{"id":22959,"date":"2009-06-24T17:56:59","date_gmt":"2009-06-24T17:56:59","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22959"},"modified":"2009-06-24T17:56:59","modified_gmt":"2009-06-24T17:56:59","slug":"proposta-de-reativacao-da-estatal-gera-criticas-de-empresarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22959","title":{"rendered":"Proposta de reativa\u00e7\u00e3o da estatal gera cr\u00edticas de empres\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t          <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"padrao\">H&aacute; algumas semanas, ganhou espa&ccedil;o no notici&aacute;rio especializado a not&iacute;cia de que o governo federel estaria preparando a reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s visando transform&aacute;-la em uma prestadora de servi&ccedil;os. Antiga holding que reunia a quase totalidade das prestadoras e atividades na &aacute;rea de telefonia, a Telebr&aacute;s foi esvaziada ap&oacute;s a  privatiza&ccedil;&atilde;o do complexo relacionado a ela realizada pelo governo Fernando Henrique Cardoso, no ano de 1998.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a revela&ccedil;&atilde;o das inten&ccedil;&otilde;es do governo, o assunto virou assunto proibido na Esplanada dos Minist&eacute;rios. Mas despertou o interesse de agentes do setor e do parlamento. Para esclarecer a quest&atilde;o, a Comiss&atilde;o de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Comunica&ccedil;&atilde;o e Inform&aacute;tica (CCTCI) da C&acirc;mara dos Deputados promoveu ontem (23) audi&ecirc;ncia p&uacute;blica. Contudo, as expectativas dos parlamenteres foram frustradas pela aus&ecirc;ncia dos representantes dos minist&eacute;rios do Planejamento e das Comunica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Entre os &oacute;rg&atilde;os estatais convidados para o encontro, apenas a Ag&ecirc;ncia Nacional de Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Anatel) se fez presente na pessoa do conselheiro Ant&ocirc;nio Bedran. Ele remeteu a responsabilidade ao governo e afirmou que a ag&ecirc;ncia n&atilde;o recebeu qualquer comunicado sobre o projeto.<\/p>\n<p>&ldquo;A Anatel apenas implementa pol&iacute;ticas p&uacute;blicas definidas pelo Executivo. Quanto ao tema das empresas estatais [leia-se Telebr&aacute;s] prestarem servi&ccedil;os de telecom, &eacute; uma quest&atilde;o de governo. E se por qualquer motivo ou outro quiserem que ela preste servi&ccedil;o de telecomunica&ccedil;&otilde;es, ter&aacute; que pedir licen&ccedil;a &agrave; Anatel. Mas quaisquer outras quest&otilde;es, neste contexto atual, foge ao &acirc;mbito de delibera&ccedil;&atilde;o da Anatel. N&atilde;o h&aacute; nada de oficial que tenha sido dirigido &agrave; Ag&ecirc;ncia&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O proponente da audi&ecirc;ncia, deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), criticou a aus&ecirc;ncia dos membros do governo. &ldquo;Lamento que governo n&atilde;o se faz presente nesta reuni&atilde;o. O governo, com aus&ecirc;nica, continua lan&ccedil;ando a d&uacute;vida perante a sociedade. N&atilde;o diz que sim, n&atilde;o diz que n&atilde;o e n&atilde;o diz nada&rdquo;, reclamou. O deputado retrucou o argumento de que as explica&ccedil;&otilde;es dos membros do Executivo n&atilde;o se fariam necess&aacute;rias pelo fato do assunto ainda n&atilde;o ter sido tornado p&uacute;blico. &ldquo;Mesmo n&atilde;o sendo fato concreto, ele &eacute; um fato p&uacute;blico e not&oacute;rio e que se reveste de muita import&acirc;ncia para n&oacute;s&rdquo;, pontuou.<\/p>\n<p><strong>Empresas criticam<br \/><\/strong><br \/>Sem os representantes do governo, o foco da audi&ecirc;ncia migrou para as posi&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas das prestadoras de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es. Representantes da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Prestadoras do Servi&ccedil;o Telef&ocirc;nico Fixo Comutado (Abrafix), da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional de Operadoras Celulares (Acel) e da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Prestadoras das Prestadoras de Servi&ccedil;os de Telecomunica&ccedil;&otilde;es Competitivos (Telcomp) se posicionaram fortemente contr&aacute;rios &agrave; reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Fernandes Pauletti, da Abrafix, defendeu a restri&ccedil;&atilde;o do Estado apenas ao papel de regulador, e n&atilde;o de prestador de servi&ccedil;os, e alegou, em tom amea&ccedil;ador, que a iniciativa pode gerar consequ&ecirc;ncias negativas ao setor. &ldquo;Se vier a acontecer [a reativa&ccedil;&atilde;o], &eacute; legal, mas certamente causar&aacute; redu&ccedil;&atilde;o de investimentos do setor privado porque isso &eacute; quebra dos princ&iacute;pios acordados [na privatiza&ccedil;&atilde;o]. Depois de todo um investimento, o governo incorrer no erro certamente &eacute; um problema&rdquo;, comentou.<\/p>\n<p>Luiz Cuza, da Telcomp, alegou que a cria&ccedil;&atilde;o de uma prestadora de servi&ccedil;os pelo Estado afetaria a capacidade do setor de captar recursos junto a grandes investidores. &ldquo;A poss&iacute;vel mudan&ccedil;a das regras do jogo, como a abertura da possibilidade de presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os pelo Estado, pode gerar inseguran&ccedil;as sist&ecirc;micas relativas ao investimento de capital estrangeiro&rdquo;, opinou.<\/p>\n<p>Segundo Jos&eacute; Fernandes Pauletti, outro suposto preju&iacute;zo seria a redu&ccedil;&atilde;o das receitas oriundas dos impostos pagos pelas operadoras de telefonia. &quot;Se empresas governamentais vierem a ter redes na qual fa&ccedil;am presta&ccedil;&atilde;o direta de servi&ccedil;os, pode haver perda da arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos. Vai pesar inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica e regulat&oacute;ria. Isso para qu&ecirc;? Para economia dos servi&ccedil;os? Para controle ou seguran&ccedil;a sobre uma rede?&rdquo;, indagou.<\/p>\n<p>O representante da Abrafix subiu o tom e, ao mirar na proposta de reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s, deslegitimou novas a&ccedil;&otilde;es por parte do governo para o setor por consider&aacute;-lo menos importante do que outras demandas da sociedade brasileira. &ldquo;Ser&aacute; que governo j&aacute; investiu tudo o que tinha de investir em edu&ccedil;&atilde;o, em seguran&ccedil;a, em sa&uacute;de? N&atilde;o tem nada o que fazer com os recursos do FUST? N&atilde;o sabe o que fazer com o dinheiro e resolveu investir em telecom&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Lu&iacute;s de Mello Jr., da Acel, tamb&eacute;m apontou problemas na proposta. &ldquo;A recria&ccedil;&atilde;o da empresa estatal que se prop&otilde;e a prestar servi&ccedil;os de infra-estrutura e banda larga, para ter segunra&ccedil;a e controle sobre a rede de servi&ccedil;os estatais, pode gerar um clima de instabilidade regulat&oacute;ria do mercado com inevit&aacute;veis consequ&ecirc;ncias economicas que advir&atilde;o deste clima. Isso contradiz o modelo do setor&rdquo;, argumentou.<\/p>\n<p><strong>Medo de mais um competidor<br \/><\/strong><br \/>Na fala dos representantes empresariais transpareceu que o motivo real das cr&iacute;ticas &agrave;s inten&ccedil;&otilde;es do governo de constituir uma operadora pr&oacute;pria de servi&ccedil;os de telecomunica&ccedil;&otilde;es &eacute; o receio da entrada de mais um competidor em &aacute;reas importantes do mercado. As not&iacute;cias n&atilde;o-oficiais sobre o assunto alegam que a proposta envolveria uma infra-estrutura de fibra &oacute;tica abrangendo as cidades de S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p>Jos&eacute; Fernandes Pauletti deus sinais de que o centro da cr&iacute;tica est&aacute; relacionado a isso ao defender a restri&ccedil;&atilde;o da presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os ficasse apenas aos &oacute;rg&atilde;os de governo e &agrave;queles locais e popula&ccedil;&otilde;es que o mercado n&atilde;o consegue atender. &ldquo;Se o governo tem plano de fornecer infra-estrutura de telecomunica&ccedil;&otilde;es gratuitamente para toda a sociedade e para todas as empresas que quiserem usufruir disso, a&iacute; &eacute; ele mesmo que tem de fazer. Haver&aacute; um preju&iacute;zo muito grande para a sociedade, pois ser&atilde;o direcionados recursos que deveriam estar sendo investidos onde a iniciativa pivada n&atilde;o se disp&otilde;e a investir&rdquo;, sublinhou.<\/p>\n<p>O representante da Abrafix deixou mais claro o receio da concorr&ecirc;ncia com a Telebr&aacute;s ao pedir &ldquo;igualdade de condi&ccedil;&otilde;es&rdquo; entre a Telebr&aacute;s e os demais operadores  no caso da concretiza&ccedil;&atilde;o do projeto.<\/p>\n<p><strong>Provedores e trabalhadores defendem<br \/><\/strong><br \/>Os dois setores que t&ecirc;m defendido a proposta curiosamente n&atilde;o foram convidados para dar suas contribui&ccedil;&otilde;es na audi&ecirc;ncia p&uacute;blica promovida pela CCTCI. A Abramulti, que representa os provedores de Internet, considera que a proposta pode ser uma importante alternativa aos pequenos prestadores de Servi&ccedil;os de Comunica&ccedil;&atilde;o Multim&iacute;dia (SCM) para uso de infra-estrutura que n&atilde;o as dos concession&aacute;rios de telefonia fixa.<\/p>\n<p>A associa&ccedil;&atilde;o prev&ecirc; que estes operadores, de menor porte e n&atilde;o associados &agrave;s concession&aacute;rias, poder&aacute; ser a melhor op&ccedil;&atilde;o caso a Telebr&aacute;s queira utilizar suas redes para prestar servi&ccedil;os diretamente aos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Para Br&iacute;gido Roland Ramos, presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunica&ccedil;&otilde;es (Fittel), a reativa&ccedil;&atilde;o da Telebr&aacute;s como operadora seria muito ben&eacute;fico ao setor. &ldquo;Significaria uma economia de custos por parte do governo e poderia impulsionar um novo espa&ccedil;o para produ&ccedil;&atilde;o de conhecimento em pesquisa e desenvolvimento j&aacute; que esta &aacute;rea foi prejudicada fortemente ap&oacute;s a privatiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, avalia.<\/p>\n<p><strong>Pedido de informa&ccedil;&otilde;es<br \/><\/strong><br \/>Insatisfeitos com o sil&ecirc;ncio do governo federal, os deputados Paulo Bornhausen (DEM-SC) e J&uacute;lio Semeguini (PSDB-SP) se comprometeram, ao final da audi&ecirc;ncia, em elaborar um pedido de informa&ccedil;&otilde;es ao Executivo Federal sobre os planos em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Telebr&aacute;s. &ldquo;E se n&atilde;o responder n&oacute;s vamos convocar os dois ministros para discutir o assunto. N&atilde;o podemos levar na brincadeira este tema&rdquo;, adiantou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com aus\u00eancia de membros do Executivo, audi\u00eancia na C\u00e2mara vira palco de cr\u00edticas do empresariado \u00e0 proposta de transforma\u00e7\u00e3o da Telebr\u00e1s em prestadora de servi\u00e7os de telecomunica\u00e7\u00f5es <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[1043],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22959"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22959"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22959\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22959"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22959"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22959"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}