{"id":23064,"date":"2009-07-16T15:29:36","date_gmt":"2009-07-16T15:29:36","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23064"},"modified":"2009-07-16T15:29:36","modified_gmt":"2009-07-16T15:29:36","slug":"especialistas-defendem-nova-regulamentacao-especifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23064","title":{"rendered":"Especialistas defendem nova regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p> \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\"><em>[T&iacute;tulo <a name=\"textTitle\" title=\"textTitle\"><\/a> original: Especialistas defendem nova Lei de Imprensa]<\/em><\/p>\n<p>Desde o final de abril, quando o Supremo Tribunal Federal tirou do ordenamento jur&iacute;dico a Lei de Imprensa (Lei 5.250\/67), tanto a comunidade jur&iacute;dica como a jornal&iacute;stica discutem se &eacute; necess&aacute;rio uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o setor. Para especialistas ouvidos pela Consultor Jur&iacute;dico, as particularidades da imprensa exigem sim uma regra espec&iacute;fica capaz de garantir a liberdade de express&atilde;o.<\/p>\n<p>Independentemente de sua origem ditatorial, a Lei de Imprensa cumpriu um papel relevante quanto a dois aspectos: preservou o dispositivo constitucional de liberdade de express&atilde;o e garantiu o direito de resposta e a compensa&ccedil;&atilde;o por danos.&nbsp;Walter Ceneviva, advogado&nbsp;e colunista do jornal&nbsp;<em>Folha de S.Paulo<\/em>&nbsp;h&aacute; quase 30 anos, reconhece que, embora a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal tenha essas disposi&ccedil;&otilde;es, a Lei de Imprensa se mostrou adequada para resolver esses problemas.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; um substrato que mostra a indispensabilidade da Lei de Imprensa&rdquo;, disse. Ceneviva observa que a Constitui&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos (&ldquo;p&aacute;tria amada da democracia formal&rdquo;), editada h&aacute; mais de 200 anos, serviu tanto para afirmar a escravatura quanto para garantir a liberdade aos escravos; para segregar brancos de negros e &iacute;ndios, quanto para impor &agrave;s escolas a acolhida de alunos seja qual fosse a sua ra&ccedil;a, origem ou cor. Ele usa o exemplo para mostrar que n&atilde;o basta a Constitui&ccedil;&atilde;o para garantir a liberdade de express&atilde;o. O advogado tamb&eacute;m ressalta que a lei inferior &agrave; Constitui&ccedil;&atilde;o tem a vantagem de situar os problemas.<\/p>\n<p>Quanto &agrave;s altas condena&ccedil;&otilde;es por danos morais contra pequenos ve&iacute;culos (clique aqui para ler mais), Walter Ceneviva defende que uma nova Lei de Imprensa deve estabelecer par&acirc;metros para impedir que o meio de comunica&ccedil;&atilde;o se torne invi&aacute;vel. &ldquo;Condenar um jornal em R$ 5 milh&otilde;es &eacute; uma veda&ccedil;&atilde;o indireta da liberdade de imprensa&rdquo;, ressalta. Como n&atilde;o h&aacute; como definir uma regra geral, defende que a norma leve em conta a capacidade econ&ocirc;mica do ve&iacute;culo. &ldquo;A lei deve estabelecer par&acirc;metros de maneira que n&atilde;o torne o dano moral uma desculpa para a imoralidade do enriquecimento sem causa.&rdquo;<\/p>\n<p>Marcelo Nobre, membro do Conselho Nacional de Justi&ccedil;a, sugere nesta segunda-feira (13), em artigo publicado na <em>Folha de S.Paulo<\/em>, a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o para a m&iacute;dia, como o Conar, conselho criado para regular a publicidade no pa&iacute;s. Segundo ele, esta seria uma forma r&aacute;pida de lidar com o v&aacute;cuo legislativo criado com a decis&atilde;o de abril do Supremo Tribunal Federal, de revogar por completo a Lei de Imprensa.&nbsp;&ldquo;N&atilde;o podemos concordar com a possibilidade de que quest&otilde;es important&iacute;ssimas como a privacidade frente a imprensa e todos os outros direitos atinentes a ela fiquem no vazio normativo. E n&atilde;o se pode admitir que ve&iacute;culos de informa&ccedil;&atilde;o que atuam com responsabilidade sejam fechados em raz&atilde;o de condena&ccedil;&otilde;es de valores significativos a t&iacute;tulo indenizat&oacute;rio&rdquo;, escreveu.<\/p>\n<p>O Conselho de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o, de acordo com a sua proposta, poderia contribuir para a produ&ccedil;&atilde;o de uma nova Lei de Imprensa, moderna e democr&aacute;tica. Seria um &oacute;rg&atilde;o privado, dirigido pelos pr&oacute;prios segmentos que representam, &ldquo;contribuindo para a preserva&ccedil;&atilde;o, bem como para o reparo de informa&ccedil;&otilde;es divulgadas pelos diferentes meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;. A OAB e a sociedade civil organizada tamb&eacute;m teriam assento.<\/p>\n<p>Marcelo Nobre entende que o Supremo Tribunal Federal deveria ter modulado os efeitos da sua decis&atilde;o, no sentido de que apenas as a&ccedil;&otilde;es futuras n&atilde;o pudessem ser fundamentadas na norma revogada. No artigo, o conselheiro lembra que j&aacute; existem decis&otilde;es de primeira inst&acirc;ncia e de tribunais extinguindo a&ccedil;&otilde;es com argumentos baseados na Lei de Imprensa, o que n&atilde;o contribui para a seguran&ccedil;a jur&iacute;dica.<\/p>\n<p><strong>A imprensa e o Supremo<\/strong><\/p>\n<p>Para o ministro Marco Aur&eacute;lio, do Supremo, a cria&ccedil;&atilde;o de um Conselho de Autorregulamenta&ccedil;&atilde;o &ldquo;n&atilde;o &eacute; a sa&iacute;da&quot;. &quot;&Eacute; prefer&iacute;vel continuar como est&aacute;. O Judici&aacute;rio, ao decidir quest&otilde;es que envolvam a imprensa, pode aplicar a Constitui&ccedil;&atilde;o e levar em conta a jurisprud&ecirc;ncia existente&rdquo;, disse em entevista &agrave; ConJur. Sem uma lei espec&iacute;fica, que garantiria seguran&ccedil;a &agrave; atua&ccedil;&atilde;o do conselho administrativo, diz o ministro, podem-se estabelecer crit&eacute;rios diversificados nas decis&otilde;es, o que n&atilde;o &eacute; saud&aacute;vel.<\/p>\n<p>Marco Aur&eacute;lio, o &uacute;nico a votar contra a revoga&ccedil;&atilde;o de Lei de Imprensa, lembra do posicionamento de alguns colegas de Supremo no sentido de que qualquer norma que tente limitar a atua&ccedil;&atilde;o do jornalista implica, de forma indireta, uma forma de cercear a liberdade de express&atilde;o. Segundo ele, &ldquo;houve uma declara&ccedil;&atilde;o linear de inconstitucionalidade de lei&rdquo;, o que considerou um retrocesso. Para o ministro, seria preciso avan&ccedil;ar na quest&atilde;o.<\/p>\n<p>O relator da a&ccedil;&atilde;o (ADPF 130), ministro Carlos Britto, defendeu que quest&otilde;es que circundam a atividade jornal&iacute;stica, como indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral ou direito de resposta, podem ser legisladas. O decano, ministro Celso de Mello, concluiu que C&oacute;digo Civil e o C&oacute;digo Penal s&atilde;o suficientes para tratar de qualquer quest&atilde;o que envolva a imprensa. O presidente da corte, ministro Gilmar Mendes, disse que a supress&atilde;o das regras que regulam o direito de resposta pode desequilibrar a rela&ccedil;&atilde;o entre cidad&atilde;os e a imprensa, como no caso Escola Base. Para ele, tamb&eacute;m &eacute; preciso lei para regular o valor das indeniza&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o aos limites para o valor das condena&ccedil;&otilde;es, Marco Aur&eacute;lio afirma que, h&aacute; dois anos, o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a se incumbiu de corrigir rumos e reduzir de forma substancial as indeniza&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Antes as a&ccedil;&otilde;es eram verdadeiras loterias. Havia gente torcendo para ser ofendido por um jornal para reclamar indeniza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse o ministro.<\/p>\n<p>Alexandre Fidalgo, advogado do grupo Abril, concorda com Marco Aur&eacute;lio em rela&ccedil;&atilde;o ao valor das indeniza&ccedil;&otilde;es: o STJ avocou para si o controle das indeniza&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m do que, diz, fixar um teto n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel porque a extens&atilde;o do dano, vez ou outra, poder&aacute; ultrapass&aacute;-lo e colocar um teto alto demais n&atilde;o atender&aacute; ao prop&oacute;sito. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao direito de resposta, Fidalgo entende que &eacute; necess&aacute;rio cria uma legisla&ccedil;&atilde;o para regulament&aacute;-lo.<\/p>\n<p>&ldquo;A regulamenta&ccedil;&atilde;o do pedido de direito de resposta &eacute; a medida mais adequada e segura para todos os jurisdicionados e operadores do Direito&rdquo;. Ele observa que n&atilde;o h&aacute; no pa&iacute;s regras claras e objetivas em rela&ccedil;&atilde;o ao espa&ccedil;o a ser ocupado pela resposta e ao conte&uacute;do. &ldquo;Mesmo na vig&ecirc;ncia da Lei de Imprensa, que regulava objetivamente os pressupostos do direito de resposta, muito excesso se cometia&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p><strong>&Agrave; espera do ac&oacute;rd&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p>O advogado Manuel Alceu, que representa o jornal <em>O Estado de S. Paulo<\/em> no Judici&aacute;rio, diz que um Conselho de Autorregula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; um substituto para a Lei de Imprensa. &ldquo;N&atilde;o &eacute; vergonha nenhuma ter uma Lei de Imprensa. &Eacute; preciso perder o preconceito de que a lei vai limitar a liberdade de express&atilde;o.&rdquo;&nbsp;Manuel Alceu afirma que o conselho pode ser bom para tentativas de concilia&ccedil;&atilde;o e at&eacute; de autorregula&ccedil;&atilde;o. No entanto, quando os conflitos surgirem, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel negar o direito de ir ao Judici&aacute;rio.<\/p>\n<p>Antes disso, por&eacute;m, o advogado afirma que a quest&atilde;o da Lei de Imprensa ainda n&atilde;o est&aacute; totalmente resolvida no Supremo porque o ac&oacute;rd&atilde;o ainda n&atilde;o foi publicado. H&aacute; possibilidade de serem interpostos Embargos de Declara&ccedil;&atilde;o, diz, e tamb&eacute;m de os ministros decidirem modular os efeitos da decis&atilde;o. Nesse sentido, podem retardar a vig&ecirc;ncia da decis&atilde;o, estipular que a parte do direito de resposta continue em vigor. &ldquo;A quest&atilde;o ainda n&atilde;o est&aacute; encerrada. Por isso, vejo com preocupa&ccedil;&atilde;o as decis&otilde;es que est&atilde;o extinguindo as a&ccedil;&otilde;es.&rdquo;<\/p>\n<p>Luiz de Camargo Aranha Neto, advogado da Globo, tamb&eacute;m est&aacute; &agrave; espera do ac&oacute;rd&atilde;o. Para ele, &eacute; preciso aguardar a publica&ccedil;&atilde;o para se adequar por meio de&nbsp;embargos de declara&ccedil;&atilde;o. No entanto,&nbsp;a revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa em nada vai mudar a situa&ccedil;&atilde;o atual. &ldquo;Quase todos os artigos j&aacute; estavam revogados. Os que n&atilde;o estavam tratavam de quest&otilde;es penais, que podem ser resolvidas com o C&oacute;digo Penal&rdquo;, disse. O &uacute;nico problema a ser resolvido, de fato, &eacute; a regulamenta&ccedil;&atilde;o do direito de resposta, reconhece.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[T&iacute;tulo original: Especialistas defendem nova Lei de Imprensa] Desde o final de abril, quando o Supremo Tribunal Federal tirou do ordenamento jur&iacute;dico a Lei de Imprensa (Lei 5.250\/67), tanto a comunidade jur&iacute;dica como a jornal&iacute;stica discutem se &eacute; necess&aacute;rio uma nova regulamenta&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para o setor. Para especialistas ouvidos pela Consultor Jur&iacute;dico, as particularidades da &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23064\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Especialistas defendem nova regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[651],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23064\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}