{"id":22699,"date":"2009-04-29T15:10:14","date_gmt":"2009-04-29T15:10:14","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22699"},"modified":"2009-04-29T15:10:14","modified_gmt":"2009-04-29T15:10:14","slug":"tv-brasil-na-berlinda-ex-diretores-atacam-gestao-cruvinel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22699","title":{"rendered":"TV Brasil na berlinda: ex-diretores atacam gest\u00e3o Cruvinel"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Dois ex-integrantes da TV Brasil criticaram os rumos da emissora p&uacute;blica da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), presidida pela jornalista Tereza Cruvinel. O rec&eacute;m-demitido Leopoldo Nunes &mdash; que respondia pelo cargo de diretor de Programa&ccedil;&atilde;o &mdash; acusa a dire&ccedil;&atilde;o da EBC de realizar &ldquo;uma verdadeira ca&ccedil;a &agrave;s bruxas&rdquo;. J&aacute; Orlando Senna, ex-diretor geral da empresa, criticou a descaracteriza&ccedil;&atilde;o da TV Brasil, registrando que &ldquo;o projeto inicial foi para o brejo&rdquo;.<\/p>\n<p>Abrindo fogo diretamente contra Cruvinel, Leopoldo Nunes associa sua demiss&atilde;o a uma entrevista concedida ao site da Revista F&oacute;rum, em que condena a gest&atilde;o da ex-jornalista da Globo &agrave; frente da TV Brasil. Ele acusa a dire&ccedil;&atilde;o da EBC de realizar &ldquo;uma verdadeira ca&ccedil;a &agrave;s bruxas&rdquo; pelas entrevistas que tem concedido sobre o epis&oacute;dio, ao saber que pessoas de sua equipe est&atilde;o sendo demitidas &mdash; caso de Reinaldo Volpato, gerente regional de Programa&ccedil;&atilde;o em S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>Volpato foi demitido nesta ter&ccedil;a-feira (28) pelo diretor geral da TV Brasil, Paulo Rufino, que teria alegado o corte em raz&atilde;o das entrevistas concedidas por Nunes &agrave; imprensa. Nunes rebate a EBC quando diz que sua demiss&atilde;o foi comunicada no dia 13, &ldquo;diante da imperativa necessidade de avan&ccedil;ar com mudan&ccedil;as nas &aacute;reas de produ&ccedil;&atilde;o e programa&ccedil;&atilde;o da TV Brasil. A pedido do diretor, concordou em conceder-lhe um prazo de 15 dias para o desligamento, durante o qual ele ficaria de licen&ccedil;a e buscaria nova acomoda&ccedil;&atilde;o profissional&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Escrevi um documento e apresentei a Tereza para tratar da situa&ccedil;&atilde;o dentro da TV j&aacute; que o programa para a emissora n&atilde;o vem sendo cumprido. Ela n&atilde;o gostou porque tinha cr&iacute;ticas &agrave; gest&atilde;o dela e me prop&ocirc;s que sa&iacute;sse. Eu era diretor. Por que tinha que pedir minha cabe&ccedil;a e n&atilde;o a dela?&rdquo;, afirma Nunes. &ldquo;Represento um projeto concreto, participei do projeto apresentado ao F&oacute;rum de TV P&uacute;blica, pela Ancine. Disse a ela que conversaria com meus pares e depois voltaria a conversar com ela para decidir ent&atilde;o o que fazer. N&atilde;o sa&iacute; de licen&ccedil;a, n&atilde;o fui demitido naquele dia. Vou process&aacute;-la por dizer isso.&rdquo;<\/p>\n<p>O ex-diretor de Programa&ccedil;&atilde;o conta que fez viagens a trabalho at&eacute; o &uacute;ltimo domingo (26) e que foi demitido oficialmente nesta segunda-feira (27) pelo ministro Franklin Martins. Tamb&eacute;m acusa a TV Brasil de realizar uma &ldquo;ca&ccedil;a &agrave;s bruxas&rdquo; por demitir pessoas que faziam parte da equipe dele. &ldquo;Soube que o Paulo Rufino est&aacute; demitindo por causa das entrevistas que estou dando &agrave; imprensa.&rdquo;<\/p>\n<p><strong>A entrevista &agrave; F&oacute;rum<br \/><\/strong><br \/>Na entrevista concedida &agrave; F&oacute;rum, Nunes fala de conflitos existentes dentro da TV Brasil entre aqueles que idealizaram o projeto de TV p&uacute;blica &mdash; que, como ele, s&atilde;o cineastas e pessoas ligadas ao Minist&eacute;rio da Cultura &mdash; e &ldquo;pelos remanescentes de outras emissoras de televis&atilde;o que n&atilde;o tem qualquer compromisso com esse projeto a n&atilde;o ser dizer &lsquo;eu ajudei na Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988&rsquo;&rdquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m critica a gest&atilde;o de Tereza Cruvinel, acusando-a de atrapalhar seu trabalho quando, segundo ele, devolveu R$ 18 milh&otilde;es que seriam aplicados na programa&ccedil;&atilde;o da emissora. &ldquo;Viraram p&oacute;, super&aacute;vit prim&aacute;rio&rdquo;, afirmou. &ldquo;O projeto democr&aacute;tico de comunica&ccedil;&atilde;o e de conte&uacute;do est&aacute; perdendo a luta interna. Uma luta, ali&aacute;s, que n&atilde;o deveria existir.&rdquo;<\/p>\n<p>&ldquo;No ano passado, por decis&otilde;es equivocadas da presid&ecirc;ncia, rasgamos R$ 100 milh&otilde;es em editais. Havia a possibilidade de se conseguir para a produ&ccedil;&atilde;o independente R$ 60 milh&otilde;es de um programa chamado PEF (Programa Especial de Fomento) em parceira coma a Ancine (Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema) e R$ 40 milh&otilde;es que o Minist&eacute;rio da Cultura preparou para a TV p&uacute;blica, chamado `Mais Cultura&acute;, que era destinado ao Audiovisual. Criaram tantas dificuldades que esse dinheiro n&atilde;o veio&rdquo;, disse Nunes na entrevista.<\/p>\n<p>&ldquo;Ou seja, rasgamos R$ 100 milh&otilde;es. Isso poderia ter significado uma revolu&ccedil;&atilde;o na produ&ccedil;&atilde;o audiovisual brasileira. Literalmente uma revolu&ccedil;&atilde;o. Mas ao contr&aacute;rio, travou-se uma disputa de poder interno, onde rolou a cabe&ccedil;a do Orlando Senna e do M&aacute;rio Borgneth&rdquo;, completou.<\/p>\n<p><strong>Vincula&ccedil;&atilde;o &ldquo;inaceit&aacute;vel&rdquo;<br \/><\/strong><br \/>J&aacute; Orlando Senna comentou, em uma troca de e-mails de lista dividida entre cineastas e produtores, as an&aacute;lises feitas sobre a TV Brasil com as quais ele n&atilde;o concorda. O texto j&aacute; ganhou espa&ccedil;o na internet. O ex-diretor geral faz cr&iacute;ticas &agrave; atual gest&atilde;o da EBC e TV Brasil, ao que chama de vincula&ccedil;&atilde;o de uma TV p&uacute;blica a uma Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o e ao &ldquo;tipo de empresa que se tornou a TV Brasil&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;Havia um projeto criado h&aacute; quatro anos pelo Minist&eacute;rio da Cultura envolvendo cerca de 6 mil profissionais, com ativa participa&ccedil;&atilde;o do ministro Gilberto Gil e que est&aacute; sendo montado por Tereza Cruvinel com vincula&ccedil;&atilde;o &agrave; Secretaria de Comunica&ccedil;&atilde;o Social&rdquo;, declarou Senna, em entrevista ao Comunique-se. &ldquo;A vincula&ccedil;&atilde;o de uma TV p&uacute;blica &agrave; Secom, que cuida da rela&ccedil;&atilde;o do presidente Lula com a m&iacute;dia e da distribui&ccedil;&atilde;o de verbas publicit&aacute;rias, &eacute; inaceit&aacute;vel. Isso n&atilde;o existe em nenhum lugar do mundo. Essa vincula&ccedil;&atilde;o desautoriza e descaracteriza a TV p&uacute;blica.&rdquo;<\/p>\n<p>Senna &mdash; que participa nesta semana de uma reuni&atilde;o do programa Doc TV Iberoamericano, com representantes de 14 pa&iacute;ses, em Buenos Aires, conta que os colegas de encontro &ldquo;est&atilde;o tristes com o que se tornou a TV Brasil&rdquo;. &ldquo;O projeto inicial foi para o brejo.&rdquo; &ldquo;Acho que esses representantes ficam mais chocados do que n&oacute;s, brasileiros, com o que est&aacute; acontecendo&rdquo;, afirma. &ldquo;A TV Brasil era a esperan&ccedil;a de uma TV p&uacute;blica nova e moderna, que refletisse o conceito de uma TV p&uacute;blica. &Eacute; um baque para todo o continente. Teremos que come&ccedil;ar tudo de novo &mdash; e possivelmente s&oacute; no pr&oacute;ximo governo&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>No texto, Senna afirma que &ldquo;quem manda na empresa &eacute;, pela ordem, os globais ministro Franklin Martins e Tereza Cruvinel, que n&atilde;o s&oacute; em declara&ccedil;&otilde;es mas tamb&eacute;m em atos, deixam claro que n&atilde;o concordam com o projeto original&rdquo;. Ele tamb&eacute;m critica o Conselho Curador, que segundo Senna, &ldquo;nunca funcionou como tal, at&eacute; funcionou ao contr&aacute;rio, negando-se a fazer audi&ecirc;ncias p&uacute;blicas, a dialogar com a sociedade e agora est&aacute; esvaziando com a ren&uacute;ncia de conselheiros (dos que compareceram &agrave;s duas ou tr&ecirc;s reuni&otilde;es, alguns deles nunca deram as caras)&rdquo;.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m defende o demitido Leopoldo Nunes, acusando tamb&eacute;m a dire&ccedil;&atilde;o da empresa de n&atilde;o receber R$ 100 milh&otilde;es oriundos do MinC e da Ancine &ldquo;por absoluta incompet&ecirc;ncia&rdquo;. Segundo ele, &ldquo;18 milh&otilde;es foram devolvidos aos cofres p&uacute;blicos gra&ccedil;as ao inferno burocr&aacute;tico da empresa (perdemos 118 milh&otilde;es, destinados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o audiovisual independente)&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>O que diz a EBC<br \/><\/strong><br \/>Por meio da Comunica&ccedil;&atilde;o, a EBC informou que Nunes foi demitido no dia 13 e que &ldquo;&eacute; natural que haja mudan&ccedil;as, que alguns cargos de confian&ccedil;a sejam substitu&iacute;dos&rdquo;. Confirmou a demiss&atilde;o de Volpato e adiantou que D&eacute;bora Peters, assessora de Nunes no Rio, pediu demiss&atilde;o. A EBC diz que usou quase todo o seu or&ccedil;amento de investimento do ano passado com licita&ccedil;&otilde;es para a compra de equipamentos. &ldquo;O or&ccedil;amento de custeio n&atilde;o &eacute; destinado exclusivamente a uma ou outra diretoria. Destina-se a custear todos os gastos da empresa, exceto gastos com pessoal, que constituem rubrica &agrave; parte&rdquo;.<\/p>\n<p>&ldquo;O entendimento de que a EBC deixou de fazer uso de R$ 100 milh&otilde;es de reais &eacute; falacioso e desonesto. O que o ex-diretor Mario Borgneth tentou em 2008 foi transferir para a EBC recursos da ordem de R$ 40 milh&otilde;es destinados ao programa Mais Cultura Audiovisual. Se a EBC aceitasse esta transfer&ecirc;ncia, vindo de outro &oacute;rg&atilde;o federal, teria descontado o mesmo valor de seu or&ccedil;amento, tamb&eacute;m origin&aacute;rios do Or&ccedil;amento da Uni&atilde;o&rdquo;, respondeu a empresa.<\/p>\n<p>&ldquo;Como os recursos do Mais Cultura (Projeto do Minc) eram carimbados para fomento &agrave; produ&ccedil;&atilde;o independente, a EBC estaria trocando recursos pr&oacute;prios por recursos destinados a terceiros. Teria perdido, por exemplo, parte dos recursos discricion&aacute;rios que destinou a investimentos em infra-estrutura e equipamentos, fundamentais &agrave; estrutura&ccedil;&atilde;o da EBC. A discord&acirc;ncia da diretora-presidente resultou na sa&iacute;da do ex-diretor de Relacionamento&rdquo;, complementou.<\/p>\n<p>Segundo a atual gest&atilde;o, &ldquo;a EBC &eacute; uma empresa &uacute;nica no panorama do Estado brasileiro: &eacute; fiscalizada por um conselho curador composto majoritariamente por representantes da sociedade. Tem uma ouvidoria com ascend&ecirc;ncia sobre todos os canais. Seu diretor-presidente, por for&ccedil;a de lei, tem mandato s&oacute; revog&aacute;vel pelo Conselho Curador, o que lhe d&aacute; autonomia plena em rela&ccedil;&atilde;o ao ministro da pasta &agrave; qual &eacute; vinculada a empresa, seja esta pasta qual for. Nem o presidente da Rep&uacute;blica pode demiti-lo&rdquo;.<\/p>\n<p>A EBC tamb&eacute;m afirma que &ldquo;tem estatutos que lhe permitem, diferentemente de todas as estatais, definir sua pr&oacute;pria estrutura administrativa, a partir do regimento, sem interfer&ecirc;ncia do presidente da Rep&uacute;blica&rdquo;. Nada disso, at&eacute; agora, impediu uma s&eacute;rie de crises em torno da TV Brasil. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois ex-integrantes da TV Brasil criticaram os rumos da emissora p&uacute;blica da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), presidida pela jornalista Tereza Cruvinel. O rec&eacute;m-demitido Leopoldo Nunes &mdash; que respondia pelo cargo de diretor de Programa&ccedil;&atilde;o &mdash; acusa a dire&ccedil;&atilde;o da EBC de realizar &ldquo;uma verdadeira ca&ccedil;a &agrave;s bruxas&rdquo;. J&aacute; Orlando Senna, ex-diretor geral da empresa, &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22699\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">TV Brasil na berlinda: ex-diretores atacam gest\u00e3o Cruvinel<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[259],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22699"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22699"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22699\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}