{"id":22926,"date":"2009-06-16T16:02:09","date_gmt":"2009-06-16T16:02:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22926"},"modified":"2009-06-16T16:02:09","modified_gmt":"2009-06-16T16:02:09","slug":"comunicacao-publica-nao-prejudica-o-bom-jornalismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22926","title":{"rendered":"Comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica n\u00e3o prejudica o bom jornalismo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Vamos a uma tentativa de respostas. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; notada, registrada,  distribu&iacute;da e compartilhada. Sendo assim, seria o produtor da mat&eacute;ria o dono  dela? E no caso dos releases? Seriam os assessores de imprensa os donos? Afinal  eles recebem a informa&ccedil;&atilde;o e divulgam para a grande imprensa. Sendo assim, nas  newsletters e informa&ccedil;&otilde;es nos portais de comunica&ccedil;&atilde;o, os webdesigners poderiam  reclamar para si a propriedade pelo produto final?<\/p>\n<p>De acordo com o cr&iacute;tico e pesquisador Lev Manovich, o remix tem extrapolado o  universo musical e se estabelecido como re-utiliza&ccedil;&atilde;o de materiais j&aacute;  existentes. No caso da informa&ccedil;&atilde;o tratada no jornalismo, n&atilde;o s&atilde;o poucos os casos  em que mat&eacute;rias s&atilde;o requentadas, dilu&iacute;das de um meio de comunica&ccedil;&atilde;o e colocadas  em outro. Esse processo se d&aacute; pela recria&ccedil;&atilde;o, atrav&eacute;s de marcas do autor  original e do autor do remix. &quot;As novas m&iacute;dias realmente representam a nova vanguarda e suas inova&ccedil;&otilde;es s&atilde;o  pelo menos t&atilde;o radicais quanto as inova&ccedil;&otilde;es formais da d&eacute;cada de 1920&quot;. diz Manovich.<\/span><\/p>\n<p>A &quot;cultura do remix&quot; est&aacute; presente em tudo: artes pl&aacute;sticas, m&uacute;sica, moda,  aplicativos web, m&iacute;dia colaborativa, gastronomia e at&eacute; fus&otilde;es entre empresas. O  r&aacute;dio faz muito disso recortando e repercutindo not&iacute;cias dos jornais durante sua  programa&ccedil;&atilde;o. E o conceito da autoria, como fica? Ent&atilde;o, a informa&ccedil;&atilde;o pertence ao  jornalista ou este estaria se apropriando dela quando quer exclusividade sobre  seu conte&uacute;do? Voltamos ao conceito de Michel Foucault ao perguntar De quem &eacute; a  autoria?<\/p>\n<p>Disponibilizar informa&ccedil;&otilde;es atrav&eacute;s de softwares como blogs para qualquer um  acessar parece ser uma medida de transpar&ecirc;ncia irrefut&aacute;vel. &Eacute; como deixar tamb&eacute;m  para o julgamento p&uacute;blico a ordem dos acontecimentos &agrave; revelia da edi&ccedil;&atilde;o deste  ou de outro ve&iacute;culo. Ent&atilde;o, os mais afoitos poder&atilde;o logo contestar falando que  existe uma quest&atilde;o comercial de ordem capitalista. Que capitalismo? Capitalismo  social? Neoliberal? Que os jornais precisam de dinheiro para existir e esse  rendimento viria dos furos, not&iacute;cias em primeira m&atilde;o &eacute; algo muito &oacute;bvio. S&oacute; que  a sociedade mudou.<\/p>\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser mais tratada como mercadoria. A informa&ccedil;&atilde;o precisa  ser democratizada. N&atilde;o &eacute; produto de prateleira. A m&iacute;dia, como neg&oacute;cio e servi&ccedil;o  p&uacute;blico, precisa ser repensada. A era dos monop&oacute;lios da media&ccedil;&atilde;o com a sociedade  acabou ou est&aacute; acabando. Hoje, qualquer pessoa, al&eacute;m de receptor, &eacute; produtor de  not&iacute;cias das mais diversas formas. Atingindo um grande n&uacute;mero de pessoas,  atrav&eacute;s do twitter, ou mesmo para um n&uacute;mero selecionado usando mensagens curtas  (SMS) dos celulares. E esta novidade vem mudando as rela&ccedil;&otilde;es da sociedade com os  agentes econ&ocirc;micos e pol&iacute;ticos. H&aacute; mais saber em meio &agrave; sociedade e menos  opini&atilde;o, que, por defini&ccedil;&atilde;o, &eacute; vol&aacute;til e, geralmente, movida por paix&otilde;es.<\/p>\n<p>Voltando ao neg&oacute;cio jornal&iacute;stico, este &eacute; como o mitol&oacute;gico Janus, exibe duas  faces. Uma de neg&oacute;cios e outra de servi&ccedil;o p&uacute;blico, que n&atilde;o pode ser suprimida  pela primeira. A not&iacute;cia deve ser pensada como um valor p&uacute;blico. Depois, com a  exist&ecirc;ncia das m&iacute;dias sociais, o furo n&atilde;o pertence mais &agrave; imprensa. Ou seja, o  furo passa a ser uma forma de interpretar a realidade, de ver os fatos, de  encade&aacute;-los em perspectivas amplas.<\/p>\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; oferecida, de gra&ccedil;a, em diversas plataformas. Twitter, Blogs,  Flickr, Orkut, Podcastings, RSS, Facebook e diversos outros mash-ups e widgets.  &Eacute; o moderno boca-a-boca que ganhou o mundo facilitado pelas novas tecnologias.  Em tempos como esse, a pergunta que os donos dos jornais devem se fazer &eacute; por  que &eacute; que um leitor compraria um jornal com manchetes de not&iacute;cias que j&aacute; foram  vistas? O que a mais &eacute; poss&iacute;vel oferecer para estar um passo &agrave; frente da not&iacute;cia  quando o jornal impresso d&aacute; sinais de fal&ecirc;ncia dos &oacute;rg&atilde;os, o New York Times &eacute;  socorrido na UTI por capital do mercado e at&eacute; o mais famoso telejornal do Brasil  anuncia que est&aacute; reformulando sua forma e conte&uacute;do para se aproximar mais do  espectador atrav&eacute;s de linguagem clara e estruturas menos herm&eacute;ticas entre  &acirc;ncoras e links?<\/p>\n<p>O espa&ccedil;o p&uacute;blico voltou a existir. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; tudo e tudo &eacute; informa&ccedil;&atilde;o.  H&aacute; espa&ccedil;o para tudo. A &uacute;nica coisa que as m&aacute;quinas ainda n&atilde;o conseguem fazer com  efici&ecirc;ncia &eacute; definir quais s&atilde;o os seus conte&uacute;dos preferidos. Mas, j&aacute; existe  muita gente pensando nisso. Por&eacute;m, existe algo que as m&aacute;quinas n&atilde;o podem ocupar.  O espa&ccedil;o p&uacute;blico, que &eacute; din&acirc;mico, deve ser ocupado por aqueles que t&ecirc;m o que  dizer para contribuir com a sociedade.<\/p>\n<p>O caso da vit&oacute;ria do presidente norte americano, Barack Obama, que utilizou  uma plataforma similar a do Facebook, o MyBo (criado pelo mesmo jovem de 25 anos  que &eacute; um dos criadores do Facebook) mostra claramente como o poder p&uacute;blico est&aacute;  atento &agrave;s novas realidades colaborativas. Em novembro, quando o presidente Obama  estava eleito, o site contava com 2 milh&otilde;es de perfis de participantes que  organizaram 200 mil eventos, 400 mil blogs e somaram a quantia de arrecada&ccedil;&atilde;o de  US$ 30 milh&otilde;es. No Brasil, n&atilde;o tem sido diferente. Governos como o do Governo do  Estado da Bahia j&aacute; t&ecirc;m seu twitter, flickr e espa&ccedil;o pr&oacute;prio no youtube.<\/p>\n<p>A Secretaria da Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, do Governo do Estado de S&atilde;o Paulo, tem  usado cada vez mais as novas m&iacute;dias. Para atender, de maneira prof&iacute;cua, as mais  de 100 solicita&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias da imprensa, utiliza um blog para centralizar as  informa&ccedil;&otilde;es e, tamb&eacute;m para oficializ&aacute;-las. Ent&atilde;o a quest&atilde;o: por que uma  companhia como a Petrobr&aacute;s, freq&uuml;entemente sitiada pelas press&otilde;es da m&iacute;dia, n&atilde;o  pode ter um blog para se relacionar diretamente com a sociedade? Claro, que  pode. &Eacute; legitimo. Ali&aacute;s, como muito bem enfatizou a ABI em nota oficial. <\/p>\n<p>O que  n&atilde;o pode ocorrer &eacute; a censura. A persegui&ccedil;&atilde;o a jornalistas, o boicote &agrave; apura&ccedil;&atilde;o  de reportagens. E isso n&atilde;o acontece no Brasil dos dias atuais. Salvo a  publica&ccedil;&atilde;o da &iacute;ntegra de perguntas e respostas antes da veicula&ccedil;&atilde;o da mat&eacute;ria (o  que foi resolvido com a a&ccedil;&atilde;o de atender a crit&eacute;rios &eacute;ticos e publicar no blog  somente ap&oacute;s a veicula&ccedil;&atilde;o da not&iacute;cia) o que o blog da Petrobr&aacute;s significa &eacute; uma  saud&aacute;vel forma de enfrentamento da realidade.<\/p>\n<p>Existe no Brasil dos nossos dias uma intensa corrida para ocupa&ccedil;&atilde;o dos  espa&ccedil;os p&uacute;blicos. De um lado, por aqueles que teimam em tentar travar o avan&ccedil;o  da moderniza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. De outro, pelos que ambicionam e se movimentam por  essa mobiliza&ccedil;&atilde;o. A imprensa &eacute; parte indissoci&aacute;vel desse processo, mas tem se  confundido ao fazer da not&iacute;cia mat&eacute;ria prima constante para esc&acirc;ndalos,  den&uacute;ncias e sensacionalismos esquecendo o debate em torno dos destinos do pa&iacute;s,  esquecendo ainda de se esfor&ccedil;ar para responder a uma quest&atilde;o essencial: que pa&iacute;s  ambicionamos ser? Para onde iremos?<\/p>\n<p>O blog da Petrobr&aacute;s &eacute; emblem&aacute;tico da necessidade de uma mudan&ccedil;a de vis&atilde;o do  trabalho jornal&iacute;stico nos tempos da comunica&ccedil;&atilde;o em tempo real. &Eacute; preciso  refletir e agir tendo como ponto de partida o real. O mais ser&aacute; pura lam&uacute;ria. A  &ecirc;nfase &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica n&atilde;o prejudica o bom jornalismo. At&eacute; porque o bom  jornalismo deve ser produto da boa apura&ccedil;&atilde;o. E se o jornalista deseja mat&eacute;rias  exclusivas e contundentes deve busc&aacute;-las em fontes exclusivas. O trabalho da  assessoria de comunica&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &eacute; como diz o pr&oacute;prio nome: p&uacute;blico.<\/p>\n<p><em>Ricardo Lauricella, 27 anos, &eacute; estudante de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o da PUC-SP e  especialista em m&iacute;dias sociais.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos a uma tentativa de respostas. A informa&ccedil;&atilde;o &eacute; notada, registrada, distribu&iacute;da e compartilhada. Sendo assim, seria o produtor da mat&eacute;ria o dono dela? E no caso dos releases? Seriam os assessores de imprensa os donos? Afinal eles recebem a informa&ccedil;&atilde;o e divulgam para a grande imprensa. 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