{"id":22921,"date":"2009-06-16T01:00:29","date_gmt":"2009-06-16T01:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22921"},"modified":"2009-06-16T01:00:29","modified_gmt":"2009-06-16T01:00:29","slug":"evento-discute-futuro-da-midia-impressa-desregulamentada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22921","title":{"rendered":"Evento discute futuro da m\u00eddia impressa desregulamentada"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                  <\/p>\n<p class=\"padrao\">Em 30 de abril, o Supremo Tribunal Federal (STF) revogou integralmente a Lei de Imprensa (5.250, de 1967) sob a alega&ccedil;&atilde;o de que seus artigos afrontavam os princ&iacute;pios previstos na Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. A decis&atilde;o foi um marco n&atilde;o apenas pelo papel assumido pelo Judici&aacute;rio na regula&ccedil;&atilde;o das atividades de comunica&ccedil;ao, mas principalmente pela defesa fortemente liberal que motivou a senten&ccedil;a, evidenciando afinidades entre os argumentos dos ministros do tribunal e as posi&ccedil;&otilde;es do empresariado de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Pouco mais de um m&ecirc;s depois, o tema voltou &agrave; pauta em outro endere&ccedil;o da Pra&ccedil;a dos Tr&ecirc;s Poderes, em Bras&iacute;lia, mas com os mesmos atores. Na &uacute;ltima semana, o Congresso Nacional promoveu a IV Confer&ecirc;ncia Legislativa sobre Liberdade de Imprensa. Dessa vez, al&eacute;m dos ministros do STF e de representantes da grande m&iacute;dia comercial, parlamentares tamb&eacute;m engrossaram o coro pela liberdade de imprensa. N&atilde;o por acaso, os debates foram mediados por um dos expoentes da m&iacute;dia comercial, o apresentador do Jornal da Globo William Waack.<\/p>\n<p>O presidente da C&acirc;mara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), destacou o interesse do legislativo em defender e promover a liberdade express&atilde;o. A posi&ccedil;&atilde;o foi refor&ccedil;ada pelo presidente do Supremo Tribunal de Federal (STF), Gilmar Mendes. &ldquo;A atual luta pela liberdade de imprensa &eacute; para que se tenha o direito de falar e o governo de ouvir&rdquo;, defendeu o ministro, que recentemente foi alvo de pol&ecirc;mica por ter mandado retirar do site da TV C&acirc;mara entrevista com o  jornalista Leandro Fortes em raz&atilde;o cr&iacute;ticas feitas &agrave;s suas posturas.<\/p>\n<p>Outro ministro do Supremo, o relator do processo que resultou na derrubada da Lei de Imprensa, Carlos Ayres Britto, reafirmou a inadequa&ccedil;&atilde;o de mecanismos como os existentes na norma em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; pr&aacute;tica dos jornalistas. &ldquo;Na Constitui&ccedil;&atilde;o a censura &eacute; vedada e a liberdade de express&atilde;o jornal&iacute;stica j&aacute; est&aacute; considerada. Para mim, esta &uacute;ltima j&aacute; &eacute; o mesmo que liberdade de imprensa&rdquo;, avaliou.<\/p>\n<p><strong>Futuro desregulado<br \/><\/strong><br \/>Ao mesmo tempo em que defendeu a decis&atilde;o do Supremo, Ayres Brito questionou como os ve&iacute;culos ir&atilde;o se comportar neste novo cen&aacute;rio desregulado: &ldquo;ser&aacute; que os jornalistas vivem agora a insustent&aacute;vel leveza da imprensa?&rdquo;. Para Eur&iacute;pedes Alc&acirc;ntara, diretor de reda&ccedil;&atilde;o da revista Veja, a responsabilidade jornal&iacute;stica n&atilde;o depende da exist&ecirc;ncia de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Desde que n&atilde;o haja m&aacute; f&eacute; e mal&iacute;cia, pode haver a busca pela informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, respondeu, negando a exist&ecirc;ncia de &ldquo;insustent&aacute;vel leveza&rdquo;.<\/p>\n<p>Havendo ou n&atilde;o dificuldades pr&aacute;ticas em atuar sem a Lei, para alguns jornalistas a aus&ecirc;ncia de normas coloca desafios ao setor. &ldquo;Sem a regula&ccedil;&atilde;o h&aacute; um espa&ccedil;o para constru&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem com a sociedade, que ainda n&atilde;o sabemos como vai ser&rdquo;, disse a jornalista do jornal O Globo Miriam Leit&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o sei se &eacute; necess&aacute;rio ou n&atilde;o uma nova lei, mas tenho d&uacute;vidas de que uma nova lei v&aacute; alterar a pr&aacute;tica. Penso que falta uma cultura de, na pr&aacute;tica, ser a favor da liberdade&rdquo;, opinou Fernando Rodrigues, do jornal Folha de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>O cen&aacute;rio de desregulamenta&ccedil;&atilde;o, quando aliado &agrave; incerteza da concorr&ecirc;ncia com novas m&iacute;dias e fontes de informa&ccedil;&atilde;o, foi tratado com receio pelos presentes. Para Miriam Leit&atilde;o, uma das defensoras da revoga&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa, este cen&aacute;rio coloca o desafio da imprensa tradicional se posicionar em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s novas m&iacute;dias, como a Internet. &ldquo;Em outros pa&iacute;ses os jornais est&atilde;o fechando e assim a nova tecnologia nos desafia a ter um novo formato de jornalismo. Como vamos nos organizar sem Lei e com os novos desafios?&rdquo;, questionou a jornalista.<\/p>\n<p>O deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), que representou o seu partido na apresenta&ccedil;&atilde;o da a&ccedil;&atilde;o que levou &agrave; supress&atilde;o da Lei de Imprensa, criticou a perman&ecirc;ncia de um resqu&iacute;cio da Ditadura Militar que d&aacute; &agrave;s autoridades a sensa&ccedil;&atilde;o de imunidade a cr&iacute;ticas. Lembrou que, apesar da Lei de Imprensa contemplar elementos como o direito dos cidad&atilde;os de responderem a m&iacute;dia e se defenderem contra difama&ccedil;&atilde;o e cal&uacute;nia, ela protegia de&nbsp;forma exacerbada&nbsp;o presidente da Rep&uacute;blica, do Senado Federal, da C&acirc;mara dos Deputados, ministros do STF e chefes de Estado ou de governo estrangeiro. <\/p>\n<p>Nos casos em que alguma dessas autoridades acusassem os jornalistas de cal&uacute;nia ou difama&ccedil;&atilde;o,&nbsp;a justi&ccedil;a n&atilde;o considerava a prova de defesa que os profissionais pudessem apresentar, e tinham ent&atilde;o que responder pela acusa&ccedil;&atilde;o. Para Teixeira, o fim de tal privil&eacute;gio &eacute; importante, mas n&atilde;o &eacute; suficiente para que haja um controle efetivo sobre as a&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico. &quot;S&oacute; se a fiscaliza&ccedil;&atilde;o for plena (incluindo a&iacute; a tarefa da imprensa) a sociedade vai acreditar na democracia&rdquo;, disse o deputado. Ele defendeu, ainda, que &ldquo;o direito de resposta deve ser melhor entendido e utilizado pelos jornalistas, j&aacute; que &eacute; um direito do cidad&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Publicidade<br \/><\/strong><br \/>O clima de leve apreens&atilde;o esquentou na segunda mesa, que tratou da regula&ccedil;&atilde;o da publicidade. Os representantes do empresariado estenderam a no&ccedil;&atilde;o de liberdade de imprensa &agrave;s mensagens publicit&aacute;rias e voltaram a fazer cr&iacute;ticas &agrave;s propostas de limita&ccedil;&atilde;o a an&uacute;ncios em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional.<\/p>\n<p>&ldquo;H&aacute; uma tentativa de cerceamento da publicidade. Mas &eacute; justamente a livre iniciativa que fomenta o mercado publicit&aacute;rio, e &eacute; ele que sustenta os ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, pontuou Daniel Slaviero, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras de R&aacute;dio e TV (Abert). Para Judith Brito, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Nacional De Jornais (ANJ), &ldquo;o conflito sobre o grau de interven&ccedil;&atilde;o na informa&ccedil;&atilde;o publicit&aacute;ria diz respeito ao direito &agrave; informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Ottoni Fernandes J&uacute;nior, sub-chefe executivo da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o (SECOM) ponderou que a import&acirc;ncia de evitar o excesso de restri&ccedil;&otilde;es n&atilde;o pode eliminar a necessidade de regula&ccedil;&atilde;o para coibir abusos. &ldquo;Acho que a sociedade pode sim se auto-regulamentar e n&atilde;o pode se fazer uma patrulha, mas um m&iacute;nimo de regula&ccedil;&atilde;o deve existir&rdquo;, defendeu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap\u00f3s derrubada da Lei de Imprensa, evento realizado em Bras\u00edlia re\u00fane deputados, empres\u00e1rios e ministros do STF para debater desafios do setor e a regulamenta\u00e7\u00e3o da publicidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[271],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22921"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22921"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22921\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22921"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22921"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22921"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}