{"id":22869,"date":"2009-06-03T11:15:52","date_gmt":"2009-06-03T11:15:52","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22869"},"modified":"2009-06-03T11:15:52","modified_gmt":"2009-06-03T11:15:52","slug":"o-novo-nasce-o-velho-ainda-resiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22869","title":{"rendered":"O novo nasce, o velho ainda resiste"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">Ap&oacute;s participar de debates sobre a m&iacute;dia em diferentes cidades do pa&iacute;s nas &uacute;ltimas semanas, ocorreu-me a famosa passagem de Antonio Gramsci (1891-1937) nos Cadernos de C&aacute;rcere quando ele comenta sobre a &quot;crise de autoridade&quot; (Selections of the Prison Notebooks; International Publishers, New York, 1971; p&aacute;gs. 275-276). <\/p>\n<p>Embora, por &oacute;bvio, as circunst&acirc;ncias fossem outras e seja necess&aacute;ria uma pequena adapta&ccedil;&atilde;o no texto, penso que se aplica ao momento de transi&ccedil;&atilde;o que a m&iacute;dia vive no Brasil a id&eacute;ia de que &quot;o velho est&aacute; morrendo e o novo apenas acaba de nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas m&oacute;rbidos aparece&quot;. (A frase original correta &eacute;: &quot;A crise consiste precisamente no fato de que o velho est&aacute; morrendo e o novo ainda n&atilde;o pode nascer. Nesse interregno, uma grande variedade de sintomas m&oacute;rbidos aparece&quot;.)<\/p>\n<p><strong>O novo e o velho<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que o espantoso crescimento da inclus&atilde;o digital, cuja melhor express&atilde;o &eacute; o acesso &agrave; internet atrav&eacute;s de suportes como o computador pessoal e os celulares, est&aacute; provocando uma mudan&ccedil;a profunda na produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e no &quot;consumo&quot; de informa&ccedil;&otilde;es e entretenimento (ver &quot;<a href=\"http:\/\/www.observatoriodaimprensa.com.br\/artigos.asp?cod=538JDB010\">A mudan&ccedil;a sem retorno<\/a> &quot;).<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, tamb&eacute;m, de que essas mudan&ccedil;as indicam uma quebra da unidirecionalidade hist&oacute;rica da comunica&ccedil;&atilde;o de massa e a possibilidade de maior pluralidade e diversidade no espa&ccedil;o p&uacute;blico com o surgimento, por exemplo, de sites alternativos, blogs e a cria&ccedil;&atilde;o capilar de novas redes sociais. Atores tradicionalmente exclu&iacute;dos do espa&ccedil;o p&uacute;blico de discuss&atilde;o e forma&ccedil;&atilde;o de opini&atilde;o na sociedade brasileira est&atilde;o tendo, afinal, alguma chance de serem ouvidos. Abriu-se uma enorme janela de oportunidades.<\/p>\n<p>Por outro lado, a velha m&iacute;dia &ndash; sobretudo os jornais di&aacute;rios, mas tamb&eacute;m as revistas, o r&aacute;dio e a televis&atilde;o &ndash; apesar das quedas globais de circula&ccedil;&atilde;o e audi&ecirc;ncia, do fechamento de jornais e da migra&ccedil;&atilde;o do impresso para a internet, n&atilde;o s&oacute; resistem em buscar as adapta&ccedil;&otilde;es que garantir&atilde;o sua sobreviv&ecirc;ncia de longo prazo no mercado, mas se apegam &agrave;s velhas f&oacute;rmulas. &Eacute; a&iacute; que &quot;sintomas m&oacute;rbidos aparecem&quot;.<\/p>\n<p>Neste contexto, a conhecida pr&aacute;tica da busca de leitores pelo desencadeamento de campanhas de den&uacute;ncias contra pessoas e\/ou institui&ccedil;&otilde;es, independente da proced&ecirc;ncia das acusa&ccedil;&otilde;es, continua a provocar danos em imagens e reputa&ccedil;&otilde;es que dificilmente ser&atilde;o reparadas, mesmo, se e quando, uma decis&atilde;o judicial que garanta o direito de resposta for eventualmente cumprida.<\/p>\n<p><strong>&quot;Sintomas&quot; contradit&oacute;rios<br \/><\/strong><br \/>A confirma&ccedil;&atilde;o do fechamento da Gazeta Mercantil &ndash; um jornal especializado em economia que n&atilde;o previu as transforma&ccedil;&otilde;es porque passa o seu setor; a recente compra da ag&ecirc;ncia de not&iacute;cias global Reuters pela canadense Thomson e o anunciado desmembramento da AOL &ndash; provedora de internet &ndash; do grupo Time Warner (apesar do controle acion&aacute;rio permanecer integralmente no grupo) s&atilde;o sinais difusos e, aparentemente, contradit&oacute;rios da universalidade do terremoto na economia pol&iacute;tica do setor.<\/p>\n<p>Enquanto isso, entre n&oacute;s, &agrave;s v&eacute;speras da realiza&ccedil;&atilde;o da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, outros sintomas aparecem: o Supremo Tribunal Federal revoga por completo a Lei de Imprensa (5.250\/1967), deixando a descoberto o &quot;direito de resposta&quot; e provocando a inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica de empresas, institui&ccedil;&otilde;es e, sobretudo, de cidad&atilde;os; o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es insiste em &quot;reprimir&quot; a juventude que &quot;vive dependurada na internet&quot;; o Senado Federal aprova um projeto de lei que pretende controlar a liberdade existente na internet; o Superior Tribunal de Justi&ccedil;a decide que &quot;n&atilde;o se pode exigir que a m&iacute;dia s&oacute; divulgue fatos ap&oacute;s ter certeza plena de sua veracidade&quot; e a Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas (Fenaj) concentra seus esfor&ccedil;os na exclus&atilde;o de todos aqueles que n&atilde;o possuem diploma de jornalista do exerc&iacute;cio da atividade jornal&iacute;stica.<\/p>\n<p><strong>Riscos da transi&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>Um dos riscos que se corre, enquanto a transi&ccedil;&atilde;o n&atilde;o se completa, &eacute; esquecer que o velho resiste e sobrevive e est&aacute; mais ativo do que nunca em defesa de seus antigos privil&eacute;gios. E essa &eacute; uma verdade que tem diferentes e matizadas dimens&otilde;es.<\/p>\n<p>Perder de vista essa realidade significa n&atilde;o s&oacute; ignorar as li&ccedil;&otilde;es do passado como adiar poss&iacute;veis conseq&uuml;&ecirc;ncias que, tudo indica, permitir&atilde;o que a maioria exclu&iacute;da da popula&ccedil;&atilde;o participe do espa&ccedil;o p&uacute;blico brasileiro e que tenhamos, afinal, uma m&iacute;dia mais democratizada.<\/p>\n<p>Ven&iacute;cio A. de Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de <em>A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006<\/em> (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ap&oacute;s participar de debates sobre a m&iacute;dia em diferentes cidades do pa&iacute;s nas &uacute;ltimas semanas, ocorreu-me a famosa passagem de Antonio Gramsci (1891-1937) nos Cadernos de C&aacute;rcere quando ele comenta sobre a &quot;crise de autoridade&quot; (Selections of the Prison Notebooks; International Publishers, New York, 1971; p&aacute;gs. 275-276). 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