{"id":22681,"date":"2009-04-23T13:07:28","date_gmt":"2009-04-23T13:07:28","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22681"},"modified":"2009-04-23T13:07:28","modified_gmt":"2009-04-23T13:07:28","slug":"a-verticalidade-das-redes-sociais-na-web","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22681","title":{"rendered":"A verticalidade das redes sociais na web"},"content":{"rendered":"<p><em><span class=\"padrao\">A perman&ecirc;ncia de hierarquias e verticalidades nas ferramentas de redes sociais &eacute; um fato, aponta a Profa. Dra. Suely Fragoso, na entrevista exclusiva que concedeu por e-mail &agrave; IHU On-Line. Segundo ela, o &ldquo;novo modelo distributivo da comunica&ccedil;&atilde;o em redes digitais implica uma altera&ccedil;&atilde;o importante, cujos desdobramentos ainda estamos tentando compreender&rdquo;. As redes sociais na web, explica, s&atilde;o bastante utilizadas para manter la&ccedil;os sociais que j&aacute; existem, e bem menos para conhecer novas pessoas. <\/p>\n<p>&ldquo;Parece que as ferramentas digitais para intera&ccedil;&atilde;o social t&ecirc;m sido mais utilizadas para o fortalecimento e a expans&atilde;o das &#39;velhas&#39; redes sociais do que para a cria&ccedil;&atilde;o de novas&rdquo;, assinala. De acordo com a pesquisadora, &ldquo;muitas pessoas que antes n&atilde;o tinham interesse na internet ou na web foram atra&iacute;das para as tecnologias digitais quando perceberam seu potencial para a intera&ccedil;&atilde;o social&rdquo;. Em seu ponto de vista, essa apropria&ccedil;&atilde;o da tecnologia digital voltada para fortalecer as redes sociais &eacute; extremamente positiva, mas n&atilde;o &eacute; um consenso.<\/span><\/p>\n<p>Suely Fragoso &eacute; professora no curso de Comunica&ccedil;&atilde;o e coordenadora do Programa de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Comunica&ccedil;&atilde;o da Unisinos. Graduada em Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), &eacute; mestre em Comunica&ccedil;&atilde;o e Semi&oacute;tica, pela Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica de S&atilde;o Paulo (PUCSP), e doutora em Estudos da Comunica&ccedil;&atilde;o, pela Universidade de Leeds, Inglaterra, com a tese Towards a Semiotic Toy: designing an interactive audio-visual artefact for playful exercise of meaning construction. &Eacute; autora de O Espa&ccedil;o em Perspectiva (Rio de Janeiro: E-Papers, 2005) e uma das organizadoras de Comunica&ccedil;&atilde;o na Cibercultura (S&atilde;o Leopoldo: Editora Unisinos, 2001). Escreveu, tamb&eacute;m, artigos t&eacute;cnicos e v&aacute;rios cap&iacute;tulos de livros.<\/em>                   <\/p>\n<p class=\"padrao\"><strong>&Eacute; poss&iacute;vel falar em uma revolu&ccedil;&atilde;o na comunica&ccedil;&atilde;o a partir do surgimento de novas ferramentas como o Twitter e o Facebook? Por qu&ecirc;?<\/strong><\/p>\n<p>A populariza&ccedil;&atilde;o da internet (nos anos 1990) aumentou exponencialmente o n&uacute;mero de pessoas que passaram a publicizar suas ideias e, ao mesmo tempo, tamb&eacute;m um grande aumento do n&uacute;mero de pessoas a que as mensagens produzidas poderiam chegar, causando uma altera&ccedil;&atilde;o importante no cen&aacute;rio da comunica&ccedil;&atilde;o. Ferramentas como o Twitter e o Facebook ajudam a popularizar ainda mais a internet e, portanto, ampliam ainda mais o espectro dessa mudan&ccedil;a. Esse &eacute; um primeiro modo em que elas afetam o cen&aacute;rio comunicacional, mas elas tamb&eacute;m t&ecirc;m uma especificidade que &eacute; bastante importante e que implica uma guinada no processo &ndash; enquanto os websites seguem um modelo de comunica&ccedil;&atilde;o baseado na ideia de publica&ccedil;&atilde;o (voc&ecirc; publica seu site e os outros podem acessar para ler\/ver), o Facebook, Twitter e outros sistemas baseados em redes sociais t&ecirc;m um funcionamento mais horizontal, que, para diferenciar da &lsquo;publica&ccedil;&atilde;o&rsquo;, poderia ser descrito, por exemplo, pela palavra &ldquo;dissemina&ccedil;&atilde;o&rdquo; (voc&ecirc; comunica a outros que comunicam a outros e assim por diante).<\/p>\n<p>Essa descri&ccedil;&atilde;o enfatiza a diferen&ccedil;a entre esses tr&ecirc;s modos de distribui&ccedil;&atilde;o, mas &eacute; preciso estar atento tamb&eacute;m para o que ela esconde, que &eacute; a perman&ecirc;ncia de hierarquias e verticalidades nas ferramentas de redes sociais. Embora possa parecer perfeitamente horizontalizada, a comunica&ccedil;&atilde;o em sistemas de rede social tamb&eacute;m tem uma estrutura vertical, regida por centros e hierarquias. O dinamismo e a complexidade das redes sociais s&atilde;o decisivos para essa verticalidade, que pode ser percebida com alguma facilidade a partir do reconhecimento das diferentes quantidades de conex&otilde;es estabelecidas pelos participantes desses sistemas. Algumas pessoas t&ecirc;m mais liga&ccedil;&otilde;es que as outras (mais seguidores no Twitter, mais amigos no Facebook) e isso acarreta varia&ccedil;&otilde;es de seus impactos potenciais no processo de dissemina&ccedil;&atilde;o. Falo da diferen&ccedil;a entre uma pessoa com meia d&uacute;zia de seguidores no Twitter, cujas mensagens a princ&iacute;pio seriam lidas por no m&aacute;ximo aquela meia d&uacute;zia, e outra que tem milhares de seguidores, e portanto um p&uacute;blico potencial de milhares de leitores.<\/p>\n<p>Reconhecer as limita&ccedil;&otilde;es da horizontalidade dos processos de comunica&ccedil;&atilde;o nos sistemas de rede social n&atilde;o significa, entretanto, desvalorizar suas diferen&ccedil;as em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o que cham&aacute;vamos de &ldquo;massiva&rdquo;, na qual havia pouqu&iacute;ssimos centros de distribui&ccedil;&atilde;o (costuma-se dizer &ldquo;um&rdquo; centro, mas na maioria dos casos seria mais preciso reconhecer a exist&ecirc;ncia de &ldquo;alguns&rdquo; &ndash; poucos &ndash; centros produtores\/emissores). O novo modelo distributivo da comunica&ccedil;&atilde;o em redes digitais implica uma altera&ccedil;&atilde;o importante, cujos desdobramentos ainda estamos tentando compreender.<strong><\/p>\n<p>Como essas ferramentas ajudam a alterar a concep&ccedil;&atilde;o de subjetividade e intimidade de seus usu&aacute;rios?<\/strong><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, essas ferramentas s&atilde;o adicionadas &agrave;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o que temos sobre o mundo e sobre n&oacute;s mesmos e, portanto, se integram ao amplo e complexo conjunto de fatores que afetam nossa subjetividade. Al&eacute;m disso, como eu j&aacute; mencionei, elas permitem que um n&uacute;mero maior de pessoas fale a um n&uacute;mero igualmente maior de outras. Voltando ao exemplo dos dois usu&aacute;rios imagin&aacute;rios do Twitter, um com seis seguidores e o outro com milhares, &eacute; poss&iacute;vel pensar na situa&ccedil;&atilde;o de ambos com a seguinte analogia: a pessoa que tem meia d&uacute;zia de seguidores se manifesta no Twitter como quem est&aacute; na sala de sua casa, na presen&ccedil;a de uns poucos amigos e\/ou parentes. Quem tem milhares de seguidores, por outro lado, se manifesta como se estivesse diante de um audit&oacute;rio enorme e lotado. Ainda estamos aprendendo a lidar com essa nova escala do alcance poss&iacute;vel das nossas vozes, mas j&aacute; &eacute; bastante evidente que, ao reconfigurar nossas possibilidades de rela&ccedil;&atilde;o com os outros, elas alteram as significa&ccedil;&otilde;es que institu&iacute;mos para n&oacute;s mesmos. <\/p>\n<p>Essa possibilidade de alcan&ccedil;ar grande visibilidade impacta os sentidos do p&uacute;blico e do privado em uma diversidade de maneiras. Por exemplo, algumas pessoas recusam essa visibilidade e procuram evitar n&iacute;veis de exposi&ccedil;&atilde;o que j&aacute; se tornaram corriqueiros, como a divulga&ccedil;&atilde;o de fotografias em &aacute;lbuns no Orkut ou Facebook, ou coment&aacute;rios sobre atividades cotidianas no Twitter. Outros preferem cultivar a visibilidade e se esfor&ccedil;am para atrair e manter o &ldquo;seu p&uacute;blico&rdquo;, por exemplo, procurando divulgar um fluxo cont&iacute;nuo de informa&ccedil;&otilde;es relevantes. H&aacute; aqueles que encontram na publiciza&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria intimidade o caminho para o &ldquo;sucesso&rdquo;, o que n&atilde;o deve ser confundido com a situa&ccedil;&atilde;o, bastante diferente, de divulga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o autorizada da intimidade alheia. Finalmente, h&aacute; os casos de exposi&ccedil;&atilde;o acidental da pr&oacute;pria intimidade, por exemplo quando uma webcam &eacute; esquecida ligada ou quando se divulga uma informa&ccedil;&atilde;o sem dar conta de sua inconveni&ecirc;ncia para alguns p&uacute;blicos. Essas a&ccedil;&otilde;es, tanto as positivas quanto as negativas, tanto as leg&iacute;timas como as criminosas, n&atilde;o constituem novidade em si mesmas &ndash; o que &eacute; novo &eacute; a enormidade da escala em que podem agora reverberar.<strong><\/p>\n<p>O que esses comportamentos revelam sobre o jovem contempor&acirc;neo e a forma&ccedil;&atilde;o de redes sociais na web?<\/strong><\/p>\n<p>Eu vejo mais similaridades que diferen&ccedil;as entre o comportamento dos jovens contempor&acirc;neos e o dos jovens de outros tempos. Quando se olha atrav&eacute;s do aparato tecnol&oacute;gico que sustenta as intera&ccedil;&otilde;es sociais em redes digitais, ao inv&eacute;s de para ele, percebe-se que tanto o desejo de visibilidade quanto os caminhos escolhidos para alcan&ccedil;&aacute;-la permanecem praticamente os mesmos. O que mudou, mais uma vez, foi o alcance dessa visibilidade e, com ele, as reverbera&ccedil;&otilde;es das estrat&eacute;gias utilizadas para alcan&ccedil;&aacute;-la.<\/p>\n<p>Quanto &agrave; forma&ccedil;&atilde;o de redes sociais, h&aacute; indica&ccedil;&otilde;es de que essas ferramentas de intera&ccedil;&atilde;o social s&atilde;o utilizadas com maior frequ&ecirc;ncia para cultivar os la&ccedil;os sociais j&aacute; existentes, e mais raramente para conhecer novas pessoas. Ou seja, &eacute; mais comum conversar no MSN com os colegas de escola do que com pessoas desconhecidas. Assim tamb&eacute;m, a maior parte das rela&ccedil;&otilde;es sociais nascidas da intera&ccedil;&atilde;o em redes digitais n&atilde;o decorre de encontros aleat&oacute;rios, mas de redes sociais pr&eacute;-existentes: as pessoas se aproximam em fun&ccedil;&atilde;o de amizades m&uacute;tuas. Em suma, parece que as ferramentas digitais para intera&ccedil;&atilde;o social t&ecirc;m sido mais utilizadas para o fortalecimento e a expans&atilde;o das &ldquo;velhas&rdquo; redes sociais do que para a cria&ccedil;&atilde;o de novas.<strong><\/p>\n<p>O jornalismo tende a mudar a partir de inova&ccedil;&otilde;es como o Twitter? Por que e em quais aspectos?<\/strong><\/p>\n<p>O Twitter encontrou uma voca&ccedil;&atilde;o para a divulga&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es de cunho menos pessoal que potencializou sua populariza&ccedil;&atilde;o e refor&ccedil;ou sua utiliza&ccedil;&atilde;o como ve&iacute;culo &ldquo;em tempo real&rdquo;. Nos &uacute;ltimos anos, com a expans&atilde;o das redes sem fio, aumentou perceptivelmente a quantidade de pessoas que utilizam o Twitter para comentar palestras que est&atilde;o assistindo ou congressos dos quais est&atilde;o participando, por exemplo. Isso criou uma situa&ccedil;&atilde;o muito peculiar, pois a presen&ccedil;a a um evento agora ocorre simultaneamente nos registros on-line e off-line: quem est&aacute; fisicamente presente, mas n&atilde;o est&aacute; conectado experimenta uma limita&ccedil;&atilde;o que, em alguns aspectos, remete &agrave; da situa&ccedil;&atilde;o inversa, de quem acompanha o evento apenas pela internet.<\/p>\n<p>Evidentemente &eacute; poss&iacute;vel utilizar o Twitter para acompanhar e comentar acontecimentos que interessam a p&uacute;blicos muito mais numerosos que eventos cient&iacute;ficos, como vota&ccedil;&otilde;es no Congresso Nacional, grandes acidentes, finais de futebol etc. As empresas midi&aacute;ticas e o jornalismo institucionalizado est&atilde;o muito conscientes do potencial intr&iacute;nseco &agrave; expans&atilde;o da popularidade do Twitter e j&aacute; marcaram presen&ccedil;a no sistema. Para al&eacute;m de &quot;seguir&quot; pessoas, acompanham-se agora tamb&eacute;m os tweets da Zero Hora, Folha de S. Paulo, Deutsche Welle, Reuters etc. No momento, parecem predominar os usos informativos, mas os exemplos de uso em eventos cient&iacute;ficos sugerem possibilidades para o jornalismo opinativo e para o debate.<\/p>\n<p><strong>E, quanto ao Facebook, qual &eacute; a sua perspectiva junto ao comportamento de seus usu&aacute;rios no que diz respeito a uma mudan&ccedil;a de paradigma de relacionamentos?<br \/><\/strong><br \/>Facebook &eacute; um sistema de rede social como o Orkut. As diferen&ccedil;as entre os dois existem, mas me parecem secund&aacute;rias &agrave; fun&ccedil;&atilde;o de registro e fomento das redes sociais pessoais, de modo que acredito que a ades&atilde;o ao Facebook ter&aacute; desdobramentos muito semelhantes aos do Orkut.<\/p>\n<p><strong>Em termos de exclus&atilde;o digital, como essas duas ferramentas podem aprofundar ou diminuir esse processo?<br \/><\/strong><br \/>O Orkut teve um impacto enorme nas a&ccedil;&otilde;es de inclus&atilde;o digital no Brasil. O mesmo &eacute; verdadeiro para o MSN [mensageiro instant&acirc;neo da Microsoft], que &eacute; uma ferramenta de intera&ccedil;&atilde;o s&iacute;ncrona particularmente popular em nosso pa&iacute;s. Muitas pessoas que antes n&atilde;o tinham interesse na internet ou na web foram atra&iacute;das para as tecnologias digitais quando perceberam seu potencial para a intera&ccedil;&atilde;o social. O n&uacute;mero de pessoas que usou um computador pela primeira vez para &ldquo;fazer um Orkut&rdquo; &eacute; enorme e n&atilde;o s&atilde;o poucos os que buscam informa&ccedil;&otilde;es nos grupos tem&aacute;ticos (que o sistema chamada, inadequadamente, de &ldquo;comunidades&rdquo;). <\/p>\n<p>Eu considero essa apropria&ccedil;&atilde;o da tecnologia digital voltada para o fortalecimento das redes sociais extremamente positiva, mas esta &eacute; uma opini&atilde;o que est&aacute; longe de qualquer consenso. Nos estado de S&atilde;o Paulo, por exemplo, o uso de ferramentas sociais em telecentros foi proibido (pelo Decreto n&ordm; 49.914, de 14 de agosto de 2008). Isso porque o Orkut, MSN e similares s&atilde;o frequentemente vistos como passatempos in&uacute;teis, f&uacute;teis e, de acordo com o texto daquele decreto, at&eacute; como fomentadores de criminalidade. Seriam, portanto, uso inadequado dos equipamentos disponibilizados nos telecentros, que deveriam estar servindo a outras causas, como a capacita&ccedil;&atilde;o profissional, educa&ccedil;&atilde;o etc. Eu me pergunto se as pessoas que compreendem assim o uso das ferramentas sociais j&aacute; se deram ao trabalho de visitar uma quantidade significativa de perfis do Orkut criados e mantidos por pessoas menos acostumadas &agrave;s tecnologias digitais. <\/p>\n<p>Os ganhos de refinamento e dom&iacute;nio das ferramentas s&atilde;o percept&iacute;veis nos registros que v&atilde;o se acumulando ao longo do tempo em cada perfil, por exemplo na &ldquo;photoshopagem&rdquo; de fotografias, na adi&ccedil;&atilde;o de elementos encontrados em outros endere&ccedil;os da web, nas informa&ccedil;&otilde;es e ajuda prestadas por &ldquo;amigos&rdquo; do Orkut (assim como &ldquo;comunidades&rdquo;, &ldquo;amigo&rdquo; &eacute; uma palavra inadequada para descrever as conex&otilde;es no Orkut). H&aacute; casos em que a pr&oacute;pria reda&ccedil;&atilde;o das descri&ccedil;&otilde;es e recados parece se aprimorar, talvez em decorr&ecirc;ncia do uso mais frequente da linguagem verbal escrita. <\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, como cabe a uma ferramenta de rede social, o Orkut &eacute; muito usado para manter contato com a fam&iacute;lia e os amigos, o que &eacute; cada vez mais importante nos tempos de alta mobilidade geogr&aacute;fica em que vivemos. Para al&eacute;m da manuten&ccedil;&atilde;o das redes afetivas, o sistema viabiliza a circula&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es sobre empregos, sa&uacute;de, alimenta&ccedil;&atilde;o e muitos outros assuntos, entre os que est&atilde;o fisicamente pr&oacute;ximos e tamb&eacute;m entre os mais distantes. Os benef&iacute;cios dessas apropria&ccedil;&otilde;es sociais da intera&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica ainda est&atilde;o por ser devidamente percebidos e discutidos.<\/p>\n<p><strong>No caso espec&iacute;fico do Orkut, o que a ades&atilde;o a comunidades como &ldquo;eu odeio quem odeia&rdquo; demonstram a respeito da socializa&ccedil;&atilde;o, necessidade de aprova&ccedil;&atilde;o e gostos dos internautas?<\/strong><span class=\"padrao\"><\/p>\n<p>Eu escrevi um artigo cujo t&iacute;tulo faz men&ccedil;&atilde;o a essas comunidades &ldquo;eu odeio quem odeia&rdquo;, que para mim s&atilde;o um retrato de uma agressividade da cultura brasileira que o senso comum reiteradamente tenta negar. Registros desse tipo est&atilde;o espalhados por todo o Orkut. O texto ao qual dei esse t&iacute;tulo usa como exemplo a famosa &ldquo;tomada&rdquo; do Orkut em 2004, um movimento violento e xenof&oacute;bico que n&atilde;o tinha como objetivo apenas aumentar o n&uacute;mero de brasileiros no Orkut, mas expulsar todos os n&atilde;o-brasileiros (especialmente os estadunidenses, vistos como os &ldquo;donos&rdquo; do Orkut porque o servi&ccedil;o foi criado e &eacute; mantido pelo Google). <\/p>\n<p>Uma das muitas pr&aacute;ticas adotadas na &eacute;poca consistia em entupir com mensagens em portugu&ecirc;s as &ldquo;comunidades&rdquo; em ingl&ecirc;s at&eacute; tornar insuport&aacute;vel a participa&ccedil;&atilde;o para quem n&atilde;o entendesse a nossa l&iacute;ngua. Bastava entrar no Orkut para encontrar &ldquo;instru&ccedil;&otilde;es&rdquo; desse tipo, mas ao mesmo tempo repetia-se na m&iacute;dia (e tamb&eacute;m nas universidades) que o elevado n&uacute;mero de brasileiros no Orkut era uma prova de que somos um povo amig&aacute;vel, feliz, que gosta de compartilhar e conviver com os outros. Eu conhe&ccedil;o estrangeiros que tentaram se comunicar amigavelmente em portugu&ecirc;s naquela &eacute;poca e foram objeto de esc&aacute;rnio pelos seus erros de ortografia ou conjuga&ccedil;&atilde;o de verbos e me pergunto como descrever&iacute;amos quem nos tratasse do mesmo modo no Facebook ou no Twitter, por exemplo. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadora fala sobre impactos da Internet na sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[43],"tags":[1016],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22681"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22681"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22681\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22681"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22681"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22681"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}