{"id":23079,"date":"2009-07-20T20:25:11","date_gmt":"2009-07-20T20:25:11","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23079"},"modified":"2014-09-07T02:58:32","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:32","slug":"quem-sao-os-piratas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23079","title":{"rendered":"Quem s\u00e3o os piratas?"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">A pirataria &eacute; uma das quest&otilde;es mais pol&ecirc;micas, colocadas pela m&iacute;dia em pleno capitalismo monopolista do s&eacute;culo XXI. Segundo o conselho nacional de combate &agrave; pirataria, estima-se que 45% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, consuma algum tipo de produto pirateado. Frente a este dado podemos discutir, de maneira plural, o real significado de legalidade e legitimidade. <\/p>\n<p>Mas, vale dizer que, a partir do enfoque da economia pol&iacute;tica, interpretamos que, se virou pr&aacute;tica social, &eacute; porque est&aacute; legitimado pela sociedade brasileira, ainda que possa ser interpretado pelo Estado e pelos donos privados das mercadorias, como ilegal. <\/p>\n<p>Fa&ccedil;amos um exerc&iacute;cio e vejamos como, em ess&ecirc;ncia, o que &eacute; ocultado nos notici&aacute;rios e na ind&uacute;stria cultural midi&aacute;tica, &eacute; o verdadeiro sentido colocado na luta de classes sobre este tema. Comecemos com algumas perguntas b&aacute;sicas: <\/p>\n<p>1 &#8211; O que &eacute; a pirataria? &Eacute; a c&oacute;pia de um original, cuja autoria &eacute; de outro. Em termos formais, &ldquo;crime de viola&ccedil;&atilde;o de direito autoral&rdquo;. <\/p>\n<p>2 &#8211; O que &eacute; um produto original? &Eacute; aquele que, ao ser feito por algu&eacute;m, se transforma em propriedade privada deste algu&eacute;m (produto mercadoria e produto intelectual). Propriedade esta garantida sob a tutela do Estado formal, e exige que todos que o utilizam, pe&ccedil;am ben&ccedil;&atilde;o (economicamente paguem uma parte expressiva) &agrave;queles que o produziram. <\/p>\n<p>3 &#8211; Quando um produto original vira o produtor de copias? Quando o objetivo principal de sua utiliza&ccedil;&atilde;o &eacute; prestar esse tipo de servi&ccedil;o. Exemplo: fazer fotoc&oacute;pias de livros, de discos, de dvd&acute;s. <\/p>\n<p>4 &#8211; Quando a c&oacute;pia &eacute; viola&ccedil;&atilde;o? Quando o original, matriz produtora de copias, &eacute; utilizado por terceiros sem pagar sua parte substantiva, ou, vira um meio para outros meios e n&atilde;o o fim &uacute;ltimo do servi&ccedil;o. <\/p>\n<p>Em outras palavras, parte expressiva da copia utilizada como pirataria, adv&eacute;m de produtos originais que formalizam sua propaga&ccedil;&atilde;o. Essas m&aacute;quinas, cada vez mais potentes e port&aacute;teis, implementam um ritmo absurdo de produ&ccedil;&atilde;o de copias n&atilde;o controladas pelo pr&oacute;prio capital monopolista. <\/p>\n<p>Quando isto ocorre, o capital &#8211; que come&ccedil;a ver seu controle ser burlado, a partir das pr&oacute;prias m&aacute;quinas produzidas por ele-, define como pirataria ileg&iacute;tima e ilegal. Ou seja, uma a&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&atilde;o e de consumo exercida por contraventores sobre a ordem burguesa de propriedade privada do capital. <\/p>\n<p>J&aacute; para os trabalhadores, o problema n&atilde;o &eacute; o da originalidade da c&oacute;pia. E sim do desenvolvimento capitalista em si mesmo excludente, apropriador privado da produ&ccedil;&atilde;o da riqueza e da renda. Produ&ccedil;&atilde;o esta que permitiu a uma parte expressiva da popula&ccedil;&atilde;o mundial, encontrar mecanismos de sobreviv&ecirc;ncia, frente a, cada vez menor, m&atilde;o de obra formal dos tr&ecirc;s setores econ&ocirc;micos. <\/p>\n<p>O problema de fundo desta discuss&atilde;o n&atilde;o &eacute; da ordem moral e sim econ&ocirc;mica. Ou seja, quem fica com parte expressiva daquilo que &eacute; gerado, independente da media&ccedil;&atilde;o feita pela m&aacute;quina formalmente registrada? O pr&oacute;prio capital? Ou os trabalhadores que alijados do processo formal de trabalho, encontram a possibilidade de sobreviver legitimamente a partir da pirataria? <\/p>\n<p>A informalidade, numa sociedade como a brasileira, cuja exclus&atilde;o raia as beiras da barb&aacute;rie social, tem no m&iacute;nimo algumas facetas que devem ser levadas em considera&ccedil;&atilde;o: <\/p>\n<p>1. &Eacute; legitima e legal, quando seu fim &eacute; a sobreviv&ecirc;ncia de parte expressiva de um contingente de trabalhadores condenados da terra, feita propriedade privada pelo capital, que sequer entra para os n&uacute;meros do exercito industrial de reserva, e que encontra nesta atividade um dos &uacute;nicos mecanismos de ser minimamente inclu&iacute;do, frente a real exclus&atilde;o. Ex: ambulantes, vendedores de cd&acute;s, dvd&acute;s, entre outros. Em alguns casos, no que tange ao informal, o Estado pode assumi-lo inclusive como empreendedor, para, ao formaliz&aacute;-lo, garantir tributos ainda mais valiosos para seus cofres. <\/p>\n<p>2. &Eacute; legitima mas ilegal, quando o Estado, imbu&iacute;do de sua representa&ccedil;&atilde;o de classe, resolve fazer uma limpeza social-mora, mas que realmente &eacute; da ordem do poder econ&ocirc;mico, entre os que atuam fora ou dentro da lei. <\/p>\n<p>3. &Eacute; ileg&iacute;tima e ilegal, quando seu principio, meio e fim &eacute; a morte de muitos, frente a vida de poucos. Esse &eacute; o caso espec&iacute;fico do tr&aacute;fico de armas, de drogas, de mulheres, de &oacute;rg&atilde;os, entre outros. Para sobreviverem alguns, muitos t&ecirc;m que morrer para fazer a produ&ccedil;&atilde;o circular em forma de gan&acirc;ncia excessiva e ampliada. <\/p>\n<p>A legitimidade e legalidade da pirataria no Brasil, deve ser analisada a luz do conflito de classes gerado pela consolida&ccedil;&atilde;o do capital que vai, pouco a pouco, ou aprisionando o trabalho e escravizando-o de m&uacute;ltiplas formas, conforme o tempo hist&oacute;rico em que se vive, ou excluindo-o formalmente para inclu&iacute;-lo como consumidor. <\/p>\n<p>H&aacute; viola&ccedil;&otilde;es anteriores a dita viola&ccedil;&atilde;o da pirataria. Listemos algumas: <\/p>\n<p>A &#8211; Viola&ccedil;&atilde;o do direito ao trabalho e ao sal&aacute;rio digno. Um desemprego que chega aa casa dos 8% e uma popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa em que menos de 50% dos que atuam s&atilde;o formalmente registrados. <\/p>\n<p>B &#8211; Viola&ccedil;&atilde;o da remunera&ccedil;&atilde;o digna quando parte expressiva dos trabalhadores formais ganha at&eacute; dois sal&aacute;rios m&iacute;nimos por m&ecirc;s e n&atilde;o t&ecirc;m as garantias constitucionais de sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, moradia, entre outras. <\/p>\n<p>C &#8211; Viola&ccedil;&atilde;o do direito a disputa de classe, via Estado de direito, quando o capital define, a partir de seu poder onipotente, n&atilde;o s&oacute; as regras do jogo, mas a forma como o &aacute;rbitro deve se comportar (Estado brasileiro). <\/p>\n<p>D &#8211; Viola&ccedil;&atilde;o dos direitos consolidados como CLT e Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Ambos est&atilde;o virando enciclop&eacute;dia para consulta sobre como foi e deixou de ser o processo laboral brasileiro ao longo dos s&eacute;culos XX e XXI. <\/p>\n<p><em>* Roberta Traspadini &eacute; e<\/em><em>conomista, educadora popular e integrante da Consulta Popular\/ES.<\/em><br \/><a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=25028\" target=\"_blank\"><em>** Artigo dispon&iacute;vel em &aacute;udio. Clique aqui.<br \/><\/em><\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pirataria &eacute; uma das quest&otilde;es mais pol&ecirc;micas, colocadas pela m&iacute;dia em pleno capitalismo monopolista do s&eacute;culo XXI. Segundo o conselho nacional de combate &agrave; pirataria, estima-se que 45% da popula&ccedil;&atilde;o brasileira, consuma algum tipo de produto pirateado. Frente a este dado podemos discutir, de maneira plural, o real significado de legalidade e legitimidade. 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