{"id":23197,"date":"2009-08-14T17:41:39","date_gmt":"2009-08-14T17:41:39","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23197"},"modified":"2009-08-14T17:41:39","modified_gmt":"2009-08-14T17:41:39","slug":"ruina-de-yeda-e-omissao-da-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23197","title":{"rendered":"Ru\u00edna de Yeda e omiss\u00e3o da imprensa"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t   <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Os leitores dos jornal&otilde;es editados em S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro j&aacute; conhecem com muitos detalhes cada falcatrua cometida no Senado Federal. At&eacute; os pecadilhos dos parlamentares, coisas consideradas (por eles pr&oacute;prios) &quot;menores&quot;, como ceder passagens a&eacute;reas para familiares, v&atilde;o logo parar nas manchetes &ndash; o &uacute;ltimo desses casos envolve o presidente nacional do PSDB, senador S&eacute;rgio Guerra (PE). Se algu&eacute;m perguntar aos leitores o que est&aacute; acontecendo no Rio Grande do Sul, por&eacute;m, &eacute; prov&aacute;vel que a resposta seja evasiva. De fato, a gest&atilde;o Yeda Crusius (PSDB) &agrave; frente do governo ga&uacute;cho &eacute; uma trag&eacute;dia de graves propor&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o est&aacute; merecendo dos grandes jornais uma cobertura &agrave; altura do desastre &ndash; pol&iacute;tico e gerencial &ndash; em curso nos pampas.<\/p>\n<p>&Eacute; bem verdade que nos &uacute;ltimos dias, especialmente depois que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS), protocolou, em 5 de agosto, uma a&ccedil;&atilde;o de improbidade administrativa na Justi&ccedil;a Federal de Santa Maria contra a governadora e outros oito r&eacute;us, os jornal&otilde;es do Rio e S&atilde;o Paulo decidiram dar uma colher de ch&aacute; e publicaram reportagens sobre o assunto. Tudo muito insuficiente. <\/p>\n<p>Sim, insuficiente, porque o descalabro come&ccedil;ou antes mesmo de Yeda Crusius botar os p&eacute;s no Pal&aacute;cio Piratini, em janeiro de 2007. Durante a campanha, a ent&atilde;o candidata se indisp&ocirc;s com seu vice, Paulo Afonso Feij&oacute; (DEM), porque ele defendia as privatiza&ccedil;&otilde;es como sa&iacute;da para resolver os problemas financeiros do estado. Desautorizado, Feij&oacute; permaneceu na chapa, foi eleito e depois rompeu politicamente com Yeda. Ainda durante a campanha, o marqueteiro Chico Santa Rita abandou o comando da estrat&eacute;gia de marketing acusando a governadora de deixar de pagar os sal&aacute;rios da sua equipe. Em seguida, j&aacute; eleita, mas antes de tomar posse, Yeda pediu ao ent&atilde;o governador Germano Rigotto (PMDB) que enviasse &agrave; Assembl&eacute;ia Legislativa um projeto para cortar despesas e aumentar o ICMS. Tal projeto foi derrubado em 29 de dezembro de 2006, em uma vota&ccedil;&atilde;o que teve como articulador pol&iacute;tico o vice-governador. S&oacute; que contra, e n&atilde;o a favor do projeto de Yeda&#8230;<\/p>\n<p><strong>Consequ&ecirc;ncias eleitorais<\/strong><\/p>\n<p>A crise, permanente, se arrasta desde a campanha eleitoral de 2006. De l&aacute; para c&aacute;, Yeda jamais conseguiu momentos de tranquilidade pol&iacute;tica no Piratini. A grande imprensa do Sudeste vem noticiando tudo com muita discri&ccedil;&atilde;o e sem contextualizar o problema. Ali&aacute;s, um problem&atilde;o. O ruinoso governo de Yeda de certa forma quebra a espinha dorsal do discurso tucano da &quot;excel&ecirc;ncia da gest&atilde;o&quot;, que deveria ser o diferencial da candidatura presidencial do partido em 2010. Pior ainda, no campo pol&iacute;tico, a governadora conseguiu se isolar de tal maneira que DEM e PMDB, tradicionais aliados do PSDB no estado, j&aacute; pularam da canoa de Yeda. Se ela insistir em se candidatar &agrave; reelei&ccedil;&atilde;o, qual ser&aacute; o palanque do presidenci&aacute;vel tucano em terras ga&uacute;chas? Jos&eacute; Serra (ou A&eacute;cio Neves) estar&atilde;o ao lado de Yeda, &uacute;nica governadora brasileira que tem taxa de rejei&ccedil;&atilde;o superior &agrave; de aprova&ccedil;&atilde;o? Dif&iacute;cil, a julgar pela defesa t&iacute;mida que os pr&oacute;ceres tucanos v&ecirc;m fazendo do governo da correligion&aacute;ria ga&uacute;cha. E algu&eacute;m leu an&aacute;lises sobre isto nos jornal&otilde;es? <\/p>\n<p>Boa parte das mat&eacute;rias, ali&aacute;s, conseguiram inverter a quest&atilde;o, atribuindo ao PSOL uma import&acirc;ncia que nem mesmo a deputada federal Luciana Genro (RS) poderia almejar. Sim, porque o desastre pol&iacute;tico do governo Yeda tem como protagonista a pr&oacute;pria governadora, que em um raro espet&aacute;culo de inabilidade pol&iacute;tica conseguiu perder apoio de aliados tidos como muito fi&eacute;is, a exemplo do DEM e do PMDB. Definitivamente, n&atilde;o foram as den&uacute;ncias da filha do ministro Tarso Genro que colocaram Yeda nas cordas, foi a pr&oacute;pria governadora que preferiu se postar no corner. E isto tamb&eacute;m ficou de fora da cobertura dos jornal&otilde;es sobre o caso.<\/p>\n<p><strong>Cobertura descontextualizada<\/strong><\/p>\n<p>A falta de contextualiza&ccedil;&atilde;o vai al&eacute;m dos aspectos pol&iacute;tico-partid&aacute;rios. O Rio Grande do Sul vive uma crise estrutural h&aacute; muito tempo, com problemas especialmente nas finan&ccedil;as do estado e na sua economia. O PIB ga&uacute;cho, que representava em 2008 quase 7% do nacional, permanece neste patamar h&aacute; pelo menos 10 anos. Ao contr&aacute;rio da regi&atilde;o Nordeste, altamente beneficiada pelo crescimento dos &uacute;ltimos anos, a economia do Rio Grande vive uma situa&ccedil;&atilde;o que j&aacute; antes da crise econ&ocirc;mica mundial beirava &agrave; estagna&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica do Estado deveria necessariamente aparecer nas mat&eacute;rias e reportagem sobre a crise do governo Yeda porque &eacute; parte explicativa dos problemas enfrentados pela governadora. De fato, a tentativa, talvez um tanto a&ccedil;odada, de zerar o d&eacute;ficit do Rio Grande em quatro anos foi uma das causas de boa parte dos problemas da governadora. Em casa que falta p&atilde;o, como se sabe, todos gritam e ningu&eacute;m tem raz&atilde;o.<\/p>\n<p>Com a cobertura fragmentada e direcionada para os momentos mais espetaculares &ndash; as den&uacute;ncias, o an&uacute;ncio do processo, os rompimentos com os aliados &ndash;, a imprensa do eixo Rio-S&atilde;o Paulo acaba prestando um desservi&ccedil;o aos seus leitores, que ficam com a impress&atilde;o de que Yeda Crusius &eacute; apenas uma v&iacute;tima do radicalismo do PSOL ou da f&uacute;ria do Minist&eacute;rio P&uacute;blico. H&aacute; uma &oacute;tima hist&oacute;ria para ser contada por tr&aacute;s de um governo ruinoso, mas a m&iacute;dia parece n&atilde;o querer contar. Por pregui&ccedil;a ou por motivos obscuros. Em ambos os casos, perde o leitor.<\/p>\n<p><em>* Luiz Antonio Magalh&atilde;es &eacute; Editor Executivo do Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os leitores dos jornal&otilde;es editados em S&atilde;o Paulo e Rio de Janeiro j&aacute; conhecem com muitos detalhes cada falcatrua cometida no Senado Federal. 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