{"id":23058,"date":"2009-07-15T16:36:32","date_gmt":"2009-07-15T16:36:32","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23058"},"modified":"2009-07-15T16:36:32","modified_gmt":"2009-07-15T16:36:32","slug":"manifesto-pede-democratizacao-de-emissoras-publicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23058","title":{"rendered":"Manifesto pede democratiza\u00e7\u00e3o de emissoras p\u00fablicas"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t    <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao padrao\">Mais de 40 m&uacute;sicos, produtores musicais, compositores e ativistas pol&iacute;ticos participaram na &uacute;ltima segunda-feira (13) da caravana organizada de F&oacute;rum Permanente da M&uacute;sica de Pernambuco (FPMPE) para entregar a representantes do Poder P&uacute;blico o manifesto &ldquo;Cultura e Comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, que pede a democratiza&ccedil;&atilde;o dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o geridos por &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos no estado. O documento mira as r&aacute;dios e TVs do governo do estado, da prefeitura do Recife e da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). <\/p>\n<p>A luta dos artistas pernambucanos &eacute; antiga e tem como ponto principal tornar democr&aacute;tica e participativa a gest&atilde;o de ve&iacute;culos p&uacute;blicos explorados pelo Poder Executivo ou autarquias ligadas a ele, como no caso da UFPE. Outro objetivo central &eacute; dar vaz&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o cultura do pr&oacute;prio estado. Segundo Sara Nascimento, do Sindicato dos M&uacute;sicos de Pernambuco, entidade que comp&otilde;e o FPMPE, &ldquo;Pernambuco n&atilde;o se v&ecirc;, n&atilde;o se ouve e n&atilde;o se conhece&rdquo;. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o de Pernambuco nas r&aacute;dios, a n&atilde;o ser alguma coisa de forr&oacute; e que foi conquistada com muita luta&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p>No Recife, existem quatro emissoras p&uacute;blicas: duas r&aacute;dios e duas televis&otilde;es. As duas r&aacute;dios, uma AM e outra FM s&atilde;o de gest&atilde;o da UFPE, assim como uma emissora de televis&atilde;o, a TV Universit&aacute;ria, que &eacute; a emissora p&uacute;blica com maior audi&ecirc;ncia no estado. A outra emissora p&uacute;blica de televis&atilde;o, a TV Pernambuco, ligada ao governo do estado, durante os anos 80 e 90, funcionou em canal VHF e apresentava em sua grade de programa&ccedil;&atilde;o bastante produ&ccedil;&atilde;o cultural e informativa local. Hoje, &eacute; transmitida na faixa UHF, o que dificulta a sintoniza&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias localidades, e tem pouca produ&ccedil;&atilde;o local. <\/p>\n<p>Segundo Eduardo Homem, produtor da TV Viva e um dos articuladores da caravana, &ldquo;durante o governo de Miguel Arraes, a TV Pernambuco, ainda em canal VHF, funcionou como produtora de conte&uacute;do local porque houve investimento, mas tamb&eacute;m n&atilde;o poderia ser considerada uma emissora p&uacute;blica participativa, porque n&atilde;o havia total abertura para a produ&ccedil;&atilde;o independente&rdquo;. &ldquo;No governo de Jarbas Vasconcelos, o canal em VHF foi repassado para o Di&aacute;rios Associados e a TV Pernambuco passou a funcionar em UHF sem produ&ccedil;&atilde;o e sem audi&ecirc;ncia&rdquo;, relata.<\/p>\n<p>A atual gest&atilde;o de Eduardo Campos iniciou nova discuss&atilde;o sobre a TV Pernambuco e esperava-se tratamento diferente do Executivo para com a emissora. Contudo, Campos n&atilde;o aderiu de imediato &agrave;s expectativas de fazer a TV voltar a produzir e tamb&eacute;m de ser um espa&ccedil;o mais democr&aacute;tico, e esfriou as esperan&ccedil;as de mudan&ccedil;a na estatal.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Eduardo Homem, foi bastante positiva a conversa da caravana com o secret&aacute;rio estadual da Casa Civil, Ricardo Leit&atilde;o. O secret&aacute;rio comprometeu-se em discutir com o coletivo de m&uacute;sicos e artistas um novo modelo para TV Pernambuco espelhado no modelo da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), projeto que j&aacute; est&aacute; em andamento dentro do Executivo.<\/p>\n<p>&ldquo;Existe por parte do governo do estado a id&eacute;ia de se criar a Empresa Pernambucana de Comunica&ccedil;&atilde;o, a Empecom, nos moldes da EBC\/TV Brasil e eles j&aacute; nos passaram a minuta desse anteprojeto&rdquo;, disse Homem. &ldquo;Para n&oacute;s, isso j&aacute; &eacute; um avan&ccedil;o, porque queremos participar da gesta&ccedil;&atilde;o desta empresa, poder dar id&eacute;ias de como ela deve funcionar para ser p&uacute;blica e democr&aacute;tica e n&atilde;o s&oacute; saber o que eles pensam quando tudo j&aacute; est&aacute; pronto.&rdquo;<\/p>\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o do apresentador Roger de Renor, um dos organizadores da caravana, em rela&ccedil;&atilde;o ao encontro com o governo do estado tamb&eacute;m foi positiva. Para Renor, o canal de di&aacute;logo que foi aberto &eacute; importante. &ldquo;Acho que a gente conseguiu colocar a discuss&atilde;o na rua. J&aacute; existe resposta do governo do estado e tamb&eacute;m do diretor da TVU [emissora gerida pela UFPE), Paulo Jardel, que lan&ccedil;ou uma nota j&aacute; se posicionando sobre essa articula&ccedil;&atilde;o. Isso j&aacute; foi importante. Nos resta agora tornar ainda mais p&uacute;blica essa discuss&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n<p>Roger de Renor questionou, entretanto, a receptividade da prefeitura do Recife. &ldquo;Na prefeitura, n&atilde;o fomos atendidos nem pelo prefeito Jo&atilde;o da Costa, que estava em Bras&iacute;lia, nem pela chefe de gabinete, nem pelos secret&aacute;rios de cultura ou de comunica&ccedil;&atilde;o. Conversamos com uma pessoa e protocolamos o documento e um pedido de audi&ecirc;ncia. Na entrada, fomos recebidos por v&aacute;rias guardas municipais que se multiplicavam isso foi muito ruim.&rdquo;<\/p>\n<p>A prefeitura do Recife n&atilde;o tem ainda nenhuma ve&iacute;culo, mas um projeto de lei que cria a R&aacute;dio Frei Caneca, uma concess&atilde;o de r&aacute;dio para o munic&iacute;pio, tramita h&aacute; anos no Congresso Nacional sem muito sucesso. Apesar de ser ainda um projeto, foi inicialmente a discuss&atilde;o sobre a R&aacute;dio Frei Caneca que deu vida ao movimento em torno de publiciza&ccedil;&atilde;o das emissoras geridas pelo poder executivo.<\/p>\n<p>Existem documentos de dez anos atr&aacute;s, nos quais esse mesmo grupo que conformou o F&oacute;rum Permanente, discutia a R&aacute;dio Frei Caneca, inclusive com participa&ccedil;&atilde;o do atual secret&aacute;rio de Cultura do munic&iacute;pio, Renato L. Contudo, as discuss&otilde;es sobre a r&aacute;dio foram esmorecendo e ainda n&atilde;o h&aacute; uma previs&atilde;o de quando a r&aacute;dio vai sair do papel. <\/p>\n<p>A caravana n&atilde;o conseguiu chegar at&eacute; o seu destino final, a reitoria da UFPE, onde entregariam tamb&eacute;m ao reitor Amaro Lins o manifesto e pediriam maior transpar&ecirc;ncia e participa&ccedil;&atilde;o na reforma do n&uacute;cleo de r&aacute;dio e TV da universidade. Um projeto para gest&atilde;o dos ve&iacute;culos universit&aacute;rio est&aacute; sendo preparado pela atual gest&atilde;o da reitoria, mas sem a participa&ccedil;&atilde;o da sociedade o que tamb&eacute;m est&aacute; sendo questionado pelo grupo. <\/p>\n<p>Para Ros&aacute;rio de Pomp&eacute;ia, do Centro de Cultura Luiz Freie e membro do F&oacute;rum Pernambucano de Comunica&ccedil;&atilde;o (Fopecom), a articula&ccedil;&atilde;o dos m&uacute;sicos e artistas em torno da discuss&atilde;o das emissoras p&uacute;blicas &eacute; muito importante e veio em uma hora muito prop&iacute;cia em que a sociedade e o Estado come&ccedil;am a debater a primeira Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>&ldquo;Esse refor&ccedil;o dos m&uacute;sicos e artistas na nossa luta por um sistema p&uacute;blico democr&aacute;tico e plural veio a calhar com a nossa articula&ccedil;&atilde;o pr&oacute;-Confer&ecirc;ncia de Comunica&ccedil;&atilde;o no estado&rdquo;, comentou. &ldquo;Com certeza vamos poder intervir de forma muito mais qualificada nos espa&ccedil;os da confer&ecirc;ncia estadual de comunica&ccedil;&atilde;o [que &eacute; uma etapa da nacional] no que diz respeito a publiciza&ccedil;&atilde;o das emissoras e tamb&eacute;m do conte&uacute;do a ser veiculado por elas. Discutir a forma&ccedil;&atilde;o de conselhos gestores participativos para as emissoras p&uacute;blicas, que &eacute; tamb&eacute;m uma forma de controle p&uacute;blico, &eacute; fundamental. A nossa luta est&aacute; s&oacute; come&ccedil;ando.&rdquo;<\/p>\n<p>Leia o manifesto na &iacute;ntegra:<\/p>\n<p>&ldquo;Manifesto Cultura e Comunica&ccedil;&atilde;o <\/p>\n<p>Pernambuco &eacute; um territ&oacute;rio que tem uma produ&ccedil;&atilde;o cultural rica e diversa, de excel&ecirc;ncia reconhecida nacional e internacionalmente na m&uacute;sica, no cinema e no &aacute;udio-visual em geral, nas artes pl&aacute;sticas, em variadas formas de representa&ccedil;&atilde;o teatral, na dan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Pernambuco tem o privil&eacute;gio de dispor de meios de comunica&ccedil;&atilde;o de massa estatais &ndash; dois canais de televis&atilde;o com alcance potencial para cobrir grande parte do Nordeste; r&aacute;dios AM e FM em funcionamento e concess&atilde;o de r&aacute;dio para se efetivar.<\/p>\n<p>Entretanto, Pernambuco n&atilde;o utiliza esses canais para valorizar e incrementar sua produ&ccedil;&atilde;o cultural, seus artistas e t&eacute;cnicos, todo o universo humano, toda a atividade s&oacute;cio-econ&ocirc;mica que cerca o fazer cultural.<\/p>\n<p>Esta realidade, daninha aos interesses do pr&oacute;prio Estado, tanto do ponto de vista econ&ocirc;mico, como pol&iacute;tico, social e, por certo, cultural, tem motivado as pessoas abaixo relacionadas, algumas delas representantes de associa&ccedil;&otilde;es ou &oacute;rg&atilde;os de classe, mas todas interessadas em colaborar para o desenvolvimento das artes no territ&oacute;rio pernambucano, a buscar o di&aacute;logo com representantes das diversas inst&acirc;ncias p&uacute;blicas respons&aacute;veis pelos canais de comunica&ccedil;&atilde;o citados.<\/p>\n<p>Deve-se anotar que houve o di&aacute;logo, no Pal&aacute;cio das Princesas, na Reitoria da UFPE, na sede da Prefeitura do Recife. Mas se deve ressaltar que nenhuma das provid&ecirc;ncias aludidas nesses encontros resultou em fatos concretos. As raz&otilde;es nos s&atilde;o desconhecidas mas, aparentemente, o motivo principal &eacute; que uma pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o aberta e praticada em conjunto com a sociedade n&atilde;o &eacute; efetiva prioridade das pol&iacute;ticas e programas daquelas inst&acirc;ncias de governo e poder.<\/p>\n<p>&Eacute;, portanto, esta sensa&ccedil;&atilde;o que nos leva a tornar p&uacute;blicas nossa demanda e nossas propostas. A saber:<\/p>\n<p>1. Cria&ccedil;&atilde;o de inst&acirc;ncias de discuss&atilde;o e elabora&ccedil;&atilde;o de modelos de funcionamento da TV Pernambuco, r&aacute;dios e TV Universit&aacute;ria, r&aacute;dio Frei Caneca;<\/p>\n<p>2. Que o modelo de gest&atilde;o a ser adotado nesses canais de comunica&ccedil;&atilde;o se espelhe no da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o, aperfei&ccedil;oando-o pela introdu&ccedil;&atilde;o de mecanismos mais democr&aacute;ticos de governan&ccedil;a;<\/p>\n<p>3. Que seja dado um prazo para que se efetivem as decis&otilde;es, de forma inclusive a contemplar o calend&aacute;rio legislativo e or&ccedil;ament&aacute;rio do Estado.<\/p>\n<p>Repetimos que aos abaixo-assinados move apenas o interesse de contribuir para a dinamiza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o cultural de Pernambuco e para a democratiza&ccedil;&atilde;o dos seus meios de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blicos.<\/p>\n<p>Recife, 25 de maio de 2009.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F&oacute;rum Permanente da M&uacute;sica de Pernambuco organiza caravana para entregar documento assinado por mais de 40 artistas e entidades pedindo gest&atilde;o democr&aacute;tica e espa&ccedil;o para a produ&ccedil;&atilde;o regional<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[607],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23058"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23058"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23058\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23058"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23058"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23058"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}