{"id":23015,"date":"2009-07-05T17:43:02","date_gmt":"2009-07-05T17:43:02","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=23015"},"modified":"2009-07-05T17:43:02","modified_gmt":"2009-07-05T17:43:02","slug":"ativistas-preocupam-se-com-ofensiva-contra-liberdade-na-rede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=23015","title":{"rendered":"Ativistas preocupam-se com ofensiva contra liberdade na rede"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--><span class=\"padrao\">N&atilde;o poderia ser diferente. A d&eacute;cima edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Internacional de Software Livre (Fisl), realizado em Porto Alegre durante a semana passada, dedicou boa parte das suas discuss&otilde;es &agrave;s chamadas leis de preven&ccedil;&atilde;o e controle de cibercrimes que se multiplicam mundo afora e tamb&eacute;m no Brasil. A maior preocupa&ccedil;&atilde;o &eacute; que estas leis abram espa&ccedil;o para o policiamento de conte&uacute;dos e a criminaliza&ccedil;&atilde;o de atividades corriqueiras na rede mundial de computadores.<\/p>\n<p><\/span>Projetos de lei que imp&otilde;em diversas formas de controle sobre o uso da internet j&aacute; est&atilde;o em discuss&atilde;o em alguns pa&iacute;ses como Canad&aacute;, Reino Unido, Austr&aacute;lia, Nova Zel&acirc;ndia, Su&eacute;cia, dentre outros. A Fran&ccedil;a foi o primeiro pa&iacute;s europeu a aprovar, em maio deste ano, uma lei que estabeleceu a suspens&atilde;o do acesso &agrave; rede para pessoas reincidentes em &ldquo;downloads ilegais&rdquo;. A lei foi parcialmente modificada pelo Tribunal Constitucional franc&ecirc;s, que imp&ocirc;s a obrigatoriedade de o processo que leva &agrave; suspens&atilde;o passar antes pela Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>No Canad&aacute;, um projeto de lei apresentado na &uacute;ltima quinta-feira (25) visa obrigar os provedores a colaborarem com o armazenamento de dados sobre atividades feitas pelos usu&aacute;rios. <\/p>\n<p>Para os ciberativistas, o conjunto destas propostas e tamb&eacute;m o crescente n&uacute;mero de processos por &ldquo;download ilegal&rdquo; contra indiv&iacute;duos e tamb&eacute;m contra empresas, como o caso do grupo sueco Pirate Bay, representam uma ofensiva mundial contra a liberdade na internet. Segundo Marcelo Branco, coordenador geral do 10&ordm; Fisl, em entrevista &agrave; ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias do pr&oacute;prio evento, essa ofensiva teve in&iacute;cio h&aacute; oito anos com a assinatura da Conven&ccedil;&atilde;o de Budapeste sobre o Cibercrime. Curiosamente, ressaltou Branco, a conven&ccedil;&atilde;o aconteceu em um per&iacute;odo marcado pelo medo, dois meses ap&oacute;s os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.<\/p>\n<p>Segundo Oona Castro do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, a ofensiva na criminaliza&ccedil;&atilde;o dos usu&aacute;rios de internet que realizam downloads &eacute; mundial e precisa ser contida. &ldquo;Em todo o mundo, h&aacute; setores querendo criminalizar usu&aacute;rios que fazem download e em diversos pa&iacute;ses est&atilde;o conseguindo num primeiro momento. Temos que lutar para impedir que propostas como essa, revestidas por qualquer capa bonita que seja, sob justificativas as mais puritanas, ganhem legitimidade.&rdquo;<\/p>\n<p>O Brasil n&atilde;o est&aacute; entre os 40 pa&iacute;ses signat&aacute;rios da Conven&ccedil;&atilde;o de Budapeste, o que n&atilde;o isenta os usu&aacute;rios brasileiros da internet de amea&ccedil;as &agrave; livre navega&ccedil;&atilde;o. Tramitam no Congresso Nacional dois projetos de lei que tratam da tipifica&ccedil;&atilde;o dos cibercrimes. O mais recente &eacute; o PL 5361\/09, de autoria do deputado Bispo G&ecirc; (DEM-SP). Ainda em est&aacute;gio inicial de tramita&ccedil;&atilde;o, o projeto &eacute; claramente inspirado na Lei Sarkozy e praticamente criminaliza todo tipo de download. O PL teve um relator recentemente indicado na Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI).<strong><\/p>\n<p>Urg&ecirc;ncia<\/strong><\/p>\n<p>Mas os ciberativistas centram fogo no PL 84\/99. Em est&aacute;gio avan&ccedil;ado de tramita&ccedil;&atilde;o, a vers&atilde;o feita pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi aprovada no Senado e voltou &agrave; C&acirc;mara dos Deputados, onde avaliado por tr&ecirc;s diferentes comiss&otilde;es em regime de urg&ecirc;ncia. O &ldquo;PL Azeredo&rdquo; trata de diversos outros aspectos que n&atilde;o s&oacute; os &ldquo;downloads ilegais&rdquo;. Quest&otilde;es como o armazenamento de dados do usu&aacute;rio pelos provedores por tr&ecirc;s anos (tempo muito superior ao acordado, por exemplo, na Conven&ccedil;&atilde;o de Budapeste) ou a criminaliza&ccedil;&atilde;o de quem baixa m&uacute;sica na internet, na opini&atilde;o dos ciberativistas, pode representar um risco &agrave; liberdade dos usu&aacute;rios da rede, ao inv&eacute;s de promover a seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>Relator do projeto na CCTCI, o deputado J&uacute;lio Semeghini (PSDB&ndash;SP) afirmou ao site <em>Tele.S&iacute;ntese<\/em> que h&aacute; a possibilidade de o texto que veio do Senado ser abandonado. Segundo o deputado, h&aacute; quest&otilde;es &ndash; como a guarda de logs pelos provedores &ndash; que precisariam receber nova reda&ccedil;&atilde;o. Como um projeto aprovado no Senado n&atilde;o pode ser modificado pela C&acirc;mara, a sa&iacute;da seria apresentar um novo PL.<\/p>\n<p>Dias antes destas declara&ccedil;&otilde;es, Semeghini afirmou &agrave; <em>Ag&ecirc;ncia C&acirc;mara <\/em>que parte substancial do PL Azeredo est&aacute; sendo objeto de acordo e o projeto dever&aacute; ser encaminhado para vota&ccedil;&atilde;o ainda em agosto. Segundo o relator, seriam motivo de pol&ecirc;micas, al&eacute;m da quest&atilde;o dos logs, a tipifica&ccedil;&atilde;o de crimes como acesso n&atilde;o autorizado a sistemas informatizados e a difus&atilde;o e inser&ccedil;&atilde;o de c&oacute;digos maliciosos, com o objetivo de causar danos ou obter informa&ccedil;&otilde;es sigilosas das pessoas.<strong><\/p>\n<p>Lula diz ser contra<\/strong><\/p>\n<p>A disposi&ccedil;&atilde;o do Congresso em aprovar um PL de natureza restritiva ao acesso &agrave; internet contrasta com as declara&ccedil;&otilde;es do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva no 10&ordm; Fisl. Lula, que foi o primeiro chefe de Estado a participar de uma edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum, agradou os participantes do evento ao iniciar sua fala afirmando que &ldquo;neste governo, &eacute; proibido proibir&rdquo;. <\/p>\n<p>Ainda segundo o blog <em>Circuito Integrado<\/em>, Lula teria dito que &ldquo;a lei que est&aacute; a&iacute; [referindo-se ao PL 84\/99] n&atilde;o visa proibir abuso de internet. Ela quer fazer censura&rdquo;. O presidente defendeu modifica&ccedil;&otilde;es no C&oacute;digo Civil para tipificar quest&otilde;es que envolvem o mundo digital e n&atilde;o &ldquo;sair fazendo condena&ccedil;&otilde;es&rdquo;, porque &ldquo;esse interesse &eacute; policialesco&rdquo;. Lula ponderou ainda que a maioria dos usu&aacute;rios n&atilde;o pode ser prejudicada por atitudes isoladas de uma minoria.<\/p>\n<p>Os participantes do Fisl fizeram quest&atilde;o de ressaltar que n&atilde;o h&aacute; complac&ecirc;ncia com crimes cometidos atrav&eacute;s da rede mundial de computadores. S&eacute;rgio Amadeu, professor da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero e um dos mais ativos organizadores dos atos contra o PL Azeredo, defendeu em Porto Alegre a cria&ccedil;&atilde;o de uma legisla&ccedil;&atilde;o para internet que d&ecirc; conta de compreender a complexidade desse espa&ccedil;o e que, portanto, n&atilde;o provoque cerceamentos. A lei defendida por Amadeu &eacute; uma lei de &ldquo;cidadania digital&rdquo;, que assegure o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o sem vigil&acirc;ncia. &ldquo;A internet n&atilde;o &eacute; terra sem lei. Na internet o c&oacute;digo &eacute; a lei. Uma lei sem vigil&acirc;ncia &eacute; ideal para que a rede funcione dentro dos princ&iacute;pios de neutralidade e imputabilidade de um terreno de liberdade&rdquo;, disse Amadeu &agrave; ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias do Fisl.<\/p>\n<p>Liberdade e seguran&ccedil;a<\/p>\n<p>&ldquo;Pelo Correto Equil&iacute;brio entre Liberdade e Seguran&ccedil;a&rdquo; <a href=\"http:\/\/www.fsfla.org\/svnwiki\/trad\/cibercrimes\/alerta-parlamentar.pt\" target=\"_blank\">[leia na &iacute;ntegra<\/a> <a href=\"http:\/\/www.fsfla.org\/svnwiki\/trad\/cibercrimes\/alerta-parlamentar.pt\" target=\"_blank\">]<\/a>  &eacute; tamb&eacute;m o t&iacute;tulo de um documento produzido por diversos ativistas das comunidades de Cultura Livre e Software Livre. No texto, o PL &eacute; considerado um AI-5 digital &#8211; em refer&ecirc;ncia ao per&iacute;odo mais repressor da Ditadura Militar brasileira. De acordo com documento, os artigos 285-A, 285-B, 163-A, 171 e 22 implantam uma situa&ccedil;&atilde;o de vigilantismo sem impedir a a&ccedil;&atilde;o dos crackers e, ao mesmo tempo, abrem espa&ccedil;o para violar direitos civis b&aacute;sicos, reduzir as possibilidades da inclus&atilde;o digital e transferir para toda a sociedade os custos de seguran&ccedil;a que cabem aos que lucram com a efic&aacute;cia proporcionada pela rede. <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western padrao\" align=\"left\">Ainda segundo o documento, os referidos artigos &ldquo;n&atilde;o tratam do combate somente &agrave; pedofilia, os v&iacute;rus, os spammers, as intrus&otilde;es em bancos de dados e o &lsquo;roubo&rsquo; de senhas. Visam outros objetivos, por isso, s&atilde;o t&atilde;o confusos, permitindo v&aacute;rias interpreta&ccedil;&otilde;es. &Eacute; necess&aacute;rio retirar da Lei sobre Crimes na Internet toda e qualquer possibilidade de seu uso para coibir o avan&ccedil;o da liberdade de express&atilde;o e de cria&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz o manifesto.<\/p>\n<p>A jornalista Mariana Tamari, membro do Coletivo Epidemia, diz que o objetivo velado do substitutivo do senador Azeredo seria tornar suspeitas as redes P2P (intermediadores para troca de arquivos), impedir a exist&ecirc;ncia de redes abertas e refor&ccedil;ar o DRM (Gerenciador Digital de Direitos, na sigla em ingl&ecirc;s). &ldquo;Esse substitutivo, caso seja aprovado, tornar&aacute; crime in&uacute;meras de nossas pr&aacute;ticas virtuais cotidianas. Ele atende fundamentalmente a interesses de bancos que t&ecirc;m sofrido preju&iacute;zos com fraudes pela internet e a reivindica&ccedil;&otilde;es da ind&uacute;stria de direito autoral dos Estados Unidos, que exige a criminaliza&ccedil;&atilde;o da quebra de travas tecnol&oacute;gicas&rdquo;, afirma Tamari artigo publicado pelo coletivo.<\/p>\n<p>Para Oona Castro, combater esses projetos de lei &eacute; antes de tudo uma luta por democracia na comunica&ccedil;&atilde;o e no mundo. &ldquo;A internet &eacute; o meio mais democr&aacute;tico em termos de produ&ccedil;&atilde;o e troca de cultura e conhecimento. Para que ela continue a cumprir o seu papel, temos que garantir que os nossos direitos como usu&aacute;rios sejam regulamentados: a privacidade, o direito de acesso, a universaliza&ccedil;&atilde;o da banda larga. Essas s&atilde;o as mat&eacute;rias importantes para a comunica&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica.&rdquo;<\/p>\n<p>O risco de que essas leis transformem a internet em mais um ve&iacute;culo de recep&ccedil;&atilde;o e com interatividade limitada &eacute; alto. &ldquo;J&aacute; tivemos outras oportunidades de democratizar a informa&ccedil;&atilde;o com canais mais interativos. O r&aacute;dio, por exemplo, nasceu interativo, mas a sua regulamenta&ccedil;&atilde;o tornou-o o que &eacute; hoje: o espectro foi dividido pelas empresas e n&oacute;s s&oacute; ligamos o aparelho&rdquo;, lembra Oona. &ldquo;N&atilde;o podemos abrir m&atilde;o da internet como instrumento que nos permite, mais e mais, exercer o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leis sobre &ldquo;crimes na internet&rdquo; foram tema principal das discuss&otilde;es entre os participantes da 10&ordf; edi&ccedil;&atilde;o do F&oacute;rum Internacional de Software Livre; PL Azeredo deve ganhar nova vers&atilde;o na C&acirc;mara<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1057],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23015"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=23015"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/23015\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=23015"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=23015"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=23015"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}