{"id":22796,"date":"2009-05-19T12:27:54","date_gmt":"2009-05-19T12:27:54","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22796"},"modified":"2009-05-19T12:27:54","modified_gmt":"2009-05-19T12:27:54","slug":"pela-maxima-dispersao-da-propriedade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22796","title":{"rendered":"Pela m\u00e1xima dispers\u00e3o da propriedade"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\"><span class=\"padrao\">Um dos resultados positivos da frustrada tentativa da FCC (Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es, na sigla em ingl&ecirc;s) de &quot;flexibilizar&quot; normas restritivas &agrave; propriedade cruzada da m&iacute;dia (jornal, r&aacute;dio e televis&atilde;o), que se seguiu &agrave; onda de privatiza&ccedil;&otilde;es das telecomunica&ccedil;&otilde;es nos Estados Unidos, foi n&atilde;o s&oacute; a articula&ccedil;&atilde;o da sociedade civil contra essas medidas mas, tamb&eacute;m, o surgimento de s&oacute;lidos estudos que justificaram a perman&ecirc;ncia das restri&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O renomado professor de Direito da Universidade da Pennsylvania, C. Edwin Baker, especialista na Primeira Emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o dos EUA, por exemplo, publicou em 2007 (Cambridge University Press), o livro Media Concentration and Democracy &ndash; Why Ownership Matters (Concentra&ccedil;&atilde;o na m&iacute;dia e democracia &ndash; Por que a propriedade &eacute; importante). Entre outros argumentos, Baker defende vigorosamente o princ&iacute;pio da m&aacute;xima dispers&atilde;o da propriedade (maximum dispersal of ownership). Ele demonstra que quanto maior for n&uacute;mero de &quot;controladores&quot; dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o, isto &eacute;, quanto mais estiver distribu&iacute;do o poder de comunicar, melhor servida ser&aacute; a democracia. Na verdade, mais &quot;controladores&quot; significa a possibilidade do exerc&iacute;cio da liberdade de express&atilde;o por um n&uacute;mero maior de cidad&atilde;os.<\/p>\n<p><strong>Resist&ecirc;ncia hist&oacute;rica<\/strong><\/span><strong><br \/><\/strong><br \/>Esta r&aacute;pida introdu&ccedil;&atilde;o vem a prop&oacute;sito da hist&oacute;rica e contradit&oacute;ria resist&ecirc;ncia que a grande m&iacute;dia brasileira tem revelado &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es no nosso pa&iacute;s. O &uacute;ltimo exemplo &eacute; a rea&ccedil;&atilde;o que j&aacute; se manifesta ao <a href=\"http:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_Ato2007-2010\/2009\/Dnn\/Dnn12035.htm\">decreto assinado<\/a>  na ter&ccedil;a-feira (12) pelo presidente da Rep&uacute;blica outorgando &agrave; Funda&ccedil;&atilde;o Sociedade Comunica&ccedil;&atilde;o, Cultura e Trabalho uma concess&atilde;o para executar o servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o por sons e imagens (televis&atilde;o) em S&atilde;o Caetano do Sul, SP.<\/p>\n<p>A Funda&ccedil;&atilde;o Sociedade Comunica&ccedil;&atilde;o, Cultura e Trabalho &ndash; que tem entre seus mantenedores o Sindicato dos Metal&uacute;rgicos do ABC &ndash; j&aacute; obteve uma concess&atilde;o de TV educativa em Mogi das Cruzes (aprovada pelo Congresso Nacional, em 2007) e autoriza&ccedil;&atilde;o para explorar r&aacute;dios educativas em S&atilde;o Vicente e Mogi das Cruzes, estas ainda em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso.<\/p>\n<p>O Decreto-Lei 236\/1967 &ndash; que &eacute; um dos velhos diplomas legais que ainda regulam a mat&eacute;ria &ndash; reza que, al&eacute;m da Uni&atilde;o, dos estados, territ&oacute;rios e munic&iacute;pios, somente poder&atilde;o executar o servi&ccedil;o de televis&atilde;o educativa as universidades e as funda&ccedil;&otilde;es. Dessa forma, a Funda&ccedil;&atilde;o Sociedade Comunica&ccedil;&atilde;o, Cultura e Trabalho est&aacute;, como qualquer outra funda&ccedil;&atilde;o que atenda aos requisitos da lei, qualificada para receber a outorga.<\/p>\n<p>Por outro lado, embora seja atribui&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica, desde a Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988, a outorga de concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o s&oacute; produz efeitos legais &quot;ap&oacute;s a delibera&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional&quot; (&sect; 3&ordm; do artigo 223). Vale dizer que o decreto dever&aacute; tramitar, ser analisado, votado e aprovado (ou n&atilde;o) tanto na C&acirc;mara dos Deputados como no Senado Federal, antes de ser transformado em Decreto Legislativo e entrar em vigor.<\/p>\n<p>Haver&aacute;, portanto, ampla oportunidade para aqueles que se op&otilde;em ou representam os opositores ao decreto manifestarem suas raz&otilde;es. S&oacute; depois, o Congresso Nacional decidir&aacute; pela aprova&ccedil;&atilde;o ou n&atilde;o da concess&atilde;o. Por que ser&aacute;, ent&atilde;o, que at&eacute; mesmo a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira das Emissoras P&uacute;blicas Educativas (Abepec) manifesta &quot;surpresa&quot; com o decreto do Presidente da Rep&uacute;blica?<\/p>\n<p><strong>O que est&aacute; em jogo?<br \/><\/strong><br \/>A quest&atilde;o fundamental impl&iacute;cita nas resist&ecirc;ncias &agrave; concess&atilde;o de um canal de TV a uma funda&ccedil;&atilde;o que tem entre os seus mantenedores um sindicato de trabalhadores &eacute;, como diria o professor Baker, a distribui&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica do poder de comunica&ccedil;&atilde;o. H&aacute; uma evidente dificuldade na transi&ccedil;&atilde;o entre a defesa abstrata da liberdade de express&atilde;o (e da liberdade de imprensa) e sua efetiva&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s de medidas do Estado que promovam a democratiza&ccedil;&atilde;o do poder de comunicar. <\/p>\n<p>Prevalece vigorosa e ativa, entre n&oacute;s, a ultrapassada posi&ccedil;&atilde;o do liberalismo cl&aacute;ssico que considera o Estado apenas como amea&ccedil;a &agrave;s liberdades individuais e n&atilde;o, muitas vezes, como promotor delas. &Eacute; esse papel do Estado que &eacute; defendido pelo professor da Universidade Yale, Owen Fiss, no seu fundamental e indispens&aacute;vel A Ironia da Liberdade de Express&atilde;o &ndash; Estado, Regula&ccedil;&atilde;o e Diversidade na Esfera P&uacute;blica (Editora Renovar, 2005).<\/p>\n<p>Por que os trabalhadores n&atilde;o podem ter um canal de TV? Que tipo de amea&ccedil;a eles representam para a democratiza&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o p&uacute;blico e a forma&ccedil;&atilde;o das opini&otilde;es em nosso pa&iacute;s? A outorga n&atilde;o deveria, ao contr&aacute;rio, ser louvada n&atilde;o s&oacute; pela grande m&iacute;dia, mas pelas demais entidades do setor de comunica&ccedil;&otilde;es, como um passo no sentido da democratiza&ccedil;&atilde;o da liberdade de express&atilde;o?<\/p>\n<p class=\"padrao\">Essas s&atilde;o, sem d&uacute;vida, quest&otilde;es que devem ser debatidas na 1&ordf; Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><em>Ven&iacute;cio Lima &eacute; pesquisador s&ecirc;nior do N&uacute;cleo de Estudos sobre M&iacute;dia e Pol&iacute;tica (NEMP) da Universidade de Bras&iacute;lia e autor\/organizador, entre outros, de A m&iacute;dia nas elei&ccedil;&otilde;es de 2006 (Editora Funda&ccedil;&atilde;o Perseu Abramo, 2007)\t\t\t\t<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos resultados positivos da frustrada tentativa da FCC (Comiss&atilde;o Federal de Comunica&ccedil;&otilde;es, na sigla em ingl&ecirc;s) de &quot;flexibilizar&quot; normas restritivas &agrave; propriedade cruzada da m&iacute;dia (jornal, r&aacute;dio e televis&atilde;o), que se seguiu &agrave; onda de privatiza&ccedil;&otilde;es das telecomunica&ccedil;&otilde;es nos Estados Unidos, foi n&atilde;o s&oacute; a articula&ccedil;&atilde;o da sociedade civil contra essas medidas mas, tamb&eacute;m, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22796\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Pela m\u00e1xima dispers\u00e3o da propriedade<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22796"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22796"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22796\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}