{"id":22661,"date":"2009-04-13T15:54:10","date_gmt":"2009-04-13T15:54:10","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22661"},"modified":"2009-04-13T15:54:10","modified_gmt":"2009-04-13T15:54:10","slug":"porque-somos-contra-salvar-o-projeto-do-senador-azeredo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22661","title":{"rendered":"Porque somos contra salvar o projeto do senador Azeredo"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, pressionado por setores da Pol&iacute;cia Federal aliados ao Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), agora presidente da Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do Senado, quer apresentar uma proposta para &quot;melhorar&quot; o projeto substitutivo de crimes na rede (de autoria da equipe do Azeredo). A proposta do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a de fato retira uma quantidade enorme de absurdos e imprecis&otilde;es do substitutivo do senador Azeredo, mas mant&eacute;m elementos inaceit&aacute;veis e introduz novidades obscuras, tais como a tentativa de criminalizar &quot;provedores de conte&uacute;do&quot; que n&atilde;o tenham condi&ccedil;&otilde;es de vigiar seus usu&aacute;rios. A seguir uma breve cr&iacute;tica a proposta do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a: <\/p>\n<p>1- Precisamos definir uma lei com os direitos dos cidad&atilde;os na comunica&ccedil;&atilde;o em redes digitais. A viola&ccedil;&atilde;o dos direitos essenciais definidos nesta lei &eacute; que deve ser considerada pr&aacute;tica criminosa.<\/p>\n<p>2- Devemos exigir o direito de navegar sem termos nosso rastro digital controlado pelas corpora&ccedil;&otilde;es, pelos criminosos e pelos Estados autorit&aacute;rios. Armazenar dados da nossa navega&ccedil;&atilde;o por mais de seis meses deve ser considerado crime. O projeto de salva&ccedil;&atilde;o do Substitutivo do Azeredo faz exatamente o contr&aacute;rio. <\/p>\n<p>3- A proposta legitima o DRM, mecanismo de restri&ccedil;&atilde;o de c&oacute;pias em aparelhos e sistemas informatizados, e criminaliza a sua inutiliza&ccedil;&atilde;o. A nova reda&ccedil;&atilde;o do artigo 285-A diz que &eacute; crime &quot;Acessar, indevidamente, informa&ccedil;&otilde;es protegidas por restri&ccedil;&atilde;o de acesso, contidas em sistema informatizado&quot;. Reda&ccedil;&atilde;o absurda. <\/p>\n<p>4- Para impedir o crime de invas&atilde;o bastaria escrever que seria considerada pr&aacute;tica criminosa &quot;invadir servidores de rede e computadores sem autoriza&ccedil;&atilde;o de seu respons&aacute;vel&quot;. Mas a comunidade da vigil&acirc;ncia, coordenada pela equipe do Senador Azeredo, quer deixar a porta aberta para interpreta&ccedil;&otilde;es mais amplas. Continua inaceit&aacute;vel o artigo 285-A. <\/p>\n<p>5- O projeto de salva&ccedil;&atilde;o do Substitutivo do Senador Azeredo define que provedor de acesso &eacute; &quot;qualquer pessoa jur&iacute;dica, p&uacute;blica ou privada, que faculte aos usu&aacute;rios dos seus servi&ccedil;os a possibilidade de conex&atilde;o &agrave; Internet mediante atribui&ccedil;&atilde;o ou valida&ccedil;&atilde;o de endere&ccedil;o IP&quot;. Assim fica claro que uma escola, faculdade, qualquer lan house ou empresa que forne&ccedil;a uma conex&atilde;o &agrave; Internet est&aacute; enquadrado como provedor. <\/p>\n<p>6- O projeto de salva&ccedil;&atilde;o do Substitutivo do Senador Azeredo exclui o famigerado artigo 22, mas mant&eacute;m o seu conte&uacute;do piorado no artigo 5. Os provedores devem guardar dados de navega&ccedil;&atilde;o dos seus usu&aacute;rios por 3 anos (Qual &eacute; o interesse do pessoal que insiste em 3 anos? vemos claramente as m&atilde;os das auditprias de conformidade). Al&eacute;m disso, seguindo a l&oacute;gica do Geraldo Alckimin, em S&atilde;o Paulo, exige que os provedores tenham &quot;nome completo, g&ecirc;nero, filia&ccedil;&atilde;o, data de nascimento e n&uacute;mero de registro de pessoa f&iacute;sica ou jur&iacute;dica de seus usu&aacute;rios&quot;. Minha m&atilde;e, agora para acessar a Internet terei que mostrar meu RG&#8230; <\/p>\n<p>7- O projeto liquida as redes abertas an&ocirc;nimas dentro de institui&ccedil;&otilde;es privadas. Por exemplo, no semina&#341;io de cidadania digital da Ca&#347;per, terei que cadastrar todo mundo que for asistir as palestras e twittar, pois do contr&aacute;rio estarei violando o projeto de salva&ccedil;&atilde;o do Substitutivo do Senador Azeredo. <\/p>\n<p>8- O mais contradit&oacute;rio e lament&aacute;vel &eacute; que os telecentros, as redes abertas mantidas pelo Poder P&uacute;blico est&atilde;o fora dessas regras (at&eacute; porque inviabilizaria todos estes projetos de inclus&atilde;o digital). Veja o Art. 6&ordm;. Repare que as lan houses, pessoas jur&iacute;dicas privadas, ter&atilde;o que pedir o RG e o nome dos pais do usu&aacute;rio, mas a rede aberta de Copacabana, n&atilde;o. Diria um observador mais atento que isso ser&aacute; derrubado pelo Supremo. O que ser&aacute; derrubado? A n&atilde;o aplica&ccedil;&atilde;o da lei aos projetos de inclus&atilde;o digital, pois n&atilde;o existe essa de dizer que crime s&oacute; &eacute; cometido atrav&eacute;s de pessoas jur&iacute;dicas privadas. Equivale a dizer que &quot;violar o c&oacute;digo penal &eacute; crime, menos nos programas de inclus&atilde;o digital&quot;. Pegadinha de mau gosto.<\/p>\n<p>9- O senhor Alckimin sancionou uma lei em SP que exige registro cadastral (n&atilde;o com filia&ccedil;&atilde;o e outros dados como no projeto em quest&atilde;o) h&aacute; mais de 3 anos. No mesmo per&iacute;odo o crime digital cresceu absurdamente. Resultado da medida: fracasso total. Os mais bem humorados poderiam at&eacute; concluir que a lei de cadastro e identifica&ccedil;&atilde;o gerou um crescimento estat&iacute;stico dos crimes na Internet, a partir do Estado de SP. Piada. Estas medidas visam apenas a aplica&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria quando for de interesse da alta e da baixa administra&ccedil;&atilde;o (um fiscal que queira prejudicar uma lan house por motivos particulares). <\/p>\n<p>10- Agora, vamos ao pior! REPARE. O projeto de Salva&ccedil;&atilde;o do Substitutivo do Azeredo atingiu o seu limite de obscurantismo no par&aacute;grafo 5&ordm; do Art. 5&ordm;. No projeto anterior n&atilde;o existia nenhuma alus&atilde;o aos chamados provedores de conte&uacute;do. Agora a comunidade da vigil&acirc;ncia quer controlar e vasculhar as redes sociais. Querem que todo provedor de conte&uacute;do demonstre &quot;possuir a capacidade de coletar, armazenar e disponibilizar dados inform&aacute;ticos para fins de investiga&ccedil;&atilde;o criminal ou instru&ccedil;&atilde;o processual penal&quot; (inciso III).<\/p>\n<p>11- Veja o que &eacute; provedor de conte&uacute;do no Art. 4&ordm;: <br \/>&quot;II &ndash; provedor de conte&uacute;do: qualquer pessoa jur&iacute;dica, p&uacute;blica ou privada, que coloque informa&ccedil;&otilde;es &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de terceiros por meio da Internet.&quot; Quem ser&aacute; atingido por este artigo? O site de uma empresa pequenina, um cluster de blog, o twitter, o Facebook, o Youtube, o site da par&oacute;quia da sua prefer&ecirc;ncia, o Yappr, o wordpress, a wikipedia, o digg, o gazeta esportiva online, o sourceforge, etc. Enfim, quase todo mundo que monta uma p&aacute;gina na web. <\/p>\n<p>12- Quem quer isto? A comunidade de vigil&acirc;ncia que nunca se conformou com a comunica&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da. Eles querem impedir que possamos continuar divulgando a rede TOR, hospedada no Eletronic Frontier Foundation, usada para assegurar a comunica&ccedil;&atilde;o an&ocirc;nima, sem intrus&atilde;o. Querem agir como o governo autorit&aacute;rio da China. <\/p>\n<p>13- Por fim, continua a tal regulamenta&ccedil;&atilde;o da lei depois de sua aprova&ccedil;&atilde;o. Imagine a PF fazendo tal regulamenta&ccedil;&atilde;o. Imagine se n&atilde;o reaparecer&aacute; a necesidade das auditorias de conformidade. &Eacute; claro que voltar&atilde;o. Fizemos v&aacute;rias conversas com o Julio Semeghini e com o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a. Explicamos que esta lei &eacute; absurda, pois atinge o cidad&atilde;o e pouco afeta os crackers. Esta lei facilita o abuso, a chantagem, o vigilantismo. <\/p>\n<p>O MJ e o deputado do PSDB ficaram de agendar uma reuni&atilde;o com os t&eacute;cnicos da PF que dizem que esta lei ir&aacute; permitir o combate aos crimes digitais. Mostramos que isto n&atilde;o ocorreria. A reuni&atilde;o n&atilde;o aconteceu. O projeto que apresentam melhorou muito pouco em rela&ccedil;&atilde;o ao Substitutivo do Azeredo e piorou de modo intenso na quest&atilde;o do provimento de acesso e agora (novidade) conte&uacute;do. Lament&aacute;vel. As empresas que usam wordpress ter&atilde;o que provar que t&ecirc;m capacidade de vigil&acirc;ncia sobre as suas postagens, sobre as redes sociais que venham formar. Absurdo. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, pressionado por setores da Pol&iacute;cia Federal aliados ao Senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), agora presidente da Comiss&atilde;o de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais do Senado, quer apresentar uma proposta para &quot;melhorar&quot; o projeto substitutivo de crimes na rede (de autoria da equipe do Azeredo). 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