{"id":22700,"date":"2009-04-29T15:30:09","date_gmt":"2009-04-29T15:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22700"},"modified":"2009-04-29T15:30:09","modified_gmt":"2009-04-29T15:30:09","slug":"o-desvirtuamento-do-projeto-da-tv-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22700","title":{"rendered":"O desvirtuamento do projeto da TV Brasil"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\"><em>Na &uacute;ltima sexta-feira (24), o agora ex-diretor de programas e conte&uacute;dos da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), Leopoldo Nunes, foi personagem de uma tumultuada pol&ecirc;mica. Abaixo, reproduzimos a provocativa entrevista dada por Nunes &agrave; Revista F&oacute;rum, que escancarou as diferen&ccedil;as entre ele e a diretora presidente da Empresa, Tereza Cruvinel. <\/p>\n<p>Horas depois de sua divulga&ccedil;&atilde;o no site da F&oacute;rum, o entrevistado alegou que havia sido comunicado naquele momento de sua sa&iacute;da. Em nota, a dire&ccedil;&atilde;o da EBC afirmou que o diretor havia sido demitido no dia 13 de abril, tendo solicitado licen&ccedil;a de 15 dias para buscar um novo posto profissional. <\/p>\n<p>Nunes &eacute; documentarista e ex-diretor da Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema (Ancine). Comandava a Diretoria de Programas e Conte&uacute;dos, respons&aacute;vel pela mat&eacute;ria-prima do principal ve&iacute;culo da empresa: a TV Brasil. Era o &uacute;nico dirigente remanescente do grupo ligado ao Minist&eacute;rio da Cultura, que ocupou cargos estrat&eacute;gicos na cria&ccedil;&atilde;o da EBC e da TV Brasil. <br \/><\/em><br \/><strong>O senhor avalia que a TV Brasil tem desempenhado o papel para a qual ela foi criada?<\/strong><\/p>\n<p>Acho que de alguma forma sim. O mais positivo de tudo &eacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o nacional de audiovisual. Porque a m&iacute;dia comercial e a televis&atilde;o aberta sempre estiveram alijadas de todo o processo de produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira. A TV aberta no Brasil se constitui como uma TV de qualidade basicamente nos anos 1960 com a TV Globo, que numa alian&ccedil;a com a ditadura militar e num acordo com o grupo Time Life cria uma grande empresa de comunica&ccedil;&atilde;o. Foi ali que se criou uma refer&ecirc;ncia, um padr&atilde;o de televis&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p>Tudo o que se faz em televis&atilde;o brasileira hoje &eacute; derivado ou imita&ccedil;&atilde;o daquilo que foi a Rede Globo, principalmente no modelo de neg&oacute;cio. Por exemplo, o cinema brasileiro foi substitu&iacute;do pela teledramaturgia. A teledramaturgia &eacute; uma produ&ccedil;&atilde;o de baix&iacute;ssima qualidade, mas de grande interesse popular. Vende xampu, exporta seus produtos para o mundo. As pessoas ouvem como se fosse r&aacute;dio, ela vem da matriz cubana da radio novela. Mas mesmo assim &eacute; uma coisa de qualidade.<\/p>\n<p>No jornalismo &eacute; a mesma coisa. Tivemos experi&ecirc;ncias como o &Uacute;ltima Hora, mas de qualquer forma a matriz &eacute; a mesma. &Eacute; o padr&atilde;o Rede Globo. Ent&atilde;o, quando se cria a TV Brasil, v&ecirc;-se a aspira&ccedil;&atilde;o da cria&ccedil;&atilde;o de um modelo de neg&oacute;cio e de um modelo de produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do para compor essa televis&atilde;o. Por exemplo, em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; programa&ccedil;&atilde;o infantil. N&oacute;s temos uma anima&ccedil;&atilde;o no Brasil de alt&iacute;ssima qualidade. Por exemplo, 20% do (filme) &ldquo;Asterix&rdquo; foi feito em &Aacute;guas de Lind&oacute;ia, o diretor de &ldquo;A Era do Gelo&rdquo; &eacute; brasileiro, exportamos m&atilde;o-de-obra da mais alta qualidade para fazer isso. No entanto, a televis&atilde;o brasileira nunca absorveu a anima&ccedil;&atilde;o brasileira. <\/p>\n<p>Quer outro exemplo? O Maur&iacute;cio de Souza tem uma das maiores fam&iacute;lias de personagens de anima&ccedil;&atilde;o do mundo. E comparado com a Walt Disney seus personagens s&atilde;o mais politicamente corretos. Os &aacute;rabes usam, os chineses usam, enquanto n&atilde;o usam [os desenhos da] Disney. E aqui no Brasil ele &eacute; pouco usado. A verdade &eacute; que a TV brasileira est&aacute; de costas para o Brasil. Bem, acontece que a Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira prev&ecirc; nos seus artigos 221, 222 e 223, o princ&iacute;pio da complementaridade entre o p&uacute;blico, o privado e o estatal. <\/p>\n<p>O privado, quer n&oacute;s gostemos ou n&atilde;o, &eacute; o modelo que deu certo; o estatal passou a existir com a Lei do Cabo em 1995, com as TVs Assembl&eacute;ias, das C&acirc;maras Federal e Municipal e do Senado. J&aacute; o (modelo) p&uacute;blico surge com a cria&ccedil;&atilde;o da EBC. A lei que cria a EBC cria o termo p&uacute;blico, porque at&eacute; ent&atilde;o era educativo. Todas as TVs eram educativas. Dentre as educativas, n&oacute;s temos 26 emissoras e 19 modelos jur&iacute;dicos diferentes. Desses 19 modelos, temos um que &eacute; exemplar, que &eacute; o da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta de S&atilde;o Paulo. Sai governo, entra governo, a TV Cultura de S&atilde;o Paulo est&aacute; a&iacute;. Ela tem um conceito forte, uma diretoria executiva, &eacute; ligada ao governo do Estado, tem uma produ&ccedil;&atilde;o de qualidade e exerce bem sua fun&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a mais s&oacute;lida de todas as emissoras que a gente e que inclusive ajudou e muito a criar a TV Brasil. Foi um dos ber&ccedil;os que clamava por uma TV p&uacute;blica.<\/p>\n<p>Por isso, quando nasce a TV Brasil, ela vem com toda uma esperan&ccedil;a de se colocar no ar uma nova programa&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, as pessoas n&atilde;o conhecem a &Aacute;frica? Ent&atilde;o eu abri uma janela de produ&ccedil;&atilde;o africana chamada &ldquo;DOC &Aacute;frica&rdquo;, que agora vai passar a se chamar &ldquo;Mama &Aacute;frica&rdquo;. Toda semana passa um document&aacute;rio africano. Na semana retrasada, por acaso, entre os 10 programas de maior audi&ecirc;ncia da casa havia um filme africano. O mesmo que acontece em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; &Aacute;frica, tamb&eacute;m se d&aacute; com a Am&eacute;rica Latina, ningu&eacute;m conhece. Por exemplo, voc&ecirc; sabia que existe uma cidade andina na Col&ocirc;mbia que respeita as leis incas e tem curso de Direito, uma universidade de 600 anos e que responde a leis incas? Pois ent&atilde;o, criamos o Tal Como Somos que apresenta document&aacute;rios latino-americanos. Al&eacute;m disso, temos uma s&eacute;rie de programas com o Minist&eacute;rio da Cultura.<\/p>\n<p>&Eacute; este o modelo sist&ecirc;mico que n&oacute;s criamos na Secretaria do Audiovisual voltado para a TV p&uacute;blica. Al&eacute;m disso, temos uma s&eacute;rie de programas voltados para a cidadania, desde quest&otilde;es de idade, de g&ecirc;nero, de tr&acirc;nsito, de educa&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica&#8230; Mas h&aacute; outras coisas. Por exemplo, n&oacute;s temos 180 l&iacute;nguas ind&iacute;genas no Brasil. N&oacute;s temos uma diversidade ling&uuml;&iacute;stica maior do que a China, maior do que a &Iacute;ndia, e n&atilde;o reconhecemos. N&oacute;s somos brancos ocidentais. &Iacute;ndio, para a gente, &eacute; motivo para abate, porque ocupa uma &aacute;rea muito grande onde &eacute; poss&iacute;vel produzir &ldquo;x&rdquo; sacas de arroz, como no caso da Raposa Serra do Sol. Hoje, a TV Brasil apresenta curtas-metragens ind&iacute;genas. Por fim, sempre entendemos que o p&uacute;blico brasileiro gostava de cinema brasileiro. E a TV Brasil est&aacute; provando que gosta. Das 10 maiores audi&ecirc;ncias da TV, semanalmente medida, quatro s&atilde;o de cinema brasileiro. O povo ama cinema brasileiro.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Voc&ecirc; considera que a TV Brasil est&aacute; fazendo um caminho de construir esse padr&atilde;o p&uacute;blico a partir dessas iniciativas? Ou eles ainda s&atilde;o incipientes e demandariam um investimento maior?<br \/><\/strong><br \/>Certamente j&aacute; s&atilde;o caminhos irrevers&iacute;veis. Nas audi&ecirc;ncias da semana retrasada, duas delas s&atilde;o de Am&eacute;rica Latina, uma de &Aacute;frica, uma de DOC TV, quatro de cinema brasileiro. Isso est&aacute; sendo medido atrav&eacute;s do Ibope e demonstra que estamos no caminho certo. Quero ver a TV p&uacute;blica brasileira deixar de exibir produ&ccedil;&atilde;o ind&iacute;gena sem revelar os povos ind&iacute;genas. Quero ver a TV p&uacute;blica sobreviver sem exibir um document&aacute;rio ou um filme de fic&ccedil;&atilde;o africano por semana. Isso &eacute; irrevers&iacute;vel. Outra coisa irrevers&iacute;vel &eacute; a produ&ccedil;&atilde;o independente. Ela tem muito mais qualidade t&eacute;cnica, humana e tecnol&oacute;gica do que se pode vir a ter na estrutura da TV p&uacute;blica ou mesmo da TV comercial. Porque a TV &eacute; um conglomerado de &quot;x&quot; mil funcion&aacute;rios, equipamentos de 5&ordf;, 6&ordf; gera&ccedil;&atilde;o e tal. Eu contrato uma boa produ&ccedil;&atilde;o, exer&ccedil;o meu poder de programa&ccedil;&atilde;o e meu poder editorial e exijo qualidade e pre&ccedil;o. No mundo todo &eacute; assim. As TVs a cabo no Brasil trabalham com 26 funcion&aacute;rios, incluindo estagi&aacute;rios.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Existe uma disputa dentro da TV que a gente que est&aacute; de fora n&atilde;o consegue entender direito? Ali&aacute;s, isso at&eacute; foi mat&eacute;ria na CartaCapital, os cineastas versus os jornalistas&#8230;<br \/><\/strong><br \/>Existem disputas e existem falsas disputas. Por exemplo, a disputa que foi colocada na CartaCapital, jornalistas versus cineastas, &eacute; uma falsa disputa. Agora, uma disputa real, que existe, &eacute; o fato de n&oacute;s termos um projeto que foi gestado h&aacute; muitas m&atilde;os durante d&eacute;cadas, que a gente acredita que s&atilde;o valores brasileiros da diversidade cultural &ndash; n&oacute;s assinamos e lideramos a Conven&ccedil;&atilde;o da Diversidade Cultural &ndash;, a riqueza e a qualidade da produ&ccedil;&atilde;o independente, da informa&ccedil;&atilde;o, isso tudo &eacute; o projeto original, porque esse projeto est&aacute; escrito nos cadernos do F&oacute;rum da TV p&uacute;blica, e na Carta de Bras&iacute;lia. Esse documento &eacute; fundante da esperan&ccedil;a, porque n&oacute;s conseguimos fazer um pacto. N&oacute;s juntamos sindicatos de jornalistas e outros, o FNDC, as associa&ccedil;&otilde;es de produtores independentes, governo, &oacute;rg&atilde;os de controle e fizemos um grande pacto. <\/p>\n<p>Ele foi traduzido em alguns documentos, o presidente Lula lan&ccedil;ou esse programa. Mas existe conflito com outro programa que est&aacute; sendo desenvolvido pelos remanescentes de outras emissoras de televis&atilde;o que n&atilde;o tem qualquer compromisso com esse projeto a n&atilde;o ser dizer &ldquo;eu ajudei na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988&rdquo;. Ajudar, pode ter ajudado, mas n&oacute;s tamb&eacute;m, n&atilde;o &eacute; verdade?&nbsp; Ent&atilde;o, coisas que n&oacute;s criamos que est&atilde;o consagradas hoje como valor da TV Brasil foram sendo apropriadas e tocadas por pessoas sem o menor compromisso e sem a menor refer&ecirc;ncia com esse movimento de cria&ccedil;&atilde;o da TV.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Voc&ecirc; poderia nomear as pessoas?<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o, n&atilde;o d&aacute;. Acho que tem coisas como, por exemplo, o Conselho Curador. Qual &eacute; o papel do Conselho Curador?<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Esse Conselho Curador deveria ter sido eleito, voc&ecirc; n&atilde;o acha?<br \/><\/strong><br \/>Eu acho. Sou um homem de governo e, acima de tudo, algu&eacute;m que representa um setor, um campo da cultura. Tenho uma vida muito mais identificada a minha luta setorial no &acirc;mbito da cultura e do audiovisual do que a um projeto pol&iacute;tico partid&aacute;rio, apesar das rela&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas que tenho e que, ali&aacute;s, tenho orgulho de t&ecirc;-las. Mas preciso dizer que n&atilde;o estou na TV P&uacute;blica para servir apenas um governo. Estou trabalhando para um projeto duradouro, para um projeto de Estado. Por isso, n&atilde;o tenho o direito de n&atilde;o ser franco com voc&ecirc; a quem conhe&ccedil;o de muito tempo e dessas tantas lutas pela democratiza&ccedil;&atilde;o das comunica&ccedil;&otilde;es, discordo inteiramente da forma como foi constitu&iacute;do esse conselho e da forma como ele vem se desmelinguindo. O Conselho hoje mal se re&uacute;ne&#8230;<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Como assim?<br \/><\/strong><br \/>V&aacute;rios conselheiros pediram demiss&atilde;o, v&aacute;rios s&atilde;o demission&aacute;rios, o presidente (Luiz Gonzaga Belluzzo) n&atilde;o vai, at&eacute; porque ele hoje &eacute; presidente do Palmeiras. Sinceramente esse conselho deveria convocar uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica, com as entidades interessadas e leg&iacute;timas que comp&otilde;em todo esse rol entre o conte&uacute;do e a comunica&ccedil;&atilde;o, para discutir o seu papel e os pr&oacute;prios rumos da TV. Hoje uns poucos tem decidido tudo e, infelizmente, mesmo eu que sou diretor muitas vezes n&atilde;o sou convidado a participar dessas decis&otilde;es.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Isso que voc&ecirc; est&aacute; dizendo &eacute; muito grave. Voc&ecirc; est&aacute; me falando que h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o autorit&aacute;ria na TV at&eacute; nos espa&ccedil;os de diretoria?<br \/><\/strong><br \/>Sim, de certa forma &eacute; isso que voc&ecirc; entendeu. N&atilde;o h&aacute; rela&ccedil;&atilde;o horizontal na TV. Hoje a rela&ccedil;&atilde;o l&aacute; &eacute; completamente vertical. Quem manda na TV &eacute; o Conselho de Administra&ccedil;&atilde;o e o ministro Franklin Martins. Depois que o Orlando Senna, que &eacute; uma figura p&uacute;blica reconhecida, e o Mario Borgneth sa&iacute;ram quem assumiu a diretor-geral &eacute; uma pessoa completamente sem qualifica&ccedil;&otilde;es para o cargo. Renato, n&atilde;o tenho coragem de dizer outra coisa para voc&ecirc;. O Paulo Rufino, respons&aacute;vel pela diretoria-geral, &eacute; algu&eacute;m cujo trabalho, por exemplo, absolutamente desconhe&ccedil;o. N&atilde;o posso dizer o mesmo da diretora de Jornalismo, a Helena Chagas, com quem eu tenho uma excelente rela&ccedil;&atilde;o.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>E a presidente, a Tereza Cruvinel?<br \/><\/strong><br \/>A Tereza Cruvinel n&atilde;o &eacute; uma pessoa a&eacute;tica, longe disso, mas como te disse que seria franco nesta entrevista preciso dizer que desconhe&ccedil;o qualquer experi&ecirc;ncia dela em gest&atilde;o p&uacute;blica. E acho que tem feito uma falta danada a ela. A EBC &eacute; uma empresa muito completa e acho que lhe falta experi&ecirc;ncia para toc&aacute;-la. Eu tor&ccedil;o muito para que tudo d&ecirc; certo, porque o ano que vem &eacute; um ano eleitoral, n&oacute;s vamos seguir a partir de 1&ordm; de junho uma legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, ou seja, n&oacute;s temos tr&ecirc;s meses para fazer todas as coisas e, dentre as nossas atribui&ccedil;&otilde;es, est&aacute; a constitui&ccedil;&atilde;o de uma rede nacional.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>A cr&iacute;tica que voc&ecirc; faz &agrave; Tereza &eacute; bastante espec&iacute;fica. Voc&ecirc; disse que o problema &eacute; que ela n&atilde;o tem experi&ecirc;ncia de gest&atilde;o. Esse poderia ser um dos motivos que est&aacute; levando ao atraso da constitui&ccedil;&atilde;o da Rede P&uacute;blica?<br \/><\/strong><br \/>Sem d&uacute;vida nenhuma. Por exemplo, ela devolveu R$ 18 mi aos cofres p&uacute;blicos no ano passado.<\/p>\n<p><strong>Como assim&#8230; isso n&atilde;o foi divulgado?<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o. A sua categoria (jornalistas) &eacute; muito corporativa. N&atilde;o foi divulgado. Mas 18 milh&otilde;es viraram p&oacute;, super&aacute;vit prim&aacute;rio.<\/p>\n<p><strong>Qual o or&ccedil;amento da TV, o que isso representaria?<br \/><\/strong><br \/>Foi em torno de R$ 300 milh&otilde;es em 2008.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Mas, por exemplo, qual era o custo da produ&ccedil;&atilde;o de rede, no ano passado?<br \/><\/strong><br \/>Era de R$ 12 milh&otilde;es. Com R$ 12 milh&otilde;es, eu teria produzido em todas as regi&otilde;es do Brasil programa&ccedil;&atilde;o infantil, programa&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, hist&oacute;ria dos rios brasileiros, estradas brasileiras, estradas de tropeiro, turismo, tudo. Poderia ter sido feito no ano passado e estaria estreando agora em mar&ccedil;o ou abril. Com R$ 6 mi que sobrariam poderia ter sido feito, por exemplo, reformula&ccedil;&atilde;o dos programas da casa que s&atilde;o importantes, reconhecidos, de grande valor p&uacute;blico cultural e informativo. <\/p>\n<p>Outra coisa grave, em termos de gest&atilde;o: foi aprovado em agosto de 2007 o Plano de Cargos e Carreiras, porque nos temos tr&ecirc;s anos para promover concursos internos, aprovado pelo DEST, que &eacute; o departamento de estatais. A&iacute; a presidente resolveu interferir na negocia&ccedil;&atilde;o, e para o azar dela e nosso, veio a crise internacional. A n&atilde;o ser que seja uma benevol&ecirc;ncia muito grande do presidente Lula, tudo indica que n&atilde;o teremos o concurso neste ano. Ou seja, perdemos outra oportunidade.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Pelo tom da sua entrevista, voc&ecirc; parece estar muito decepcionado, voc&ecirc; pretende ficar na TV Brasil ou est&aacute; de sa&iacute;da?<br \/><\/strong><br \/>Eu n&atilde;o s&oacute; pretendo ficar, como sou uma refer&ecirc;ncia no setor audiovisual, dos longas-metragistas, dos curtas-metragistas, dos animadores, dos documentaristas. &Eacute; uma responsabilidade minha ficar e fazer o debate. E ajudar a construir a TV P&uacute;blica que n&oacute;s sonhamos, que nos lutamos para criar. O que acontece &eacute; que a gente v&ecirc; o tempo passando e algumas pessoas se aproximando da TV sempre como salvadores da p&aacute;tria, mas s&atilde;o pessoas que nunca participaram desse tipo de discuss&atilde;o. O trabalho que n&oacute;s fizemos est&aacute; todo a&iacute; feito, colocado, reconhecido. Agora, tem gente que porque trabalhou na televis&atilde;o comercial fazendo programas como &quot;Sex Shop&quot; em Shoptime se acha no direito de dizer que sabe mais.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Isso &eacute; uma met&aacute;fora ou voc&ecirc; est&aacute; dizendo algo que de fato existe?<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o &eacute; met&aacute;fora n&atilde;o. Tem gente l&aacute; assim. Claro que n&atilde;o &eacute; uma pessoa que participou do debate da TV p&uacute;blica como voc&ecirc; participou. N&atilde;o &eacute; uma pessoa que tem alguma hist&oacute;ria pela democratiza&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o como eu e voc&ecirc; temos. E tampouco quer dizer que voc&ecirc; seja o m&aacute;ximo ou que eu seja o m&aacute;ximo. Mas h&aacute; pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m a menor refer&ecirc;ncia, a&iacute; eu vejo um risco enorme de a TV se perder.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>O que estou entendendo &eacute; que h&aacute; um grupo que n&atilde;o tem compromisso p&uacute;blico e que est&aacute; se tornando majorit&aacute;rio na TV Brasil, &eacute; isso?<br \/><\/strong><br \/>Talvez fosse melhor dizer que quando voc&ecirc; entra em uma &eacute;poca de crise, aparecem dois tipos de pessoas: os oportunistas e os puxa-sacos. Isso &eacute; muito comum e est&aacute; acontecendo agora na TV Brasil. E me preocupa muito, porque este movimento &eacute; hist&oacute;rico da sociedade brasileira, e eu n&atilde;o o vejo sendo conduzido com a responsabilidade que ele merece. E mais: vejo a preocupa&ccedil;&atilde;o de muita gente na Esplanada, nas bancadas parlamentares do setor progressista, nos movimentos sociais, nas &aacute;reas setoriais e organizadas em rela&ccedil;&atilde;o a isso. <\/p>\n<p>E por isso decidi que &eacute; hora de tornar esse debate p&uacute;blico. E escolhi fazer isso para voc&ecirc; porque sei dos seus compromissos. E sei que voc&ecirc; n&atilde;o vai transformar isso num ataque ao projeto, mas num debate sobre ele. Tenho um nome, uma hist&oacute;ria e por isso me cabe colocar esse debate de forma leg&iacute;tima. E coloquei isso internamente antes de ter ligar dizendo que aceitaria te dar essa entrevista que na verdade voc&ecirc; j&aacute; havia me solicitado no final do ano passado.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>E como est&aacute; sendo realizado esse debate internamente?<br \/><\/strong><br \/>A presidente n&atilde;o gostou. Ela sugeriu que eu pe&ccedil;a uma licen&ccedil;a, que eu me afaste um tempo. Ela me chamou e disse isso, o que te parece? A coisa est&aacute; ficando grave. O projeto democr&aacute;tico de comunica&ccedil;&atilde;o e de conte&uacute;do est&aacute; perdendo a luta interna. Uma luta, ali&aacute;s, que n&atilde;o deveria existir. Por exemplo, no ano passado por decis&otilde;es equivocadas da presid&ecirc;ncia rasgamos R$ 100 milh&otilde;es em editais. <\/p>\n<p>Havia a possibilidade de se conseguir para a produ&ccedil;&atilde;o independente R$ 60 milh&otilde;es de um programa chamado PEF (Programa Especial de Fomento) em parceira coma a Ancine (Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema) e R$ 40 milh&otilde;es que o Minist&eacute;rio da Cultura preparou para a TV p&uacute;blica, chamado &ldquo;Mais Cultura&rdquo;, que era destinado ao Audiovisual. Criaram tantas dificuldades que esse dinheiro n&atilde;o veio. Ou seja, rasgamos R$100 milh&otilde;es. Isso poderia ter significado uma revolu&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira. Literalmente uma revolu&ccedil;&atilde;o. Mas ao contr&aacute;rio, travou-se uma disputa de poder interno, onde rolou a cabe&ccedil;a do Orlando Senna e do M&aacute;rio Borgneth.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>O Orlando saiu por causa dessa disputa?<br \/><\/strong><br \/>Sim.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>E na &eacute;poca voc&ecirc; decidiu ficar&#8230;<br \/><\/strong><br \/>Para conduzir o projeto at&eacute; o outro lado da margem.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Pelo que estou entendendo a Tereza Cruvinel est&aacute; pedindo que voc&ecirc; saia&#8230;<br \/><\/strong><br \/>Ela quer hegemonia. Ela quer fazer a TV dela, n&atilde;o a p&uacute;blica. Infelizmente do jeito que est&aacute; o projeto da TV p&uacute;blica n&atilde;o sai. O que vai ficar a&iacute; vai ser um pastiche. Agora, &eacute; preciso dizer tamb&eacute;m que hoje a TV p&uacute;blica tem uma equipe fabulosa. Eu, ali&aacute;s, trabalhei como um louco para construir essa equipe. E tirando o jornalismo, tudo que est&aacute; na TV foi essa equipe que fez. Agora, o presidente Lula n&atilde;o sabe disso. Na verdade, quem entendia e defendia no governo uma TV realmente p&uacute;blica era o Gilberto Gil. Porque quem fez o F&oacute;rum de TVs P&uacute;blicas foi ele. Quem quis peitar a Ancinave (Ag&ecirc;ncia Nacional do Cinema e do Audiovisual) foi o Gil. Quem quis peitar a Lei Geral de Comunica&ccedil;&atilde;o de Massa foi Gil. Quem deveria tocar a TV Brasil era o Gil. Eu acho que se isso tivesse ocorrido ele teria ficado no governo. E hoje ter&iacute;amos caminhado muito mais, ter&iacute;amos um projeto a essa altura muito melhor, de alt&iacute;ssima qualidade.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Voc&ecirc; saiu da Ancine com mandato para ir pra TV p&uacute;blica, hoje voc&ecirc; considera que errou?<br \/><\/strong><br \/>Abri m&atilde;o de um mandato eleito pelo Senado em comiss&atilde;o e em plen&aacute;rio. Meu mandato iria at&eacute; dezembro de 2010. Mas de forma nenhuma me arrependo de ter tomado essa decis&atilde;o. Eu contribu&iacute; demais com a TV P&uacute;blica e quero continuar contribuindo. N&atilde;o vou tirar a licen&ccedil;a sugerida, minha inten&ccedil;&atilde;o &eacute; continuar na TV e com esse debate p&uacute;blico redirecionar seus rumos. Agora, se a presidente quiser me demitir ela pode faz&ecirc;-lo. Mas n&atilde;o deixarei de fazer o debate por conta disso. J&aacute; disseram antes, n&eacute;? Mas n&atilde;o custa repetir. Sou o mesmo no planalto e na plan&iacute;cie. Eu precisava tornar p&uacute;blico esse debate. E espero que a presidente da TV tenha tranq&uuml;ilidade para realiz&aacute;-lo. N&atilde;o podemos nos amesquinhar, o que estamos construindo &eacute; muito maior. &Eacute; algo que n&atilde;o pode ficar restrito a fulaniza&ccedil;&otilde;es, a disputas de poder.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Mas pelo jeito h&aacute; uma grande diferen&ccedil;a de projetos, &eacute; poss&iacute;vel trabalhar juntos?<br \/><\/strong><br \/>Sim, com republicanismo e legalidade. Em lei, h&aacute; marco legal, que define compet&ecirc;ncias. Rep&uacute;blica &eacute; um pacto.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Sinceramente, Leopoldo, qual o seu objetivo ao trazer esse debate a p&uacute;blico neste momento?<br \/><\/strong><br \/>N&oacute;s estamos no m&ecirc;s quatro de 2009 e pela lei s&oacute; temos at&eacute; junho de 2010 para tocar as coisas. Depois termina o mandato do presidente Lula. E em TV &eacute; tudo demorado, n&atilde;o d&aacute; pra decidir hoje e fazer amanh&atilde;. O que eu quero com essa entrevista &eacute; chamar a aten&ccedil;&atilde;o das pessoas que s&atilde;o co-respons&aacute;veis pela cria&ccedil;&atilde;o desse projeto, um projeto que n&atilde;o tem dono, um projeto p&uacute;blico, para os riscos que ele est&aacute; correndo. N&oacute;s temos algumas agendas importantes nesse ano, vai ter uma Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, n&oacute;s temos confer&ecirc;ncia da CUT, uma s&eacute;rie de preparat&oacute;rias e acho que a TV p&uacute;blica deve ser o centro de tudo. Eu quero chamar a aten&ccedil;&atilde;o do movimento social para lutar pela TV P&uacute;blica, pelo projeto original dela.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Ou seja, na tua opini&atilde;o esse projeto de TV p&uacute;blica est&aacute; sob alto risco?<br \/><\/strong><br \/>Acho que sim. Se um outro setor pol&iacute;tico vier a ganhar a pr&oacute;xima elei&ccedil;&atilde;o ele fecha a TV p&uacute;blica com certa tranq&uuml;ilidade. A atual dire&ccedil;&atilde;o n&atilde;o est&aacute; conseguindo consolid&aacute;-la por uma certa incompet&ecirc;ncia na gest&atilde;o. E n&atilde;o estou dizendo que &eacute; f&aacute;cil. N&atilde;o &eacute;. Mas poder&iacute;amos estar num outro patamar.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Mas sinceramente, n&atilde;o me parece que basta apenas trocar a condu&ccedil;&atilde;o.<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o, voc&ecirc; tem raz&atilde;o. &Eacute; preciso discutir e gerar um novo modelo de neg&oacute;cio. Esse modelo tem que distribuir recursos para a sociedade. E a sociedade precisa em contrapartida produzir com qualidade. Sem demanda interna, voc&ecirc; n&atilde;o faz economia. E para que isso se implemente o Conselho &eacute; fundamental. Esse Conselho foi feita de uma forma muito esquisita. Por isso, est&aacute; esvaziado e n&atilde;o tem poder. Por isso, acho que entidades como o Sindicato dos Jornalistas e o FNDC deveriam ir pra cima, exigindo uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica para que se institua o controle social devido na TV P&uacute;blica. Esse projeto n&atilde;o &eacute; de um governo, n&atilde;o &eacute; de um grupo, esse projeto &eacute; da sociedade. Ent&atilde;o ele tem que ser para todos.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Vou insistir, esse n&atilde;o &eacute; uma entrevista de quem est&aacute; se despedindo do projeto. Voc&ecirc; n&atilde;o sai da TV p&uacute;blica?<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o saio. S&oacute; se me sa&iacute;rem (risos). Sou leg&iacute;timo, sou org&acirc;nico, sou de governo, sou da base que deu origem a cria&ccedil;&atilde;o dessa TV. N&atilde;o quero dizer com isso que quem vem de uma empresa &ldquo;x&rdquo; ou &ldquo;y&rdquo; tamb&eacute;m n&atilde;o mere&ccedil;a respeito. Claro que merece. Mas precisa respeitar os outros tamb&eacute;m. A respeitar as outras experi&ecirc;ncias e hist&oacute;rias.<\/p>\n<p><strong>O conflito &eacute; entre os oriundos da TV comercial e dos que tinham rela&ccedil;&atilde;o com o Minist&eacute;rio da Cultura?<br \/><\/strong><br \/>N&atilde;o necessariamente. Eu e a Helena Chagas temos uma excelente rela&ccedil;&atilde;o. Ela foi gestora, ela tem experi&ecirc;ncia de gest&atilde;o. E n&oacute;s temos uma rela&ccedil;&atilde;o extremamente respeitosa.<\/p>\n<p><strong>E essa rela&ccedil;&atilde;o n&atilde;o existe com a Cruvinel?<br \/><\/strong><br \/>Sinceramente, de certa forma n&atilde;o. A Tereza vem trazendo, por exemplo, consultores e colocando-os acima dos diretores. Est&aacute; dando a esses consultores poderes maiores do que aos diretores da EBC. Isso se deve a um erro de origem na constitui&ccedil;&atilde;o da empresa. O Brasil tem 117 empresas na Uni&atilde;o e a TV Brasil &eacute; a &uacute;nica onde um presidente da empresa pode nomear diretor, ou seja, onde isso n&atilde;o &eacute; atribui&ccedil;&atilde;o do presidente da Rep&uacute;blica. Tenho receio de que depois do presidente Lula ter tomado a iniciativa de bancar a cria&ccedil;&atilde;o dessa televis&atilde;o e passar a sua constitui&ccedil;&atilde;o por medida provis&oacute;ria por diferen&ccedil;a de apenas tr&ecirc;s votos no Senado ela venha a se tornar um mico. Porque ela j&aacute; poderia estar numa velocidade muito maior. N&oacute;s poder&iacute;amos hoje estar assistindo uma TV p&uacute;blica de alta qualidade. E ainda n&atilde;o estamos.<br \/>&nbsp;<br \/><strong>Por qu&ecirc;?<br \/><\/strong><br \/>Inefici&ecirc;ncia de gest&atilde;o.<br \/><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor demission\u00e1rio critica gest\u00e3o de Tereza Cruvinel<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1018],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22700"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22700"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22700\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22700"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22700"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22700"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}