{"id":22898,"date":"2009-06-08T16:57:07","date_gmt":"2009-06-08T16:57:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22898"},"modified":"2009-06-08T16:57:07","modified_gmt":"2009-06-08T16:57:07","slug":"para-que-criar-fantasmas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22898","title":{"rendered":"Para que criar fantasmas?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Na &uacute;ltima semana, alguns colunistas e        pol&iacute;ticos da oposi&ccedil;&atilde;o abriram baterias contra a regionaliza&ccedil;&atilde;o da        publicidade do governo federal. N&atilde;o gostaram de saber que os an&uacute;ncios da        Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom), at&eacute;        2003 concentrados em apenas 499 ve&iacute;culos e 182 munic&iacute;pios, em 2008        alcan&ccedil;aram 5.297 &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o em 1.149 munic&iacute;pios -um aumento da        ordem de 961%.<\/p>\n<p>Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, conseguiram enxergar nesse        saud&aacute;vel processo de desconcentra&ccedil;&atilde;o um ardiloso mecanismo de corrup&ccedil;&atilde;o        dos jornais e r&aacute;dios do interior. Essa seria a explica&ccedil;&atilde;o para as altas        taxas de avalia&ccedil;&atilde;o positiva do presidente Lula, registrada pelos        institutos de opini&atilde;o.<\/p>\n<p>O racioc&iacute;nio n&atilde;o tem p&eacute; nem cabe&ccedil;a. Vamos aos        fatos.<\/p>\n<p>As verbas publicit&aacute;rias de todos os &oacute;rg&atilde;os ligados ao governo        federal permaneceram no mesmo patamar do governo anterior, em torno de R$        1 bilh&atilde;o ao ano. Desse total, 70% s&atilde;o investidos por empresas estatais,        que n&atilde;o fazem publicidade do governo, mas de seus produtos e servi&ccedil;os,        para competir com companhias privadas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, os minist&eacute;rios e        autarquias, que respondem por 20% da verba publicit&aacute;ria federal, n&atilde;o podem        fazer propaganda institucional, s&oacute; campanhas de utilidade p&uacute;blica        (vacina&ccedil;&atilde;o, educa&ccedil;&atilde;o de tr&acirc;nsito, direitos humanos etc.). Apenas a Secom        est&aacute; autorizada a fazer publicidade institucional. Para esse fim, seu        or&ccedil;amento &eacute; igual ao do governo anterior (cerca de R$ 105 milh&otilde;es).<\/p>\n<p>N&atilde;o        houve aumento de verbas. O que mudou foi a pol&iacute;tica. Em vez de concentrar        an&uacute;ncios num punhado de jornais, r&aacute;dios e televis&otilde;es, a publicidade do        governo federal alcan&ccedil;a agora o maior n&uacute;mero poss&iacute;vel de ve&iacute;culos. Pelo        mesmo custo, est&aacute; falando melhor e mais diretamente com mais brasileiros.        Acompanhando a diversifica&ccedil;&atilde;o que est&aacute; ocorrendo nos meios de        comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A circula&ccedil;&atilde;o dos jornais tradicionais do eixo Rio-S&atilde;o        Paulo-Bras&iacute;lia, por exemplo, est&aacute; estagnada h&aacute; mais de cinco anos, pr&oacute;xima        dos 900 mil exemplares. No mesmo per&iacute;odo, conforme o Instituto Verificador        de Circula&ccedil;&atilde;o, os jornais das outras capitais cresceram 41%, chegando a        1.630.883 exemplares em abril. As vendas dos jornais do interior subiram        mais ainda: 61,7% (552.380). No caso dos jornais populares, a alta foi        espetacular, de 121,4% (1.189.090 exemplares).<\/p>\n<p>Por que dever&iacute;amos        fechar os olhos para essas transforma&ccedil;&otilde;es? A Secom adota hoje o princ&iacute;pio        da m&iacute;dia t&eacute;cnica: a participa&ccedil;&atilde;o dos &oacute;rg&atilde;os de comunica&ccedil;&atilde;o na publicidade        &eacute; proporcional &agrave; sua circula&ccedil;&atilde;o ou audi&ecirc;ncia. Houve &eacute;poca em que eram        comuns distor&ccedil;&otilde;es, &agrave;s vezes bastante acentuadas, a favor dos grupos mais        fortes. Isso acabou.<\/p>\n<p>Esses crit&eacute;rios t&eacute;cnicos, amplamente discutidos        com o TCU e entidades do setor, t&ecirc;m favorecido a democratiza&ccedil;&atilde;o, a        transpar&ecirc;ncia e a efici&ecirc;ncia nos investimentos de publicidade do governo        federal. N&atilde;o h&aacute; privil&eacute;gios nem persegui&ccedil;&otilde;es. Tampouco zonas de sombra.        Muito menos compra de consci&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>&Eacute; importante ressaltar ainda que a        comunica&ccedil;&atilde;o do governo n&atilde;o se d&aacute; principalmente pela publicidade. Esta        apenas presta conta das a&ccedil;&otilde;es mais importantes e consolida algumas        ideias-for&ccedil;a. O governo comunica-se com a sociedade basicamente por meio        da imprensa, respondendo a perguntas, cr&iacute;ticas e inquieta&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para ter        uma ideia, em 2008 o presidente Lula deu 182 entrevistas &agrave; imprensa,        respondendo, em m&eacute;dia, a 4,8 perguntas por dia, incluindo fins de semana e        feriados. &Eacute; pouco prov&aacute;vel que exista um chefe de governo no mundo que        tenha conversado tanto com a imprensa quanto o nosso. Atendendo a todo        tipo de imprensa, pois n&atilde;o existe no Brasil s&oacute; a imprensa do eixo Rio-S&atilde;o        Paulo-Bras&iacute;lia. S&atilde;o v&aacute;rias, com percep&ccedil;&otilde;es e interesses diferentes. Cada        uma fazendo o jornalismo que lhe parece mais apropriado e se dirigindo ao        p&uacute;blico que conseguiu conquistar.<\/p>\n<p>Exemplo: quando Lula lan&ccedil;ou em S&atilde;o        Paulo o atendimento em 30 minutos aos pedidos de aposentadoria no INSS, os        grandes jornais n&atilde;o destacaram o fato. Mas o tema foi manchete de quase        todos os jornais populares e di&aacute;rios das demais capitais. O que para uns        foi nota de p&eacute; de p&aacute;gina, para outros foi a not&iacute;cia do dia.<\/p>\n<p>Por tudo        isso, temos que ficar atentos &agrave;s mudan&ccedil;as na forma como os brasileiros se        informam. O crescimento da internet &eacute; um fen&ocirc;meno que abre extraordin&aacute;rias        possibilidades e lan&ccedil;a imensos desafios. N&atilde;o podemos fechar os olhos para        a realidade: os jovens, cada vez mais, buscam informa&ccedil;&otilde;es nos portais, nos        blogs e nas redes sociais da internet.<\/p>\n<p>Por &uacute;ltimo, n&atilde;o se sustenta o        racioc&iacute;nio de que as altas taxas de aprova&ccedil;&atilde;o do governo Lula teriam a ver        com um arrast&atilde;o de compra de jornais e r&aacute;dios no interior. Basta recorrer        ao &uacute;ltimo Datafolha, que atribui 67% de &oacute;timo e bom para o governo federal        nas regi&otilde;es metropolitanas e 71% no interior. A diferen&ccedil;a est&aacute; situada        dentro da margem de erro da pesquisa. Os n&uacute;meros s&atilde;o praticamente os        mesmos. O resto &eacute; preconceito.<\/p>\n<p>O mais prov&aacute;vel &eacute; que as altas taxas de        aprova&ccedil;&atilde;o do governo tenham uma explica&ccedil;&atilde;o bem mais simples: a maioria da        popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; satisfeita com seu trabalho. &Eacute; leg&iacute;timo que aqueles que n&atilde;o        concordam com tal percep&ccedil;&atilde;o recorram &agrave; luta pol&iacute;tica para mud&aacute;-la. O        debate faz parte da democracia. E faz bem a ela. Mas &eacute; necess&aacute;rio criar        fantasmas?        <\/p>\n<p><\/span><em>Franklin Martins<span class=\"padrao\">, 60, jornalista, &eacute; ministro-chefe da        Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica. <\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na &uacute;ltima semana, alguns colunistas e pol&iacute;ticos da oposi&ccedil;&atilde;o abriram baterias contra a regionaliza&ccedil;&atilde;o da publicidade do governo federal. 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