{"id":22998,"date":"2009-07-01T01:24:40","date_gmt":"2009-07-01T01:24:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22998"},"modified":"2009-07-01T01:24:40","modified_gmt":"2009-07-01T01:24:40","slug":"seminario-traca-aspectos-e-desafios-de-uma-midia-em-transicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22998","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio tra\u00e7a aspectos e desafios de uma m\u00eddia em transi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">At&eacute; mesmo nos debates sobre converg&ecirc;ncia digital, as grandes lutas na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es reais da luta de classes. Esse consenso marcou a abertura, no s&aacute;bado (27), do semin&aacute;rio &ldquo;As propostas para a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, promovido pelo Vermelho, em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>A primeira mesa do encontro, sobre &ldquo;O papel da m&iacute;dia na atualidade&rdquo;, reuniu os professores Ven&iacute;cio de Lima (UNB) e Marcos Dantas (PUC-RJ), al&eacute;m do jornalista Altamiro Borges (Vermelho). Entre eles, outra concord&acirc;ncia: seja por desmobiliza&ccedil;&atilde;o, desconhecimento ou desest&iacute;mulo, a sociedade vem perdendo as batalhas travadas nesse campo em 2009 &mdash; ano da Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Dantas, de cara, revelou contrariedade com a express&atilde;o &ldquo;converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica&rdquo;. Segundo ele, trata-se de um &ldquo;r&oacute;tulo determin&iacute;stico&rdquo; sem precis&atilde;o. &ldquo;A tecnologia &eacute; uma constru&ccedil;&atilde;o social. &Eacute; a luta de classes que organiza a tecnologia, e n&atilde;o o contr&aacute;rio&rdquo;. De acordo com o professor, &ldquo;a divis&atilde;o da ind&uacute;stria em telecomunica&ccedil;&otilde;es e radiofus&atilde;o tamb&eacute;m obedece a um modelo pol&iacute;tico-econ&ocirc;mico, e n&atilde;o tecnol&oacute;gico. Os movimentos populares e democr&aacute;ticos t&ecirc;m de se apropriar das novas tecnologias&rdquo;.<\/p>\n<p>O primeiro regime brasileiro para as comunica&ccedil;&otilde;es, constitu&iacute;do entre as d&eacute;cadas de 1910 e 1930, come&ccedil;ou a cair nos anos 80. O que vingou foi um ambiente regulat&oacute;rio liberal, sem interven&ccedil;&atilde;o popular e a servi&ccedil;o do capital. &ldquo;Um ethos &mdash; um certo princ&iacute;pio p&uacute;blico &mdash; foi desmontado nos &uacute;ltimos 20 anos&rdquo;, explica Dantas. &ldquo;H&aacute; um ambiente novo, um novo regime em forma&ccedil;&atilde;o, gostemos ou n&atilde;o gostemos disso.&rdquo;<\/p>\n<p>A mudan&ccedil;a &eacute; explicada sobretudo pela converg&ecirc;ncia. Neste novo cen&aacute;rio, a &ldquo;cadeia produtiva da comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo; divide-se em quatro etapas: produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos (est&uacute;dios), programa&ccedil;&atilde;o (servidores), transmiss&atilde;o (operadores de rede) e recep&ccedil;&atilde;o (consumidores). &ldquo;Muitas vezes, esses atores se confundem, s&atilde;o os mesmos em diferentes fun&ccedil;&otilde;es, o que &eacute; um risco&rdquo;, alerta Dantas. &ldquo;Quanto mais verticalizada for a cadeia, mais ela ser&aacute; monopolizada&rdquo;, agrega o professor.<\/p>\n<p>Exemplo das novas possibilidades da comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; o telefone celular, que j&aacute; pode ser encarado, segundo Dantas, &ldquo;como um terminal m&oacute;vel, com m&uacute;ltiplas fun&ccedil;&otilde;es e variedade de conte&uacute;do&rdquo;. Da mesma forma, &ldquo;empresas como TIM e Claro j&aacute; n&atilde;o s&atilde;o mais meras operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es&rdquo;. Na TV, a audi&ecirc;ncia migra vigorosamente das emissoras abertas para os canais pagos. Jap&atilde;o e Holanda s&atilde;o exemplos de pa&iacute;ses onde n&atilde;o existem mais casas com acesso apenas &agrave; TV aberta.<\/p>\n<p>Com isso, a tend&ecirc;ncia &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o e &agrave; monopoliza&ccedil;&atilde;o aumenta. Dos dez maiores conglomerados midi&aacute;ticos, oitos s&atilde;o americanos. &ldquo;Se todas as emissoras brasileiras fossem de um grupo s&oacute; e tivessem seus faturamentos somados, esse grupo seria apenas o 12&ordf; maior do mundo&rdquo;, diz Dantas.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do professor, a sociedade n&atilde;o pode deixar esse debate nas m&atilde;os do capital e deve cobrar uma pol&iacute;tica para cada setor, separando conte&uacute;do (comercial, estatal e n&atilde;o-comercial) de rede (regime privado e regime p&uacute;blico). Tampouco a defesa da cultura brasileira e da l&iacute;ngua nacional devem ficar restritas apenas &agrave;s emissoras da TV aberta, &ldquo;por que somente estas sete, e n&atilde;o as 200 do cabo?&rdquo;, questiona Dantas.<\/p>\n<p><strong>Um pol&ecirc;mico STF<br \/><\/strong><br \/> Declarando-se tamb&eacute;m &ldquo;preocupado&rdquo; diante de &ldquo;tend&ecirc;ncias com as quais talvez tenhamos de lidar por longo tempo&rdquo;, Ven&iacute;cio Lima dedicou a maior parte de sua exposi&ccedil;&atilde;o a falar do &ldquo;novo papel do Judici&aacute;rio&rdquo; e seus impactos na comunica&ccedil;&atilde;o. O professor da UnB acusou uma &ldquo;distor&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica&rdquo; especialmente na atua&ccedil;&atilde;o do Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>&ldquo;N&atilde;o sei se por omiss&atilde;o ou por conveni&ecirc;ncia do Legislativo ou do Executivo &mdash; ou dos dois &mdash;, mas o Judici&aacute;rio passou a acumular muitos poderes que n&atilde;o lhe cabem. Vejo uma influ&ecirc;ncia muito grande de organismos multilaterais e cortes supranacionais sobre decis&otilde;es da Corte brasileira&rdquo;, disse Ven&iacute;cio. Exemplos dessa extrapola&ccedil;&atilde;o foram os julgamentos que levaram ao fim, em abril, da Lei da Imprensa e, em junho, da obrigatoriedade do diploma para a pr&aacute;tica do jornalismo. Nos dois debates, segundo o professor, houve &ldquo;conclus&otilde;es il&oacute;gicas e ultrapassadas&rdquo;.<\/p>\n<p>Supostamente em nome da &ldquo;liberdade da imprensa&rdquo;, os defensores da desregulamenta&ccedil;&atilde;o costumam evocar o artigo 19 da Declara&ccedil;&atilde;o dos Direitos dos Homens. &ldquo;Mas esse texto n&atilde;o fala em &lsquo;liberdade de imprensa&rsquo;. Fala, sim, que &lsquo;todos t&ecirc;m o direito de ter liberdade de opini&atilde;o e express&atilde;o&rsquo;&rdquo;, afirma Ven&iacute;cio, que emenda: &ldquo;Perdeu-se a no&ccedil;&atilde;o de liberdade individual &mdash; que &eacute; garantida a propriet&aacute;rios e gerentes dos grandes grupos, n&atilde;os aos cidad&atilde;os&rdquo;.<\/p>\n<p>Para Ven&iacute;cio, h&aacute; no STF um desconhecimento do debate do que &eacute; a m&iacute;dia hoje, a tal ponto que &ldquo;o principal jornalista mencionado &eacute; Machado de Assis&rdquo;. Outra lacuna envolve a no&ccedil;&atilde;o do papel do Estado. &ldquo;Ao se manifestarem contra qualquer tipo de cerceamento da imprensa, os ministros do Supremo brasileiro citam a Constitui&ccedil;&atilde;o americana. Mas, mesmo nos Estados Unidos, a Corte reconhece a necessidade da interven&ccedil;&atilde;o do Estado para garantir a liberdade de express&atilde;o.&rdquo; <\/p>\n<p><strong>Cad&ecirc; os movimentos?<br \/><\/strong><br \/>J&aacute; Altamiro Borges, o Miro, destacou tr&ecirc;s grandes desafios na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o. O primeiro &eacute; fazer a den&uacute;ncia da grande m&iacute;dia &mdash; sua inalter&aacute;vel posi&ccedil;&atilde;o de classe, seus desmandos, etc. &ldquo;Eu concordo com o (jornalista e diretor editorial do Le Monde Diplomatique) Ignacio Ramonet: precisamos criar observat&oacute;rios de an&aacute;lises e monitoramento da m&iacute;dia, nas cidades, nas escolas, em todos os lugares.&rdquo;<\/p>\n<p>Em segundo lugar, o jornalista do Vermelho prop&ocirc;s a valoriza&ccedil;&atilde;o dos &ldquo;nossos instrumentos&rdquo; para democratizar a m&iacute;dia e travar a batalha das ideias. &ldquo;Na &aacute;rea sindical, ainda se v&ecirc; comunica&ccedil;&atilde;o como gasto &mdash; n&atilde;o como investimento estrat&eacute;gico&rdquo;, lamentou Miro. Minutos antes, ele j&aacute; havia cobrado mais empenho das entidades: &ldquo;Infelizmente este n&atilde;o &eacute; um debate que foi incorporado pelos movimentos &mdash; que parecem n&atilde;o ver a comunica&ccedil;&atilde;o como um direito do trabalhador&rdquo;.<\/p>\n<p>O terceiro desafio, de acordo com Miro, &eacute; a prepara&ccedil;&atilde;o para a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, que acontece de 1&ordm; a 3 de dezembro. &ldquo;A gente n&atilde;o pode se iludir nem se omitir. A confer&ecirc;ncia &eacute; pouco massiva, mas extremamente radicalizada&rdquo;, resume. &ldquo;Ser&aacute; o principal centro para a discuss&atilde;o sobre pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, e n&oacute;s devemos lutar para conseguir brechas, para ter pequenos avan&ccedil;os &mdash; contribuir para as grandes transforma&ccedil;&otilde;es.&rdquo;<\/p>\n<p>Tais desafios est&atilde;o postos num momento em que Miro frisa &ldquo;duas tend&ecirc;ncias perigosas&rdquo;: o controle das mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas (&ldquo;n&atilde;o est&aacute; dado onde essas mudan&ccedil;as v&atilde;o dar, mas elas est&atilde;o sob o dom&iacute;nio do capital&rdquo;) e a desregulamenta&ccedil;&atilde;o (&ldquo;com um agravante: a concentra&ccedil;&atilde;o se d&aacute; em preju&iacute;zo &agrave;s na&ccedil;&otilde;es perif&eacute;ricas do sistema&rdquo;).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At&eacute; mesmo nos debates sobre converg&ecirc;ncia digital, as grandes lutas na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o manifesta&ccedil;&otilde;es reais da luta de classes. 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