{"id":22950,"date":"2009-06-22T16:23:05","date_gmt":"2009-06-22T16:23:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22950"},"modified":"2009-06-22T16:23:05","modified_gmt":"2009-06-22T16:23:05","slug":"jornalismo-a-quem-interessa-a-inutilidade-do-diploma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22950","title":{"rendered":"Jornalismo: a quem interessa a inutilidade do diploma?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">O fim da exig&ecirc;ncia do diploma para o exerc&iacute;cio profissional do jornalismo foi justificado pelo STF&nbsp; como um ato &ldquo;em defesa da liberdade de express&atilde;o&rdquo;. Todavia, essa senten&ccedil;a atende, na verdade, aos interesses dos monop&oacute;lios. Liberdade total para as empresas. Poder absoluto ao patronato.<\/p>\n<p>O presidente do STF ministro Gilmar Mendes, relator da mat&eacute;ria, alicer&ccedil;ou seu voto no argumento de que a exig&ecirc;ncia de forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica em curso deve ser dispensada para a garantia &ldquo;do exerc&iacute;cio pleno das liberdades de express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. J&aacute; o ministro Ayres Brito baseado no lema &ldquo;wojosdireitoacotckiano&rdquo; de que &ldquo;&eacute; proibido proibir,&rdquo; proclamou: &ldquo;Nesse campo, a salvaguarda das salvaguardas da sociedade &eacute; n&atilde;o restringir nada. <\/p>\n<p>Quem quiser se profissionalizar como jornalista &eacute; livre para faz&ecirc;-lo, por&eacute;m esses profissionais n&atilde;o exaurem a atividade jornal&iacute;stica. Ela se disponibiliza para os vocacionados, para os que t&ecirc;m intimidade com a palavra&rdquo;.&nbsp; Que bonito!&ldquo; Todo aquele que tiver intimidade com a palavra&rdquo; tem o direito de exercer o jornalismo. Veremos o que acarreta esta inspirada benevol&ecirc;ncia do ministro.<\/p>\n<p>Vejamos o argumento-mor do relator. Fim do diploma com o objetivo de assegurar&nbsp; &ldquo;o exerc&iacute;cio pleno das liberdades de express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp; De fato, no Brasil, embora a Constitui&ccedil;&atilde;o assegure esse direito, a sociedade n&atilde;o usufrui plenamente dele. Esse direito &eacute; mitigado, &eacute; bloqueado pelo mon&oacute;polio que controla a ind&uacute;stria da comunica&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O jornalista n&atilde;o tem soberania sobre seus textos. Obviamente, as empresas selecionam meticulosoamente as pautas, os enfoques, segundo interesses pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos que as regem e as financiam. Portanto, a liberdade de express&atilde;o e informa&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s n&atilde;o ser&aacute; ampliada com o aumento indiscriminado de profissionais. N&atilde;o &eacute; alargando o direito de exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o a qualquer um que tenha o dom da palavra que a sociedade ter&aacute; mais e melhor informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Sempre foi assim, mas sobretudo na contemporaneidade: para a democracia o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o importante quanto o sufr&aacute;gio universal. &Eacute; um equ&iacute;voco minimizar a import&acirc;ncia desse setor em rela&ccedil;&atilde;o a outros. E, infelizmente, foi isto que fez o STF. <\/p>\n<p>Basta ter &ldquo;o dom da palavra&rdquo; para uma pessoa exercer a advocacia? Basta ter sapi&ecirc;ncia em Hist&oacute;ria para ser professor desta mat&eacute;ria? N&atilde;o, desde h&aacute; muito a sociedade inventou uma tal de escola, depois uma tal universidade, para formar e capacitar cidad&atilde;os e cidad&atilde;s neste e naqueles servi&ccedil;os, nestas e naquelas atividades que a sociedade precisa para existir. &Eacute; fundamental exerc&ecirc;-las com capacita&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica e, tamb&eacute;m, com uma dimens&atilde;o cr&iacute;tica, &eacute;tica, human&iacute;stica.<\/p>\n<p>Circula tamb&eacute;m o ju&iacute;zo de que os prejudicados com o fim da obrigatoriedade ser&atilde;o &ldquo;t&atilde;o somente&rdquo; as corpora&ccedil;&otilde;es sindicais e as empresas de ensino que formam jornalistas. &ldquo;Corpora&ccedil;&otilde;es sindicais&rdquo;, leia-se, os sindicatos que t&ecirc;m como filiados os profissionais que trabalham no setor. Sim, exatamente. Por isso, a Associa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornais (ANJ, do patronato) festejou a decis&atilde;o do STF. Qualquer um pode ser jornalista. <\/p>\n<p>Logo, o exerc&iacute;cio da profiss&atilde;o ser&aacute; precarizado, os sal&aacute;rios ser&atilde;o ainda mais rebaixados. Como disse S&eacute;rgio Murillo, o presidente da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a categoria se torna um coletivo disforme, debilitado frente ao patronato. Quanto &agrave;s defici&ecirc;ncias dos cursos de jornalismo, n&atilde;o se trata de um problema exclusivo da &aacute;rea. A solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; neg&aacute;-los e sim a luta permanente para que tenham uma qualidade melhor.<\/p>\n<p>Em suma, o fim da obrigatoriedade do diploma &eacute; um lance a mais na onipot&ecirc;ncia do monop&oacute;lio midi&aacute;tico. Mas &ldquo; a luta continua&rdquo;&#8230;<\/p>\n<p><em>Adalberto Monteiro, jornalista e poeta, &eacute; secret&aacute;rio nacional de Forma&ccedil;&atilde;o e Propaganda do PCdoB e presidente do Instituto Maur&iacute;cio Grabois.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fim da exig&ecirc;ncia do diploma para o exerc&iacute;cio profissional do jornalismo foi justificado pelo STF&nbsp; como um ato &ldquo;em defesa da liberdade de express&atilde;o&rdquo;. Todavia, essa senten&ccedil;a atende, na verdade, aos interesses dos monop&oacute;lios. Liberdade total para as empresas. Poder absoluto ao patronato. 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