{"id":22803,"date":"2009-05-20T12:35:21","date_gmt":"2009-05-20T12:35:21","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22803"},"modified":"2009-05-20T12:35:21","modified_gmt":"2009-05-20T12:35:21","slug":"o-critico-e-o-grilo-falante-da-cidadania","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22803","title":{"rendered":"O cr\u00edtico \u00e9 o Grilo Falante da cidadania"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">H&aacute; poucos dias, o ministro-chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom), Franklin Martins, disse em palestra no Rio de Janeiro que a cr&iacute;tica da m&iacute;dia se espalha na sociedade: &eacute; o Grilo Falante da m&iacute;dia brasileira. Ele fazia refer&ecirc;ncia a uma personagem dos desenhos de Walt Disney, que age como conselheiro cr&iacute;tico de outras personagens. O Grilo Falante desempenha o papel de consci&ecirc;ncia oculta. O nome prov&eacute;m do eufemismo Jiminy Cricket, derivado de Jesus Christ, em ingl&ecirc;s.<\/p>\n<p>A met&aacute;fora &eacute; sugestiva. Proponho que os observat&oacute;rios de m&iacute;dia adotem esta personagem como figura-s&iacute;mbolo. Ela se ajusta bem aos observat&oacute;rios de imprensa. Os observat&oacute;rios n&atilde;o pretendem ser anjos da guarda da sociedade. Mas desempenham um inevit&aacute;vel papel na prote&ccedil;&atilde;o dos cidad&atilde;os diante dos abusos dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Especialmente a partir de agora, depois que caiu a Lei de Imprensa. O Grilo Falante &eacute; um bichinho simp&aacute;tico, grita sempre quando seu protegido est&aacute; &agrave; beira de cair em armadilhas. &Eacute; um observador precavido, atua para evitar o pior.<\/p>\n<p>O jornalismo &eacute; um servi&ccedil;o p&uacute;blico, mas em nossa sociedade se organizou como atividade exclusivamente comercial. Em sua l&oacute;gica, obedece prioritariamente &agrave;s demandas do mercado, n&atilde;o &agrave;s da sociedade. Quem argumentar contra, basta recordar a feroz disputa atual por &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia entre os telejornais.<\/p>\n<p><strong>Uma ponte entre obra e leitor<br \/><\/strong><br \/>H&aacute; uma defasagem permanente entre o que o jornalismo reporta e o que a sociedade quer. Agenda p&uacute;blica e cobertura jornal&iacute;stica nem sempre coincidem. O jornalismo n&atilde;o responde necessariamente &agrave; pluralidade dos interesses e demandas sociais. Da&iacute;, a necessidade da cr&iacute;tica. A cr&iacute;tica &eacute; uma pr&aacute;tica &eacute;tica, uma atividade hermen&ecirc;utica que se contrap&otilde;e &agrave; primeira interpreta&ccedil;&atilde;o dos fatos, a interpreta&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica. Revela os mal-entendidos, amplia a compreens&atilde;o, mostra a dist&acirc;ncia entre textos e contextos.<\/p>\n<p>A cr&iacute;tica parte de ju&iacute;zos pr&eacute;vios, implica sempre uma atitude valorativa. N&atilde;o h&aacute; exerc&iacute;cio cr&iacute;tico sem valores e n&atilde;o h&aacute; qualquer problema com isso. As pressuposi&ccedil;&otilde;es de um indiv&iacute;duo ou grupo, muito mais que preconceitos, constituem a realidade hist&oacute;rica do ser, como nos recorda H. Gadamer. Pressupostos s&atilde;o, portanto, parte constituinte da cr&iacute;tica.<\/p>\n<p>O cr&iacute;tico &eacute; o Grilo Falante, o mediador entre os objetos culturais (not&iacute;cias, reportagens, telenovelas etc.) e o p&uacute;blico. Liga a obra ao universo cotidiano do leitor, ouvinte ou telespectador. Projeta-se como uma ponte entre obra e leitor, abrindo-lhe portas a processos da produ&ccedil;&atilde;o jornal&iacute;stica ou midi&aacute;tica freq&uuml;entemente desconhecidos e long&iacute;nquos.<\/p>\n<p><strong>Um olhar &eacute;tico e universalizante<br \/><\/strong><br \/>Qualquer cr&iacute;tico investe na parcialidade. Como afirmam muitos autores, estando pr&oacute;ximo da paix&atilde;o, o cr&iacute;tico fica mais perto da universalidade. A paix&atilde;o instrui as perguntas que vamos formular aos objetos culturais. A quest&atilde;o passa ent&atilde;o a ser: quais valores justificam tais perguntas? A resposta n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, e necessariamente remete &agrave; reflex&atilde;o sobre o posicionamento hist&oacute;rico do cr&iacute;tico e do objeto cultural a ser criticado.<\/p>\n<p>A partir deste racioc&iacute;nio, proponho que o cr&iacute;tico adote valores universais, assuma a posi&ccedil;&atilde;o do outro, amplie seus horizontes para al&eacute;m dos pressupostos individuais. Onde encontrar valores universais? Respondo: em um universalismo &eacute;tico e pluralista. Colocar-se em defesa da &eacute;tica da responsabilidade social, contra as injusti&ccedil;as, no lugar do outro, a favor dos que n&atilde;o t&ecirc;m voz.<\/p>\n<p>Concretamente, enquanto cr&iacute;tico da m&iacute;dia, posicionar-se na defesa de um desenvolvimento social e dos direitos humanos. N&atilde;o precisamos de muita sociologia. Basta rever documentos assinados pelos nossos chefes de Estado, como a Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos do Homem, as Metas do Mil&ecirc;nio, ou os indicadores do IDH. Eles materializam valores universais e pluralistas e podem ser consultados a qualquer momento. A partir deles, os observat&oacute;rios podem desenvolver um olhar cr&iacute;tico &eacute;tico e universalizante. Podem desempenhar com orgulho o papel de Grilo Falante junto &agrave; cidadania.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H&aacute; poucos dias, o ministro-chefe da Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o da Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica (Secom), Franklin Martins, disse em palestra no Rio de Janeiro que a cr&iacute;tica da m&iacute;dia se espalha na sociedade: &eacute; o Grilo Falante da m&iacute;dia brasileira. 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