{"id":23123,"date":"2009-07-28T15:53:49","date_gmt":"2009-07-28T15:53:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23123"},"modified":"2009-07-28T15:53:49","modified_gmt":"2009-07-28T15:53:49","slug":"boicotes-e-caminhos-da-confecom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23123","title":{"rendered":"Boicotes e caminhos da Confecom"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">A realiza&ccedil;&atilde;o de uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) nunca foi um projeto definido do governo federal. Em mais de seis anos de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva na Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica, dezenas de confer&ecirc;ncias foram realizadas, em praticamente todas as &aacute;reas do servi&ccedil;o p&uacute;blico, menos a de comunica&ccedil;&atilde;o. Em parte isso se deve &agrave; m&aacute; vontade das for&ccedil;as pol&iacute;ticas que ocupam o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es (Minicom), em especial a partir da gest&atilde;o de H&eacute;lio Costa, do PMDB, n&atilde;o s&oacute; uma refer&ecirc;ncia de conservadorismo pol&iacute;tico, como tamb&eacute;m um representante direto dos principais grupos midi&aacute;ticos do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Com o passar do tempo, a press&atilde;o popular colocou o governo contra a parede, obrigando-o a posicionar-se. A resposta de Lula foi pr&aacute;tica, anunciando a realiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia em pleno F&oacute;rum Social Mundial, para um p&uacute;blico formado por agentes dos movimentos sociais, comprometidos com sua efetiva&ccedil;&atilde;o. Com um prazo de cerca de 10 meses para a prepara&ccedil;&atilde;o da Confecom, esperava-se um debate pr&eacute;vio real, discutindo o marco regulat&oacute;rio das comunica&ccedil;&otilde;es, para conformar um evento de porte nacional que reunisse o poder p&uacute;blico, a sociedade civil e o empresariado. Seis meses depois, somam decep&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><strong>Problemas hist&oacute;ricos<\/strong><\/p>\n<p>Um exemplo: o cancelamento da reuni&atilde;o da quarta-feira (22\/7), que se deu pela aus&ecirc;ncia de representantes dos empres&aacute;rios de m&iacute;dia, desafiados com a necessidade de deliberar o regimento interno, atrasado em quase um m&ecirc;s. Assim o empresariado tem conseguido impor-se nas mais diversas esferas de decis&atilde;o. Centralizou o debate da Confecom nos avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos propiciados pela converg&ecirc;ncia digital, lotou a comiss&atilde;o organizadora com seus representantes diretos e indiretos e at&eacute; sustentou a id&eacute;ia de garantir, por meio do regimento interno, um ter&ccedil;o do n&uacute;mero de delegados presentes, independentemente de sua representatividade, numa leitura pr&oacute;pria dos princ&iacute;pios democr&aacute;ticos.<\/p>\n<p>A &uacute;nica coisa que os empres&aacute;rios n&atilde;o conseguiram foi o consenso silencioso de toda essa hegemonia. Segundo representantes de entidades e movimentos populares no comit&ecirc; organizador, os radiodifusores ficaram apavorados com as amea&ccedil;as de prevalecer na Confer&ecirc;ncia o debate de assuntos pol&ecirc;micos, a exemplo do controle social da m&iacute;dia. A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert) chegou a postar em seu s&iacute;tio, no m&ecirc;s de julho, que a categoria empresarial estava unida em evitar que a Confer&ecirc;ncia fosse palco de protestos, principalmente contra o modelo atual de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O temor &eacute; tanto que os radiodifusores est&atilde;o tentando atrair segmentos de mercado inicialmente alheios ao processo, a fim de aumentar ainda mais a press&atilde;o sobre o poder p&uacute;blico. S&atilde;o os casos dos setores da TV paga e das telecomunica&ccedil;&otilde;es, agora preocupadas com a Confecom, frente &agrave;s pautas universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga e recria&ccedil;&atilde;o de uma empresa p&uacute;blica de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Para evitar riscos, a estrat&eacute;gia foi paralisar a formula&ccedil;&atilde;o do regimento interno da Confecom, impondo premissas obrigat&oacute;rias no documento, como a prote&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os e outorgas atuais e a m&iacute;nima interfer&ecirc;ncia estatal nos servi&ccedil;os de comunica&ccedil;&atilde;o. Sem o atendimento de tais condi&ccedil;&otilde;es, h&aacute; a amea&ccedil;a constante do empresariado de abandonar o comit&ecirc;, pairando permanentemente o temor da suspens&atilde;o do evento.<\/p>\n<p>O regimento deveria estar pronto desde 30 de junho, para em seguida ser elaborado o Documento Base, paralelamente ao desenvolvimento das etapas regionais, que come&ccedil;ariam em 1&ordm; de julho. &Eacute; a partir da regula&ccedil;&atilde;o interna que se d&aacute; a organiza&ccedil;&atilde;o das confer&ecirc;ncias municipais e estaduais. Dessa forma, todo o processo est&aacute; atrasado, sem evolu&ccedil;&atilde;o na interioriza&ccedil;&atilde;o do debate. Portanto, mesmo que nunca tenha se concebido a Confer&ecirc;ncia como a redentora dos problemas hist&oacute;rico-estruturais da comunica&ccedil;&atilde;o brasileira, a quest&atilde;o &eacute; que o cen&aacute;rio desenhado, pelo processo e pelo formato, &eacute; de um espa&ccedil;o bem aqu&eacute;m de suas possibilidades, incompat&iacute;vel (mais uma vez) com o conhecimento acumulado.<\/p>\n<p><strong>A posi&ccedil;&atilde;o do governo<\/strong><\/p>\n<p>Diante do boicote do setor empresarial, cabe a pergunta: e o posicionamento do governo?. Mais uma vez fica atestado o temor de enfrentar os interesses hegem&ocirc;nicos, revelando pouca disposi&ccedil;&atilde;o em realizar a Confecom. Aqui, mais um exemplo: no in&iacute;cio do ano, o Congresso Nacional garantiu 8,2 milh&otilde;es de reais para cobrir os custos da Confer&ecirc;ncia. Foi promovido um corte de gastos no Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, reduzindo tal valor para 1,6 milh&atilde;o de reais, em maio. O pr&oacute;prio Minicom assumiu que era imposs&iacute;vel realizar uma Confer&ecirc;ncia com t&atilde;o pouco dinheiro. O projeto de lei 27\/2009 entrou na C&acirc;mara dos Deputados para recompor o or&ccedil;amento, n&atilde;o tendo sido aprovado at&eacute; o in&iacute;cio do recesso parlamentar. A tens&atilde;o de adiar o evento pairou at&eacute; o in&iacute;cio de julho, quando s&oacute; ent&atilde;o foi garantida a reintegra&ccedil;&atilde;o do montante.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, o preju&iacute;zo j&aacute; estava feito. Faltando cerca de quatro meses para sua realiza&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o existe nenhuma sede confirmada em Bras&iacute;lia para a etapa nacional. Nem mesmo h&aacute; reservas de qualquer lugar adequado para eventos desse porte, at&eacute; porque boa parte dos centros de conven&ccedil;&otilde;es j&aacute; est&aacute; reservada para outras atividades mais bem organizadas. Por outro lado, nem tudo est&aacute; perdido. A publicidade estatal foi salva e, curiosamente, &eacute; uma das poucas demandas com a libera&ccedil;&atilde;o de verbas em dia. O Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m n&atilde;o enviou aos governadores carta oficial convocando os demais poderes executivos a participar da Confecom, o que incentivaria o desenvolvimento das etapas regionais.<\/p>\n<p>Contudo, a melhor contribui&ccedil;&atilde;o a dar, por parte do governo federal, como inst&acirc;ncia m&aacute;xima de comando no pa&iacute;s, deveria ocorrer no campo pol&iacute;tico. Uma postura firme do Minicom, se existisse, seria o exemplo que influenciaria as edi&ccedil;&otilde;es estaduais, em termos de agilidade necess&aacute;ria e cumprimento dos objetivos inerentes ao processo de organiza&ccedil;&atilde;o da Confer&ecirc;ncia. No embargo do regimento interno, o poder p&uacute;blico agravou a letargia do empresariado, adiando a reuni&atilde;o que concluiria o documento, a fim de que os ministros H&eacute;lio Costa (Comunica&ccedil;&otilde;es), Franklin Martins (Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presid&ecirc;ncia) pudessem analis&aacute;-lo, para posteriormente haver a vota&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Para completar, o setor empresarial e os representantes do Executivo, inclusive com H&eacute;lio Costa presente, tiveram uma reuni&atilde;o fechada na v&eacute;spera da data estabelecida para a reda&ccedil;&atilde;o do documento. A inten&ccedil;&atilde;o, que claramente transparece, era afinar as posi&ccedil;&otilde;es entre duas das tr&ecirc;s for&ccedil;as da comiss&atilde;o, j&aacute; que no encontro nenhum representante da sociedade civil estava presente. Vale frisar que, na falta de um consenso no comit&ecirc;, cabe ao governo federal impor um texto de regimento interno. Destaca-se que, no processo de escolha do padr&atilde;o de TV digital tamb&eacute;m se reproduziram v&aacute;rias reuni&otilde;es (decisivas) entre radiodifusores e representantes governamentais, enquanto o f&oacute;rum oficial era esvaziado em seu poder.<\/p>\n<p>&#8212; \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t&#8211;><em>* Val&eacute;rio Cruz Brittos &eacute; professor titular no Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncias da Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos.<br \/>* Rafael Cavalcanti Barreto &eacute; graduando em Comunica&ccedil;&atilde;o Social &ndash; Jornalismo na Unisinos.<\/em> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A realiza&ccedil;&atilde;o de uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (Confecom) nunca foi um projeto definido do governo federal. 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