{"id":23148,"date":"2009-08-03T17:26:16","date_gmt":"2009-08-03T17:26:16","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23148"},"modified":"2009-08-03T17:26:16","modified_gmt":"2009-08-03T17:26:16","slug":"superpop-e-novamente-condenado-por-violacao-dos-ddhh","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23148","title":{"rendered":"Superpop \u00e9 novamente condenado por viola\u00e7\u00e3o dos DDHH"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><span class=\"padrao\">A RedeTV! e o advogado Celso Vendramini foram condenados a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o de 80 sal&aacute;rios m&iacute;nimos por danos morais &agrave; escritora Val&eacute;ria Melki Busin e &agrave; servidora p&uacute;blica Renata Junqueira Almeida. O juiz M&aacute;rio S&eacute;rgio Leite, da 2&ordf; Vara C&iacute;vel de Barueri (SP) considerou procedente a a&ccedil;&atilde;o movida por Val&eacute;ria e Renata, que denunciaram a viola&ccedil;&atilde;o aos direitos e &agrave; dignidade das l&eacute;sbicas. Em 2002, as duas participaram de uma edi&ccedil;&atilde;o do programa Superpop &#8211; apresentado na Rede TV! pela ex-modelo Luciana Gimenez -, com participa&ccedil;&atilde;o de Vendramini, para falar sobre a uni&atilde;o est&aacute;vel entre pessoas do mesmo sexo.<br \/><\/span><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">De acordo com Val&eacute;ria, a produ&ccedil;&atilde;o do programa fez o convite a ela e a sua ent&atilde;o companheira Renata para participarem de uma entrevista &ldquo;visando a quebra de preconceitos contra os casais homossexuais&rdquo;. Para refor&ccedil;ar as boas inten&ccedil;&otilde;es do programa, a produ&ccedil;&atilde;o do Superpop afirmou que o convite tinha sido motivado  por uma mat&eacute;ria publicada pela revista Elle, de autoria do jornalista M&aacute;rio Viana e na qual o casal figurava como personagens.<\/p>\n<p>Segundo Val&eacute;ria, como a mat&eacute;ria da revista tinha sido realmente muito positiva para a promo&ccedil;&atilde;o do direito das l&eacute;sbicas e da quebra do preconceito, elas aceitaram o convite. Contudo, a farsa de uma entrevista &ldquo;positiva&rdquo; ficou evidente assim que a produ&ccedil;&atilde;o do Superpop comunicou &agrave;s participantes, j&aacute; no camarim, que a pessoa &ldquo;do outro lado&rdquo; &#8211; o que caracterizava um debate e n&atilde;o uma entrevista &#8211; era &ldquo;uma pessoa agressiva e que estava falando barbaridades&rdquo;.<\/p>\n<p>O &ldquo;outro lado do debate&rdquo;, o advogado Celso Vendramini, &eacute; descrito na senten&ccedil;a do juiz M&aacute;rio S&eacute;rgio Leite como um conhecido advogado, com muitas participa&ccedil;&otilde;es em programas sensacionalistas e que &ldquo;participou do debate simplesmente para come&ccedil;ar, iniciar, dar causa ao esc&acirc;ndalo&rdquo;. Para Val&eacute;ria, a participa&ccedil;&atilde;o de Vendramini apenas contribuiu para caracterizar que elas foram usadas pelo programa, pois, a produ&ccedil;&atilde;o &ldquo;j&aacute; estava predestinada a promover um barraco e us&aacute;-las de forma inescrupulosa&rdquo;.  <\/p>\n<p>Apoiadas ainda pelo testemunho de outra convidada, a quem foi admitida a inten&ccedil;&atilde;o do &ldquo;barraco&rdquo;, Val&eacute;ria e Renata entraram com uma a&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a contra o programa Superpop e contra o advogado Celso Vendramini, que durante o programa desferiu agress&otilde;es preconceituosas contra gays e l&eacute;sbicas.<\/p>\n<p><strong>Show de mau gosto<\/strong><\/p>\n<p>Quatro anos ap&oacute;s as autoras terem conseguido entrar com o processo, o que s&oacute; aconteceu em 2005 por dificuldades de arcar com os custos processuais, o juiz deu ganho de causa a Val&eacute;ria e a Renata e, em nome delas, a todas as l&eacute;sbicas que lutam pela garantia dos seus direitos e dignidade. De acordo com a senten&ccedil;a, o juiz entendeu que houve premedita&ccedil;&atilde;o de um show de mau gosto e que n&atilde;o houve pr&eacute;vio conhecimento por parte das participantes dos objetivos do programa.<\/p>\n<p>O juiz M&aacute;rio S&eacute;rgio Leite alegou que Val&eacute;ria e Renata &ldquo;foram v&iacute;timas de uma encena&ccedil;&atilde;o para causar esc&acirc;ndalo e segurar o p&uacute;blico atrav&eacute;s do tom apelativo e grotesco&rdquo;. Afirma ainda que, ao contr&aacute;rio do que tentou alegar a defesa do programa e do advogado, &ldquo;os fatos n&atilde;o se limitaram &agrave; livre manifesta&ccedil;&atilde;o de pensamento e de opini&atilde;o, direitos assegurados pela Constitui&ccedil;&atilde;o, mas sim, ao excesso, que violou a honra e a imagem das autoras&rdquo;.<\/p>\n<p>Na conclus&atilde;o, Leite aponta ainda que opini&otilde;es contr&aacute;rias em temas pol&ecirc;micos s&atilde;o poss&iacute;veis. O que segundo o juiz n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel &ldquo;&eacute;\t utilizarem-se de homossexuais e suas causas em debates sensacionalistas, vexat&oacute;rios, com mero intuito de divers&atilde;o, atrav&eacute;s de chacotas grosseiras e, por tudo isso, discriminat&oacute;rias sim&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Val&eacute;ria, a decis&atilde;o, mesmo que em primeira inst&acirc;ncia, j&aacute; representa um grande avan&ccedil;o. &ldquo;Para a gente &eacute; muito importante que a m&iacute;dia consiga pensar nas viola&ccedil;&otilde;es que ela promove nem que seja um pouquinho, j&aacute; que a indeniza&ccedil;&atilde;o ainda &eacute; muito pouco para eles&rdquo;. E completa: &ldquo;Essa vit&oacute;ria tamb&eacute;m deve servir para ajudar pessoas que passam pelo que a gente passa a n&atilde;o se calarem. Em nenhum momento eles ofenderam a mim e a Renata pessoalmente, mas a todos os homossexuais.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>Livro ridicularizado <\/strong><\/p>\n<p>Por motivo muito parecido com o da a&ccedil;&atilde;o movida por Val&eacute;ria e Renata, a escritora de livros infantis Georgina Martins tamb&eacute;m processou o programa Superpop. Convidada para apresentar seu livro &ldquo;O menino que gostava de ser&rdquo; &ndash; que fala de uma crian&ccedil;a do sexo masculino que brincava de usar roupas de meninas e de se fantasiar de bruxa &ndash;, a autora do livro foi surpreendida pela abordagem escolhida pelo programa. Ao inv&eacute;s de apresentar o livro como uma publica&ccedil;&atilde;o infantil voltada &agrave; quebra de preconceitos e tabus, anunciou a obra como um &ldquo;livro gay para crian&ccedil;as&rdquo;. <\/p>\n<p>O efeito do programa logo repercutiu sobre as vendas do livro. Tamb&eacute;m foi constatado que as escolas passaram a tirar o livro das suas listas de material p&aacute;ra-did&aacute;tico. A Editora Difus&atilde;o Cultural do Livro e a autora entraram com um processo contra o programa Superpop e foi-lhes concedido o direito de resposta de apenas tr&ecirc;s minutos no programa.<\/p>\n<p><strong>M&iacute;dia promove viola&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>Processos contra a viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos pela m&iacute;dia n&atilde;o s&atilde;o poucos. A pr&oacute;pria Rede TV! e at&eacute; mesmo o programa Superpop j&aacute; foram e continuam sendo alvo de processo nesse sentido. Um dos casos mais emblem&aacute;ticos foi o do programa Tardes Quentes, apresentado por Jo&atilde;o Kleber, veiculado todas &agrave;s tarde pela Rede TV!, que foi alvo de a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica por um grupo de entidades n&atilde;o governamentais junto com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal. <\/p>\n<p>De acordo com a a&ccedil;&atilde;o, &ldquo;o programa tinha como marca a explora&ccedil;&atilde;o da mis&eacute;ria humana e o desrespeito a minorias; seu suposto humor estava baseado na exibi&ccedil;&atilde;o de cenas preconceituosas contra mulheres, homossexuais, pessoas com defici&ecirc;ncia&rdquo;, o que, ainda segundo o texto, provocava &ldquo;um riso bastante duvidoso, que, no m&iacute;nimo, refor&ccedil;ava e perpetuava a discrimina&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>O processo movido em 2005 conseguiu vit&oacute;ria na Justi&ccedil;a Federal que garantiu o direito de resposta &agrave;s organiza&ccedil;&otilde;es. Durante 30 dias, foi exibido programa produzido pelo conjunto das entidades que moveram a a&ccedil;&atilde;o no lugar do programa processado. O programa teve como tem&aacute;tica a promo&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos.<\/p>\n<p>&ldquo;Mais do que o programa em si, o caso trouxe &agrave; tona uma discuss&atilde;o importante sobre o papel da televis&atilde;o na forma&ccedil;&atilde;o dos valores e da cultura, sobre como o espa&ccedil;o p&uacute;blico mediatizado pode e precisa ser ocupado por um n&uacute;mero cada vez maior de vozes, sobre como essas vozes tem o direito de opinar sobre a televis&atilde;o que querem&rdquo;, diz a apresenta&ccedil;&atilde;o do livro &ldquo;A Sociedade Ocupa a TV: o caso Direitos de Resposta e o controle p&uacute;blico da m&iacute;dia&rdquo;, que descreve a experi&ecirc;ncia da a&ccedil;&atilde;o e da veicula&ccedil;&atilde;o do programa.<br \/><strong><br \/>Novos processos<\/strong><\/p>\n<p>Atualmente outros processos contra apresentadores e programas violadores de direitos humanos est&atilde;o em andamento na Justi&ccedil;a. A Liga Brasileira de L&eacute;sbicas (LBL) negocia com a Defensoria P&uacute;blica do Estado de S&atilde;o Paulo para entrarem com uma a&ccedil;&atilde;o contra o programa semanal da Rede Globo, Toma L&aacute; D&aacute; C&aacute;. Em um epis&oacute;dio da s&eacute;rie humor&iacute;stica houve ofensa a uma l&eacute;sbica que foi chamada de &ldquo;sapat&atilde;o dos infernos&rdquo; e ainda ao se defender falou que &ldquo;era melhor ser sapat&atilde;o do que ser corrupta&rdquo;. <\/p>\n<p>Segundo M&aacute;rcia Balades, da LBL, o texto caracterizou uma ofensa desnecess&aacute;ria que n&atilde;o foi remediada com a segunda frase. &ldquo;Muito pelo contr&aacute;rio&rdquo;, argumenta. &ldquo;Esses programas humor&iacute;sticos colocam sempre a popula&ccedil;&atilde;o LGBT em situa&ccedil;&atilde;o de rid&iacute;culo. Quando as homossexuais s&atilde;o duas mulheres bonitas, elas s&atilde;o sugeridas como objeto de desejo e quando n&atilde;o s&atilde;o, elas s&atilde;o desqualificadas.&rdquo; <\/p>\n<p>M&aacute;rcia diz, ainda, que a caracteriza&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o LGBT &eacute; cheia de estere&oacute;tipos. &ldquo;Sempre tem que ter um gay e eles s&atilde;o sempre estereotipados. Nunca trabalham, n&atilde;o s&atilde;o vistos como as pessoas comuns que pagam seus impostos e s&atilde;o dotadas de seus direitos, isso serve apenas para perpetuar preconceitos&rdquo;, denuncia.<\/p>\n<p>Outra militante da LBL, Lourdinha Rodrigues, argumenta que, usando como pretexto a liberdade de express&atilde;o, muitos programas fazem o que querem e se acham no direito de desqualificar determinados grupos. &ldquo;Essa quest&atilde;o da desqualifica&ccedil;&atilde;o e constrangimento das pessoas diferentes  desse &lsquo;padr&atilde;o global&rsquo; &ndash; sejam elas os gays, os negros, os deficientes &ndash;  &eacute; recorrente na TV e principalmente nos programas de humor. A gente precisa dar um basta no conjunto desses programas. Como n&atilde;o temos ainda um mecanismo que possa fazer isso de modo mais geral, vamos investido em a&ccedil;&otilde;es pontuais.&rdquo;<\/p>\n<p>Lourdinha acrescenta que a cria&ccedil;&atilde;o de um mecanismo mais universal para esse tipo de viola&ccedil;&atilde;o deve ser um dos desafios a serem pensados na Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, prevista para acontecer no final do ano. Para a militante, que &eacute; membro tamb&eacute;m da Comiss&atilde;o Paulista Pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, as diferen&ccedil;as e os limites entre liberdade de express&atilde;o e viola&ccedil;&atilde;o de direitos humanos devem ficar mais claros. Deve-se pensar num marco regulat&oacute;rio que esteja preparado para coibir a discrimina&ccedil;&atilde;o de quem est&aacute; fora dos padr&otilde;es impostos pela sociedade e corroborados pela grande m&iacute;dia.<br \/><strong><br \/>M&uacute;sica e propaganda<\/strong><\/p>\n<p>A ind&uacute;stria fonogr&aacute;fica e a ind&uacute;stria da propaganda tamb&eacute;m s&atilde;o outras grandes violadoras de direitos humanos. M&uacute;sicas que apelam para a desqualifica&ccedil;&atilde;o da mulher ou at&eacute; mesmo para a apologia &agrave; viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica n&atilde;o s&atilde;o raras. Um dos casos mais emblem&aacute;ticos de processos movidos contra esse tipo de produto da ind&uacute;stria do entretenimento foi a a&ccedil;&atilde;o movida pela organiza&ccedil;&atilde;o Themis &ndash; Assessoria Jur&iacute;dica e Estudos de G&ecirc;nero contra os autores e as gravadoras das m&uacute;sicas &ldquo;Tapinha n&atilde;o D&oacute;i&rdquo; e &ldquo;Tapa na Cara&rdquo;. A Justi&ccedil;a considerou apenas a primeira como uma obra ofensiva. A produtora foi condenada a pagar indeniza&ccedil;&atilde;o e a m&uacute;sica teve a sua execu&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica proibida.<\/p>\n<p>J&aacute; no campo da publicidade, as campanhas de bebidas alco&oacute;licas, especialmente de cervejas, s&atilde;o os que mais chamam aten&ccedil;&atilde;o pelas recorrentes viola&ccedil;&otilde;es dos direitos das mulheres. A &ldquo;coisifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, ou seja, a transforma&ccedil;&atilde;o da mulher em um mero objeto de consumo, muitas vezes comparado &agrave; pr&oacute;pria cerveja, s&atilde;o os piores exemplos. Tanto a Kaiser como a Skol j&aacute; foram alvo de processos e condenadas, tendo que mudar o conte&uacute;do dos seus comerciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Casal de l\u00e9sbicas receber\u00e1 indeniza\u00e7\u00e3o por terem sido ridicularizadas no programa da RedeTV!; a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a fortalecem combate \u00e0s viola\u00e7\u00f5es pela m\u00eddia e mostram necessidade de medidas efetivas de preven\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[900],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23148"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23148"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23148\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}