{"id":22915,"date":"2009-06-15T14:18:31","date_gmt":"2009-06-15T14:18:31","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22915"},"modified":"2009-06-15T14:18:31","modified_gmt":"2009-06-15T14:18:31","slug":"petrobras-democratiza-a-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22915","title":{"rendered":"Petrobras democratiza a comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Depois de d&eacute;cadas sofrendo ataques violentos vindo de grupos que nunca engoliram a sua exist&ecirc;ncia, a Petrobras resolveu tomar uma atitude preventiva, de defesa. Da&iacute; a surpresa e a grandiosidade do ato de cria&ccedil;&atilde;o do blog Fatos e Dados, um marco na hist&oacute;ria da comunica&ccedil;&atilde;o social. O blog Fatos e Dados colocado no ar pela Petrobras &eacute; um marco na hist&oacute;ria da comunica&ccedil;&atilde;o social. A partir de agora a rela&ccedil;&atilde;o entre as fontes e os ve&iacute;culos de informa&ccedil;&atilde;o muda de patamar, tornando-se mais equilibrada.<\/p>\n<p>At&eacute; ent&atilde;o a fonte, detentora da titularidade da informa&ccedil;&atilde;o, abria m&atilde;o desse poder transferindo-o de forma integral para a m&iacute;dia. E esta fazia do conte&uacute;do informativo o que bem entendia. Daqui para frente isso n&atilde;o ir&aacute; mais acontecer. Precavida, a fonte se antecipa ao ve&iacute;culo tornando p&uacute;blicas as informa&ccedil;&otilde;es prestadas. Estreita-se dessa forma a margem de manipula&ccedil;&atilde;o. E quem ganha &eacute; o p&uacute;blico, na medida em que as informa&ccedil;&otilde;es tornam-se mais confi&aacute;veis. Ou pelos menos &quot;chec&aacute;veis&quot;.<\/p>\n<p>Nesse sentido a a&ccedil;&atilde;o comunicativa da Petrobras vai muito al&eacute;m dos seus resultados imediatos. Ela se insere no processo de constru&ccedil;&atilde;o de uma ordem informativa mais democr&aacute;tica e equilibrada que teve um dos seus pontos altos ao final dos anos 1970 quando a UNESCO deu por conclu&iacute;da a tarefa de propor a cria&ccedil;&atilde;o de uma nova ordem mundial da informa&ccedil;&atilde;o e da comunica&ccedil;&atilde;o. O resultado desse trabalho, realizado por uma comiss&atilde;o presidida pelo irland&ecirc;s Sean Mac Bride e que contou com a participa&ccedil;&atilde;o, entre outros, do colombiano Gabriel Garcia Marquez, est&aacute; no livro &quot;Um mundo e muitas vozes&quot;, publicado pela Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas.<\/p>\n<p>Propunha-se, naquele momento, a busca do equil&iacute;brio dos fluxos informativos entre os hemisf&eacute;rios Norte e Sul e apontava-se para a necessidade de estimular a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es entre os pa&iacute;ses do sul. Era uma resposta &agrave;s pol&iacute;ticas impostas ao mundo pelas pot&ecirc;ncias hegem&ocirc;nicas, segundo as quais deveria prevalecer o &quot;livre fluxo das informa&ccedil;&otilde;es&quot;, ou seja regulado apenas pelo mercado.<\/p>\n<p>O debate entre as duas posi&ccedil;&otilde;es entrou pelos anos 1980 e chocou-se com a ascens&atilde;o do neoliberalismo nos Estados Unidos de Ronald Reagan e no Reino Unido de Margareth Tatcher. O resultado &eacute; conhecido. Os dois pa&iacute;ses, retiraram-se da UNESCO, seguidos logo depois pelo Jap&atilde;o, esvaziando a organiza&ccedil;&atilde;o e sepultando a generosa id&eacute;ia de uma nova ordem informativa global.<\/p>\n<p>No Brasil, o primeiro movimento mais articulado visando a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o ocorreu 1983, numa iniciativa de um grupo de professores do curso de comunica&ccedil;&atilde;o social da Universidade Federal de Santa Catarina. Eles lan&ccedil;aram a Frente Nacional de Lutas por Pol&iacute;ticas Democr&aacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o, incorporada posteriormente pela Abepec (Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Ensino e Pesquisa em Comunica&ccedil;&atilde;o) e pela Fenaj (Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas).<\/p>\n<p>De pr&aacute;tico esses movimentos pouco conquistaram. A l&oacute;gica do capital, concentrando cada vez mais o mercado produtor e distribuidor de informa&ccedil;&otilde;es, combinada com a pol&iacute;tica de enfraquecimento dos estados nacionais, sepultou as esperan&ccedil;as de uma circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es mais equilibrada pelo mundo. No Brasil houve um avan&ccedil;o com a Carta de 1988, especialmente no que se refere ao cap&iacute;tulo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Mas da Lei &agrave; pr&aacute;tica a dist&acirc;ncia ainda &eacute; grande.<\/p>\n<p>Assim ficamos, durante muito tempo, restritos a declara&ccedil;&otilde;es e manifestos. Por isso, a a&ccedil;&atilde;o concreta da Petrobras ganha dimens&atilde;o hist&oacute;rica. Materializa objetivos perseguidos numa luta de d&eacute;cadas e aponta caminhos novos na rela&ccedil;&atilde;o entre m&iacute;dia e sociedade. Com certeza o exemplo ser&aacute; seguido por outras pessoas f&iacute;sicas e jur&iacute;dicas. E, aos poucos, a pr&aacute;tica jornal&iacute;stica ir&aacute; incorporando esse dado novo, estabelecido pela possibilidade de confronta&ccedil;&atilde;o entre o que &eacute; dito e o que &eacute; publicado.<\/p>\n<p>Deve-se ressaltar o papel fundamental da internet nesse processo, sem a qual nada disso seria poss&iacute;vel. Mas &eacute; preciso n&atilde;o esquecer tamb&eacute;m a coragem pol&iacute;tica da empresa, sabedora sem d&uacute;vida, de que iria bater de frente com o mais poderoso setor empresarial do pais. E o curioso &eacute; que n&atilde;o se tratou de ato ofensivo. Depois de d&eacute;cadas sofrendo ataques violentos de grupos que nunca engoliram a sua exist&ecirc;ncia, a Petrobras resolveu tomar uma atitude preventiva, de defesa. Da&iacute; a surpresa e a grandiosidade do seu ato. <\/p>\n<p>O blog da Petrobras se soma, no cen&aacute;rio latinoamericano, ao jornal Cambio da Bol&iacute;via, &agrave;s r&aacute;dios e televis&otilde;es p&uacute;blicas da Venezuela e &agrave;s propostas de altera&ccedil;&atilde;o nas leis de radiodifus&atilde;o da Argentina e do Equador. S&atilde;o diferentes instrumentos encontrados pelos governos populares da regi&atilde;o para romper o cerco que lhes foi imposto pelas grandes corpora&ccedil;&otilde;es da m&iacute;dia e para tornar um pouco menos desequilibrada a circula&ccedil;&atilde;o da informa&ccedil;&atilde;o em seus respectivos pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>Mais de um quarto de s&eacute;culo depois da declara&ccedil;&atilde;o da UNESCO propondo uma nova ordem informativa mundial, eis que na Am&eacute;rica Latina s&atilde;o<br \/>dados os primeiros passos concretos nesse sentido. E o blog Fatos e Dados &eacute; uma grande contribui&ccedil;&atilde;o brasileira. Que venham outras.<\/p>\n<p class=\"padrao\"><em>Laurindo Lalo Leal Filho, soci&oacute;logo e jornalista, &eacute; professor de Jornalismo da ECA-USP e da Faculdade C&aacute;sper L&iacute;bero. &Eacute; autor, entre outros, de &ldquo;A TV sob controle &ndash; A resposta da sociedade ao poder da televis&atilde;o&rdquo; (Summus Editorial).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de d&eacute;cadas sofrendo ataques violentos vindo de grupos que nunca engoliram a sua exist&ecirc;ncia, a Petrobras resolveu tomar uma atitude preventiva, de defesa. Da&iacute; a surpresa e a grandiosidade do ato de cria&ccedil;&atilde;o do blog Fatos e Dados, um marco na hist&oacute;ria da comunica&ccedil;&atilde;o social. 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