{"id":22935,"date":"2009-06-18T14:47:22","date_gmt":"2009-06-18T14:47:22","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22935"},"modified":"2009-06-18T14:47:22","modified_gmt":"2009-06-18T14:47:22","slug":"stf-derruba-obrigatoriedade-de-diploma-para-jornalista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22935","title":{"rendered":"STF derruba obrigatoriedade de diploma para jornalista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao padrao\">Por oito votos contra um, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acabaram nessa quarta-feira (17) com a exig&ecirc;ncia do diploma de curso superior espec&iacute;fico para a pr&aacute;tica do jornalismo. A decis&atilde;o ocorreu ap&oacute;s an&aacute;lise do m&eacute;rito do Recurso Extraordin&aacute;rio (RE) 511961, movido pelo Sindicato das Empresas de R&aacute;dio e Televis&atilde;o no Estado de S&atilde;o Paulo (Sertesp) e pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF). O presidente do STF, Gilmar Mendes, relator do caso, entendeu que o Decreto-lei 972\/69, editado durante a ditadura militar, afronta a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.<\/p>\n<p>Ao ler seu longo voto, Gilmar Mendes citou parecer do ministro Eros Grau feito em tese &#8211; sem analisar caso espec&iacute;fico &#8211; antes de ser indicado ao STF. Para o presidente da corte, existem profiss&otilde;es que podem trazer preju&iacute;zo &agrave; sociedade se n&atilde;o houver forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, o que n&atilde;o acontece, na avalia&ccedil;&atilde;o dele, com o jornalismo. &quot;O jornalismo &eacute; uma profiss&atilde;o diferenciada por causa da proximidade com a liberdade de express&atilde;o. Os jornalistas se dedicam profissionalmente ao exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o&quot;, afirmou o ministro relator.<\/p>\n<p>Gilmar Mendes disse tamb&eacute;m que o Estado n&atilde;o est&aacute; legitimado pra exercer limita&ccedil;&otilde;es ao exerc&iacute;cio profissional. Na vis&atilde;o do ministro, o decreto cercearia o direito ao trabalho e ao acesso &agrave; liberdade de express&atilde;o. Durante o voto, o presidente do STF n&atilde;o deixou de fazer cr&iacute;ticas indiretas &agrave; imprensa. &quot;O poder da imprensa hoje &eacute; quase imensur&aacute;vel. As empresas hoje s&atilde;o aliadas &agrave; grandes grupos, existe uma submiss&atilde;o aos valores econ&ocirc;micos. Infelizmente &eacute; t&ecirc;nue a linha entre a informa&ccedil;&atilde;o e a difama&ccedil;&atilde;o. Os efeitos dos erros s&atilde;o terr&iacute;veis&quot;, disparou.<\/p>\n<p><strong>Votos pr&oacute; e contra<br \/><\/strong><br \/>&quot;A atividade jornal&iacute;stica pende para aqueles que t&ecirc;m voca&ccedil;&atilde;o, para o dom da palavra, da informa&ccedil;&atilde;o&quot;, disse o ministro Carlos Ayres Britto, ao acompanhar o voto de Gilmar Mendes. Ele citou escritores e jornalistas como Oto Lara Rezende, Armando Nogueira, Vin&iacute;cius de Morais &#8211; &quot;verdadeiros expoentes&quot;. &quot;N&atilde;o se pode fechar as portas para essa atividade, que em parte &eacute; literatura, em parte &eacute; arte, para verdadeiros expoentes.&quot;<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o h&aacute; no jornalismo nenhuma verdade cient&iacute;fica. O curso de jornalismo n&atilde;o elimina os riscos do mau uso da profiss&atilde;o. H&aacute; riscos no jornalismo, mas nenhum desses &eacute; imput&aacute;vel ao desconhecimento de uma verdade cient&iacute;fica&quot;, afirmou o ministro Cezar Peluso. Para ele, os problemas v&ecirc;m de &quot;vis&otilde;es pessoais, do mundo, de estrutura de car&aacute;ter&quot;. &quot;N&atilde;o consigo imaginar que, a despeito dessa exig&ecirc;ncia, aqueles que n&atilde;o tinham o diploma poderiam exercer a profiss&atilde;o&quot;, completou. O decreto-lei previa que aqueles que j&aacute; trabalhavam por pelo menos 12 meses antes da edi&ccedil;&atilde;o poderiam continuar exercendo a fun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O ministro Marco Aur&eacute;lio Mello, &uacute;nico a votar contra o recurso, disse que em 40 anos a sociedade se organizou em torno da obrigatoriedade do diploma. Ele advertiu que, com a derrubada do decreto, passaremos a ter jornalistas com gradua&ccedil;&otilde;es diversas. &quot;Teremos jornalistas de n&iacute;vel m&eacute;dio e at&eacute; de n&iacute;vel fundamental&quot;, afirmou. Ele apontou que o jornalista deve ter uma forma&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica que viabilize a atividade profissional que repercute na vida dos cidad&atilde;os em geral. &quot;&Eacute; poss&iacute;vel o erro na medicina, no direito, e at&eacute; nesta corte, que &eacute; obra do homem&quot;. Para ele, ter a obriga&ccedil;&atilde;o do diploma &quot;implica uma salvaguarda, uma seguran&ccedil;a jur&iacute;dica maior&quot;, opinou.<\/p>\n<p><strong>Uma longa pol&ecirc;mica<br \/><\/strong><br \/>Com a decis&atilde;o do STF, chega ao fim um processo de oito anos. Em 2001, a ju&iacute;za Carla Rister, da 16&ordf; Vara Civil da Justi&ccedil;a Federal em S&atilde;o Paulo, concedeu liminar contr&aacute;ria &agrave; obrigatoriedade da forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica para obten&ccedil;&atilde;o do registro profissional de jornalista. Quatro anos depois, em julgamento de liminar ocorrido no m&ecirc;s de novembro de 2006, a mais alta corte do pa&iacute;s garantiu o exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica aos que j&aacute; atuavam na profiss&atilde;o independentemente de registro no Minist&eacute;rio do Trabalho ou de diploma de curso superior na &aacute;rea. <\/p>\n<p>A advogada Ta&iacute;s Borja Gasparian, representando o sindicato das empresas, afirmou que existe uma clara incompatibilidade entre o decreto-lei e a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que, enfatizou ela, garante o livre exerc&iacute;cio de qualquer trabalho e a liberdade de pensamento. Ainda argumentou que a profiss&atilde;o de jornalista &eacute; desprovida de &quot;exerc&iacute;cio t&eacute;cnico&quot;, sendo uma atividade &quot;meramente intelectual&quot;. &quot;Qual consumidor n&atilde;o iria preferir receber informa&ccedil;&otilde;es m&eacute;dicas de uma pessoa com forma&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica, ao inv&eacute;s de algu&eacute;m com forma&ccedil;&atilde;o em comunica&ccedil;&atilde;o?&quot;, questionou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, ela apontou que o decreto-lei foi editado por uma junta militar. Consequentemente, na opini&atilde;o da advogada, havia uma vontade do governo militar em &quot;restringir a liberdade de imprensa&quot;. O procurador-geral da Rep&uacute;blica, Ant&ocirc;nio Fernando de Souza, fez sua argumenta&ccedil;&atilde;o na mesma linha. Segundo ele, a lei age como &quot;obst&aacute;culo para a liberdade de express&atilde;o&quot; e que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel &quot;fechar os olhos&quot; para pessoas com outras forma&ccedil;&otilde;es e ampla cultura. &quot;N&atilde;o fazemos apologia da ignor&acirc;ncia ou da n&atilde;o forma&ccedil;&atilde;o em jornalismo&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>J&aacute; o advogado Jo&atilde;o Roberto, representante da Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj), argumentou que o diploma n&atilde;o impede ningu&eacute;m de escrever em um jornal. &quot;O decreto prev&ecirc; a figura do colaborador e do profissional provisionado&quot;, apontou. Ele rebateu o argumento da advogada do sindicato das empresas de que a obrigatoriedade do diploma &eacute; resqu&iacute;cio da ditadura militar. Ao defender a manuten&ccedil;&atilde;o da regra atual, Roberto destacou a import&acirc;ncia de cumprir o abrangente curr&iacute;culo de uma faculdade de jornalismo. E disse que a regra n&atilde;o protege o jornalista, &quot;mas sim a sociedade&quot;.<span class=\"padrao\"><\/p>\n<p>A representante da Advocacia Geral da Uni&atilde;o (AGU), Grace Maria Fernandes Mendon&ccedil;a, apontou que para exercer outras profiss&otilde;es, como medicina e engenharia, &eacute; preciso ter forma&ccedil;&atilde;o acad&ecirc;mica. &quot;Por que n&atilde;o o jornalismo?&quot;, questionou. &quot;Vivemos em uma sociedade da informa&ccedil;&atilde;o. A miss&atilde;o de informar vem-se carregada de relev&acirc;ncia indiscut&iacute;vel. A subst&acirc;ncia do decreto n&atilde;o afronta a carta da rep&uacute;blica&quot;, finalizou.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por oito votos contra um, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) acabaram nessa quarta-feira (17) com a exig&ecirc;ncia do diploma de curso superior espec&iacute;fico para a pr&aacute;tica do jornalismo. 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