{"id":23098,"date":"2009-07-22T17:09:15","date_gmt":"2009-07-22T17:09:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23098"},"modified":"2009-07-22T17:09:15","modified_gmt":"2009-07-22T17:09:15","slug":"ebc-afinal-de-contas-o-que-e-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23098","title":{"rendered":"EBC: Afinal de contas, o que \u00e9 p\u00fablico?"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>Participa&ccedil;&atilde;o de Eduardo Mamcasz na primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica promovida pelo Conselho Curador da EBC com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TV Brasil, realizada em Bras&iacute;lia, em 09-07-09<\/p>\n<p><\/em>Eu sou Eduardo Mamcasz, jornalista com diploma e carteirinha, na ABI e nos sindicatos do Rio e de Bras&iacute;lia, desde o dia 7 de 7 de 77, portanto, j&aacute; lan&ccedil;ado na cesta dos velhos, at&eacute; porque desde 80 estou na EBN-Radiobr&aacute;s-EBC, ou o nome que venha ainda a ter. Atualmente, estou analista em Comunica&ccedil;&atilde;o P&uacute;blica, mas comecei como jornalista, rep&oacute;rter no Pal&aacute;cio do Planalto, coordenador de Not&iacute;cias e diretor de Jornalismo.<\/p>\n<p>Alerto, antes de apresentar a proposta, dentro do tema proposto, ou seja, TV P&uacute;blica, que n&atilde;o represento, neste momento, a Comiss&atilde;o dos Empregados da EBC, para a qual tamb&eacute;m fui eleito, e nesta posi&ccedil;&atilde;o pessoal lamento que outros setores da EBC continuem sendo deixados para o <em>Neverland<\/em>, mas acho que o rumo p&uacute;blico a ser definido para a TV Brasil possa servir para as R&aacute;dios Nacional e Ag&ecirc;ncia Brasil, ou EBC.<\/p>\n<p>Portanto, crian&ccedil;as, diante do esclarecido, permitam-me viajar no tempo, em nome dos meus cabelos tingidos de branco, e come&ccedil;ar pelas discuss&otilde;es que, utopicamente, como hoje estamos aqui, acredit&aacute;vamos por ocasi&atilde;o da sa&iacute;da dos militares do poder e da entrada dos civis, primeiro pelo meio indireto, na chamada Nova Rep&uacute;blica, quando, como diz&iacute;amos, eram tempos em que o Ulysses entrava na sala do Sarney sem bater na porta.<\/p>\n<p>E o que a gente defendia, naquela &eacute;poca, inclusive no Pal&aacute;cio do Planalto, e acho que continua v&aacute;lido, inclusive nesta audi&ecirc;ncia dita p&uacute;blica, era um caminho que se pretendia para a nova EBN &#8211; Empresa Brasileira de Not&iacute;cias, atual EBC &#8211; Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, no sentido dela deixar de ser governo e passar a ser Estado. Eis a&iacute; meu racioc&iacute;nio embora na confus&atilde;o que se formou no que deva ser p&uacute;blico, estatal, governamental.<\/p>\n<p><strong>Qual a fatia do governo?<\/strong><\/p>\n<p>Naquele recome&ccedil;o, a gente acreditava que a nossa empresa, na &eacute;poca EBN, atual EBC, voltaria ao interesse do Estado, aqui chamado de p&uacute;blico, representando n&atilde;o o estatal, termo deturpado, nem o privado ou setorizado, mas o conjunto do que seria a na&ccedil;&atilde;o, ou seja, a pessoa cidad&atilde;, discuss&atilde;o esta at&eacute; hoje precisando ser consolidada, por conta de interesses dos governos que, na verdade, continuam donos das TVs P&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Deixem-me explicar melhor este come&ccedil;o de ontem para chegar &agrave; proposta no dia de hoje, ou seja, falta muito para se definir claramente o que &eacute; p&uacute;blico, no sentido do que est&aacute; sendo discutido aqui, e j&aacute; me adianto &agrave; primeira provoca&ccedil;&atilde;o, apoiando-me nas linhas iniciais da Carta de Bras&iacute;lia, 11 de maio de 2007, ao final do Primeiro F&oacute;rum Nacional das TVs P&uacute;blicas, e aqui leio textualmente n&atilde;o as conclus&otilde;es, mas as preliminares:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;N&oacute;s, representantes das emissoras p&uacute;blicas, educativas, culturais, universit&aacute;rias, legislativas e comunit&aacute;rias&#8230;&quot;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">Portanto, completo, sem qualquer deturpa&ccedil;&atilde;o &agrave;s conclus&otilde;es do f&oacute;rum nacional, que TV p&uacute;blica &eacute; uma coisa totalmente diferente e me desculpem os comunit&aacute;rios aqui presentes porque TV P&uacute;blica n&atilde;o teria nada a ver com as outras TVs, mesmo que comunit&aacute;rias, educativas, universit&aacute;rias ou legislativas, at&eacute; porque elas se destinam a um determinado setor, mesmo que bem intencionadas, e n&atilde;o ao estimado p&uacute;blico em geral.<\/p>\n<p>E a&iacute;, como &eacute; que a gente fica hoje? A TV Brasil, em se pretendendo p&uacute;blica, apesar do longo caminho a ser percorrido, teria que fazer exatamente o que em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado? E n&atilde;o estou dizendo no sentido de empresa estatal, n&atilde;o, mas voltada ao todo, a partir do que coloco a segunda provoca&ccedil;&atilde;o: em sendo p&uacute;blica, qual deveria ser a fatia do governo e quem de fato representaria a sociedade civil na gest&atilde;o editorial?<\/p>\n<p><strong>&quot;Pol&iacute;ticas republicanas de alcance social&quot;<\/strong><\/p>\n<p>Ent&atilde;o, vamos direto ao miolo do abacaxi e me refiro ao tema de hoje, TV Brasil-TV P&uacute;blica. Coloco em discuss&atilde;o, a partir da pr&eacute;-defini&ccedil;&atilde;o do que estamos aqui defendendo, que seja primeiro muito bem definido o termo &quot;p&uacute;blico&quot;, para diferenci&aacute;-lo do &quot;privado&quot; ou do &quot;estatal&quot;, inclusive cito uma discuss&atilde;o interna acontecida na Comiss&atilde;o dos Empregados da EBC sobre as poss&iacute;veis diferen&ccedil;as entre &quot;governo e governamental&quot;.<\/p>\n<p>Tem mais discuss&atilde;o que pode ser acrescentada aqui em torno de como deva ser definido o que &eacute; p&uacute;blico, de publicar, publicitar, n&atilde;o deixar escondido, plural, ao contr&aacute;rio do privado, de privar ou particular, de part&iacute;cula, singular, estendendo-se a palavra para o conceito de republicana que, na tradu&ccedil;&atilde;o, ficaria sendo uma coisa em se mantendo p&uacute;blica e, por conseguinte, nunca voltada a apenas um espa&ccedil;o, mesmo que este seja o terceiro setor.<\/p>\n<p>Volto a um tempo desconhecido das crian&ccedil;as aqui presentes, que foi o grande rebuli&ccedil;o criativo da Constituinte de 88, o qual definiu os princ&iacute;pios do que seja uma administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica, bem enumerados pela ex-seringalista Marina Silva num artigo naFolha de S.Paulo em 29 de junho de 2009, e que deveriam ser, penso eu, aplic&aacute;veis ao caso aqui sendo discutido, ou seja: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e efici&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Dou sequ&ecirc;ncia &agrave;s virtudes colocadas na Constitui&ccedil;&atilde;o com as conclus&otilde;es do F&oacute;rum das TVs P&uacute;blicas, recomendando que as TVs P&uacute;blicas devam ser &quot;independentes, democr&aacute;ticas e apartid&aacute;rias&quot;, ao que foi ainda acrescentado que o &quot;campo p&uacute;blico da televis&atilde;o promova a cidadania&quot;, que o financiamento tenha origem em &quot;fontes m&uacute;ltiplas&quot; e, al&eacute;m disso, que promova &quot;a constru&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas republicanas de alcance social&quot;.<\/p>\n<p><strong>Lentid&atilde;o imobiliza Conselho Curador<\/strong><\/p>\n<p>Portanto, permitam-me um singelo complemento, ou seja, tudo o que uma TV P&uacute;blica deveria ter para assim ser classificada, a EBC, no caso a TV Brasil, n&atilde;o o pratica e vejamos logo porque afirmo isto. O Conselho Curador aqui presente n&atilde;o &eacute; independente porque nomeado pelo governo federal, que tamb&eacute;m alimenta as fontes de recursos, sendo portanto a EBC uma empresa fechada, distante da governan&ccedil;a corporativa e dependente.<\/p>\n<p>Volto ao ano de 2004, quando foi divulgada a &quot;gest&atilde;o estrat&eacute;gica&quot; da Radiobr&aacute;s, atual EBC, cujos termos ainda n&atilde;o foram mudados na pr&aacute;tica, quando ficou escrito que entre os valores perseguidos estava o &quot;respeito ao car&aacute;ter p&uacute;blico de nossa atividade, ao buscar a excel&ecirc;ncia e ao exercer a transpar&ecirc;ncia externa e interna&quot;. Ali&aacute;s, corte r&aacute;pido porque desde dezembro n&atilde;o s&atilde;o publicitados os boletins administrativos da EBC.<\/p>\n<p>Mas continuando, e passo para outra provoca&ccedil;&atilde;o porque tamb&eacute;m foi colocado como estrat&eacute;gia editorial, ali&aacute;s seria papel deste Conselho Curador definir a linha editorial da empresa, mas sem esta exagerada lentid&atilde;o com que se imobiliza, haja a ver que at&eacute; o Manual de Reda&ccedil;&atilde;o est&aacute; sendo feito sem discuss&atilde;o p&uacute;blica, mas volto &agrave; frase em que a Radiobr&aacute;s deveria concentrar o foco em jornalismo e no &quot;espa&ccedil;o p&uacute;blico pol&iacute;tico&quot;.<\/p>\n<p><strong>Falta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas<\/strong><\/p>\n<p>Aqui jogo outra provoca&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o maior dado ao jornalismo tradicional que est&aacute; sendo praticado, e no caso aqui sendo discutido, pela TV Brasil, que pretende vir a ser p&uacute;blica porque ainda n&atilde;o foi dado espa&ccedil;o devido ao l&uacute;dico, educativo, formativo, did&aacute;tico, servi&ccedil;o, manifesta&ccedil;&atilde;o cultural ainda n&atilde;o comercializada, porque o jornalismo em si impede o inovativo, criativo, experimental, interativo e multiprogram&aacute;tico.<\/p>\n<p>Apoio-me num artigo de Alfedo Boneff, do Ibase, questionando se a TV Educativa seria TV P&uacute;blica, nesta defendendo maiores espa&ccedil;os para a inven&ccedil;&atilde;o, a experimenta&ccedil;&atilde;o e at&eacute; mesmo a inova&ccedil;&atilde;o, inclusive diante dos novos meios digitais que ainda parecem distantes, na pr&aacute;tica, e que ir&atilde;o favorecer a forma&ccedil;&atilde;o de uma rede m&uacute;ltipla, com destaque para a regionaliza&ccedil;&atilde;o, mas sem as prejudicantes depend&ecirc;ncias pol&iacute;ticas localizadas.<\/p>\n<p>Finalizo com Rodrigo Murtinho de Martinez Torres e seu estudo preliminar sobre as m&uacute;ltiplas configura&ccedil;&otilde;es das televis&otilde;es p&uacute;blicas no Brasil, quando conclui que elas estariam &quot;fragilizadas e dependentes de um Estado omisso, dirigidas por governos comprometidos com as pol&iacute;ticas neoliberais e contaminados por pr&aacute;ticas clientelistas&quot;, e completo de vez com a seguinte frase dele, que aplico ao caso aqui da TV Brasil:<\/p>\n<blockquote><p>&quot;Trabalhamos com a hip&oacute;tese de que, diante da falta de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas para o setor, associada ao esvaziamento pol&iacute;tico da sociedade civil, as TVs p&uacute;blicas (brasileiras) buscam modelos de gest&atilde;o, financiamento e de programa&ccedil;&atilde;o semelhantes &agrave;s TVs comerciais.&quot;<\/p><\/blockquote>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\">&Eacute; o que eu tinha a dizer. Obrigado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participa&ccedil;&atilde;o de Eduardo Mamcasz na primeira audi&ecirc;ncia p&uacute;blica promovida pelo Conselho Curador da EBC com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; TV Brasil, realizada em Bras&iacute;lia, em 09-07-09 Eu sou Eduardo Mamcasz, jornalista com diploma e carteirinha, na ABI e nos sindicatos do Rio e de Bras&iacute;lia, desde o dia 7 de 7 de 77, portanto, j&aacute; lan&ccedil;ado na &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23098\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">EBC: Afinal de contas, o que \u00e9 p\u00fablico?<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23098"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23098"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23098\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23098"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23098"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23098"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}