{"id":22846,"date":"2009-05-29T10:53:30","date_gmt":"2009-05-29T10:53:30","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22846"},"modified":"2009-05-29T10:53:30","modified_gmt":"2009-05-29T10:53:30","slug":"confecom-um-inedito-confronto-na-arena-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22846","title":{"rendered":"Confecom: um in\u00e9dito confronto na arena da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Se algu&eacute;m tinha alguma d&uacute;vida de que as coisas est&atilde;o realmente mudando na comunica&ccedil;&atilde;o, a evid&ecirc;ncia definitiva poder&aacute; ser a realiza&ccedil;&atilde;o em Bras&iacute;lia, no in&iacute;cio de dezembro, da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (CONFECOM), um evento nacional onde pela primeira vez governo, empres&aacute;rios e sociedade civil v&atilde;o discutir, olho no olho, o futuro da m&iacute;dia brasileira.<\/p>\n<p>&Eacute; uma ocasi&atilde;o &uacute;nica porque uma conjuntura muito particular colocou os tr&ecirc;s blocos numa situa&ccedil;&atilde;o em que um precisa do outro para sobreviver &agrave; crise dos modelos convencionais de comunica&ccedil;&atilde;o num pa&iacute;s onde a tradi&ccedil;&atilde;o &eacute; o mon&oacute;logo nesta mat&eacute;ria.<\/p>\n<p>A coincid&ecirc;ncia de um processo eleitoral, da crise de um modelo de neg&oacute;cios e do crescimento do car&aacute;ter social da internet fez com que o Estado, a iniciativa privada e a sociedade civil passassem a apostar na comunica&ccedil;&atilde;o como a principal ferramenta para alcan&ccedil;ar seus respectivos objetivos estrat&eacute;gicos.<\/p>\n<p>Cada um dos tr&ecirc;s protagonistas tem seus pr&oacute;prios objetivos: o governo quer romper o cerco imposto pelos interesses corporativos privados na &aacute;rea da informa&ccedil;&atilde;o, enquanto as ind&uacute;strias da comunica&ccedil;&atilde;o buscam condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis para absorver as mudan&ccedil;as impostas pela era digital. J&aacute; as organiza&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos e n&atilde;o estatais querem ampliar o espa&ccedil;o p&uacute;blico na produ&ccedil;&atilde;o e dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Os objetivos s&atilde;o t&atilde;o amplos e diversificados que dificilmente a CONFECOM poder&aacute; ser avaliada pelos seus resultados concretos. &Eacute; ut&oacute;pico pensar que burocratas estatais, executivos privados e ativistas sociais consigam resolver suas diverg&ecirc;ncias nos tr&ecirc;s dias de confer&ecirc;ncia, cujo p&uacute;blico &eacute; estimado em aproximadamente 300 pessoas. <\/p>\n<p>Mas a in&eacute;dita decis&atilde;o de sentar-se &agrave; uma mesma mesa j&aacute; d&aacute; esperan&ccedil;as de que os protagonistas tenham entendido que o hist&oacute;rico mon&oacute;logo na abordagem da quest&atilde;o comunicacional no pa&iacute;s precisa ser substitu&iacute;do por um di&aacute;logo, por mais fr&aacute;gil que seja. Se este estado de esp&iacute;rito for alcan&ccedil;ado ele ser&aacute; muito mais importante do que os comunicados finais, geralmente in&oacute;cuos e suficientemente vagos para acomodar posi&ccedil;&otilde;es diametralmente opostas.<\/p>\n<p>A posi&ccedil;&atilde;o do governo est&aacute; facilitada pelos dilemas dos principais grupos privados na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Os grandes conglomerados da imprensa est&atilde;o debilitados pelas incertezas em torno do futuro do seu neg&oacute;cio e pela press&atilde;o das operadoras de telefonia m&oacute;vel, interessadas em entrar para valer na &aacute;rea de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos audiovisuais.<\/p>\n<p>As empresas apostam tudo na manuten&ccedil;&atilde;o do laissez faire total na &aacute;rea de comunica&ccedil;&atilde;o, denunciado tanto supostas &mdash; como reais &mdash; inten&ccedil;&otilde;es estatizantes do governo ao mesmo tempo em que v&ecirc;em com desconfian&ccedil;a o renovado ativismo de organiza&ccedil;&otilde;es sociais, cujo poder de fogo foi ampliado pela internet.<\/p>\n<p>O setor n&atilde;o governamental e n&atilde;o lucrativo &eacute; o maior interessado na CONFECOM porque &eacute; a sua estr&eacute;ia como protagonista de peso no debate das pol&iacute;ticas de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s. Por menores que sejam os resultados do evento, ainda assim as organiza&ccedil;&otilde;es sociais t&ecirc;m grandes chances de cantar vit&oacute;ria porque elas finalmente ter&atilde;o sido reconhecidas como ator pol&iacute;tico relevante na arena informativa.<\/p>\n<p>As estrat&eacute;gias setoriais ainda est&atilde;o sendo elaboradas, mas boa parte delas ainda passa ao largo da grande quest&atilde;o: como o cidad&atilde;o da rua poder&aacute; ser ouvido. Eventos desta natureza normalmente acabam sendo monopolizados pelos l&iacute;deres e articuladores, enquanto o cidad&atilde;o comum fica relegado &agrave; posi&ccedil;&atilde;o de espectador passivo.<\/p>\n<p>O argumento &eacute; que a sociedade civil &eacute; essencialmente desorganizada, mas agora o quadro mudou. A internet oferece a possibilidade de as pessoas comuns falarem um pouco mais alto e grosso, usando os weblogs, comunidades, correio eletr&ocirc;nico, Twitter etc etc para expressar suas opini&otilde;es. Comparado ao total de popula&ccedil;&atilde;o, os inclu&iacute;dos digitalmente ainda s&atilde;o uma minoria, mas comparado ao &iacute;ndice de 1999, houve um vertiginoso aumento no n&uacute;mero de atores digitais.<\/p>\n<p>S&oacute; que eles n&atilde;o usam o jarg&atilde;o dos pol&iacute;ticos e lideran&ccedil;as. A voz da rua e dos blogueiros, por exemplo, &eacute; bem menos sofisticada. Ela assusta e, muitas vezes, se expressa atrav&eacute;s de demandas que nem sempre podem ser chamadas de politicamente corretas.<\/p>\n<p>Mas se a cidadania &eacute; considerada uma parte obrigat&oacute;ria no funcionamento de uma comunica&ccedil;&atilde;o livre, ent&atilde;o ela ter&aacute; que ser aceita em seu estado bruto. Caber&aacute; aos demais protagonistas entender e contextualizar a participa&ccedil;&atilde;o social como ela &eacute;, e n&atilde;o como gostariam que fosse.&nbsp; <\/p>\n<p><em>Carlos Castilho &eacute;<span class=\"textoComum\"> Professor de Jornalismo Online no curso de M&iacute;dia Eletr&ocirc;nica, Faculdades ASSESC (Florian&oacute;polis), autor do cap&iacute;tulo <em>Webjornalismo<\/em> no livro <em>No Pr&oacute;ximo Bloco<\/em> &#8211; Editora PUC-Rio -2005, cursando p&oacute;s gradua&ccedil;&atilde;o em M&iacute;dia e Conhecimento no EGC\/UFSC.&nbsp;<br \/>-Reside em Florian&oacute;polis (SC) e-mail <a href=\"mailto:ccastilho@gmail.com\" target=\"_blank\">ccastilho@gmail.com.<\/a><\/span><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se algu&eacute;m tinha alguma d&uacute;vida de que as coisas est&atilde;o realmente mudando na comunica&ccedil;&atilde;o, a evid&ecirc;ncia definitiva poder&aacute; ser a realiza&ccedil;&atilde;o em Bras&iacute;lia, no in&iacute;cio de dezembro, da 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o (CONFECOM), um evento nacional onde pela primeira vez governo, empres&aacute;rios e sociedade civil v&atilde;o discutir, olho no olho, o futuro da m&iacute;dia &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22846\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Confecom: um in\u00e9dito confronto na arena da comunica\u00e7\u00e3o<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22846"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22846"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22846\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22846"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22846"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22846"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}