{"id":22769,"date":"2009-05-13T16:38:57","date_gmt":"2009-05-13T16:38:57","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22769"},"modified":"2009-05-13T16:38:57","modified_gmt":"2009-05-13T16:38:57","slug":"novo-marco-regulatorio-deve-promover-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22769","title":{"rendered":"Novo marco regulat\u00f3rio deve promover diversidade"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t--> \t                                             <\/p>\n<p style=\"margin-bottom: 0cm\" class=\"western\"><span class=\"padrao\">Se existe uma unanimidade entre governantes, empres&aacute;rios e ativistas da &aacute;rea das comunica&ccedil;&otilde;es no Brasil ela diz respeito &agrave; urg&ecirc;ncia de reformar o marco regulat&oacute;rio do pa&iacute;s para adequ&aacute;-lo ao cen&aacute;rio da converg&ecirc;ncia tecnol&oacute;gica. Constatado o problema, as diferen&ccedil;as surgem quanto a dois aspectos centrais relacionados a ele: a caracteriza&ccedil;&atilde;o do fen&ocirc;meno e a forma da regula&ccedil;&atilde;o a ser adotada. Para discutir estas quest&otilde;es fulcrais na atual conjuntura do setor, o Laborat&oacute;rio de Pol&iacute;ticas de Comunica&ccedil;&atilde;o da Universidade de Bras&iacute;lia (Lapcom) promoveu, nessa segunda-feira (11), o debate &ldquo;Converg&ecirc;ncia das Comunica&ccedil;&otilde;es e democratiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>O encontrou contou com a participa&ccedil;&atilde;o de Gustavo Gindre, do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, Alex Patez Galv&atilde;o, coordenador do N&uacute;cleo de Assuntos Regulat&oacute;rios da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine) e com o professor da UnB C&eacute;sar Bola&ntilde;o. Para Gindre, a converg&ecirc;ncia deve ser entendida como um processo contradit&oacute;rio. Por um lado, a emerg&ecirc;ncia do &ldquo;mundo IP&rdquo; [Internet Protocol] traz uma din&acirc;mica dial&oacute;gica para a troca de informa&ccedil;&atilde;o, que rompe com aquela consagrada no modelo da radiodifus&atilde;o, caracterizada pela verticaliza&ccedil;&atilde;o. Por outro, ela integra seus usu&aacute;rios sob a l&oacute;gica da sociedade de consumo e promove uma estrutura&ccedil;&atilde;o concentradora do mercado da &aacute;rea.<\/p>\n<p>Segundo Alex Galv&atilde;o, esta tend&ecirc;ncia de concentra&ccedil;&atilde;o &eacute; resultado da caracter&iacute;stica da mercadoria informa&ccedil;&atilde;o produzida pelos diversos meios. Uma vez que ela possui alto custo de produ&ccedil;&atilde;o e baixo custo de distribui&ccedil;&atilde;o, o mercado acaba privilegiando a forma&ccedil;&atilde;o de grupos com capital suficiente para fabrica&ccedil;&atilde;o dos produtos e servi&ccedil;os e integrado o suficiente para potencializar o reposicionamento dos conte&uacute;dos em diversos espa&ccedil;os e fases da cadeia de valor.<\/p>\n<p>&ldquo;&Eacute; um mercado que tende &agrave; concentra&ccedil;&atilde;o horizontal, &agrave; integra&ccedil;&atilde;o vertical, e tamb&eacute;m &agrave; estrat&eacute;gia de expans&atilde;o em diagonal (de escala e de escopo), que gera um reempacotamento em meios diferenciados&rdquo;, analisa. Como conseq&uuml;&ecirc;ncia disso, acrescenta, &ldquo;as empresas grandes, que t&ecirc;m muitas possibilidades de distribui&ccedil;&atilde;o e mercados que s&atilde;o relativamente garantidos, podem cobrar pre&ccedil;o muito baixo por aquilo que elas produzem, e mesmo assim tendo lucro, e continuar produzindo e vendendo para o mundo todo. E as empresas menores t&ecirc;m poucas possibilidades, e muitas vezes n&atilde;o conseguem competir com empresas de grande porte.&rdquo;<\/p>\n<p>J&aacute; C&eacute;sar Bola&ntilde;o considera que o fen&ocirc;meno da converg&ecirc;ncia n&atilde;o est&aacute; relacionado apenas &agrave;s caracter&iacute;sticas pr&oacute;prias dos mercados da informa&ccedil;&atilde;o, mas ocupa papel central na consolida&ccedil;&atilde;o de um novo padr&atilde;o de desenvolvimento do capitalismo. Com a crise do padr&atilde;o anterior, conhecido como fordismo e calcado no consumo em massa de bens dur&aacute;veis, os grandes grupos empresariais passaram a disputar em n&iacute;vel internacional, o que demandou a inova&ccedil;&atilde;o intensiva das Tecnologias d a Informa&ccedil;&atilde;o e da Comunica&ccedil;&atilde;o (TICs).<\/p>\n<p>Al&eacute;m de servirem de suporte &agrave; expans&atilde;o global de conglomerados, as TICs, especialmente as telecomunica&ccedil;&otilde;es, passaram elas mesmas a serem um nicho pressionado para uma migra&ccedil;&atilde;o da abrang&ecirc;ncia nacional para novos mercados ao redor do mundo. A quebras dos monop&oacute;lios nos Estados Unidos e na Europa foram resultado destas press&otilde;es e possibilitaram a cria&ccedil;&atilde;o de grupos que passaram a buscar novos mercados, especialmente no dito &ldquo;terceiro mundo&rdquo; para servi&ccedil;os tradicionais, como a telefonia, e de valor agregado, como aqueles relacionados &agrave; Internet.<\/p>\n<p>Para o professor da UnB, a digitaliza&ccedil;&atilde;o dos suportes de informa&ccedil;&atilde;o, que come&ccedil;a na Internet e se expande para outras m&iacute;dias tradicionais, &eacute; o ponto alto de matura&ccedil;&atilde;o dos impactos tecnol&oacute;gicos deste processo. &ldquo;A id&eacute;ia da digitaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; chave tanto para o processo de reestrutura&ccedil;&atilde;o produtiva, da constru&ccedil;&atilde;o de novos setores, quanto do ponto de vista da retomada da hegemonia norte-americana, no projeto das infra-estruturas globais da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse.<\/p>\n<p><strong>Pol&ecirc;micas em torno da Internet<br \/><\/strong><br \/>Partindo desta avalia&ccedil;&atilde;o, Bola&ntilde;o destacou que &eacute; preciso desconstruir o mito de uma condi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica a priori das novas tecnologias. &ldquo;A internet te d&aacute; apar&ecirc;ncia de autonomia, de privacidade, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s formas tradicionais de constru&ccedil;&atilde;o da hegemonia, mas na verdade o que est&aacute; acontecendo &eacute; o aprofundamento do processo de individualiza&ccedil;&atilde;o e de rela&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo diretamente com o sistema sempre mediada atrav&eacute;s do capital e da estrutura da sociedade de consumo. As formas de controle s&atilde;o cada vez mais transparentes, sutis, porque indiv&iacute;duos passam a aderir a isso. Os malef&iacute;cios da internet n&atilde;o s&atilde;o facilmente vis&iacute;veis.&rdquo;<\/p>\n<p>Mas concordou com a avalia&ccedil;&atilde;o de Gustavo Gindre de que existe um car&aacute;ter contradit&oacute;rio na rede. No entanto, lembrou que esta esfera, para servir &agrave;s lutas sociais, precisa ser conquistada por aqueles segmentos e for&ccedil;as que lutam por uma sociedade diferente, mais justa.<\/p>\n<p>J&aacute; para Alex Galv&atilde;o, o desafio n&atilde;o est&aacute; relaciondo &agrave; f&eacute; ou n&atilde;o nos atributos deste novo meio, mas em como coloc&aacute;-lo a servi&ccedil;o de um projeto democratizante. Para atingir este objetivo, o mercado n&atilde;o pode ser deixado &agrave; pr&oacute;pria sorte, mas deve ser objeto de uma pesada regula&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Alguns dizem que a Internet traz mais diversidade. Para voc&ecirc; ter mercado, competi&ccedil;&atilde;o, no setor de m&iacute;dia, e ter democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, &eacute; preciso ter Estado. Para mais mercado, &eacute; preciso mais Estado&rdquo;, enfatizou.<\/p>\n<p><strong>Regula&ccedil;&atilde;o para promover diversidade<\/strong><\/p>\n<p>Partindo desta premissa, Galv&atilde;o defendeu que o objetivo central de uma nova regula&ccedil;&atilde;o para um ambiente convergente seja a promo&ccedil;&atilde;o da diversidade de pontos de vista e opini&otilde;es. &ldquo;Quando falamos em democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, devemos considerar o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o, a diversidade, o direito de resposta. S&atilde;o v&aacute;rios elementos mas vou centrar na diversidade de opini&otilde;es e pontos de vista&rdquo;, assinalou.<\/p>\n<p>Na opini&atilde;o do representante da Ancine, a despeito da l&oacute;gica concentradora, &eacute; poss&iacute;vel dar um &ldquo;choque de capitalismo&rdquo; no setor das telecomunica&ccedil;&otilde;es, desde que em um ambiente fortemente regulado por este novo marco. &ldquo;O Estado deve usar o seu poder regulat&oacute;rio para equilibrar a oferta de servi&ccedil;os e garantir novos agentes, como por meio de mecanismos de cotas, por exemplo&rdquo;, exemplificou.<\/p>\n<p>C&eacute;sar Bola&ntilde;o concordou que a diversidade &eacute; um projeto central para o futuro marco regulat&oacute;rio convergente, mas ressaltou que &eacute; preciso coloc&aacute;-la a servi&ccedil;o de um projeto diferenciado de comunica&ccedil;&atilde;o e de sociedade. &ldquo;Acho que a diversidade &eacute; importante, mas ela precisa ser colocada no plano da hegemonia, de quais vozes podem e conseguem se colocar na esfera dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, defendeu.<\/p>\n<p>Assim, continuou, a diversidade deve ser pensada sob a &oacute;tica de abertura de espa&ccedil;o n&atilde;o a mais dos mesmos agentes empresariais, mas na promo&ccedil;&atilde;o de meios p&uacute;blicos que expressem as v&aacute;rias facetas culturais, sociais e pol&iacute;ticas do pa&iacute;s e no controle dos meios privados comerciais de modo que estes respondam a contrapartidas pelo uso de bens p&uacute;blicos ou pela possibilidade de auferirem lucros em determinados mercados.<\/p>\n<p><strong>Regula&ccedil;&atilde;o por camadas<br \/><\/strong><br \/>Gustavo Gindre afirmou que a melhor forma de evitar a concentra&ccedil;&atilde;o que represa a diversidade e garantir um controle da popula&ccedil;&atilde;o sobre a organiza&ccedil;&atilde;o do mercado e sobre os servi&ccedil;os prestados &eacute; regular o ambiente convergente &ldquo;por camadas&rdquo;. Assim, haveria regramentos diferenciados para as camadas da infra-estrutura de distribui&ccedil;&atilde;o (como as redes f&iacute;sicas por onde trafegam dados ou o espectro eletromagn&eacute;tico), l&oacute;gica (aquele onde est&atilde;o definidos os c&oacute;digos para o tr&aacute;fego de dados) e a dos servi&ccedil;os e conte&uacute;dos (onde se manifesta a produ&ccedil;&atilde;o, a programa&ccedil;&atilde;o e a defini&ccedil;&atilde;o de qual tipo de informa&ccedil;&atilde;o ser&aacute; ofertada de qual maneira ao cidad&atilde;o).<\/p>\n<p>&ldquo;Hoje ainda regulamos por tecnologia, enquanto a tend&ecirc;ncia internacional &eacute; a regula&ccedil;&atilde;o por camadas, assumir que infra-estrutura, seja ela f&iacute;sica ou wireless [sem fio], &eacute; uma camada, tem a camada dos protocolos, e a camada do conte&uacute;do\/servi&ccedil;os. Para mim est&aacute; claro que a camada de infra-estrutura &eacute; sim monopol&iacute;stica. N&atilde;o &eacute; problema desde que eu assuma isso, tenha pol&iacute;ticas para isso e libere a camada de conte&uacute;do para explos&atilde;o de diversidade&rdquo;, sugeriu.<\/p>\n<p>Segundo Gindre, a maioria dos pa&iacute;ses tem optado por este modelo. O exemplo mais conhecido &eacute; da Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, que atualizou a diretiva Televis&atilde;o Sem Fronteiras extinguindo a divis&atilde;o entre tecnologias para regular conjuntamente o que foi chamado de &ldquo;servi&ccedil;os audiovisuais&rdquo;. Para o Brasil, acrescentou, deveria ser pensada solu&ccedil;&atilde;o semelhante, considerando nossas especificidades. Este novo marco, no entanto, n&atilde;o pode ser resultado da queda-de-bra&ccedil;o entre os radiodifusores, que v&ecirc;m se enfraquecendo mas ainda possuem grande poder pol&iacute;tico no pa&iacute;s, e as empresas de telecomunica&ccedil;&otilde;es, que avan&ccedil;am pelas brechas e esperam um novo ambiente que t&ecirc;m certeza que vir&aacute; cedo ou tarde.<\/p>\n<p>Concordando com Bola&ntilde;o e Galv&atilde;o, Gindre defendeu que um marco baseado na regula&ccedil;&atilde;o por camadas, para combater a concentra&ccedil;&atilde;o e promover a diversidade, deve: (1) impedir que um mesmo ator detenha a infra-estrutura e tamb&eacute;m preste servi&ccedil;os, (2) garanta que a infra-estrutura seja aberta a qualquer um que deseje oferecer servi&ccedil;os mas tamb&eacute;m que assegure a distribui&ccedil;&atilde;o de agentes p&uacute;blicos e sem fins-lucrativos, (3) garantir recursos para que agentes n&atilde;o-comerciais possam produzir e distribuir seus conte&uacute;dos.<\/p>\n<p>Para isso, concluiu, &eacute; preciso vencer dois desafios: o da banda larga e o do modelo de produ&ccedil;&atilde;o. No primeiro caso, &eacute; necess&aacute;rio superar o quadro atual, com apenas 18% dos lares contemplados com esta tecnologia, por meio de uma pol&iacute;tica de universaliza&ccedil;&atilde;o ou calcada na separa&ccedil;&atilde;o entre infra-estrutura e oferta de banda larga, ou potencializando a rede f&iacute;sica em posse do governo para construir uma infra-estrutura p&uacute;blica de banda larga para atender a popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o pode pagar.<\/p>\n<p>No segundo caso, do modelo de produ&ccedil;&atilde;o, lembrou que atualmente toda a ind&uacute;stria de conte&uacute;dos tem trabalhado na l&oacute;gica de clusters, ou p&oacute;los de produ&ccedil;&atilde;o. Temos que enfrentar este problema dando conta de promover a regionaliza&ccedil;&atilde;o. Um obst&aacute;culo necess&aacute;rio &agrave; resolu&ccedil;&atilde;o deste n&oacute; &eacute; a reforma do modelo de financiamento da produ&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Temos que superar o modelo de ren&uacute;ncia fiscal, que acontece s&oacute; no Brasil. N&oacute;s permitimos que o privado pegue o dinheiro p&uacute;blico para financiar o setor&rdquo;, defendeu. <\/span> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contra tend\u00eancias concentradoras da atual mudan\u00e7a profunda das comunica\u00e7\u00f5es, especialistas defendem forte regula\u00e7\u00e3o que assegure presen\u00e7a de agentes n\u00e3o-hegem\u00f4nicos na m\u00eddia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[188],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22769"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22769"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22769\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22769"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22769"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22769"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}