{"id":22652,"date":"2009-04-07T17:36:05","date_gmt":"2009-04-07T17:36:05","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22652"},"modified":"2009-04-07T17:36:05","modified_gmt":"2009-04-07T17:36:05","slug":"mistificacoes-em-torno-da-liberdade-abstrata","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22652","title":{"rendered":"Mistifica\u00e7\u00f5es em torno da liberdade abstrata"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">A causa da liberdade provoca paix&otilde;es. Paix&otilde;es que alucinam. Empolgado na defesa de sua proposta de aboli&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa, na sess&atilde;o em que o Supremo Tribunal Federal come&ccedil;ava a discutir o tema, o deputado Miro Teixeira exagerou na met&aacute;fora cl&aacute;ssica do &quot;quarto poder&quot;: a imprensa n&atilde;o seria apenas representante do povo, seria o pr&oacute;prio povo. Assim resumiu O Globo a fala do deputado, na edi&ccedil;&atilde;o de quinta-feira (2\/4):<\/p>\n<p>&quot;A imprensa s&atilde;o os olhos do povo. Requeiro que desapare&ccedil;a a possibilidade de pena a jornalista ou respons&aacute;vel pela publica&ccedil;&atilde;o sempre que houver causalidade com o direito do povo e que n&oacute;s possamos ter um pa&iacute;s em que o povo possa controlar o Estado e n&atilde;o que o Estado possa controlar o povo, como temos hoje&quot;. E o povo, como todo mundo sabe, &quot;se v&ecirc;&quot; na Globo.<\/p>\n<p>Caberia perguntar, ent&atilde;o, qual o sentido da democracia e da realiza&ccedil;&atilde;o regular de elei&ccedil;&otilde;es diretas para os mais variados cargos legislativos e executivos do poder do Estado, qual o sentido da exist&ecirc;ncia dos mais diversos movimentos sociais e organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, se quem nos representa &ndash; perd&atilde;o: quem incorpora nossa identidade &ndash; s&atilde;o as empresas de comunica&ccedil;&atilde;o? Grandes empresas privadas de comunica&ccedil;&atilde;o, segundo o modelo vigente no pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Grandes empresas privadas podem ser a refer&ecirc;ncia de express&atilde;o do interesse p&uacute;blico?<\/p>\n<p>Quem sabe a pergunta nem fa&ccedil;a sentido, pois &eacute; for&ccedil;oso reconhecer que, identificada com o &quot;povo&quot;, a imprensa estabeleceria essa &quot;linha direta&quot; &ndash; portanto, sem media&ccedil;&otilde;es &ndash; comprometida com a express&atilde;o daquilo que outro deputado, em outra ocasi&atilde;o, chamou de &quot;instintos mais primitivos&quot;. Afinal, o &quot;povo&quot; &eacute; assim.<\/p>\n<p>Entretanto, vindo de quem vem, o racioc&iacute;nio nem &eacute; t&atilde;o surpreendente. Num passado relativamente recente, numa das muitas vezes em que os exageros televisivos expressavam precisamente esses &quot;instintos&quot; e levaram &agrave; discuss&atilde;o sobre a necessidade de se estabelecer limites para a programa&ccedil;&atilde;o, Miro Teixeira, ent&atilde;o ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, argumentava singelamente que &quot;o melhor controle &eacute; o controle remoto&quot; [CartaCapital, &quot;Globo: quest&atilde;o de Estado&quot;, 1\/10\/2003]. Era uma declara&ccedil;&atilde;o absolutamente coerente com a l&oacute;gica neoliberal da democratic marketplace, na qual o cidad&atilde;o &eacute; assimilado ao consumidor e o consumidor &quot;tem sempre raz&atilde;o&quot;. Hoje, por&eacute;m, com o abalo provocado por uma crise financeira global de consequ&ecirc;ncias ainda imprevis&iacute;veis, conviria refrear um pouco esse ardor em torno do mercado.<\/p>\n<p><strong>Liberdade de express&atilde;o x liberdade de imprensa<\/strong><\/p>\n<p>Retornemos ao argumento original. Esse &quot;direito do povo&quot; a que o deputado se refere &eacute; o direito &agrave; liberdade de express&atilde;o, automaticamente identificado ao da liberdade de imprensa. Seria importante desfazer o equ&iacute;voco, porque afinal se trata de duas coisas diferentes: bastaria indagar, por exemplo, se o jornalista funcion&aacute;rio de uma empresa goza de tal liberdade; ou mesmo se &quot;o povo&quot; n&atilde;o teria a sua liberdade de express&atilde;o restrita quando envia uma carta n&atilde;o publicada ou &ndash; nesses tempos de &quot;cidad&atilde;os-rep&oacute;rteres&quot; &ndash; manda uma colabora&ccedil;&atilde;o ou den&uacute;ncia que acaba descartada. (Neste segundo caso, a resposta &oacute;bvia &eacute; n&atilde;o, porque n&atilde;o h&aacute; jornalismo sem edi&ccedil;&atilde;o, e editar significa fazer escolhas. Jornais devem zelar por sua linha editorial. Al&eacute;m disso, em qualquer suporte diferente da internet, t&ecirc;m espa&ccedil;o limitado).<\/p>\n<p>Mas essa confus&atilde;o &eacute; muito adequada quando se deseja tratar abstratamente desse tema t&atilde;o delicado que &eacute; a liberdade de imprensa, esquecendo-se convenientemente as condi&ccedil;&otilde;es concretas em que se pratica o jornalismo e os interesses envolvidos no neg&oacute;cio da imprensa, especialmente num contexto de forte concentra&ccedil;&atilde;o dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Ressalvas ignoradas<\/strong><\/p>\n<p>Na exposi&ccedil;&atilde;o de motivos em que sustenta a proposta de revoga&ccedil;&atilde;o da lei, Miro Teixeira busca fundamenta&ccedil;&atilde;o em uma s&eacute;rie de juristas, entre os quais pelo menos dois apontam conflitos que ultrapassam a demanda espec&iacute;fica da peti&ccedil;&atilde;o. Assim, Jos&eacute; Joaquim Gomes Canotilho ressalta:<\/p>\n<p>&quot;A liberdade interna de imprensa (&#8230;), que implica a liberdade de express&atilde;o e cria&ccedil;&atilde;o dos jornalistas bem como sua interven&ccedil;&atilde;o na orienta&ccedil;&atilde;o ideol&oacute;gica dos &oacute;rg&atilde;os de informa&ccedil;&atilde;o (&#8230;), pode considerar-se em colis&atilde;o com o direito de propriedade das empresas jornal&iacute;sticas&quot;.<\/p>\n<p>Logo a seguir, Jos&eacute; Afonso da Silva argumenta:<\/p>\n<p>&quot;A liberdade de informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; simplesmente a liberdade do dono da empresa jornal&iacute;stica ou do jornalista. A liberdade destes &eacute; reflexa no sentido de que ela s&oacute; existe e se justifica na medida do direito dos indiv&iacute;duos a uma informa&ccedil;&atilde;o correta e imparcial. A liberdade dominante &eacute; a de ser informado, a de ter acesso &agrave;s fontes de informa&ccedil;&atilde;o, a de obt&ecirc;-la. O dono da empresa e o jornalista t&ecirc;m um direito fundamental de exercer sua atividade, sua miss&atilde;o, mas especialmente t&ecirc;m um dever. Reconhece-se-lhes o direito de informar ao p&uacute;blico os acontecimentos e ideias, mas sobre eles incide o dever de informar &agrave; coletividade de tais acontecimentos e ideias objetivamente, sem alterar-lhes a verdade ou esvaziar-lhes o sentido original, do contr&aacute;rio, n&atilde;o se ter&aacute; informa&ccedil;&atilde;o, mas deforma&ccedil;&atilde;o. Os jornalistas e empresas jornal&iacute;sticas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres&quot;.<\/p>\n<p><strong>A liberdade &quot;natural&quot;<br \/><\/strong><br \/>O jurista prossegue nos termos cl&aacute;ssicos que reiteram o papel da imprensa como &quot;quarto poder&quot;, elemento de express&atilde;o da vontade popular e de defesa contra os excessos do Estado. N&atilde;o envereda pela discuss&atilde;o das quest&otilde;es complexas e sempre pol&ecirc;micas sobre objetividade e imparcialidade, que est&atilde;o no cerne da pr&aacute;tica jornal&iacute;stica. Apenas anota a cr&iacute;tica: jornais e jornalistas reclamam mais seu direito do que cumprem seus deveres.<\/p>\n<p>&Eacute; quanto basta, sobretudo porque a frase jamais ser&aacute; mencionada &ndash; muito menos destacada &ndash; em qualquer jornal. E, embora sirva-se do argumento de dois juristas que fazem tais ressalvas, Miro sustenta que &quot;o pensamento e sua manifesta&ccedil;&atilde;o, assim como a informa&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o naturalmente livres&quot;. Naturalmente: vivemos num mundo &ndash; e num pa&iacute;s &ndash; igualit&aacute;rio, sem coer&ccedil;&otilde;es ou constrangimentos.<\/p>\n<p><strong>Liberdade e responsabilidade<br \/><\/strong><br \/>Ao justificar seu voto pela extin&ccedil;&atilde;o total da Lei de Imprensa, o ministro Ayres Britto, relator da a&ccedil;&atilde;o proposta pelo deputado, mencionou a necessidade de &quot;permanente concilia&ccedil;&atilde;o entre liberdade [para a atua&ccedil;&atilde;o da imprensa] e responsabilidade&quot;, porque, &quot;sob o prisma do conjunto da sociedade, quanto mais se afirma a igualdade como caracter&iacute;stica central de um povo, mais a liberdade ganha o t&ocirc;nus de responsabilidade&quot;. Entretanto, n&atilde;o explorou esse caminho, que conduziria a uma estimulante discuss&atilde;o sobre a suposta, ou pretendida, &quot;mudan&ccedil;a de paradigma&quot; &ndash; da liberdade de imprensa para a responsabilidade da imprensa &ndash; ensejada h&aacute; mais de 60 anos pelo famoso relat&oacute;rio da Comiss&atilde;o Hutchins, como Ven&iacute;cio A. Lima exp&ocirc;s em artigo neste Observat&oacute;rio (ver &quot;A responsabilidade social da m&iacute;dia&quot;).<\/p>\n<p>Pelo contr&aacute;rio, logo no in&iacute;cio de sua declara&ccedil;&atilde;o de voto, o ministro cita a Primeira Emenda da Constitui&ccedil;&atilde;o americana, sem recordar que, desde 1919, a Suprema Corte daquele pa&iacute;s estabelece limites &agrave; livre express&atilde;o, como o advogado Jos&eacute; Paulo Cavalcanti Filho demonstrou em artigo tamb&eacute;m publicado neste Observat&oacute;rio (ver &quot;O drama da verdade &ndash; ou discurso sobre alguns mitos da informa&ccedil;&atilde;o&quot;).<\/p>\n<p>A sequ&ecirc;ncia do discurso &eacute; a reitera&ccedil;&atilde;o do pensamento liberal cl&aacute;ssico. Ayres Britto define a imprensa como &quot;o espa&ccedil;o institucional que melhor se disponibiliza para o uso articulado do pensamento e do sentimento humanos como fatores de defesa e promo&ccedil;&atilde;o do indiv&iacute;duo, tanto quanto da organiza&ccedil;&atilde;o do Estado e da sociedade&quot; e considera que &quot;&eacute; pelos mais altos e largos portais da imprensa que a democracia v&ecirc; os seus mais excelsos conte&uacute;dos descerem dos colmos ol&iacute;mpicos da pura abstratividade para penetrar fundo na carne do real&quot;.<\/p>\n<p>No entanto, deixa-se ficar na abstratividade, ao refor&ccedil;ar o argumento de Miro Teixeira, que v&ecirc; &quot;a imprensa como alternativa &agrave; explica&ccedil;&atilde;o ou vers&atilde;o estatal de tudo que possa repercutir no seio da sociedade&quot;, e da&iacute; concluir que ela significa o &quot;garantido espa&ccedil;o de irrup&ccedil;&atilde;o do pensamento cr&iacute;tico em qualquer situa&ccedil;&atilde;o ou conting&ecirc;ncia&quot; (o destaque &eacute; meu).<\/p>\n<p><strong>As &quot;neves eternas da legalidade&quot;<br \/><\/strong><br \/>V&iacute;cio de jurista, talvez, como escreveu certa vez o tamb&eacute;m jurista Nilo Batista, com a verve que lhe &eacute; peculiar: <\/p>\n<p>&quot;Juristas sofrem de uma doen&ccedil;a profissional perigosa, proveniente do contraste entre as altas temperaturas da fundi&ccedil;&atilde;o do discurso do poder e as neves eternas da legalidade compreendida pelo vi&eacute;s positivista, que congela esse discurso na lei. Tal enfermidade nos habilita a perceber conflitos sociais como simples defici&ecirc;ncia de normatiza&ccedil;&atilde;o, que o inesgot&aacute;vel Estado do bem-estar jur&iacute;dico tratar&aacute; logo de suprir, motivo pelo qual adquirimos a capacidade m&aacute;gica de super&aacute;-los com dois ou tr&ecirc;s artigos e par&aacute;grafos. Ficamos sempre um pouco desorientados perante a for&ccedil;a bruta que rompe os modelos legais, ansiosos por repousar no porto seguro de alguns incisos e al&iacute;neas&quot;.<\/p>\n<p>(A prop&oacute;sito, o trecho &eacute; parte de um artigo que o autor enviou &agrave; Folha de S.Paulo, no qual tentava polemizar com um professor norte-americano que, em artigo reproduzido no caderno &quot;Mais!&quot;, defendia a pol&iacute;tica de guerra de Bush. &quot;Tentou em v&atilde;o&quot;, como escreveu na revista da qual &eacute; editor, e na qual finalmente publicou seu texto. &quot;Parece que a opini&atilde;o de juristas brasileiros, salvo poucas exce&ccedil;&otilde;es, n&atilde;o interessa muito ao `Mais!&acute;, ou interessa mais ou menos&quot;).<\/p>\n<p><strong>Penetrando &quot;a carne do real&quot;<br \/><\/strong><br \/>Assim, s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel pensar que a imprensa &eacute; esse &quot;garantido espa&ccedil;o de irrup&ccedil;&atilde;o do pensamento cr&iacute;tico&quot; se desconsiderarmos as situa&ccedil;&otilde;es objetivas e optarmos pelo consolo dos incisos e al&iacute;neas, como numa par&aacute;frase &agrave; m&aacute;xima do Direito: dentro da lei, dentro da vida. Dessa forma, o ministro pode afirmar que &quot;quem quer que seja pode dizer o que quer que seja&quot;. Pode, ainda, elogiar o caminho da autorregula&ccedil;&atilde;o da imprensa, buscando o exemplo do notici&aacute;rio sobre o parlamentar americano que se suicidou em frente &agrave;s c&acirc;meras: as imagens foram congeladas antes do disparo fatal. <\/p>\n<p>Entretanto, se quisesse &quot;penetrar fundo na carne do real&quot;, poderia ficar por aqui mesmo e recordar o recente epis&oacute;dio da cobertura em &quot;tempo real&quot; do sequestro e assassinato da jovem Elo&aacute; Pimentel, em Santo Andr&eacute;; ou do acompanhamento ao vivo do &quot;caso Isabella&quot;; ou dos ataques do PCC em S&atilde;o Paulo, em 2006; e paremos por aqui porque a lista &eacute; intermin&aacute;vel.<\/p>\n<p><strong>Um equ&iacute;voco de origem ancestral<br \/><\/strong><br \/>Como se h&aacute; de perceber, este artigo n&atilde;o pretendeu discutir a necessidade ou n&atilde;o de uma Lei de Imprensa, embora esta seja uma quest&atilde;o de extrema relev&acirc;ncia. Pretendeu apenas demonstrar os descaminhos de um debate central para a cidadania, quando se desconsidera a realidade concreta para a defini&ccedil;&atilde;o do direito de informar e ser informado.<\/p>\n<p>N&atilde;o seria poss&iacute;vel concluir sem mencionar uma hip&oacute;tese para as origens desse equ&iacute;voco tradicional que suspeita do poder do Estado e aceita placidamente o poder econ&ocirc;mico. Como argumentei certa vez, a id&eacute;ia de autonomia ou independ&ecirc;ncia da imprensa significa implicitamente autonomia ou independ&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao Estado &ndash; o que ratifica o conceito de &quot;quarto poder&quot; &ndash;, enquanto a depend&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o ao poder econ&ocirc;mico &eacute; vista como parte da ordem natural das coisas.<\/p>\n<p>A origem dessa dicotomia sugere uma remiss&atilde;o completamente descontextualizada ao entendimento do mercado como uma extens&atilde;o da vida dom&eacute;stica, na qual os cidad&atilde;os deliberam &quot;livremente&quot;. Ou seja, enquanto a naturaliza&ccedil;&atilde;o do papel pol&iacute;tico da imprensa como fiscal do poder tem dois s&eacute;culos, a naturaliza&ccedil;&atilde;o da subordina&ccedil;&atilde;o da imprensa &agrave;s leis do mercado &eacute; um pouco mais antiga: remete &agrave; polis grega, ao oikos como extens&atilde;o da vida privada.<span class=\"padrao\"> O que mais impressiona &eacute; que, na era da mais extrema concentra&ccedil;&atilde;o de capital do mundo globalizado, esse equ&iacute;voco ainda sobreviva. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A causa da liberdade provoca paix&otilde;es. Paix&otilde;es que alucinam. Empolgado na defesa de sua proposta de aboli&ccedil;&atilde;o da Lei de Imprensa, na sess&atilde;o em que o Supremo Tribunal Federal come&ccedil;ava a discutir o tema, o deputado Miro Teixeira exagerou na met&aacute;fora cl&aacute;ssica do &quot;quarto poder&quot;: a imprensa n&atilde;o seria apenas representante do povo, seria o &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22652\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Mistifica\u00e7\u00f5es em torno da liberdade abstrata<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[53],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22652"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22652"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22652\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}