{"id":23108,"date":"2009-07-24T16:41:03","date_gmt":"2009-07-24T16:41:03","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23108"},"modified":"2009-07-24T16:41:03","modified_gmt":"2009-07-24T16:41:03","slug":"exemplos-latino-americanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23108","title":{"rendered":"Exemplos latino-americanos"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\"> Uma equipe de reportagem do Canal 5 de Tegucigalpa foi expulsa do local onde cerca de tr&ecirc;s mil profissionais do ensino secund&aacute;rio de Honduras realizavam uma assembl&eacute;ia em defesa da ordem democr&aacute;tica. A emissora ap&oacute;ia o governo de fato incondicionalmente, fazendo parte da estrutura midi&aacute;tica de sustenta&ccedil;&atilde;o interna aos golpistas. Assim como os dois principais jornais do pais &ldquo;El Heraldo&rdquo; e &ldquo;La Tribuna&rdquo;.<\/p>\n<p>Isso n&atilde;o &eacute; novidade na Am&eacute;rica Latina. Foi assim em todos os golpes de meados do s&eacute;culo passado. No entanto, quando alguns supunham que esses tempos haviam passado, eis que acontece em pleno s&eacute;culo 21, um golpe t&iacute;pico da regi&atilde;o, com todos os ingredientes dos anteriores. Inclusive com apoio aberto e descarado da m&iacute;dia.<\/p>\n<p>H&aacute; evid&ecirc;ncias de que alguns governos do continente est&atilde;o tomando medidas preventivas para que fatos como esse n&atilde;o se repitam em seus respectivos pa&iacute;ses. As a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m se concentrado em duas frentes: o estabelecimento de marcos regulat&oacute;rios capazes de impedir a concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o e o est&iacute;mulo ao surgimento e fortalecimento de ve&iacute;culos contra-hegem&ocirc;nicos, capazes de oferecer alternativas informativas e culturais &agrave;s popula&ccedil;&otilde;es da regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Sobre esse processo vale a pena ler o rec&eacute;m lan&ccedil;ado livro &quot;A Batalha da M&iacute;dia&quot; (P&atilde;o e Rosas, Rio de Janeiro, 2009), do professor D&ecirc;nis de Moraes. Ele tra&ccedil;a um panorama atualizado dessa nova realidade latino-americana. Mostra, por exemplo, os esfor&ccedil;os dos governos da Argentina e do Equador em atuar nas duas frentes acima citadas. Os argentinos ampliando os recursos para a radiodifus&atilde;o estatal e colocando em debate uma nova legisla&ccedil;&atilde;o para o setor. Os equatorianos avan&ccedil;ando mais rapidamente nesse &uacute;ltimo ponto, garantindo na Constitui&ccedil;&atilde;o, aprovada no ano passado, o direito de todos os cidad&atilde;os &agrave; &ldquo;comunica&ccedil;&atilde;o livre, equitativa, diversificada e includente (&#8230;) al&eacute;m do acesso universal &agrave;s novas tecnologias de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Mais contundentes, no entanto, que o texto constitucional s&atilde;o as palavras do presidente Rafael Correa ao justificar as mudan&ccedil;as legais: &ldquo;H&aacute; meios que supostamente cumprem a fun&ccedil;&atilde;o de informar, mas quando dependem de grupos econ&ocirc;micos poderosos, o que fazem &eacute; dirigir a cidadania em fun&ccedil;&atilde;o dos seus interesses. No Equador, das sete emissoras de televis&atilde;o, cinco s&atilde;o propriedades de banqueiros. &Eacute; preciso respeitar a liberdade de imprensa, mas n&atilde;o se pode permitir o abuso da informa&ccedil;&atilde;o por parte de meios mentirosos, corruptos e incompetentes&rdquo;.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de ouvirem palavras quase in&eacute;ditas da boca de um governante latino-americano, os equatorianos t&ecirc;m hoje instrumentos concretos de a&ccedil;&atilde;o sobre os meios audiovisuais. O Conselho Nacional de Radiodifus&atilde;o e Televis&atilde;o (Conartel) estabeleceu regras para descentralizar o espectro televisivo e criou uma ouvidoria onde o p&uacute;blico pode se manifestar sobre o conte&uacute;do dos programas. Quando as queixas s&atilde;o julgadas procedentes, as emissoras s&atilde;o obrigadas a prestar esclarecimentos, sob pena de sofrerem san&ccedil;&otilde;es (no Brasil, pol&iacute;tica semelhante seria, como sempre, taxada de censura pela grande m&iacute;dia, como ocorreu com o projeto de cria&ccedil;&atilde;o da Ancinav).<\/p>\n<p>A Venezuela caminha na mesma dire&ccedil;&atilde;o. Apesar de todos os insultos recebidos diariamente atrav&eacute;s da m&iacute;dia, o governo do presidente Hugo Ch&aacute;vez mant&eacute;m absoluta liberdade de informa&ccedil;&atilde;o. Mas nem por isso deixou de tomar medidas legais no sentido de equilibrar os fluxos informativos no pa&iacute;s, tendo como ponto de partida a Lei de Responsabilidade Social em R&aacute;dio e TV, conhecida como Lei Resorte, aprovada em dezembro de 2004. Ao mesmo tempo em que ampliou os servi&ccedil;os p&uacute;blicos de r&aacute;dio e de televis&atilde;o.<\/p>\n<p>E na Bol&iacute;via, o governo ousou ao lan&ccedil;ar o jornal C&acirc;mbio, um di&aacute;rio nacional para fazer frente &agrave; m&iacute;dia golpista que apostou na fragmenta&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s no ano passado. Investiu tamb&eacute;m na recupera&ccedil;&atilde;o do Canal 7, a TV estatal e na emissora de r&aacute;dio P&aacute;tria Nueva, seguidora da larga tradi&ccedil;&atilde;o combatente das r&aacute;dios mineiras bolivianas.<\/p>\n<p>No Brasil, avan&ccedil;amos menos. A grande m&iacute;dia segue firme como porta voz dos interesses da classe dominante. A solit&aacute;ria e ainda pouco amadurecida experi&ecirc;ncia da TV Brasil &eacute; insuficiente como forma de contra-poder midi&aacute;tico. No &acirc;mbito legal, avan&ccedil;amos muito pouco. <\/p>\n<p>O golpe em Honduras deve servir como alerta. E as iniciativas de Argentina, Venezuela, Bol&iacute;via e Equador como exemplo. S&atilde;o modelos a serem levados em conta imediatamente nos debates preparat&oacute;rios que j&aacute; est&atilde;o sendo realizados para a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, marcada para o in&iacute;cio de dezembro. Transformados em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas eles se tornar&atilde;o, sem d&uacute;vida, vacinas poderosas contra surtos golpistas.<\/p>\n<p>PS. O governo do Uruguai acaba de anunciar o envio ao Congresso, nos pr&oacute;ximos dias, de um projeto de lei para regulamentar a exibi&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos na televis&atilde;o, r&aacute;dio e cinema. Ser&aacute; criada tamb&eacute;m a figura do ombudsman para mediar a rela&ccedil;&atilde;o entre o p&uacute;blico e as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o. O projeto foi elaborado com a participa&ccedil;&atilde;o dos principais partidos pol&iacute;ticos uruguaios.<\/p>\n<p><em>* Laurindo Lalo Leal Filho, soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP. &Eacute; autor, entre outros, de &ldquo;A TV sob controle &ndash; A resposta da sociedade ao poder da televis&atilde;o&rdquo; (Summus Editorial).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de reportagem do Canal 5 de Tegucigalpa foi expulsa do local onde cerca de tr&ecirc;s mil profissionais do ensino secund&aacute;rio de Honduras realizavam uma assembl&eacute;ia em defesa da ordem democr&aacute;tica. A emissora ap&oacute;ia o governo de fato incondicionalmente, fazendo parte da estrutura midi&aacute;tica de sustenta&ccedil;&atilde;o interna aos golpistas. 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