{"id":22695,"date":"2009-04-28T13:56:08","date_gmt":"2009-04-28T13:56:08","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22695"},"modified":"2009-04-28T13:56:08","modified_gmt":"2009-04-28T13:56:08","slug":"sindicato-dos-jornalistas-coloca-rbs-no-banco-dos-reus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22695","title":{"rendered":"Sindicato dos jornalistas coloca RBS no banco dos r\u00e9us"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realizou no dia 28 de abril de 2009 uma discuss&atilde;o hist&oacute;rica, colocando no banco dos r&eacute;us o oligop&oacute;lio da Rede Brasil Sul, a RBS. Mas, esta proposta de transformar a maior rede de comunica&ccedil;&atilde;o do sul do pa&iacute;s em r&eacute; comum n&atilde;o foi privil&eacute;gio da dire&ccedil;&atilde;o do sindicato, portanto a ela n&atilde;o se pode reputar nenhuma inten&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica. O respons&aacute;vel por esta fa&ccedil;anha &eacute; o Procurador Regional dos Direitos do Cidad&atilde;o em Santa Catarina, Celso Ant&ocirc;nio Tr&ecirc;s, que apresentou uma a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal contra a empresa dos Sirotski, o Conselho Administrativo de Defesa Econ&ocirc;mica e a Uni&atilde;o. <\/p>\n<p> Baseado exclusivamente na letra fria da lei, o procurador apela para a tutela dos direitos de informa&ccedil;&atilde;o e express&atilde;o do cidad&atilde;o, a pluralidade, que &eacute; premissa b&aacute;sica do Estado democr&aacute;tico e de Direito. Com base nisso ele denuncia e exige provid&ecirc;ncias contra o oligop&oacute;lio da m&iacute;dia sustentado pela RBS no Estado de Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Segundo Tr&ecirc;s, &eacute; comprovada documentalmente a posse de 18 emissoras de televis&atilde;o aberta, duas emissoras por cabo, oito jornais di&aacute;rios, 26 emissoras de r&aacute;dio, dois portais na internet, uma editora e uma gravadora. <\/p>\n<p>Ele lembrou ainda que o faturamento do grupo em 2006 chegou a 825 milh&otilde;es de reais, com um lucro l&iacute;quido de 93 milh&otilde;es, tudo isso baseado no dom&iacute;nio da mente das popula&ccedil;&otilde;es do sul que atualmente n&atilde;o tem possibilidade de receber uma informa&ccedil;&atilde;o plural. Praticamente tudo o que se v&ecirc;, ouve ou l&ecirc; nos dois estados do sul vem da RBS. <\/p>\n<p>No debate realizado pelo SJSC o procurador insistiu que filosoficamente ser &eacute; ser percebido e isso &eacute; o que faz a m&iacute;dia, torna vis&iacute;vel aqueles que ela considera &ldquo;ser&rdquo;. Os pobres, os exclu&iacute;dos do sistema, os lutadores sociais, toda essa gente fica de fora porque n&atilde;o pode ser mostrada como ser construtor de mundos. Celso Tr&ecirc;s afirma que na atualidade o estado &eacute; puro espet&aacute;culo enquanto o cidad&atilde;o assume o posto de espectador. Nesse contexto a m&iacute;dia passa a ser o receptor deste espet&aacute;culo di&aacute;rio, ainda que n&atilde;o tenha a menor consist&ecirc;ncia. &ldquo;N&oacute;s vivemos uma histeria di&aacute;ria provocada pela m&iacute;dia e o pa&iacute;s atua sob a batuta desta histeria&rdquo;.<\/p>\n<p>No caso de Santa Catarina o mais grave &eacute; que esta histeria &eacute; provocada por um &uacute;nico grupo, que det&eacute;m o controle das emissoras de TV e dos jornais de circula&ccedil;&atilde;o estadual. N&atilde;o h&aacute; concorr&ecirc;ncia para a RBS e quando ela aparece &eacute; sumariamente derrotada atrav&eacute;s de a&ccedil;&otilde;es ilegais como o &ldquo;dumping&rdquo;, como o que aconteceu na capital, Florian&oacute;polis, quando da abertura do jornal Not&iacute;cias do Dia, um peri&oacute;dico de formato popular com um pre&ccedil;o de 0,50 centavos. Imediatamente a RBS reagiu colocando nas bancas um jornal igual, ao pre&ccedil;o de 0,25 centavos. N&atilde;o bastasse isso a RBS mant&ecirc;m cativas empresas de toda a ordem exigindo delas exclusividade nos an&uacute;ncios, incorrendo assim em crime contra a ordem econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Sobre isso a lei &eacute; muito clara. Desde 1967 que &eacute; terminantemente proibido um empresa ter mais que duas emissoras de TV por estado. A RBS tem mais de uma dezena. A Constitui&ccedil;&atilde;o de 1988 determina que a comunica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o pode ser objeto de oligop&oacute;lio. Pois em Santa Catarina &eacute;. Segundo Tr&ecirc;s, na forma&ccedil;&atilde;o acion&aacute;ria das empresas existem &ldquo;mais de 300 Sirotski&rdquo; , portanto n&atilde;o h&aacute; como negar que esta fam&iacute;lia controle as empresas como quis fazer crer o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es, tamb&eacute;m r&eacute;u na a&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Eles alegaram que a RBS n&atilde;o existe, &eacute; um nome de fantasia para empresas de v&aacute;rios donos. Ora, isso &eacute; mentira. Os donos s&atilde;o os mesmos: os Sirotski&rdquo;. <\/p>\n<p>O procurador alega que a lei no Brasil, no que diz respeito a porcentagem de produ&ccedil;&atilde;o local que deve ter um empresa, nunca foi regulamentada, mas n&atilde;o &eacute; por conta da inoper&acirc;ncia do legislativo que a Justi&ccedil;a n&atilde;o pode agir. &ldquo;N&oacute;s acabamos utilizando a lei que trata do mercado de chocolate, cerveja, etc. Nesta lei, uma empresa n&atilde;o pode controlar mais que 20% do mercado. Ora, em Santa Catarina, a RBS controla quase 100% da informa&ccedil;&atilde;o&rdquo;. <\/p>\n<p>Aprofundando o debate sobre a a&ccedil;&atilde;o oligop&oacute;lica da RBS, Danilo Carneiro, estudioso do sistema capitalista e membro do Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, deu uma aula sobre a forma&ccedil;&atilde;o do sistema capitalista e mostrou como atualmente o capitalismo j&aacute; n&atilde;o consegue mais reproduzir a vida, tamanha a sua domina&ccedil;&atilde;o sobre a vida das pessoas e sua sanha por lucros. <\/p>\n<p>Desde as cidades-estado italianas, onde o com&eacute;rcio impulsiona a acumula&ccedil;&atilde;o de lucros, at&eacute; os dias de hoje a consolida&ccedil;&atilde;o do capitalismo est&aacute; ligada &agrave; explora&ccedil;&atilde;o dos trabalhadores e da natureza. Para que isso aconte&ccedil;a &eacute; necess&aacute;rio manter as gentes em estado permanente de aliena&ccedil;&atilde;o e a&iacute; entram os Meios de Comunica&ccedil;&atilde;o de Massa. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa, portanto, que institui&ccedil;&otilde;es governamentais como o CADE e o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es fa&ccedil;am vistas grossas ao oligop&oacute;lio da RBS assim como da Globo. Tudo faz parte da manuten&ccedil;&atilde;o do sistema. <\/p>\n<p>Sobre a a&ccedil;&atilde;o na Justi&ccedil;a contra a RBS, Danilo lembrou que hoje no Brasil existem mais de 60 milh&otilde;es de a&ccedil;&otilde;es em andamento e isso por si s&oacute; j&aacute; d&aacute; um panorama do que pode acontecer. Sem uma mobiliza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica efetiva das entidades e do povo catarinense, essa a&ccedil;&atilde;o pode se perder no sumidouro da Justi&ccedil;a brasileira. <\/p>\n<p>Na plat&eacute;ia do debate um p&uacute;blico muito representativo do movimento social de Florian&oacute;polis, tais como representantes do Diret&oacute;rio Central dos Estudantes da UFSC, da Uni&atilde;o Florianopolitana de Entidades Comunit&aacute;rias (UFECO), Sindicato dos Previdenci&aacute;rios (SINDPREVS), Sindicato dos Eletricit&aacute;rios (SINERGIA), jornalistas, estudantes, professores. Cada um deles compreendeu que &agrave; corajosa atitude do procurador Celso Tr&ecirc;s, devem se somar a&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e de acompanhamento da a&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>O Sindicato dos Jornalistas deve se colocar como assistente do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, abastecendo-o com informa&ccedil;&otilde;es e as demais entidades v&atilde;o difundir as not&iacute;cias e fazer a press&atilde;o necess&aacute;ria para o andamento da a&ccedil;&atilde;o. Conforme bem lembra Celso Tr&ecirc;s, esta n&atilde;o &eacute; uma a&ccedil;&atilde;o voluntarista ou ideol&oacute;gica, ela &eacute; objetiva e se fundamente na lei maior. Oligop&oacute;lios s&atilde;o proibidos e as popula&ccedil;&otilde;es de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul tem direitos a uma informa&ccedil;&atilde;o plural e diversificada. N&atilde;o h&aacute; amparo legal para a propriedade cruzada, o pensamento &uacute;nico e muito menos para a domina&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica.<\/p>\n<p>Na senda da fala de Danilo Carneiro, que deixou claro que sob a ditadura do capital &eacute; imposs&iacute;vel a democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m assomou entre os presentes a necessidade da discuss&atilde;o e da luta por outra comunica&ccedil;&atilde;o e outro estado que n&atilde;o esse no qual imperam as rela&ccedil;&otilde;es de domina&ccedil;&atilde;o. Agora &eacute; ficar atento e aprofundar a luta. Sem isso, n&atilde;o anda a a&ccedil;&atilde;o, e tampouco acontecem mudan&ccedil;as estruturais. <\/span>          <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina realizou no dia 28 de abril de 2009 uma discuss&atilde;o hist&oacute;rica, colocando no banco dos r&eacute;us o oligop&oacute;lio da Rede Brasil Sul, a RBS. 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