{"id":23157,"date":"2009-08-05T16:07:13","date_gmt":"2009-08-05T16:07:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23157"},"modified":"2009-08-05T16:07:13","modified_gmt":"2009-08-05T16:07:13","slug":"afinal-de-quem-e-a-censura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23157","title":{"rendered":"Afinal, de quem \u00e9 a censura?"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Alguns por desconhecerem o que realmente foi a censura e outros por interesse em fomentar a confus&atilde;o sobre o assunto insistem em ligar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa ao passado autorit&aacute;rio. Assim a pol&ecirc;mica (ou &ldquo;<em>falsa pol&ecirc;mica<\/em>&rdquo;) freq&uuml;enta um pequeno, por&eacute;m influente c&iacute;rculo.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; duvida de quanto os conte&uacute;dos audiovisuais podem influenciar na forma&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes, tanto para o bem como para o mal, evidentemente. Essa quest&atilde;o &eacute; atual e sua discuss&atilde;o &eacute; sempre v&aacute;lida, embora a  preocupa&ccedil;&atilde;o seja antiga. A previs&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as e adolescentes quanto a conte&uacute;dos audiovisuais que podem prejudicar a sua forma&ccedil;&atilde;o existe h&aacute; 18 anos no Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA) e h&aacute; 21 na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (CF).<\/p>\n<p>Para embasar a execu&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica p&uacute;blica da Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa, a Secretaria Nacional de Justi&ccedil;a, do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a realizou pesquisa, que revela, em seus dados preliminares, que a maioria das fam&iacute;lias com filhos entre 8 e 17 anos compreende a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa e 74% est&atilde;o preocupados com o que as crian&ccedil;as e adolescentes assistem na televis&atilde;o. A Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa &eacute; uma informa&ccedil;&atilde;o clara e precisa destinada &agrave;s fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Mesmo assim, sempre h&aacute; algu&eacute;m disposto a fazer a infeliz compara&ccedil;&atilde;o entre Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa e censura. Para desqualificar a Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa (principalmente com rela&ccedil;&atilde;o a obras na TV), ainda hoje, ouvem-se discursos em favor da liberdade de cria&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o. &Eacute; interessante observar que n&atilde;o se est&aacute; falando na liberdade individual inspirada na declara&ccedil;&atilde;o universal dos direitos do homem e do cidad&atilde;o. Aqui o argumento &eacute; a liberdade de express&atilde;o corporativa, empresarial.<\/p>\n<p>Do que se est&aacute; falando &eacute; da liberdade de poder atingir este ou aquele p&uacute;blico ou a liberdade de criar esta ou aquela necessidade de consumo. Pergunte-se, por exemplo, a qualquer autor de telenovela ou miniss&eacute;rie televisiva se lhe &eacute; dada &agrave; liberdade de criar obra que contrarie a posi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, religiosa ou comercial da emissora? A resposta ser&aacute;, inevitavelmente, de que, se tal liberdade for efetivamente exercida, n&atilde;o haver&aacute; espa&ccedil;o de tela para a sua cria&ccedil;&atilde;o. Isto n&atilde;o &eacute; dem&eacute;rito algum para os artistas criadores, &eacute; apenas a realidade.<\/p>\n<p>Os artistas, de forma geral, est&atilde;o acostumados, desde tempos imemoriais a &ldquo;<em>atender pedidos<\/em>&rdquo; e isto jamais impediu a manifesta&ccedil;&atilde;o do esp&iacute;rito art&iacute;stico. Johannes Vermeer, o grande pintor holand&ecirc;s e o pr&oacute;prio Da Vinci, pintaram muitas de suas obras-primas &ldquo;<em>por encomenda<\/em>&rdquo;, sem que isso fosse considerado cerceamento da liberdade da express&atilde;o criativa. Por outro lado Van Gogh, a despeito de toda sua genialidade, jamais vendeu uma tela em vida. <\/p>\n<p>Antes de mais nada &eacute; importante que se afaste a id&eacute;ia carregada de hipocrisia (e, em algum momento, de interesse comercial) de que a classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; um cerceamento da liberdade de express&atilde;o. A classifica&ccedil;&atilde;o &eacute; informa&ccedil;&atilde;o &agrave;s fam&iacute;lias acerca de conte&uacute;dos audiovisuais presentes na obra que possam ser prejudiciais a forma&ccedil;&atilde;o de seus filhos. Quem deve proibir, ou permitir o acesso a tais conte&uacute;dos, s&atilde;o os pais, da mesma forma que escolhem brinquedos e optam por aqueles apropriados &agrave; faixa et&aacute;ria dos filhos.<\/p>\n<p>A prop&oacute;sito, tem sido freq&uuml;ente, mais por emissoras de TV do que por distribuidoras de filmes para cinema, a busca por &ldquo;<em>reclassifica&ccedil;&atilde;o de obras audiovisuais por adequa&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;. O eufemismo esconde o que poderia ser chamado, sem meias palavras, de &ldquo;<em>censura do mercado<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p>O pedido de &ldquo;<em>reclassifica&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo; pretende nova classifica&ccedil;&atilde;o, como se fora obra nova e a &ldquo;<em>adequa&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;, que justificaria o pedido &eacute;, na pr&aacute;tica, a mutila&ccedil;&atilde;o da obra por iniciativa exclusiva da emissora ou distribuidora, para atingir a um p&uacute;blico mais abrangente com exibi&ccedil;&atilde;o o hor&aacute;rio e para a faixa et&aacute;ria que lhe interessa. <\/p>\n<p>Recentemente foi lan&ccedil;ado no circuito nacional de cinemas filme de terror &ldquo;<em>reclassificado por adequa&ccedil;&atilde;o<\/em>&rdquo;, cuja vers&atilde;o apresentada pela distribuidora suprimiu 26 minutos da obra originalmente apresentada.<\/p>\n<p>N&atilde;o se sabe se tais cortes acontecem com o conhecimento do autor ou do detentor dos direitos da obra.<\/p>\n<p>Nestes momentos, &eacute; &oacute;bvio, o onipresente argumento do cerceamento da liberdade de express&atilde;o criativa n&atilde;o &eacute; lembrado.<\/p>\n<p>Ao contr&aacute;rio do que se possa pensar, o modelo brasileiro de Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa &eacute; um dos mais democr&aacute;ticos do mundo. Nele, cada emissora ou produtora de filmes, embasada no Manual da Nova Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa, classifica suas obras, atribuindo a recomenda&ccedil;&atilde;o et&aacute;ria aos seus conte&uacute;dos, que &eacute; homologada (ou n&atilde;o) pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>Os crit&eacute;rios do Manual s&atilde;o objetivos e acess&iacute;veis a todos que desejarem conhec&ecirc;-los &ndash; www.mj.gov.br\/classificacao. Na medida em que cada ente fizer a sua parte de forma consciente e respons&aacute;vel, as classifica&ccedil;&otilde;es autoatribu&iacute;das e as deferidas e conferidas pelo Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a tendem a se aproximar. Isto, por sinal, j&aacute; vem ocorrendo. O n&uacute;mero de coincid&ecirc;ncia de ambas, na TV, j&aacute; ultrapassa a 89% e h&aacute;, ainda, fartos exemplos em que a classifica&ccedil;&atilde;o final do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a &eacute; mais branda que a autoclassifica&ccedil;&atilde;o de emissoras de TV e produtoras-distribuidoras de filmes.<\/p>\n<p>Neste contexto vai se tornando cada vez mais claro &agrave; opini&atilde;o da sociedade a dist&acirc;ncia entre censura e Classifica&ccedil;&atilde;o Indicativa. Cada vez mais, somente &eacute; capaz de julgar ambas como sin&ocirc;nimos quem n&atilde;o viveu a primeira ou n&atilde;o conhece a segunda.<\/p>\n<p><em>* Romeu Tuma J&uacute;nior &eacute; secret&aacute;rio Nacional de Justi&ccedil;a do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns por desconhecerem o que realmente foi a censura e outros por interesse em fomentar a confus&atilde;o sobre o assunto insistem em ligar a classifica&ccedil;&atilde;o indicativa ao passado autorit&aacute;rio. Assim a pol&ecirc;mica (ou &ldquo;falsa pol&ecirc;mica&rdquo;) freq&uuml;enta um pequeno, por&eacute;m influente c&iacute;rculo. 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