{"id":23230,"date":"2009-08-24T16:58:33","date_gmt":"2009-08-24T16:58:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23230"},"modified":"2009-08-24T16:58:33","modified_gmt":"2009-08-24T16:58:33","slug":"medida-consolida-se-mas-tvs-demonstram-respeito-contraditorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23230","title":{"rendered":"Medida consolida-se, mas TVs demonstram &#8216;respeito contradit\u00f3rio&#8217;"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t-->   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">Passados dois anos da entrada em vigor da Portaria 1.220\/07 do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a (MJ), que instituiu regras para a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa na TV brasileira, o balan&ccedil;o oficial sugere uma adequa&ccedil;&atilde;o satisfat&oacute;ria das emissoras &agrave;s exig&ecirc;ncias para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos das crian&ccedil;as e adolescentes. As pr&aacute;ticas e o discurso das empresas, entretanto, contrastam com a avalia&ccedil;&atilde;o positiva feita pela pasta.<\/p>\n<p>A resist&ecirc;ncia &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o indicativa para as obras exibidas na TV &ndash;  que chegou a ser taxada de &ldquo;censura&rdquo; por parte das emissoras e protelou por anos a publica&ccedil;&atilde;o da portaria &ndash; n&atilde;o s&oacute; parece ter esmorecido, como os crit&eacute;rios estabelecidos foram absorvidos pelas empresas na maioria dos casos. Os n&uacute;meros registrados pelo Departamento de Justi&ccedil;a, Classifica&ccedil;&atilde;o, T&iacute;tulos e Qualifica&ccedil;&atilde;o (Dejus) da Secretaria Nacional de Justi&ccedil;a apontam que o setor tem buscado respeitar a norma. Os programas que t&ecirc;m a classifica&ccedil;&atilde;o sugerida pelas emissoras indeferida por parte do MJ ficam em torno de 11% do total analisado. Ainda segundo o governo, os casos mais recorrentes de reclassifica&ccedil;&atilde;o envolvem uso de linguagem de conte&uacute;do sexual e consumo de drogas l&iacute;citas.<\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o feita por uma das entidades da sociedade civil que mais ativamente atuaram pela regulamenta&ccedil;&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa, a Ag&ecirc;ncia de Not&iacute;cias dos Direitos da Inf&acirc;ncia (Andi), tamb&eacute;m &eacute; positiva. Veet Vivarta, secret&aacute;rio-executivo da Andi, acredita que, se o mecanismo est&aacute; implementado e funcionando, &eacute; porque ele est&aacute; sendo incorporado pelas empresas de comunica&ccedil;&atilde;o, aparentemente sem maiores problemas. &ldquo;As quest&otilde;es como a da censura n&atilde;o se colocam para mais ningu&eacute;m, ou seja, h&aacute; uma normalidade no pa&iacute;s com esse novo mecanismo, como aconteceu em outras democracias consolidadas&rdquo;, avalia Vivarta.<\/p>\n<p>O procedimento para classifica&ccedil;&atilde;o varia de acordo com a especificidade da obra ou programa. As reprises exibidas em hor&aacute;rios diferentes da primeira vers&atilde;o precisam passar por avalia&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do MJ. Outras, como os programas jornal&iacute;sticos ao vivo, n&atilde;o s&atilde;o pass&iacute;veis de classifica&ccedil;&atilde;o. Contudo, a maioria das obras &eacute; classificada pela pr&oacute;pria empresa, o que &eacute; chamado de autoclassifica&ccedil;&atilde;o. O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a tem 60 dias para avaliar e deferir ou n&atilde;o a classifica&ccedil;&atilde;o feita pela empresa.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Vivarta, a autoclassifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um modelo saud&aacute;vel porque exige responsabilidade de todos os envolvidos no processo. &ldquo;A autoclassifica&ccedil;&atilde;o fortalece a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa porque envolve os criadores na defesa dos direito da crian&ccedil;a e do adolescente. Mas &eacute; um modelo de grande responsabiliza&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o &eacute; preciso que o MJ fiscalize&rdquo;, acrescenta.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, em alguns casos, a revis&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o feita pela emissora acaba ocorrendo ap&oacute;s a exibi&ccedil;&atilde;o da obra. Mesmo no caso de obras seriadas, como as telenovelas, os prazos e recursos previstos pela portaria acabam fazendo com que a revis&atilde;o n&atilde;o surta efeito. Para o secret&aacute;rio Nacional de Justi&ccedil;a, Romeu Tuma Jr., o fato de &ldquo;que algumas obras seriadas se encerram antes do prazo regular de monitoramento&rdquo; n&atilde;o faz com que as decis&otilde;es do MJ sejam in&oacute;cuas. &ldquo;Na maioria das reclassifica&ccedil;&otilde;es recentes de miniss&eacute;ries, ou houve indeferimento para atribuir classifica&ccedil;&atilde;o inferior &agrave; apontada pela emissora ou o programa j&aacute; vinha sendo exibido na faixa hor&aacute;ria adequada (ainda que com classifica&ccedil;&atilde;o inferior)&rdquo;, ressalva o secret&aacute;rio. &ldquo;Por outro lado, ainda no caso de miniss&eacute;ries, a classifica&ccedil;&atilde;o deferida &eacute; v&aacute;lida tamb&eacute;m para outras m&iacute;dias, como DVDs, por exemplo, ou a reapresenta&ccedil;&atilde;o da mesma.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Crit&eacute;rios pr&oacute;prios?<\/strong><\/p>\n<p>Os crit&eacute;rios usados pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a para a classifica&ccedil;&atilde;o de qualquer tipo de obra &ndash; desde filmes para exibi&ccedil;&atilde;o em cinemas a jogos eletr&ocirc;nicos, passando pelos programas de TV &ndash; est&atilde;o reunidos em manuais de aplica&ccedil;&atilde;o desenvolvidos por equipes do MJ e tentam ser os mais objetivos poss&iacute;veis. As indica&ccedil;&otilde;es est&atilde;o relacionadas a cenas que envolvem sexo, drogas (l&iacute;citas e il&iacute;citas) e viol&ecirc;ncia. Apesar da aparente sintonia das emissoras com esses crit&eacute;rios ao fazerem a autoclassifica&ccedil;&atilde;o, demonstrada pelos n&uacute;meros do Dejus, a Secretaria Nacional de Justi&ccedil;a demonstra certa preocupa&ccedil;&atilde;o com a aceita&ccedil;&atilde;o das normas pelas empresas. Recentemente, realizou uma oficina exclusivamente com representantes das emissoras, associa&ccedil;&otilde;es de emissoras e roteiristas, para esclarecer d&uacute;vidas quanto aos crit&eacute;rios e interpreta&ccedil;&otilde;es do &quot;Manual da Nova Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa&quot;.<\/p>\n<p>A preocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parece descabida. O assessor jur&iacute;dico da Rede Globo, Ant&ocirc;nio Cl&aacute;udio Netto, diz que a emissora n&atilde;o toma conhecimento das exig&ecirc;ncias do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a nem faz recomenda&ccedil;&otilde;es aos autores ou diretores. Segundo Netto, &ldquo;a TV Globo sempre seguiu seus pr&oacute;prios crit&eacute;rios para cria&ccedil;&atilde;o e produ&ccedil;&atilde;o de seus programas, e tamb&eacute;m para a sua classifica&ccedil;&atilde;o, que &eacute; apresentada ao Minist&eacute;rio. Tais crit&eacute;rios levam em considera&ccedil;&atilde;o o p&uacute;blico alvo de cada programa&rdquo;.<\/p>\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o soa mais como marca&ccedil;&atilde;o de posi&ccedil;&atilde;o do que um retrato da realidade das emissoras ap&oacute;s a Portaria 1.220. Em julho, o diretor-geral da Globo, Oct&aacute;vio Florisbal, declarou &agrave; coluna &ldquo;Outro Canal&rdquo;, da Folha de S. Paulo, que as novelas da casa estariam mais recatadas, com menos cenas de nudez, por conta da classifica&ccedil;&atilde;o indicativa mais r&iacute;gida.<\/p>\n<p>Entretanto, o assessor da Globo n&atilde;o perde a oportunidade de alfinetar a regulamenta&ccedil;&atilde;o: &ldquo;A TV Globo entende que a imposi&ccedil;&atilde;o de hor&aacute;rios para a exibi&ccedil;&atilde;o dos programas &eacute; inconstitucional, pois fere o Princ&iacute;pio da Liberdade de Express&atilde;o. Tal imposi&ccedil;&atilde;o, caso venha a ser praticada, pode gerar grav&iacute;ssimos preju&iacute;zos para uma emissora, na eventualidade de que ela seja impedida de exibir suas obras nos hor&aacute;rios previamente definidos na grade&rdquo;, diz Netto.<\/p>\n<p>O secret&aacute;rio Tuma Jr. rebate e diz que a classifica&ccedil;&atilde;o consiste numa informa&ccedil;&atilde;o &agrave; fam&iacute;lia sobre a idade para qual o conte&uacute;do de determinada obra n&atilde;o &eacute; adequado. &ldquo;Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa e censura em nada tem a ver&rdquo;, ressalta. &ldquo;A Constitui&ccedil;&atilde;o Cidad&atilde;, que p&ocirc;s fim &agrave; ditadura militar e &agrave; censura, j&aacute; prev&ecirc; em seu Art.21 a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa de obras audiovisuais com a vincula&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria e hor&aacute;ria. A Secretaria Nacional de Justi&ccedil;a n&atilde;o pro&iacute;be ou inibe qualquer tipo de cena e os crit&eacute;rios utilizados para atribuir a Classifica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o totalmente claros, objetivos e acess&iacute;veis &agrave; quem tiver interesse de conhec&ecirc;-los.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Censura de mercado<\/strong><\/p>\n<p>A insist&ecirc;ncia em fazer confus&atilde;o entre classifica&ccedil;&atilde;o indicativa e censura contrasta com o fato de as emissoras promoverem, por conta pr&oacute;pria, o corte de cenas em filmes e seriados para adequ&aacute;-los ao hor&aacute;rio de exibi&ccedil;&atilde;o pretendido. Filmes e s&eacute;ries de canais de TV paga (que precisam exibir a indica&ccedil;&atilde;o da faixa et&aacute;ria, mas n&atilde;o precisam seguir as restri&ccedil;&otilde;es de hor&aacute;rio de exibi&ccedil;&atilde;o), quando colocados nas grades das TVs abertas, herdam a classifica&ccedil;&atilde;o original. Por&eacute;m, esta classifica&ccedil;&atilde;o eventualmente entra em conflito com o hor&aacute;rio das grades de programa&ccedil;&atilde;o das emissoras. As empresas ent&atilde;o optam por modificar o filme ou s&eacute;rie e solicitar a reclassifica&ccedil;&atilde;o junto ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Em artigo recente publicado neste <strong>Observat&oacute;rio<\/strong>, o secret&aacute;rio Romeu Tuma Jr. afirma que, por tr&aacute;s dos crescentes pedidos de &ldquo;reclassifica&ccedil;&atilde;o de obras audiovisuais por adequa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, se esconde &ldquo;o que poderia ser chamado, sem meias palavras, de &lsquo;censura do mercado&rsquo;&rdquo;. &ldquo;Nestes momentos, &eacute; &oacute;bvio, o onipresente argumento do cerceamento da liberdade de express&atilde;o criativa n&atilde;o &eacute; lembrado&rdquo;, lamenta o secret&aacute;rio no artigo.<\/p>\n<p>Os pedidos de revis&atilde;o da classifica&ccedil;&atilde;o original da obra  ap&oacute;s ela sofrer a interven&ccedil;&atilde;o da emissora t&ecirc;m aumentado: foram 106 pedidos em 2008 e at&eacute; junho deste ano j&aacute; haviam sido protocoladas 67 solicita&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Questionado sobre poss&iacute;veis orienta&ccedil;&otilde;es do MJ em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; edi&ccedil;&atilde;o das obras, o secret&aacute;rio ressaltou com veem&ecirc;ncia que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; crit&eacute;rios para cortes porque a SNJ n&atilde;o pro&iacute;be ou solicita o corte de qualquer cena&rdquo; . &ldquo;A liberdade criativa e de express&atilde;o &eacute; direito fundamental previsto pela Constitui&ccedil;&atilde;o Brasileira. Os cortes e a readequa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o feitos pelas emissoras e distribuidoras em raz&atilde;o de seus interesses comerciais, de seus patrocinadores e do mercado, em fun&ccedil;&atilde;o do p&uacute;blico que pretendem atingir, etc.&rdquo;, disse Tuma Jr.<\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\"><strong>Casos omissos<\/strong><\/p>\n<p>Ainda que criticando a atitude das emissoras, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a resolveu disciplinar a adequa&ccedil;&atilde;o de reprises de novelas, seriados e miniss&eacute;ries em hor&aacute;rios diferentes dos da primeira exibi&ccedil;&atilde;o. No come&ccedil;o deste ano, a Secretaria Nacional de Justi&ccedil;a editou uma portaria exigindo que a reclassifica&ccedil;&atilde;o das reprises s&oacute; seja deferida ap&oacute;s a apresenta&ccedil;&atilde;o da obra em seu formato final, com os devidos cortes, ao Dejus.<\/p>\n<p>A medida parece inspirada em dois casos envolvendo a reexibi&ccedil;&atilde;o de novelas. Na Globo, tanto &ldquo;Mulheres Apaixonadas&rdquo; como &ldquo;Senhora do Destino&rdquo;, exibidas originalmente &agrave;s 20h, foram ao ar no hor&aacute;rio da tarde, o que exigiria a classifica&ccedil;&atilde;o &ldquo;livre&rdquo; ou &ldquo;pr&oacute;pria para maiores de 10 anos&rdquo;. A Rede Record reexibiu a novela &ldquo;Chamas da Vida&rdquo; antes das 20h, o que exigira classifica&ccedil;&atilde;o para a faixa acima dos 12 anos. O MJ considerou que os cortes feitos pelas emissoras n&atilde;o justificavam esta classifica&ccedil;&atilde;o e solicitou provid&ecirc;ncias. A Globo assinou um termo de compromisso para adequar &ldquo;Mulheres Apaixonadas&rdquo; &agrave; faixa et&aacute;ria &ldquo;maiores de 10 anos&rdquo;. O mesmo termo foi assinado pela Record. No caso de &ldquo;Senhora do Destino&rdquo;, o monitoramento do Dejus considerou a novela inapropriada e chegou a amea&ccedil;ar com a suspens&atilde;o da exibi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Outro epis&oacute;dio tratado como caso omisso pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a foi a inser&ccedil;&atilde;o de cenas ao vivo do &ldquo;Big Brother Brasil 9&rdquo; dentro de programas isentos de classifica&ccedil;&atilde;o, como o &ldquo;Mais Voc&ecirc;&rdquo; e &ldquo;Video Show&rdquo;. A classifica&ccedil;&atilde;o do BBB (tamb&eacute;m questionada diversas vezes pelo MJ) permitia sua exibi&ccedil;&atilde;o somente ap&oacute;s as 22h. Apesar de o minist&eacute;rio questionar a emissora e tomar partido pela n&atilde;o-inser&ccedil;&atilde;o das cenas fora do hor&aacute;rio previsto, o caso ainda n&atilde;o foi resolvido. O programa terminou em mar&ccedil;o.<\/p>\n<p><strong>Fusos e hor&aacute;rio de ver&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>Se, no caso do BBB, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a buscou refor&ccedil;ar os princ&iacute;pios da Portaria 1.220 diante do que se poderia considerar um &ldquo;buraco&rdquo; na legisla&ccedil;&atilde;o, a decis&atilde;o foi exatamente no sentido oposto quando entrou em vigor o hor&aacute;rio de ver&atilde;o, em outubro de 2008. &ldquo;Foi aberta uma exce&ccedil;&atilde;o pelo MJ para que as empresas n&atilde;o seguissem a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa por conta do hor&aacute;rio de ver&atilde;o. As explica&ccedil;&otilde;es do minist&eacute;rio n&atilde;o convenceram, tanto que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico colocou sua posi&ccedil;&atilde;o, demandando que o MJ n&atilde;o incorra de novo nesse tipo de comportamento. Hor&aacute;rio de ver&atilde;o faz parte da realidade do pa&iacute;s&rdquo;, comenta Veet Vivarta, da Andi.<\/p>\n<p>Esta adequa&ccedil;&atilde;o &eacute; vista por Vivarta como sendo um dos problemas que ainda est&atilde;o pendentes na classifica&ccedil;&atilde;o indicativa e que precisam ser resolvidos. &Agrave; &eacute;poca da confus&atilde;o, o secret&aacute;rio Romeu Tuma Jr. afirmou que o minist&eacute;rio ser&aacute; mais &ldquo;previdente&rdquo; em 2009, legislando em rela&ccedil;&atilde;o ao tema com anteced&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>A imprevid&ecirc;ncia do minist&eacute;rio provocou uma situa&ccedil;&atilde;o de desrespeito &agrave; classifica&ccedil;&atilde;o indicativa que atingiu milh&otilde;es de crian&ccedil;as e jovens dos estados do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Como a hora oficial dos estados do Sudeste, de onde s&atilde;o geradas as programa&ccedil;&otilde;es das grandes redes de TV, foi adiantada, diversos programas foram exibidos naqueles estados em hor&aacute;rio inadequado para as faixas et&aacute;rias previstas pela classifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Pesa ainda no hist&oacute;rico da Portaria 1.220 as mudan&ccedil;as for&ccedil;adas na lei que estabelece os fusos hor&aacute;rios brasileiros. At&eacute; o ano passado, portanto, at&eacute; se encerrar o prazo de seis meses para adequa&ccedil;&atilde;o das emissoras &agrave; portaria, o Brasil tinha quatro fusos hor&aacute;rios. Al&eacute;m do hor&aacute;rio de Bras&iacute;lia, que tamb&eacute;m &eacute; o dos estados do Nordeste, Sul e Ssudeste, o pa&iacute;s tinha o hor&aacute;rio do Norte e Centro-Oeste &ndash; uma hora a menos que o hor&aacute;rio da capital &ndash;; o hor&aacute;rio do Acre e da parte oeste do Amazonas &ndash; duas horas a menos que a capital &ndash; e ainda o hor&aacute;rio das ilhas oce&acirc;nicas, que por sua vez tem uma hora a mais que Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s press&atilde;o feita pelo empresariado da comunica&ccedil;&atilde;o, que alegou preju&iacute;zos financeiros para adequar a transmiss&atilde;o aos hor&aacute;rios locais, dias depois de entrar em vigor definitivamente a portaria, o Brasil passou a ter apenas tr&ecirc;s fusos hor&aacute;rios: o Acre e parte do Amazonas passaram a seguir a mesma hora que o restante dos estados do Norte e Centro-Oeste.<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a mostrou a for&ccedil;a do empresariado da comunica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o contentes, as emissoras dizem ainda querer unificar todos os fusos do Brasil ao hor&aacute;rio de Bras&iacute;lia. Um sinal direto e claro de como a Portaria 1.220 tornou-se uma norma consolidada: as emissoras preferem tentar contrariar a geografia a burlar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s 2 anos de vig&ecirc;ncia da Portaria 1.220, ainda &eacute; preciso enfrentar argumentos contra a classifica&ccedil;&atilde;o e pr&aacute;ticas contradit&oacute;rias das emissoras<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[111],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23230"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23230"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23230\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23230"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23230"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23230"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}