comunit&aacute;ria. Outro, afirma que o gestor n&atilde;o pode proibir que outras entidades p&uacute;blicas tenham espa&ccedil;o na programa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em caso de den&uacute;ncia de mau uso do canal, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico ou a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) podem ser acionados, por interm&eacute;dio da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Canais Comunit&aacute;rios (ABCCom). <\/p>\n<p><strong>Hist&oacute;rico<\/strong><\/p>\n<p>O grupo de Almir Bressan n&atilde;o foi o &uacute;nico interessado em usar a TV comunit&aacute;ria. Antes da ocupa&ccedil;&atilde;o do canal, houve uma tentativa de v&aacute;rias entidades da sociedade civil de fazer isso. O Sindicato dos Jornalistas do Esp&iacute;rito Santo foi um dos principais agentes da articula&ccedil;&atilde;o, que terminou frustrada. <\/p>\n<p>A jornalista e coordenadora de Comunica&ccedil;&atilde;o do Sindicato dos Banc&aacute;rios Sueli de Freitas era presidente do Sindicato dos Jornalistas na &eacute;poca. Ela conta que as entidades estavam organizadas e conseguiram at&eacute; avan&ccedil;ar na quest&atilde;o burocr&aacute;tica. &ldquo;Chegamos a fazer uma proposta de estatuto e a criar uma associa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz Sueli. A associa&ccedil;&atilde;o foi batizada com o nome do jornalista morto em um acidente de tr&acirc;nsito Jos&eacute; Carlos Luz Marques.<\/p>\n<p>A diretoria provis&oacute;ria era formada por pessoas como Paulo Buback, representando o Sindicato dos Engenheiros, David Protti, professor universit&aacute;rio, e a pr&oacute;pria Sueli. A organiza&ccedil;&atilde;o, por&eacute;m, nunca chegou a se efetivar. Existiu apenas no papel. <\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m complicou o funcionamento do canal &agrave;quela &eacute;poca. A lei que cria a TV comunit&aacute;ria n&atilde;o s&atilde;o estabelece alternativas de capta&ccedil;&atilde;o de recursos, por exemplo, j&aacute; que o uso de publicidade comercial &eacute; proibido. &ldquo;Pensamos em criar uma contribui&ccedil;&atilde;o das entidades que participavam da discuss&atilde;o&rdquo;, afirma Sueli. Iniciativa que tamb&eacute;m n&atilde;o foi em frente. <\/p>\n<p>As quest&otilde;es financeiras e organizativas n&atilde;o foram os &uacute;nicos problemas que impediram a associa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o funcionou. &ldquo;A maioria das pessoas n&atilde;o tinha tempo de se dedicar. N&atilde;o sei se a constru&ccedil;&atilde;o do canal era prioridade para as entidades. Nem do Sindicato dos Jornalistas era&rdquo;, avalia Sueli. <\/p>\n<p>A id&eacute;ia era ocupar a programa&ccedil;&atilde;o inicialmente com v&iacute;deos j&aacute; produzidos pelas entidades. No entanto, uma tela com a frase &ldquo;Canal Comunit&aacute;rio em Constru&ccedil;&atilde;o&rdquo; e o telefone do Sindicato dos Jornalistas foi a &uacute;nica &ldquo;programa&ccedil;&atilde;o&rdquo; que esse grupo de pessoas conseguiu colocar no ar.<\/p>\n<p>A atual presidente do Sindicato dos Jornalistas, Suzana Tatagiba, v&ecirc; com preocupa&ccedil;&atilde;o a forma como &eacute; ocupado hoje o canal comunit&aacute;rio em Vit&oacute;ria. Ela afirma desconhecer a associa&ccedil;&atilde;o que gerencia o canal e acredita que o tema deve voltar &agrave; pauta de discuss&atilde;o dos interessados na democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o.  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"padrao\"><strong>Legisla&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>As TVs comunit&aacute;rias surgiram por meio da lei 8.977 de 1995. Conhecida como Lei do Cabo, ela regulamenta todo o servi&ccedil;o. Al&eacute;m disso, &eacute; nela que surge a obriga&ccedil;&atilde;o das operadoras em oferecer os chamados &ldquo;canais cidad&atilde;os&rdquo;, um deles, a TV para uso comunit&aacute;rio. <\/p>\n<p>S&atilde;o seis canais de utiliza&ccedil;&atilde;o gratuita previstos em lei, divididos da seguinte forma: um canal legislativo municipal\/estadual, reservado para o uso compartilhado entre as c&acirc;maras de vereadores e a Assembl&eacute;ia Legislativa do respectivo Estado; um canal reservado para a C&acirc;mara dos Deputados; um canal reservado para o Senado Federal; um canal universit&aacute;rio; um canal educativo-cultural e um canal comunit&aacute;rio aberto para utiliza&ccedil;&atilde;o livre por entidades n&atilde;o governamentais e sem fins lucrativos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Associa&ccedil;&atilde;o que ocupa o canal fica em endere&ccedil;o desconhecido e gest&atilde;o do canal, inclusive modelo de financiamento, &eacute; omitida por seu presidente<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[982],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23292"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23292"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23292\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23292"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23292"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23292"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}