{"id":22730,"date":"2009-05-06T12:51:15","date_gmt":"2009-05-06T12:51:15","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22730"},"modified":"2009-05-06T12:51:15","modified_gmt":"2009-05-06T12:51:15","slug":"ministro-da-justica-responde-a-reivindicacoes-sobre-pl-azeredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22730","title":{"rendered":"Ministro da justi\u00e7a responde a reivindica\u00e7\u00f5es sobre PL Azeredo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">O Projeto de Lei sobre cybercrimes, conhecido como PL Azeredo (89\/2003), que estabelece procedimentos e penas para crimes praticados na Internet, continua sob intenso debate. H&aacute; quase um ano a sociedade civil vem alertando os diversos deputados e setores do governo sobre o risco que esse projeto representa para a manuten&ccedil;&atilde;o de uma internet livre, para a democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; rede. Parlamentares, de um lado, alertam junto &agrave; sociedade civil e,&nbsp; de outro,&nbsp; pressionam pela aprova&ccedil;&atilde;o do projeto. E determinados setores da iniciativa privada apostam suas fichas no PL, como ferramenta para viabilizar a criminaliza&ccedil;&atilde;o de usu&aacute;rios que ultrapassem os limites do que consideram razo&aacute;vel.<\/p>\n<p>Em carta, o Ministro da Justi&ccedil;a Tarso Genro manifestou-se publicamente, comprometendo-se com uma reda&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o crie limites &agrave; inclus&atilde;o digital, que n&atilde;o privilegie o vigilantismo e afirmou que recebeu com entusiasmo a id&eacute;ia de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o civil da Internet. Agora est&aacute; se chegando a outro patamar de discuss&atilde;o. &Eacute; significativa a manifesta&ccedil;&atilde;o do Ministro, que est&aacute; no epicentro de press&otilde;es de todos os lados: da ind&uacute;stria cultural, preocupada com downloads e compartilhamento de arquivos, aos bancos, preocupados com as perdas causadas pelas fraudes dos sistemas.<\/p>\n<p>A sociedade civil, por sua vez, segue alerta, e tamb&eacute;m pressiona o Minist&eacute;rio, em busca de garantias de que este projeto n&atilde;o colocar&aacute; em xeque a expans&atilde;o do acesso, a inclus&atilde;o digital e a inova&ccedil;&atilde;o na rede. Com mobiliza&ccedil;&atilde;o e propostas de altera&ccedil;&atilde;o da reda&ccedil;&atilde;o do Projeto de Lei, a sociedade civil est&aacute; fazendo a sua parte para o governo e parlamentares fa&ccedil;am escolhas conscientes e informadas sobre a Lei que regulmentar&aacute; os crimes na Internet no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Veja a carta do Ministro Tarso Genro<\/strong> e, mais abaixo, a escrita por militantes ga&uacute;chos, respondida no mesmo documento.<\/p>\n<p>Ao Deputado Paulo Teixeira<\/p>\n<p>E aos companheiros Jos&eacute; Tavares, Marcelo Branco, Sady Jacques, Juberlei Bacelo, Celso Woyciechowski,<\/p>\n<p>A aprova&ccedil;&atilde;o, no Senado Federal, do substitutivo apresentado pelo senador Eduardo Azeredo ao Projeto de lei n&ordm; 84, de 1999, que disp&otilde;e sobre os crimes cometidos na &aacute;rea de inform&aacute;tica, intensificou o debate p&uacute;blico sobre o tema. Felizmente, vieram em tempo as cr&iacute;ticas da sociedade civil &agrave; regulamenta&ccedil;&atilde;o penal da Internet e aos problemas trazidos pelos tipos penais e pelos mecanismos de controle do projeto de lei.<\/p>\n<p>Pela carta que recebi, estamos claramente do mesmo lado na discuss&atilde;o sobre a Internet no Brasil. Ao elaborar uma nova proposta, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a estabeleceu como premissa o respeito &agrave; democratiza&ccedil;&atilde;o da Internet e a necessidade de aprofundar a inclus&atilde;o digital no pa&iacute;s. Somos contr&aacute;rios, evidentemente, ao estabelecimento de quaisquer obst&aacute;culos &agrave; oferta de acesso por meio de redes abertas e &agrave; inclus&atilde;o digital, ao vigilantismo na Internet e a dificuldades para a frui&ccedil;&atilde;o de bens intelectuais disseminados pela Internet.<\/p>\n<p>A aprova&ccedil;&atilde;o do projeto de lei no Senado demonstrou o perigo de uma legisla&ccedil;&atilde;o com esses problemas ser aprovada caso n&atilde;o haja rea&ccedil;&atilde;o forte e decidida dos setores democr&aacute;ticos da sociedade. Estamos a servi&ccedil;o desses setores. Por isso mesmo, a proposta que levamos &agrave; discuss&atilde;o foi &ndash; e ainda vem sendo &ndash; debatida no interior do Poder Executivo, em reuni&otilde;es coordenadas pela Casa Civil com representantes da sociedade civil e empresas que participam da inclus&atilde;o digital no Brasil (lan houses e provedores), em S&atilde;o Paulo, em Bras&iacute;lia, no F&oacute;rum Social Mundial e, esperamos, nas pr&oacute;ximas oportunidades em que possamos contribuir. <\/p>\n<p>O deputado Paulo Teixeira, presente na maior parte dessas ocasi&otilde;es, testemunhou nosso empenho em corrigir os graves problemas do projeto de lei aprovado no Senado. Para isso, precisamos sim de aux&iacute;lio para a constru&ccedil;&atilde;o de um texto alternativo ao que hoje parece estar pr&oacute;ximo de ser aprovado.<\/p>\n<p>Com a nova proposta, procuramos clarear nossos posicionamentos: garantir que as iniciativas de inclus&atilde;o digital n&atilde;o arquem com os altos custos de armazenamento de dados inform&aacute;ticos; excluir o dispositivo que obriga os provedores de acesso a informar &agrave; autoridade competente den&uacute;ncia que tenha recebido e que contenha ind&iacute;cios da pr&aacute;tica de crime ocorrido no &acirc;mbito da rede de computadores sob sua responsabilidade; estabelecer e melhorar o conceito de provedor de acesso; reformular os crimes de acesso indevido a informa&ccedil;&otilde;es em sistemas informatizados e de inser&ccedil;&atilde;o e difus&atilde;o de c&oacute;digo malicioso, excluindo-se, ainda, diversos tipos penais desnecess&aacute;rios, porque j&aacute; previstos na legisla&ccedil;&atilde;o vigente. Ressalte-se, tamb&eacute;m, que procuramos retirar todas as possibilidades de os crimes previstos no PL atingirem direitos de propriedade intelectual.<\/p>\n<p>Estamos convictos de que essas mudan&ccedil;as foram positivas, embora talvez ainda n&atilde;o tenham solucionado todos os problemas do projeto de lei aprovado no Senado. Na &uacute;ltima reuni&atilde;o de que participamos, representantes da sociedade civil se prontificaram a apresentar uma nova reda&ccedil;&atilde;o para o substitutivo, inclusive com o aporte de conhecimentos t&eacute;cnicos de que n&atilde;o dispomos. Recebemos com entusiasmo a id&eacute;ia de uma regulamenta&ccedil;&atilde;o civil da Internet e a oposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica aos equ&iacute;vocos do projeto de lei, que tem impedido a aprova&ccedil;&atilde;o impulsiva do projeto hoje na C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n<p>Acreditamos ser poss&iacute;vel chegar a um projeto adequado &agrave; realidade brasileira, que contenha garantias para que a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o tenha seus h&aacute;bitos na Internet analisados sem autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, e que os esfor&ccedil;os para disseminar a Internet sejam encorajados cada vez mais. No entanto, &eacute; imprescind&iacute;vel que recebamos contribui&ccedil;&otilde;es dos representantes da sociedade civil, pois s&oacute; assim poderemos construir uma regulamenta&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o reproduza os problemas do projeto de lei aprovado no Senado.<\/p>\n<p>Mantemos nosso compromisso de participar desse debate, liderado pelo deputado Paulo Teixeira. Permanecemos &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para auxiliar nas discuss&otilde;es do projeto de lei, no Congresso Nacional ou fora dele. E reafirmamos nosso apoio &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es que fortale&ccedil;am a inclus&atilde;o digital e que protejam os usu&aacute;rios da Internet de abusos cometidos por quaisquer autoridades.<\/p>\n<p>Tarso Genro<\/p>\n<p>E, aqui, a <strong>carta dos militantes do Rio Grande do Sul<\/strong>:<\/p>\n<p>Porto Alegre, 25 de abril de 2009.<\/p>\n<p>Ao Ministro Tarso Genro:<\/p>\n<p>Parcela importante da sociedade civil organizada do Rio Grande do Sul declara-se extremamente preocupada com a poss&iacute;vel aprova&ccedil;&atilde;o da Lei de Controle da Internet, proposta pelo substitutivo do Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Justamente no momento em que debatemos e lutamos pela radicaliza&ccedil;&atilde;o da democracia no pa&iacute;s, e nos esfor&ccedil;amos para que n&atilde;o haja descontinuidade eleitoral de nosso Governo democr&aacute;tico popular no plano Federal, surge a ame&ccedil;a de uma lei que representar&aacute; na pr&aacute;tica um &ldquo;AI-5 Digital&rdquo;.<\/p>\n<p>A Lei Azeredo ir&aacute; criminalizar em massa, pr&aacute;ticas comuns na Internet; ir&aacute; tornar mais caros nossos projetos de Inclus&atilde;o Digital; proibir&aacute; as Redes Abertas; piorar&aacute; a legisla&ccedil;&atilde;o referente &agrave; propriedade intelectual; legalizar&aacute; a dela&ccedil;&atilde;o e o vigilantismo; inviabilizar&aacute; sites de conte&uacute;do colaborativo; atacar&aacute; frontalmente a privacidade individual e oferecer&aacute; mecanismos digitais para que ressurjam persegui&ccedil;&otilde;es politicas como houve nos tempos da ditadura. Teremos uma Internet controlada, pior do que em pa&iacute;ses como Ar&aacute;bia Saudita, Nig&eacute;ria e China.<\/p>\n<p>Sendo assim, reivindicamos:<\/p>\n<p>* Arquivamento do &ldquo;substitutivo&rdquo; organizado dentro do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a;<br \/> * Apoio &agrave; n&atilde;o-aprova&ccedil;&atilde;o do PL Azeredo, especialmente atrav&eacute;s da supress&atilde;o dos artigos 285-A, 285-B, 163-A e 22;<br \/> * Constitui&ccedil;&atilde;o de uma comiss&atilde;o de membros da sociedade civil organizada, para reda&ccedil;&atilde;o de uma proposta de marco regulat&oacute;rio civil da Internet brasileira;<br \/> * Agenda com Vossa Excel&ecirc;ncia, em regime de urg&ecirc;ncia, para tratarmos destas iniciativas e suas conseq&uuml;&ecirc;ncias.<\/p>\n<p>Assinam esse documento:<\/p>\n<p class=\"padrao\">* Setorial de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o do Partido dos Trabalhadores do Rio Grande do Sul (Setorial de TI do PT-RS);<br \/> * Associa&ccedil;&atilde;o Software Livre.Org (ASL.Org);<br \/> * Associa&ccedil;&atilde;o Ga&uacute;cha dos Profissionais na &Aacute;rea de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o e Comunica&ccedil;&atilde;o (APTIC-RS);<br \/> * Sindicato dos Banc&aacute;rios de Porto Alegre e Regi&atilde;o (SindBanc&aacute;rios);<br \/> * Central &Uacute;nica dos Trabalhadores (CUT-RS).<\/p>\n<p>Maiores informa&ccedil;&otilde;es : <a href=\"http:\/\/fsfla.org\/svnwiki\/trad\/cibercrimes\/alerta-parlamentar.pt\">http:\/\/fsfla.org\/svnwiki\/trad\/cibercrimes\/alerta-parlamentar.pt<\/a><\/p>\n<p>Contatos:<br \/> Jos&eacute; Tavares (Setorial de TI do PT-RS) &ndash; tdaj@uol.com.br &ndash; (51) 9251 9103<br \/> Marcelo Branco (ASL.Org) &ndash; marcelo@softwarelivre.org &ndash; (51) 9736 3076<br \/> Sady Jacques (APTIC-RS) &ndash; sady@via-rs.net &ndash; (51) 8213 5999<br \/> Juberlei Bacelo (SindBanc&aacute;rios POA) &ndash; juberlei@sindbancarios.org.br &ndash; (51) 9805 2617<br \/> Celso Woyciechowski (CUT-RS) &ndash; celso@sintaers.com.br &ndash; (51) 9967 1278<\/p>\n<p><span class=\"padrao\">T&iacute;tulo Original: &quot;Projeto de Lei sobre Cybercrimes em debate&quot; <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Projeto de Lei sobre cybercrimes, conhecido como PL Azeredo (89\/2003), que estabelece procedimentos e penas para crimes praticados na Internet, continua sob intenso debate. 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