{"id":23034,"date":"2009-07-08T16:59:57","date_gmt":"2009-07-08T16:59:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23034"},"modified":"2009-07-08T16:59:57","modified_gmt":"2009-07-08T16:59:57","slug":"sem-nova-regulacao-multiprogramacao-segue-irregular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23034","title":{"rendered":"Sem nova regula\u00e7\u00e3o, multiprograma\u00e7\u00e3o segue irregular"},"content":{"rendered":"<p>   \t \t \t \t \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t  <\/p>\n<p class=\"western padrao\">Desde o dia 1, a transmiss&atilde;o simult&acirc;nea das programa&ccedil;&otilde;es da TV da Assembl&eacute;ia Legislativa do Estado de S&atilde;o Paulo (TV Alesp) e da TV C&acirc;mara para a cidade de S&atilde;o Paulo atrav&eacute;s de um &uacute;nico canal digital, o de n&uacute;mero 61, ganhou car&aacute;ter definitivo. A assinatura de um termo de coopera&ccedil;&atilde;o entre as duas emissoras sacramenta o uso da multiprograma&ccedil;&atilde;o como base para a forma&ccedil;&atilde;o da Rede Legislativa de Televis&atilde;o. A transmiss&atilde;o simult&acirc;nea j&aacute; vinha sendo usada pelas duas emissoras desde outubro, atrav&eacute;s de um acordo provis&oacute;rio. Mas ainda que o documento assinado na semana passada d&ecirc; car&aacute;ter vital&iacute;cio &agrave; parceria, o uso da multiprograma&ccedil;&atilde;o pelas TVs do Legislativo segue sendo a t&iacute;tulo experimental. Isso porque a possibilidade de se usar uma mesma faixa do espectro eletromagn&eacute;tico (o canal) para se transmitir mais de uma programa&ccedil;&atilde;o, que &eacute; umas das principais novidades introduzidas pela digitaliza&ccedil;&atilde;o da televis&atilde;o, segue sem ser propriamente regulamentada.<\/p>\n<p>A irregularidade da multiprograma&ccedil;&atilde;o decorre tanto da inadequa&ccedil;&atilde;o do marco legal que ainda rege a radiodifus&atilde;o, como da confus&atilde;o criada pela portaria do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es que regulamentou o funcionamento dos canais da Uni&atilde;o criados pelo decreto que estabeleceu o Sistema Brasileiro de TV Digital. De um lado, a legisla&ccedil;&atilde;o sobre radiodifus&atilde;o (o C&oacute;digo Brasileiro de Telecomunica&ccedil;&otilde;es e sua regulamenta&ccedil;&atilde;o) pro&iacute;be que uma &ldquo;mesma entidade ou as pessoas que integram o seu quadro societ&aacute;rio e diretivo&rdquo; tenham mais de uma outorga para o mesmo servi&ccedil;o na mesma localidade. Ou seja: a entidade outorgada n&atilde;o pode usar a sua faixa do espectro eletromagn&eacute;tico para transmitir mais do que uma programa&ccedil;&atilde;o, porque estaria oferecendo duas vezes o mesmo servi&ccedil;o sem autoriza&ccedil;&atilde;o para isso. <\/p>\n<p>Por outro lado, a Portaria 24 de 11 de fevereiro de 2009, que cria normas gerais para o funcionamento das emissoras &ldquo;vinculadas aos Poderes da Uni&atilde;o&rdquo;, pro&iacute;be o uso da multiprograma&ccedil;&atilde;o por quaisquer outras emissoras que n&atilde;o aquelas criadas pelo decreto que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital e que funcionar&atilde;o sob tutela do Executivo Federal (os canais da Cidadania, da Cultura, da Educa&ccedil;&atilde;o e do Executivo). A norma tem car&aacute;ter provis&oacute;rio, visto que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es havia se comprometido a editar outra norma sobre a multiprograma&ccedil;&atilde;o no prazo de 90 dias. <\/p>\n<p>Ainda que a associa&ccedil;&atilde;o entre TV Alesp e TV C&acirc;mara conte com participa&ccedil;&atilde;o de uma emissora que pode ser considerada de explora&ccedil;&atilde;o por um dos &ldquo;Poderes da Uni&atilde;o&rdquo;, nem mesmo a emissora do Legislativo federal pode ser enquadrada nos requisitos da Portaria 24. Al&eacute;m disso, a opera&ccedil;&atilde;o pode ser considerada irregular pelo fato de n&atilde;o haver autoriza&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica do &oacute;rg&atilde;o competente para a oferta de cada uma das programa&ccedil;&otilde;es das emissoras legislativas em sinal aberto digital.<\/p>\n<p><strong>Sa&iacute;da para um problema estrutural<\/strong><\/p>\n<p>Fica claro, entretanto, que as emissoras legislativas recorrem ao recurso da multiprograma&ccedil;&atilde;o para dar conta de um problema estrutural criado pelo mau planejamento do uso do espectro. Apesar de a digitaliza&ccedil;&atilde;o multiplicar as possibilidades de oferta de programa&ccedil;&otilde;es, o modelo utilizado pelo SBTVD manteve praticamente inalterado o quadro da distribui&ccedil;&atilde;o dos canais de TV. As emissoras que atualmente det&ecirc;m outorgas para transmiss&atilde;o na TV aberta receberam uma &ldquo;fatia&rdquo; do espectro id&ecirc;ntica a que j&aacute; possuem no sistema anal&oacute;gico, de 6 megaherz, quando n&atilde;o seria necess&aacute;rio um ter&ccedil;o disso para transmitirem a mesma programa&ccedil;&atilde;o no sinal digitalizado.<\/p>\n<p>N&atilde;o por acaso as emissoras do campo p&uacute;blico esfor&ccedil;am-se para aprovar o Projeto de Lei 277\/09, que prev&ecirc; canais abertos, para a C&acirc;mara dos Deputados, Senado Federal, Supremo Tribunal Federal, Empresa Brasileira de Radiodifus&atilde;o &ndash; Radiobr&aacute;s, Assembl&eacute;ias Legislativas, C&acirc;mara de Vereadores e outras entidades de direito p&uacute;blico voltadas &agrave; execu&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de televis&atilde;o educativa. &ldquo;O projeto est&aacute; com parecer favor&aacute;vel na CCJ, e deve ainda ser votado no Senado. Nossa perspectiva &eacute; de que o processo j&aacute; esteja finalizado no final do ano&rdquo;, disse Evelin Maciel, representante da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Televis&otilde;es e R&aacute;dios Legislativas (Astral) durante a cerim&ocirc;nia de assinatura do termo de coopera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>At&eacute; l&aacute;, &eacute; preciso dar um jeito na falta de espa&ccedil;o para que as emissoras legislativas entrem no ar. No caso paulistano, a rede n&atilde;o deve permanecer s&oacute; entre os dois canais. A proposta &eacute; de que se tenha at&eacute; sete canais dividindo o mesmo transmissor. &ldquo;Por enquanto planejamos ter a TV Alesp, a TV C&acirc;mara, TV Senado, e a TV da C&acirc;mara Municipal de S&atilde;o Paulo para ocupar quatro canais&quot;, explicou Antonio Rudnei, diretor da TV Alesp.O Instituto Mackenzie, encarregado de desenvolver quest&otilde;es t&eacute;cnicas, busca uma maneira agregar mais tr&ecirc;s programa&ccedil;&otilde;es, que seriam destinadas &agrave;s demais TVs municipais.<\/p>\n<p>O compartilhamento do canal 61 tamb&eacute;m pode resolver os problemas de custos de opera&ccedil;&atilde;o. A C&acirc;mara dos Deputados adquiriu atrav&eacute;s de uma licita&ccedil;&atilde;o internacional os transmissores que ser&atilde;o usados pelo canal 61. O processo, inicialmente avaliado em R$ 8 milh&otilde;es, ao final custou R$ 3,35 milh&otilde;es, e os novos aparelhos (transmissores e antenas) devem chegar em S&atilde;o Paulo na pr&oacute;xima semana. De seu lado, a TV Alesp se encarregar&aacute; dos gastos com a opera&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o e ainda no fornecimento da torre de transmiss&atilde;o. A mesma antena deve ainda ser &ldquo;compartilhada com a TV Justi&ccedil;a. Mas neste caso, trata-se apenas do compartilhamento da antena e n&atilde;o do transmissor, nem do canal&rdquo;, explicou ainda Evelin Maciel.<\/p>\n<p><strong>Ofensiva dos radiodifusores<\/strong><\/p>\n<p>O Artigo 10.3 da Portaria 24, que pro&iacute;be a multiprograma&ccedil;&atilde;o para todas as emissoras exceto as ligadas ao Executivo Federal, est&aacute; sendo alvo de a&ccedil;&atilde;o no Superior Tribunal de Justi&ccedil;a (STJ) movida pela Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifusores (Abra), entidade que representa a Band e a Rede TV. A entidade pede para que sejam suspensas as restri&ccedil;&otilde;es &agrave;s emissoras comerciais de veicularem mais de uma programa&ccedil;&atilde;o por meio do Sistema Brasileiro de TV Digital. <\/p>\n<p>A Abra argumenta que n&atilde;o pode haver tratamento diferenciado para os diferentes tipos de emissoras. &quot;O pr&oacute;prio ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es declarou que n&atilde;o era contra a multiprograma&ccedil;&atilde;o. Esper&aacute;vamos que ele modificasse a portaria ou, como prometeu, que encaminhasse o assunto ao Congresso Nacional. Como nada disso aconteceu, entramos com a a&ccedil;&atilde;o&quot;, declarou o vice-presidente da Abra, Frederico Nogueira, em entrevista ao site <em>Converg&ecirc;ncia Digital<\/em>. &quot;O presidente da Record j&aacute; disse que tem interesse, a MTV tamb&eacute;m, assim como a TV Gazeta. A pr&oacute;pria Globo diz que quer gerar uma programa&ccedil;&atilde;o diferenciada no oneseg (TV Digital no celular), mas isso tamb&eacute;m n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel da maneira como est&aacute; colocado.&quot;<\/p>\n<p>O interesse das emissoras comerciais mostra que o tema &eacute; delicado. Se de um lado h&aacute; a possibilidade de a multiprograma&ccedil;&atilde;o diversificar a oferta de conte&uacute;dos, de outro a libera&ccedil;&atilde;o total para as emissoras comerciais pode fazer da TV digital simplesmente mais do mesmo. &Eacute; poss&iacute;vel que o tema seja tratado durante o processo da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, cujo tema central &eacute; &ldquo;Comunica&ccedil;&atilde;o: meios para a constru&ccedil;&atilde;o de direitos e de cidadania na era digital&rdquo;. Espera-se que o processo da confer&ecirc;ncia defina diretrizes para atualizar a legisla&ccedil;&atilde;o do setor das comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TV C\u00e2mara e TV Alesp firmam acordo para transmitir programa\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s de um \u00fanico canal em S\u00e3o Paulo; regras seguem indefinidas e emissoras comerciais pressionam por libera\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[79],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23034"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23034\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}