{"id":22882,"date":"2009-06-05T01:09:13","date_gmt":"2009-06-05T01:09:13","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22882"},"modified":"2009-06-05T01:09:13","modified_gmt":"2009-06-05T01:09:13","slug":"a-velha-caixa-preta-midiatica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22882","title":{"rendered":"A velha caixa preta midi\u00e1tica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Os principais colunistas de economia da grande imprensa continuam, em claro exerc&iacute;cio ideol&oacute;gico, repetindo o credo neoliberal, sem deixar de reverenciar sua sant&iacute;ssima trindade: liberaliza&ccedil;&atilde;o, desregulamenta&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o. Mesmo com a colossal crise provocada pela financeiriza&ccedil;&atilde;o do capital, os principais colunistas de economia da grande imprensa continuam, em claro exerc&iacute;cio ideol&oacute;gico, repetindo o credo neoliberal, sem deixar de reverenciar sua sant&iacute;ssima trindade: liberaliza&ccedil;&atilde;o, desregulamenta&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o. Indiferentes &agrave; fal&ecirc;ncia do receitu&aacute;rio, repetido como mantra nos &uacute;ltimos dez anos, os colunistas econ&ocirc;micos da TV Globo, Miriam Leit&atilde;o e Carlos Alberto Sardenberg, n&atilde;o se fazem de rogados.<\/p>\n<p>Se o objetivo &eacute; atrair a aten&ccedil;&atilde;o dos donos do dinheiro em busca de onde investir, o fundamental continua sendo reduzir gastos p&uacute;blicos, melhorar o quadro regulat&oacute;rio e aliviar o peso do Estado sobre a iniciativa privada. Afinal, era o que recomendavam o que eles chamavam de &ldquo;exemplos mundiais bem sucedidos de boa governan&ccedil;a&rdquo; Se o modelo faliu, o fundamentalismo de mercado n&atilde;o deixa alternativa. <\/p>\n<p>A sa&iacute;da &eacute;, ignorando todas as evid&ecirc;ncias, tratar como acidente de curso o que todos sabem ser uma fal&ecirc;ncia estrutural. Torcer- n&atilde;o cabe outro verbo &#8211; para que pol&iacute;ticas antic&iacute;clicas de cr&eacute;dito e financiamento da produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tenham sucesso, para que possam ressurgir os talentos que levaram o pa&iacute;s ao colapso nos oito anos de governo FHC. At&eacute; agora nada disso tem funcionado, mas a perseveran&ccedil;a &eacute; uma virtude dos &ldquo;bons quadros&rdquo; das reda&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Essa &eacute; uma postura antiga, sedimentada como pensamento &uacute;nico pelos jornalistas da emissora da fam&iacute;lia Marinho. O interessante &eacute; que a profiss&atilde;o de f&eacute; tem que ocultar as pr&aacute;ticas corporativas de quem paga o sal&aacute;rio. Para mostrar ao leitor a voltagem em que se opera a desfa&ccedil;atez, reproduzo, em Carta Maior, artigo produzido para o Observat&oacute;rio da Imprensa, h&aacute; mais de quatro anos. &Agrave; &eacute;poca, a Argentina sofria forte press&atilde;o para saldar d&iacute;vidas externas, sacrificando qualquer possibilidade de crescimento e gera&ccedil;&atilde;o de empregos.<\/p>\n<p><strong>De calotes e edi&ccedil;&otilde;es<br \/><\/strong><br \/>&ldquo;Parece que momentos festivos n&atilde;o comportam comedimento. Ainda mais se, com direito a programa&ccedil;&atilde;o especial, comemoram-se 40 anos de um monop&oacute;lio. Talvez tenha sido essa a l&oacute;gica que levou o departamento de jornalismo da TV Globo a decidir que, na quinta-feira, ap&oacute;s mais um epis&oacute;dio da micross&eacute;rie Hoje &eacute; dia de Maria, o fim de noite seria dedicado &agrave; Argentina. Afinal, havia um fato novo envolvendo o pa&iacute;s vizinho, digno de destaque: o Comit&ecirc; Global de Detentores de B&ocirc;nus Argentinos (CGBA) rejeitou com veem&ecirc;ncia a proposta apresentada pelo ministro Roberto Lavagna de trocar t&iacute;tulos n&atilde;o pagos por novos pap&eacute;is com desconto de 75% e prazo bem el&aacute;stico de pagamento.<\/p>\n<p>A edi&ccedil;&atilde;o do Jornal da Globo que foi ao ar na noite de 13\/1, apresentado pela jornalista Ana Paula Padr&atilde;o, n&atilde;o deixou d&uacute;vidas. A bola da vez era a insist&ecirc;ncia portenha em negociar com soberania. Longe de ser apenas um mecanismo t&eacute;cnico de ordenamento de informa&ccedil;&otilde;es, o processo de edi&ccedil;&atilde;o busca a ades&atilde;o do telespectador &agrave; linha editorial da emissora. Era importante mostrar que qualquer l&oacute;gica que n&atilde;o obede&ccedil;a &agrave;s prescri&ccedil;&otilde;es do capital financeiro n&atilde;o passa de insensatez. E, convenhamos, nunca &eacute; demais lembrar aos governantes de plant&atilde;o qual o limite de toler&acirc;ncia do conglomerado da fam&iacute;lia Marinho.<\/p>\n<p>Quase um bloco reservado ao tema, com abertura que n&atilde;o deixa margem para qualquer ambig&uuml;idade:<\/p>\n<p>&quot;No Brasil n&atilde;o falta quem elogie a Argentina pela postura durona nas negocia&ccedil;&otilde;es com credores internacionais e organismos como o FMI. Pois hoje foi o dia de quem tem a receber falar grosso com os argentinos. No mundo inteiro a proposta de refinanciamento da d&iacute;vida foi duramente rejeitada&quot;.<\/p>\n<p>Um trecho por demais significativo para ser ignorado. Nele se condensam, de forma inequ&iacute;voca, desinforma&ccedil;&atilde;o funcional, reducionismo e omiss&atilde;o da circunst&acirc;ncia determinante dos fatos. O &quot;mundo inteiro&quot; &eacute; reduzido ao grupo de credores. N&atilde;o h&aacute; planeta fora da banca e das institui&ccedil;&otilde;es multilaterais de cr&eacute;dito. A Terra gravita em torno do capital. Eis a evolu&ccedil;&atilde;o que o campo midi&aacute;tico oferece ao legado copernicano.<\/p>\n<p><strong>A l&oacute;gica financista<br \/><\/strong><br \/>Vamos ao que n&atilde;o &eacute; dito no notici&aacute;rio global. O governo Kirchner encontrou uma economia tomada pela informalidade, taxa de desemprego superior a 17%, d&iacute;vida p&uacute;blica no patamar de US$ 146 bilh&otilde;es e avan&ccedil;ado est&aacute;gio de sucateamento do parque industrial. A carta de inten&ccedil;&otilde;es do governo argentino com o FMI n&atilde;o menciona privatiza&ccedil;&atilde;o, aumento de tarifas ou eleva&ccedil;&atilde;o de carga tribut&aacute;ria. Para desespero dos articulistas econ&ocirc;micos brasileiros, ao n&atilde;o quitar d&eacute;bitos com o Fundo recebeu elogios da conservadora revista The Economist. <\/p>\n<p>Iternamente o pa&iacute;s cresce 8% ao ano e o desemprego recuou significativamente. Quando o organismo decidiu adiar a terceira revis&atilde;o do acordo, o ministro da Economia anunciou, em agosto do ano passado, o congelamento das negocia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Apesar da heresia de &quot;n&atilde;o cumprir o dever de casa&quot;, o aluno vinha obtendo bom desempenho escolar. Uma exemplaridade perigosa, apesar das reiteradas declara&ccedil;&otilde;es de autoridades brasileiras de que o pa&iacute;s n&atilde;o cogitava promover nenhuma ruptura aventureira. Mesmo assim, o desempenho argentino continuava como uma espinha na garganta dos que cultuam o xamanismo neoliberal em ilhas de edi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A proposta argentina consiste em fazer a maior reestrutura&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vida em morat&oacute;ria de que se tem not&iacute;cia. N&atilde;o pretende sacrificar a poupan&ccedil;a interna e os ganhos de investimento recentes em pagamentos de juros exorbitantes. Os centros de poder, com apoio das corpora&ccedil;&otilde;es midi&aacute;ticas, pedem aos pa&iacute;ses endividados do Terceiro Mundo que robuste&ccedil;am o filho pr&oacute;digo e o imolem em oferenda ao Deus-mercado. N&atilde;o h&aacute; espa&ccedil;o para troca por cordeiros. A nova religi&atilde;o n&atilde;o comporta miseric&oacute;rdia, nem cabe a um soberano pedi-la.<\/p>\n<p>Mas voltemos ao exerc&iacute;cio de prestidigita&ccedil;&atilde;o do jornalismo da emissora monopol&iacute;stica: &quot;A Argentina decretou morat&oacute;ria em dezembro de 2001, em meio &agrave; convuls&atilde;o pol&iacute;tica e social que se seguiu &agrave; desvaloriza&ccedil;&atilde;o do peso. Depois do calote, a queda da economia chegou a 10%. Mas depois o pa&iacute;s se recuperou. Nos &uacute;ltimos dois anos, o PIB da Argentina apresentou forte alta, o que, segundo os credores, aumentou a capacidade de pagamento da d&iacute;vida do pa&iacute;s&quot;. Esta &eacute;, segundo a l&oacute;gica financista, a &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o do crescimento econ&ocirc;mico: crescer para pagar. Pagar para parar de crescer.<\/p>\n<p><strong>Para o buraco<\/strong><\/p>\n<p>O texto do notici&aacute;rio &eacute; auto-elucidativo. Se no Brasil n&atilde;o falta quem elogie a &quot;postura durona&quot; nas negocia&ccedil;&otilde;es com credores internacionais, no jornalismo da Globo eles n&atilde;o aparecem. Ou seja, s&atilde;o n&atilde;o-notici&aacute;veis. N&atilde;o-sujeitos de uma ora&ccedil;&atilde;o repetida &agrave; exaust&atilde;o. Ser&aacute; que o pensamento do professor Sim&atilde;o David Silber, da Universidade de S&atilde;o Paulo, ouvido pela reportagem, representa o universo acad&ecirc;mico? Ou nele haveria vozes dissonantes, as dos que elogiam &quot;posturas duronas&quot;? Por que nunca se v&ecirc;em na tela do imp&eacute;rio global economistas de renomada excel&ecirc;ncia como Paulo Nogueira Batista J&uacute;nior, Maria da Concei&ccedil;&atilde;o Tavares ou Paul Singer? <\/p>\n<p>Pierre Bourdieu, em seu excelente Sobre a televis&atilde;o, mostrou como a m&iacute;dia trabalha com os mesmos atores. Se a mat&eacute;ria-prima da imprensa &eacute;, como dizem muitos, a novidade, o monop&oacute;lio recusa mudar o elenco de analistas, pois necessita expropriar de sentido os que apresentem a possibilidade de dissenso. Isso &eacute; um dado estrutural, de natureza constitutiva.<\/p>\n<p>Outro fato interessante &eacute; a elei&ccedil;&atilde;o de um paradigma moral para enunciar um fato pol&iacute;tico. A conota&ccedil;&atilde;o pejorativa da palavra calote logo &eacute; pespegada ao n&atilde;o-pagamento de uma d&iacute;vida contra&iacute;da por pa&iacute;s soberano. H&aacute; uma personaliza&ccedil;&atilde;o do processo pol&iacute;tico com o intuito de esvaziar sua real dimens&atilde;o hist&oacute;rica. A dimens&atilde;o ideol&oacute;gica do notici&aacute;rio poucas vezes se mostrou t&atilde;o desnuda como no telejornal da Globo.<\/p>\n<p>N&atilde;o fosse o corporativismo do campo jornal&iacute;stico, talvez o p&uacute;blico lembrasse aos editores que em casa de enforcado n&atilde;o se fala em corda. Mantidas as especificidades de uma empresa familiar e uma na&ccedil;&atilde;o, h&aacute; semelhan&ccedil;as entre a as &quot;Organiza&ccedil;&otilde;es&quot; e a Argentina. Ambas aplaudiram a tsunami neoliberal nos anos 1990. Apoiaram uma sobrevaloriza&ccedil;&atilde;o cambial que beirava a fic&ccedil;&atilde;o de gosto duvidoso. E quase, simultaneamente, foram para o buraco.<\/p>\n<p><strong>Globo &quot;durona&quot;<br \/><\/strong><br \/>Como destacou Elvira Lobato, em mat&eacute;ria publicada pela Folha de S.Paulo (15\/2\/2004), &quot;estima-se que as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o acumularam preju&iacute;zo de R$ 7 bilh&otilde;es em 2002, dos quais R$ 5 bilh&otilde;es foram registrados pela Globopar &ndash; holding das Organiza&ccedil;&otilde;es Globo. A receita l&iacute;quida do setor naquele ano foi 20% menor, em valores reais (descontada a infla&ccedil;&atilde;o), do que a de 2000. As empresas apostaram no crescimento da economia e na estabilidade do c&acirc;mbio, na segunda metade dos anos 90, e se endividaram em d&oacute;lar para diversificar os neg&oacute;cios e aumentar a capacidade de produ&ccedil;&atilde;o. Segundo um relat&oacute;rio que o pr&oacute;prio setor enviou ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social) em outubro &uacute;ltimo, 80% das d&iacute;vidas s&atilde;o em d&oacute;lar, e 83,5% t&ecirc;m vencimento em curto prazo&quot;.<\/p>\n<p>E mais: &quot;As Organiza&ccedil;&otilde;es Globo respondem por 60% do endividamento total de R$ 10 bilh&otilde;es. A Globopar tem uma d&iacute;vida equivalente a US$ 1,9 bilh&atilde;o (cerca de R$ 5,6 bilh&otilde;es) e deixou de pagar aos credores em outubro de 2002. Essa cifra n&atilde;o inclui as d&iacute;vidas da Infoglobo &ndash; que edita os jornais O Globo, Extra, Di&aacute;rio de S. Paulo e &eacute; parceira do Grupo Folha (Folha da Manh&atilde; S.A.) no Valor Econ&ocirc;mico &ndash; e das emissoras de r&aacute;dio, que est&atilde;o fora da estrutura da Globopar. No dia 11 de dezembro &uacute;ltimo, tr&ecirc;s fundos de investimentos norte-americanos entraram com a&ccedil;&atilde;o na Corte de Fal&ecirc;ncias do Distrito Sul de Nova York, pedindo a interven&ccedil;&atilde;o da Justi&ccedil;a dos EUA na renegocia&ccedil;&atilde;o das d&iacute;vidas da Globopar. O pedido ainda n&atilde;o foi julgado, mas a empresa sustenta que tem condi&ccedil;&otilde;es de conduzir sua reestrutura&ccedil;&atilde;o e de pagar aos credores&quot;.<\/p>\n<p>A sa&iacute;da da empresa foi tentar trazer o pedido de fal&ecirc;ncia dos EUA para o Brasil por disposi&ccedil;&otilde;es legais que lhe seriam favor&aacute;veis por aqui. Imaginemos um outro sistema de comunica&ccedil;&atilde;o organizado em patamares distintos de com&eacute;rcio de signos. &Agrave; noite, um telejornal, produzido por um movimento social qualquer, anunciaria com estardalha&ccedil;o: &quot;No Brasil n&atilde;o falta quem elogie as Organiza&ccedil;&otilde;es Globo pela postura durona nas negocia&ccedil;&otilde;es com credores internacionais. Pois hoje foi dia de quem tem a receber coloc&aacute;-la nas barras dos tribunais&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; apenas um exerc&iacute;cio de imagina&ccedil;&atilde;o. Mas caberia ao nobre p&uacute;blico decidir uma quest&atilde;o prosaica: a emissora que posa de vestal dos compromissos honrados n&atilde;o passa de uma empresa que faz parte de um conglomerado caloteiro ou o que &eacute; bom para a Globo n&atilde;o &eacute; bom para a Argentina? Com a palavra, qualquer candidato a Juracy Magalh&atilde;es. N&atilde;o &eacute; uma par&aacute;frase que exija muito esfor&ccedil;o mental.&rdquo;<\/p>\n<p>P.S: Creio que &eacute; desnecess&aacute;rio lembrar o papel central que essa emissora desempenhar&aacute; a partir da instala&ccedil;&atilde;o da CPI da Petrobr&aacute;s. Dela, como de outros grandes ve&iacute;culos, partir&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es truncadas, inver&iacute;dicas, mal apuradas, mas de inequ&iacute;voca import&acirc;ncia para uma oposi&ccedil;&atilde;o que precisa de muni&ccedil;&atilde;o para manter seu espet&aacute;culo. A caixa-preta midi&aacute;tica , mais uma vez, mostrar&aacute; seu padr&atilde;o de qualidade.<\/p>\n<p><em>Gilson Caroni Filho &eacute; professor de Sociologia das Faculdades Integradas H&eacute;lio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Observat&oacute;rio da Imprensa.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os principais colunistas de economia da grande imprensa continuam, em claro exerc&iacute;cio ideol&oacute;gico, repetindo o credo neoliberal, sem deixar de reverenciar sua sant&iacute;ssima trindade: liberaliza&ccedil;&atilde;o, desregulamenta&ccedil;&atilde;o e privatiza&ccedil;&atilde;o. 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