{"id":22996,"date":"2009-07-01T00:32:09","date_gmt":"2009-07-01T00:32:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22996"},"modified":"2009-07-01T00:32:09","modified_gmt":"2009-07-01T00:32:09","slug":"caos-da-telefonia-vai-alem-das-panes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22996","title":{"rendered":"Caos da telefonia vai al\u00e9m das panes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">As panes da Telef&ocirc;nica s&atilde;o a face mais vis&iacute;vel de um problema maior: a baixa qualidade do atendimento das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. O setor lidera as reclama&ccedil;&otilde;es nas entidades de defesa do consumidor, submetendo seus clientes a calad&otilde;es, servi&ccedil;os intermitentes e outras falhas t&eacute;cnicas, a informa&ccedil;&otilde;es erradas e esperas sem fim nos call centers, a cobran&ccedil;as por servi&ccedil;os que n&atilde;o foram contratados e n&atilde;o foram prestados.<\/p>\n<p>Segundo o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, cerca de 30% das reclama&ccedil;&otilde;es apresentadas nos Procons desde outubro de 2004 est&atilde;o relacionadas a telefonia fixa, telefonia m&oacute;vel e aparelhos celulares. Neste semestre, o n&uacute;mero tamb&eacute;m ficou perto de 30%. &quot;O comportamento das empresas &eacute; preocupante&quot;, afirmou Ricardo Wada, diretor do Departamento de Prote&ccedil;&atilde;o e Defesa do Consumidor (DPDC) do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. &quot;As operadoras est&atilde;o transferindo o atendimento do consumidor para os &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos.&quot;<\/p>\n<p>Um balan&ccedil;o do comportamento das empresas desde que entrou em vigor a chamada Lei do SAC, que definiu regras para o servi&ccedil;o de atendimento ao consumidor de setores regulados, apontou que as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es tiveram o pior desempenho. Entre dezembro de 2008 a abril de 2009, as operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es responderam por mais da metade das reclama&ccedil;&otilde;es relativas ao SAC, segundo o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a.<\/p>\n<p>As empresas costumam justificar a quantidade de queixas com o n&uacute;mero de clientes que atendem. Existem no Pa&iacute;s 41,7 milh&otilde;es de telefones fixos em servi&ccedil;o e 157,5 milh&otilde;es de celulares. Para Wada, n&atilde;o &eacute; desculpa. &quot;Existe meio bilh&atilde;o de cart&otilde;es de cr&eacute;dito no Brasil&quot;, comparou o diretor do DPDC. No semestre, 11,4% das reclama&ccedil;&otilde;es recebidas pelos Procons foram relacionadas aos cart&otilde;es.<\/p>\n<p>O principal motivo de reclama&ccedil;&atilde;o contra as teles s&atilde;o cobran&ccedil;as abusivas ou indevidas. O desespero do consumidor &eacute; tanto que o administrador de empresas Carlos Teixeira chegou a enviar para este jornal uma mensagem de correio eletr&ocirc;nico com o t&iacute;tulo: &quot;Socorro &#8211; A Telef&ocirc;nica quer me matar&quot;. No come&ccedil;o deste ano, ele descobriu que seu nome havia sido mandado para o SPC pela operadora, por causa das contas de abril e maio do ano passado.<\/p>\n<p>Apesar de ter provado, com os comprovantes, que havia pago as contas em dia, n&atilde;o conseguiu limpar seu nome at&eacute; agora. Por causa do que aconteceu, Teixeira mudou de operadora e, dias depois, recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o da Telef&ocirc;nica perguntando porque havia deixado de ser cliente.<\/p>\n<p>&quot;Tenho quase 60 anos e j&aacute; estava &agrave; beira de um enfarte&quot;, disse o administrador de empresas, que chegou a receber uma nova conta da Telef&ocirc;nica depois de ter mudado de operadora. Ele tentou v&aacute;rias vezes conseguir o cancelamento dos d&eacute;bitos, perdendo horas ao telefone, e chegou a reclamar para a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel). &quot;Parece que querem levar voc&ecirc; &agrave; loucura. N&atilde;o consigo me desvencilhar deles.&quot; A Telef&ocirc;nica informou, por meio de sua assessoria, que j&aacute; cancelou as &quot;contas indevidamente emitidas&quot; e tomou as provid&ecirc;ncias para tirar o nome de Teixeira do SPC.<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica lidera o ranking de reclama&ccedil;&otilde;es do Procon-SP. Entre as dez mais reclamadas no ano passado, cinco s&atilde;o operadoras de telecomunica&ccedil;&otilde;es ou fabricantes de aparelhos. Na lista de queixas sobre servi&ccedil;os essenciais, sete entre as dez s&atilde;o empresas de telefonia.<\/p>\n<p>&quot;A nosso ver, existe um problema s&eacute;rio de regulamenta&ccedil;&atilde;o&quot;, afirma Roberto Pfeiffer, diretor executivo do Procon-SP. &quot;Nas regras do setor, &eacute; praticamente inexistente a preocupa&ccedil;&atilde;o com o modo de comercializa&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os.&quot; Para Pfeiffer, as empresas n&atilde;o se sentem obrigadas a cumprir as condi&ccedil;&otilde;es que oferecem na comercializa&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o.<\/p>\n<p>Daniela Trettel, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), concorda que os problemas do setor refletem uma regula&ccedil;&atilde;o falha. &quot;Quando a regula&ccedil;&atilde;o e a ag&ecirc;ncia foram estruturadas, todo o pensamento estava voltado para a privatiza&ccedil;&atilde;o, e se esqueceram do consumidor&quot;, explicou Daniela. &quot;As metas de qualidade t&ecirc;m somente indicadores quase matem&aacute;ticos, e n&atilde;o levam em conta a satisfa&ccedil;&atilde;o do consumidor.&quot;<\/p>\n<p>A advogada considera muito brandas as puni&ccedil;&otilde;es para as operadoras previstas pela regulamenta&ccedil;&atilde;o. &quot;N&atilde;o doem no bolso&quot;, disse Daniela, acrescentando que a Anatel deveria tomar medidas que reforcem a concorr&ecirc;ncia no setor. &quot;Em outros pa&iacute;ses, os consumidores participam na elabora&ccedil;&atilde;o das normas, e n&atilde;o s&atilde;o somente chamados a opinar durante uma consulta p&uacute;blica de 15 dias, quando a norma j&aacute; est&aacute; escrita.&quot;<\/p>\n<p>A Telef&ocirc;nica sofreu cinco panes nos &uacute;ltimos 12 meses, sendo quatro do Speedy, seu servi&ccedil;o de banda larga, e uma da telefonia fixa. A Anatel suspendeu as vendas do Speedy na segunda-feira e exigiu que a operadora elaborasse um plano para garantir a presta&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o. Esse plano foi entregue &agrave; ag&ecirc;ncia na sexta-feira.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das panes, existem muitos problemas que afetam individualmente os consumidores. Edison Peixoto, que trabalha com marketing cultural, ficou sem o Speedy no dia 20 e, at&eacute; sexta-feira, o servi&ccedil;o n&atilde;o tinha voltado. &quot;Moro na Serra da Cantareira e n&atilde;o tenho escapat&oacute;ria&quot;, disse Peixoto. &quot;Aqui n&atilde;o existe outro servi&ccedil;o de banda larga.&quot; Por meio de sua assessoria, a Telef&ocirc;nica informou que mandaria um t&eacute;cnico ontem para verificar o problema.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As panes da Telef&ocirc;nica s&atilde;o a face mais vis&iacute;vel de um problema maior: a baixa qualidade do atendimento das empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es. 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