{"id":22983,"date":"2009-06-29T12:02:22","date_gmt":"2009-06-29T12:02:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22983"},"modified":"2009-06-29T12:02:22","modified_gmt":"2009-06-29T12:02:22","slug":"apontamentos-sobre-comunicacao-na-bolivia-de-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22983","title":{"rendered":"Apontamentos sobre comunica\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia de hoje"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Em artigo publicado no Le Monde    Diplomatique boliviano, Ricardo Bajo e Pascual Serrano afirmam que quem    vive no pa&iacute;s &ldquo;n&atilde;o pode negar que h&aacute; uma guerra midi&aacute;tica&rdquo;: de um lado os meios    privados, de outro o governo Evo Morales, &ldquo;que tenta desenvolver propostas de    comunica&ccedil;&atilde;o que permitam o acesso aos setores ind&iacute;genas, populares e    intelectuais que defendem as mudan&ccedil;as pol&iacute;ticas&rdquo;. Desde antes da elei&ccedil;&atilde;o de    Morales, em 2005, essa polariza&ccedil;&atilde;o j&aacute; se acirrava a cada conflito pol&iacute;tico    desse pa&iacute;s escolado em conflitos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p><\/span>Depois de incont&aacute;veis golpes militares (inclusive de &ldquo;nacionalistas de    esquerda&rdquo;), algumas vezes entermeados por governos relativamente democr&aacute;ticos,    a Bol&iacute;via ingressa na era da democraia formal em 1982, com o governo de Hernan    Siles. A estabilidade duraria pouco, e o governo, fruto de uma coaliz&atilde;o de    centro-esquerda, acabou n&atilde;o resistindo a uma enorme crise econ&ocirc;mica, tendo seu    mandato abreviado. Em 1985 h&aacute; novas elei&ccedil;&otilde;es, e o que vem a partir da&iacute; n&atilde;o    difere muito da pol&iacute;tica que estava sendo ou seria executada no resto da    Am&eacute;rica Latina: um convicto e voraz neoliberalismo, respons&aacute;vel pelo    enxugamento do Estado, privatiza&ccedil;&otilde;es, demiss&otilde;es, redu&ccedil;&atilde;o e extin&ccedil;&atilde;o de    direitos trabalhistas etc. <\/p>\n<p>O partido no poder era o Movimento Nacionalista Revolucion&aacute;io (MNR),    respons&aacute;vel pela revolu&ccedil;&atilde;o nacionalista de 1952 e agora convertido aos    ensinamentos do Consenso de Washington, e o grande marco dessa nova etapa &eacute; o    Decreto Supremo 21060, que liberaliza a economia boliviana, antes considerada    &ldquo;estatal&rdquo;. &nbsp;Assim como fez com o    restante da economia, o decreto &eacute; respons&aacute;vel por um cen&aacute;rio de completa    aus&ecirc;ncia de regulamenta&ccedil;&atilde;o no que diz respeito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o. Segundo afirma o    jornalista e estudioso da m&iacute;dia boliviana Andr&eacute;s Gomez Vela, em seu livro Mediopoder, &ldquo;a liberaliza&ccedil;&atilde;o da    comunica&ccedil;&atilde;o e da informa&ccedil;&atilde;o se traduziu, com o transcurso dos anos, na    organiza&ccedil;&atilde;o de empresas de comunica&ccedil;&atilde;o multim&iacute;dia com um poder desmesurado e    dif&iacute;cil de controlar somente com as normas da &eacute;tica ou da    auto-regula&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>A m&iacute;dia em guerra contra o povo<br \/><\/strong><br \/>Evo    Morales e seu Movimento Ao Socialismo &ndash; Instrumento Pol&iacute;tico pela Soberania    dos Povos (MAS-IPSP) chegam ao poder em 2005, mas as ra&iacute;zes de tal sucesso    eleitoral remontam a mobiliza&ccedil;&otilde;es iniciadas muitos anos antes. Sufocado pelo    neoliberalismo privatista, o movimento popular boliviano passa a estar cada    vez mais organizado, estimulado por uma identifica&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena entre seus    componentes. Assim, no princ&iacute;pio dos anos 2000, a Bol&iacute;via &eacute; sacudida por    grandes revoltas e mobiliza&ccedil;&otilde;es, como a Guerra da &Aacute;gua de 2000, em Cochabamba,    e a Guerra do G&aacute;s de 2003, na cidade de El Alto, respons&aacute;vel pela queda do    presidente Gonzalo Sanchez de Lozada, o presidente que tinha sotaque gringo.<\/p>\n<p>Durante as mobiliza&ccedil;&otilde;es, a m&iacute;dia se colocou explicitamente do    lado dos governos de ent&atilde;o, recorrendo a toda esp&eacute;cie de distor&ccedil;&atilde;o e    manipula&ccedil;&atilde;o. Nas palavras de Gomez: &ldquo;em nome do pluralismo, mas excluindo as    fontes contr&aacute;rias a seu pensamento editorial, armaram um s&oacute; corpo em defesa da    ordem p&uacute;blica e da propriedade privada transnacional&rdquo;. No decorrer dos    conflitos de 2003, nos quais Sanchez de Lozada foi respons&aacute;vel pela morte de    67 pessoas, uma nascente m&iacute;dia independente teve importante papel ao prover    informa&ccedil;&otilde;es, em jornais e pelo r&aacute;dio, alternativas &agrave; da m&iacute;dia corporativa, que    era na pr&aacute;tica m&iacute;dia oficial. Antes de se ver obrigado a renunciar, Sanchez de    Lozada, tamb&eacute;m conhecido como Goni, chegou a convocar os propriet&aacute;rios dos    maiores meios de comunica&ccedil;&atilde;o para uma reuni&atilde;o em sua casa.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>A partir da&iacute;, uma rela&ccedil;&atilde;o que j&aacute; era de intensa desconfian&ccedil;a passou a    ser de declarada rivalidade entre o movimento popular, representado    institucionalmente pelo MAS, e a grande imprensa. N&atilde;o &eacute; de se estranhar,    portanto, que, com a chegada do MAS ao poder, a mudan&ccedil;a na regulamenta&ccedil;&atilde;o nas    comunica&ccedil;&otilde;es tenha sido uma das bandeiras do movimento social durante a    elabora&ccedil;&atilde;o da Nova Constitui&ccedil;&atilde;o Pol&iacute;tica do Estado &ndash; aprovada em referendo no    &uacute;ltimo dia 25 de janeiro. O texto cont&eacute;m cap&iacute;tulo exclusivamente sobre    comunica&ccedil;&atilde;o e, assim como toda a Constitui&ccedil;&atilde;o, dever&aacute; ser regulamentado pelo    novo Congresso a ser eleito no final deste ano.<\/p>\n<p><strong>Os fantasmas por tr&aacute;s da not&iacute;cia<br \/><\/strong><br \/>Ap&oacute;s estabelecer que o Estado garante o direito &agrave; liberdade de    express&atilde;o, de opini&atilde;o e de informa&ccedil;&atilde;o, a Nova Constitui&ccedil;&atilde;o boliviana&nbsp; afirma em seu Artigo 107 que &ldquo;os meios    de comunica&ccedil;&atilde;o social n&atilde;o poder&atilde;o conformar, de maneira direta ou indireta,    monop&oacute;lios ou oligop&oacute;lios&rdquo;.&nbsp; Assim    como no restante do continente, a compreens&atilde;o de quem det&eacute;m a propriedade dos    meios de comunica&ccedil;&atilde;o na Bol&iacute;via &eacute; fundamental para se entender os interesses    que o governo de Evo Morales t&ecirc;m tido que    enfrentar.<\/p>\n<p>No que tange &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, uma das prioridades do governo tem sido    criar e fortalecer os &oacute;rg&atilde;os estatais. Assim, esfor&ccedil;os v&ecirc;m sendo tomados para    que o Canal 7 de televis&atilde;o melhore sua qualidade t&eacute;cnica e seu conte&uacute;do. No    entanto, o canal &eacute; o quarto em audi&ecirc;ncia, atr&aacute;s das redes Unitel, ATB e Uno,    de conte&uacute;do explicitamente oposicionista ao governo,que juntas abocanham 70%    da receita de publicidade.&nbsp; <\/p>\n<p>A Unitel &eacute; de propriedade da fam&iacute;lia Montesinos, dona de pelo menos 40 mil    hectares de terras em Santa Cruz de La Sierra. O canal mant&eacute;m liga&ccedil;&atilde;o com o    MNR, partido de direita. J&aacute; a ATB faz parte do grupo espanhol Prisa, detentor    tamb&eacute;m dos jornais La Raz&oacute;n (considerada por Andr&eacute;s Gomez Vela como &ldquo;o    porta-voz da nova direita&rdquo; boliviana) e Extra, al&eacute;m do portal Bol&iacute;via.com . A    emissora pertencia a um ex-embaixador do governo do ditador Hugo Banzer    (posteriormente eleito democraticamente) e seus acionistas atuais t&ecirc;m liga&ccedil;&atilde;o    direta com poderosas empresas espanholas, como por exemplo a Repsol. N&atilde;o &eacute;    necess&aacute;rio dizer qual foi a postura (e a cobertura) do grupo frente &agrave;    nacionaliza&ccedil;&atilde;o dos hidrocarbonetos, por exemplo. O principal acionista do    grupo &eacute; Jes&uacute;s de Polanco, propriet&aacute;rio do di&aacute;rio El Pa&iacute;s, da Espanha. J&aacute; a    Rede Uno pertence a Ivo Kuljis, que j&aacute; foi tr&ecirc;s vezes candidato da direita &agrave;    vicepresid&ecirc;ncia e participou do governo do MNR.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de outros canais mais regionais, h&aacute; tamb&eacute;m duas outras emissoras    importantes: PAT e Bolivisi&oacute;n. A PAT tinha como principal acionista Carlos G.    Mesa, que chegou a ser presidente depois da queda de Goni; hoje 60% das a&ccedil;&otilde;es    s&atilde;o da fam&iacute;lia Daher, dona da &uacute;nica companhia &aacute;rea boliviana que voa para fora    do pa&iacute;s &ndash; a Aerosur &ndash; e de importadoras de eletr&ocirc;nicos como LG e Sony, e 40%    do Grupo L&iacute;der, que tamb&eacute;m &eacute; dono do jornal de maior circula&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, o El    Deber.<\/p>\n<p>A Bolivisi&oacute;n pertencia    a Ernesto Asb&uacute;n, antes que este fugisse do pa&iacute;s depois da quebra de sua    empresa a&eacute;rea, e foi comprada por    uma figura &iacute;mpar da comunica&ccedil;&atilde;o latino-americana: o mexicano Remigio    &Aacute;ngel Gonz&aacute;lez Gonz&aacute;lez, ou somente &Aacute;ngel Gonzalez, tamb&eacute;m conhecido como &ldquo;O    fantasma&rdquo;. Gonz&aacute;lez adquiriu suas primeiras televis&otilde;es no come&ccedil;o dos anos    1980, na Guatemala, com apoio da ditadura que governava o pa&iacute;s com uma    m&atilde;ozinha da CIA. Depois disso, com uma passagem pela pris&atilde;o no meio do    caminho, o empres&aacute;rio adquiriu in&uacute;meros ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o no continente,    a grande maioria deles em nome de laranjas &ndash; por isso o apelido, &eacute; imposs&iacute;vel    contablizar todas as empresas que ele administra, direta ou indiretamente.    <\/p>\n<p>De    certo,    sabe-se que ele det&eacute;m hoje quatro dos cinco canais de TV aberta da Guatemala e    ao menos 11 esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio neste pa&iacute;s. Al&eacute;m disso, possui tr&ecirc;s canais de TV    na Nicar&aacute;gua, seis r&aacute;dios e duas TV&rsquo;s na Costa Rica, duas televis&otilde;es no Chile    e na Rep&uacute;blica Dominicana, 80% do Canal 9 da Argentina, dois canais de TV e 12    esta&ccedil;&otilde;es de r&aacute;dio no Equador. Sua fortuna &eacute; estimada em 2 bilh&otilde;es de d&oacute;lares,    e chega-se a cogitar que tenha cerca de 40 canais de TV.&nbsp; <\/p>\n<p>Al&eacute;m do El Deber e do PAT, o Grupo L&iacute;der &eacute; dono de duas r&aacute;dios, outras    duas televis&otilde;es e nove jornais em diversas regi&otilde;es do pa&iacute;s. Outros dos jornais    mais vendidos tamb&eacute;m s&atilde;o de propriedade de lideran&ccedil;as da direita boliviana,    como diario El Mundo, de Santa Cruz, que &eacute; parte do Grupo Mega (dono tamb&eacute;m da    TV Megavisi&oacute;n), de Juan Carlos Duran, parlamentar do partido de Sanchez de    Lozada.Em Beni, h&aacute; o La Misi&oacute;n, cujo dono &eacute; um ex ministro de Banzer e em La    Paz h&aacute; o Di&aacute;rio de La Paz, cujo dono, Jorge Carrasco, est&aacute; em liberdade    condicional &ndash; &eacute; acusado de assassinato por ter dinamitado (!) o carro de sua    esposa.<\/p>\n<p>Apesar da import&acirc;ncia e influ&ecirc;ncia na pol&iacute;tica boliviana, os jornais    t&ecirc;m uma tiragem muito baixa. O El Deber &eacute; o mais vendido, e n&atilde;o chega a mais    de 15 mil c&oacute;pias durante a semana e 30 mil aos domingos. Ve&iacute;culos semanais e    mensais apresentam n&uacute;meros ainda mais baixos. &nbsp; <\/p>\n<p>O r&aacute;dio &eacute; o meio mais popular e de maior penetra&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. A emissora    l&iacute;der em audi&ecirc;ncia &eacute; a Erbol, ligada &agrave;s comunidades de base da Igreja    Cat&oacute;lica, que tamb&eacute;m &eacute; dona da segunda r&aacute;dio mais popular, a Fides. Mas,    diferentemente da Erbol, a Fides &eacute; ligada a um dos setores mais conversadores    da Bol&iacute;via, sendo comandada pelo padre espa&ntilde;ol Eduardo Perez. Segundo Adr&eacute;s    Gomez, a Igreja tem 17 organiza&ccedil;&otilde;es de forma&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o, 42 r&aacute;dios, 10    canais de TV, duas produtoras de r&aacute;dio e 10 de v&iacute;deo, al&eacute;m de duas ag&ecirc;ncias de    noticias. <\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; de se estranhar que quando houve, no come&ccedil;o de 2009, a    substitui&ccedil;&atilde;o do representante do Vaticano na Bol&iacute;via, o primeiro encontro da    agenda do novo n&uacute;ncio foi com Evo Morales. H&aacute; tamb&eacute;m a R&aacute;dio Panamericana, de    propriedade da familia Dueri, dona da maior gravadora do pa&iacute;s e cujo patriarca    foi embaixador durante o governo de Losada. Fazendo frente &agrave;s r&aacute;dios comerciais, o governo investe na Rede P&aacute;tria    Nueva, que comp&otilde;e a rec&eacute;m criada Rede de R&aacute;dios Comunit&aacute;rias, da qual fazem    parte outras 30 emissoras ind&iacute;genas e camponesas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m do fortalecimento da P&aacute;tria Nueva, o que talvez seja mais    relevante no pa&iacute;s &eacute; um j&aacute; tradicional movimento de r&aacute;dios comunit&aacute;rias    aut&ocirc;nomas e descentralizadas.&nbsp;    Mesmo com estruturas d&eacute;beis e recursos t&eacute;cnicos prec&aacute;rios, essas    emissoras s&atilde;o muito importantes n&atilde;o s&oacute; para difus&atilde;o de informa&ccedil;&atilde;o alternativa    elaborada pelos pr&oacute;prios atores envolvidos nas quest&otilde;es expostas como tamb&eacute;m    como mecanismo de organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Os longos informes e sauda&ccedil;&otilde;es podem    parecer enfadonhos ao ouvinte n&atilde;o acostumado, mas parecem obter sucesso na    difus&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas relevantes.<\/p>\n<p>H&aacute; in&uacute;meros exemplos, como os da r&aacute;dio Integraci&oacute;n instalada no    Plan 3000, bairro da periferia de Santa Cruz de La Sierra, da r&aacute;dio da Fejuve    (Federa&ccedil;&atilde;o de Juntas Vicinais) de El Alto e da rede Apachita.&nbsp; A r&aacute;dio Integraci&oacute;n foi muito    importante durante os violentos conflitos ocorridos no Plan 3000 em setembro    de 2008, quando a direita organizada e racista de Santa Cruz partiu para o    confronto armado com os moradores da periferia, e segue at&eacute; hoje cumprindo um    importante papel tanto para discuss&atilde;o pol&iacute;tica quanto para divulga&ccedil;&atilde;o de    campanhas de sa&uacute;de, contra a dengue, por exemplo. A r&aacute;dio da Fejuve foi um dos    mecanismos de contra-informa&ccedil;&atilde;o durante a Guerra do G&aacute;s, e a rede Apachita    come&ccedil;ou como uma r&aacute;dio que difundia informa&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas para ajuda aos    trabalhadores da agropecu&aacute;ria familiar e com o tempo passou a ser tamb&eacute;m um    meio contra hegem&ocirc;nico de informa&ccedil;&atilde;o, transmitindo exclusivamente nos idiomas    quechua e aymara.<\/p>\n<p><strong>Os &oacute;rg&atilde;os estatais &ndash; ainda distantes de uma comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica    e de qualidade<\/strong>               <\/p>\n<p class=\"padrao\">O    governo de Evo Morales tem como prioridade de sua pol&iacute;tica de comunica&ccedil;&atilde;o o    fortalecimento do sistema estatal de comunica&ccedil;&atilde;o. O Canal 7 e a R&aacute;dio P&aacute;tria    Nueva receberam investimentos, e foram criados o jornal diario Cambio e a    Ag&ecirc;ncia Boliviana de Informa&ccedil;&otilde;es (ABI). No entanto, tais iniciativas est&atilde;o    muito distantes de uma comunica&ccedil;&atilde;o realmente p&uacute;blica, entendida como espa&ccedil;o    para participa&ccedil;&atilde;o de diversos setores da sociedade de maneira ampla e plural,    e limitam-se a transmitir o discurso oficial e governista, sem muitas    sutilezas.<\/p>\n<p>O jornal Cambio ,cujo pre&ccedil;o &eacute; quase a metade do de seus    concorrentes,&nbsp; &eacute; distribu&iacute;do em    formato tabloide, com poucas p&aacute;ginas, a maioria em branco e preto. A qualidade    dos textos &eacute; ruim, e n&atilde;o h&aacute; muito espa&ccedil;o para an&aacute;lise ou debate de id&eacute;ias. A    id&eacute;ia &eacute; divulgar o que pensa o governo, e ponto. Com um pouco mais de    variedade e opini&atilde;o, a mesma tend&ecirc;ncia se verifica na ABI.<\/p>\n<p>O Canal 7 tamb&eacute;m carece de uma programa&ccedil;&atilde;o mais consistente, mesmo que    apresente alguns programas estilo &ldquo;mesa-redonda&rdquo; que, se n&atilde;o apresentam    nenhuma qualidade t&eacute;cnica relevante (est&atilde;o mais para r&aacute;dio filmado, como as    mesas-redonda de futebol aqui do Brasil), ao menos difundem debates    interessantes e com certa variedade nas opini&otilde;es. Obviamente as fontes    oficiais s&atilde;o priorit&aacute;rias, assim como nos telejornais, que t&ecirc;m a grande    vantagem de repercutir mobiliza&ccedil;&otilde;es &ldquo;esquecidas&rdquo; pelos canais privados.&nbsp; <\/p>\n<p>De resto o canal apresenta alguns    programas de variedades, cultura, m&uacute;sicaetc ,de baix&iacute;ssima qualidade, alguns    deles inclusive apresentados pelo estere&oacute;tipo presente na totalidade dos    canais privados: mulheres bonitas de fei&ccedil;&atilde;o europ&eacute;ia. H&aacute; tamb&eacute;m programas    esportivos e transmiss&otilde;es de jogos de futebol, iguais em qualquer parte do    mundo.<\/p>\n<p>Nesse aspecto da comunica&ccedil;&atilde;o fica claro uma defici&ecirc;ncia do    governo que &eacute; evidente tamb&eacute;m em outras &aacute;reas, a prioriza&ccedil;&atilde;o excessiva dos    meios estatais em detrimento do est&iacute;mulo &agrave;s iniciativas aut&ocirc;nomas que partem    do movimento popular. Envolvido numa constante batalha contra tentativas de    golpe reais e imaginadas, o governo acaba focando mais a tentativa de derrotar    a direita do que a op&ccedil;&atilde;o de fortalecer a esquerda, inclusive recorrendo nesta    luta midi&aacute;tica ao mesmo tipo de distor&ccedil;&atilde;o e simplismo que a direita recorre em    sua m&iacute;dia . Fortalece-se o governo, fica para depois a auto-organiza&ccedil;&atilde;o    popular.<\/p>\n<p>A expectativa &eacute; que com uma boa regulamenta&ccedil;&atilde;o da Nova    Constitui&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m com a consolida&ccedil;&atilde;o de iniciativas como o novo decreto    de lei que estabelece o direito de opini&atilde;o dos jornalistas em seus ve&iacute;culos    (independendo desta ser divergente ou n&atilde;o da linha editorial dos    propriet&aacute;rios), sedimentem-se os marcos para uma comunica&ccedil;&atilde;o privada mais    controlada para, quem sabe, a partir da&iacute; se iniciem os incentivos mais    concretos &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o aut&ocirc;noma e popular, independente de interesses    comerciais, partid&aacute;rios e ou governamentais. H&aacute; muito o que fazer mas,    felizmente, o futuro da comunica&ccedil;&atilde;o na Bol&iacute;via permanece em aberto.    <\/p>\n<p><em>Julio Delmanto &eacute; comunicador social.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo publicado no Le Monde Diplomatique boliviano, Ricardo Bajo e Pascual Serrano afirmam que quem vive no pa&iacute;s &ldquo;n&atilde;o pode negar que h&aacute; uma guerra midi&aacute;tica&rdquo;: de um lado os meios privados, de outro o governo Evo Morales, &ldquo;que tenta desenvolver propostas de comunica&ccedil;&atilde;o que permitam o acesso aos setores ind&iacute;genas, populares e intelectuais &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22983\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Apontamentos sobre comunica\u00e7\u00e3o na Bol\u00edvia de hoje<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[363],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22983"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22983"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22983\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22983"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22983"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22983"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}