{"id":22651,"date":"2009-04-07T17:22:49","date_gmt":"2009-04-07T17:22:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22651"},"modified":"2009-04-07T17:22:49","modified_gmt":"2009-04-07T17:22:49","slug":"jornalista-denuncia-ma-fe-da-fsp-e-armadilha-contra-dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22651","title":{"rendered":"Jornalista denuncia m\u00e1 f\u00e9 da FSP e armadilha contra Dilma"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">O jornalista Antonio Roberto Espinosa, professor de Pol&iacute;tica Internacional, doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), autor de &quot;Abra&ccedil;os que sufocam &ndash; E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclop&eacute;dia Contempor&acirc;nea da Am&eacute;rica Latina e do Caribe&quot;, encaminhou uma carta &agrave; reda&ccedil;&atilde;o da Folha de S&atilde;o Paulo, protestando contra a edi&ccedil;&atilde;o da entrevista por telefone que concedeu ao jornal. Segundo ele, a Folha preparou uma &ldquo;armadilha&rdquo; para a ministra Dilma Rousseff usando uma entrevista que concedeu a uma das suas rep&oacute;teres da sucursal de Bras&iacute;lia. Na carta que encaminhou &agrave; reda&ccedil;&atilde;o, ele denuncia a m&aacute; f&eacute; dos editores do jornal. Segue a &iacute;ntegra da correspond&ecirc;ncia:<\/p>\n<p>Prezados senhores,<\/p>\n<p>Chocado com a mat&eacute;ria publicada na edi&ccedil;&atilde;o de hoje (domingo, 5), p&aacute;ginas A8 a A10 deste jornal, a partir da chamada de capa &ldquo;Grupo de Dilma planejou seq&uuml;estro de Delfim Neto&rdquo;, e da repercuss&atilde;o da mesma nos blogs de v&aacute;rios de seus articulistas e no jornal Agora, do mesmo grupo, solicito a publica&ccedil;&atilde;o desta carta na &iacute;ntegra, sem edi&ccedil;&otilde;es ou cortes, na edi&ccedil;&atilde;o de amanh&atilde;, segunda-feira, 6 de abril, no &ldquo;Painel do Leitor&rdquo; (ou em espa&ccedil;o equivalente e com chamada de capa), para o restabelecimento da verdade, e sem preju&iacute;zo de outras medidas que vier a tomar. Esclare&ccedil;o preliminarmente que:<\/p>\n<p>1) N&atilde;o conhe&ccedil;o pessoalmente a rep&oacute;rter Fernanda Odilla, pois fui entrevistado por ela somente por telefone. A prop&oacute;sito, estranho que um jornal do porte da Folha publique mat&eacute;rias dessa relev&acirc;ncia com base somente em &ldquo;investiga&ccedil;&otilde;es&rdquo; telef&ocirc;nicas;<\/p>\n<p>2) Nossa primeira conversa durou cerca de 3 horas e espero que tenha sido gravada. Desafio o jornal a publicar a entrevista na &iacute;ntegra, para que o leitor a compare com o conte&uacute;do da mat&eacute;ria editada. Esclare&ccedil;o que concedi a entrevista porque defendo a transpar&ecirc;ncia e a clareza hist&oacute;rica, inclusive com a abertura dos arquivos da ditadura. J&aacute; concedi dezenas de entrevistas semelhantes a historiadores, jornalistas, estudantes e simples curiosos, e estou sempre dispon&iacute;vel a todos os interessados;<\/p>\n<p>3) Quem informou &agrave; Folha que o Superior Tribunal Militar (STM) guarda um precioso arquivo dos tempos da ditadura fui eu. A rep&oacute;rter, por&eacute;m, n&atilde;o conseguiu acessar o arquivo, recorrendo novamente a mim, para que lhe fornecesse autoriza&ccedil;&atilde;o pessoal por escrito, para investigar fatos relativos &agrave; minha participa&ccedil;&atilde;o na luta armada, n&atilde;o da ministra Dilma Rousseff. Posteriormente, por e-mail, fui novamente procurado pela rep&oacute;rter, que me enviou o croquis do trajeto para o s&iacute;tio Gramad&atilde;o, em Jundia&iacute;, supostamente apreendido no aparelho em que eu residia, no bairro do Lins de Vasconcelos, Rio de Janeiro. Ela indagou se eu reconhecia o desenho como parte do levantamento para o seq&uuml;estro do ent&atilde;o ministro da Fazenda Delfim Neto. Na oportunidade disse-lhe que era a primeira vez que via o croquis e, como jornalista que tamb&eacute;m sou, lhe sugeri que mostrasse o desenho ao pr&oacute;prio Delfim (co-signat&aacute;rio do Ato Institucional n&uacute;mero 5, principal quadro civil do governo ditatorial e c&uacute;mplice das ilegalidades, assassinatos e torturas).<\/p>\n<p>Afirmo publicamente que os editores da Folha transformaram um n&atilde;o-fato de 40 anos atr&aacute;s (o seq&uuml;estro que n&atilde;o houve de Delfim) num fact&oacute;ide do presente (iniciando uma forma s&oacute;rdida de anticampanha contra a Ministra). A dire&ccedil;&atilde;o do jornal (ou a sua rep&oacute;rter, pouco importa) tomou como provas conclusivas somente o suposto croquis e a distor&ccedil;&atilde;o grosseria de uma longa entrevista que concedi sobre a hist&oacute;ria da VAR-Palmares. Ou seja, praticou o pior tipo de jornalismo sensacionalista, algo que envergonha a profiss&atilde;o que tamb&eacute;m exer&ccedil;o h&aacute; mais de 35 anos, entre os quais por dois meses na &Uacute;ltima Hora, sob a dire&ccedil;&atilde;o de Samuel Wayner (demitido que fui pela intoler&acirc;ncia do falecido Oct&aacute;vio Frias a pessoas com um passado pol&iacute;tico de lutas democr&aacute;ticas). A respeito da natureza tendenciosa da edi&ccedil;&atilde;o da referida mat&eacute;ria fa&ccedil;o quest&atilde;o de esclarecer:<\/p>\n<p>1) A VAR-Palmares n&atilde;o era o &ldquo;grupo da Dilma&rdquo;, mas uma organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica de resist&ecirc;ncia &agrave; infame ditadura que se alastrava sobre nosso pa&iacute;s, que s&oacute; era branda para os que se beneficiavam dela. Em virtude de sua defesa da democracia, da igualdade social e do socialismo, teve dezenas de seus militantes covardemente assassinados nos por&otilde;es do regime, como Chael Charles Shreier, Yara Iavelberg, Carlos Roberto Zanirato, Jo&atilde;o Domingues da Silva, Fernando Ruivo e Carlos Alberto Soares de Freitas. O mais importante, hoje, n&atilde;o &eacute; saber se a estrat&eacute;gia e as t&aacute;ticas da organiza&ccedil;&atilde;o estavam corretas ou n&atilde;o, mas que ela integrava a ampla resist&ecirc;ncia contra um regime ileg&iacute;timo, instaurado pela for&ccedil;a bruta de um golpe militar;<\/p>\n<p>2) Dilma Rousseff era militante da VAR-Palmares, sim, como &eacute; de conhecimento p&uacute;blico, mas sempre teve uma milit&acirc;ncia somente pol&iacute;tica, ou seja, jamais participou de a&ccedil;&otilde;es ou do planejamento de a&ccedil;&otilde;es militares. O respons&aacute;vel nacional pelo setor militar da organiza&ccedil;&atilde;o naquele per&iacute;odo era eu, Antonio Roberto Espinosa. E assumo a responsabilidade moral e pol&iacute;tica por nossas iniciativas, denunciando como s&oacute;rdidas as insinua&ccedil;&otilde;es contra Dilma;<\/p>\n<p>3) Dilma sequer teria como conhecer a id&eacute;ia da a&ccedil;&atilde;o, a menos que fosse informada por mim, o que, se ocorreu, foi para o conjunto do Comando Nacional e em termos r&aacute;pidos e vagos. Isto porque a VAR-Palmares era uma organiza&ccedil;&atilde;o clandestina e se preocupava com a seguran&ccedil;a de seus quadros e planos, sem contar que &ldquo;informa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica&rdquo; &eacute; algo completamente distinto de &ldquo;informa&ccedil;&atilde;o factual&rdquo;. Jamais eu diria a qualquer pessoa, mesmo do comando nacional, algo t&atilde;o ing&ecirc;nuo, in&uacute;til e contraproducente como &ldquo;vamos seq&uuml;estrar o Delfim, voc&ecirc; concorda?&rdquo;. O que disse &agrave; rep&oacute;rter &eacute; que informei politicamente ao nacional, que ficava no Rio de Janeiro, que o Regional de S&atilde;o Paulo estava fazendo um levantamento de um quadro importante do governo, talvez para seq&uuml;estro e resgate de companheiros ent&atilde;o em prec&aacute;rias condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de e em risco de morte pelas torturados sofridas. A esse prop&oacute;sito, conv&eacute;m lembrar que o pr&oacute;prio companheiro Carlos Marighela, comandante nacional da ALN, n&atilde;o ficou sabendo do seq&uuml;estro do embaixador americano Charles Burke Elbrick. Por que, ent&atilde;o, a Dilma deveria ser informada da a&ccedil;&atilde;o contra o Delfim? &Eacute; perfeitamente compreens&iacute;vel que ela n&atilde;o tivesse essa informa&ccedil;&atilde;o e totalmente cr&iacute;vel que o pr&oacute;prio Carlos Ara&uacute;jo, seu ent&atilde;o companheiro, diga hoje n&atilde;o se lembrar de nada;<\/p>\n<p>4) A Folha, que errou a grafia de meu nome e uma de minhas ocupa&ccedil;&otilde;es atuais (n&atilde;o sou &ldquo;doutorando em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais&rdquo;, mas em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica), tamb&eacute;m informou na capa que havia um plano detalhado e que &ldquo;a a&ccedil;&atilde;o chegou a ter data e local definidos&rdquo;. Se foi assim, qual era o local definido, o dia e a hora? Desafio que os editores mostrem a grava&ccedil;&atilde;o em que eu teria informado isso &agrave; rep&oacute;rter;<\/p>\n<p>5) Uma coisa elementar para quem viveu a &eacute;poca: qualquer plano de a&ccedil;&atilde;o envolvia aspectos t&eacute;cnicos (ou seja, mais de car&aacute;ter militar) e pol&iacute;ticos. O levantamento (que &eacute; efetivamente o que estava sendo feito, n&atilde;o nego) seria apenas o come&ccedil;o do come&ccedil;o. Essa parte poderia ficar pronta em mais duas ou tr&ecirc;s semanas. Reiterando: o Comando Regional de S&atilde;o Paulo ainda n&atilde;o sabia com certeza sequer a freq&uuml;&ecirc;ncia e regularidade das visitas de Delfim a seu amigo no s&iacute;tio. Depois disso seria preciso fazer o plano militar, ou seja, como a a&ccedil;&atilde;o poderia ocorrer tecnicamente: planejamento log&iacute;stico, armas, locais de esconderijo etc. Somente ap&oacute;s o plano militar seria elaborado o plano pol&iacute;tico, a parte mais complicada e delicada de uma opera&ccedil;&atilde;o dessa natureza, que envolveria a estrat&eacute;gia de negocia&ccedil;&otilde;es, a defini&ccedil;&atilde;o das exig&ecirc;ncias para troca, a lista de companheiros a serem libertados, o manifesto ou declara&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica &agrave; na&ccedil;&atilde;o etc. O comando nacional s&oacute; participaria do planejamento , portanto, mais tarde, na sua fase pol&iacute;tica. At&eacute; pode ser que, no momento oportuno, viesse a delegar essa fun&ccedil;&atilde;o a seus quadros mais experientes, possivelmente eu, o Carlos Ara&uacute;jo ou o Carlos Alberto, dificilmente a Dilma ou Mariano Jos&eacute; da Silva, o Loiola, que haviam acabado de ser eleitos para a dire&ccedil;&atilde;o; no caso dela, sequer tinha viv&ecirc;ncia militar;<\/p>\n<p>6) Chocou-me, portanto, a sele&ccedil;&atilde;o arbitr&aacute;ria e edi&ccedil;&atilde;o de m&aacute;-f&eacute; da entrevista, pois, em alguns dias e sem recursos sequer para uma entrevista pessoal &ndash; apelando para telefonemas e e-mails, e dependendo das orienta&ccedil;&otilde;es de um jornalista mais experiente, no caso o pr&oacute;prio entrevistado -, a rep&oacute;rter chegou a conclus&otilde;es mais perempt&oacute;rias do que a pr&oacute;pria pol&iacute;cia da ditadura, amparada em torturas e num absurdo poder discricion&aacute;rio. Prova disso &eacute; que nenhum de n&oacute;s foi incriminado por isso na &eacute;poca pelos oficiais militares e delegados dos famigerados Doi-Codi e Deops e eu n&atilde;o fui denunciado por qualquer um dos tr&ecirc;s promotores militares das auditorias onde respondi a processos, a Primeira e a Segunda auditorias de Guerra, de S&atilde;o Paulo, e a Segunda Auditoria da Marinha, do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Osasco, 5 de abril de 2009<\/p>\n<p>Antonio Roberto Espinosa<\/p>\n<p class=\"padrao\">Jornalista, professor de Pol&iacute;tica Internacional, doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela USP, autor de Abra&ccedil;os que sufocam &ndash; E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclop&eacute;dia Contempor&acirc;nea da Am&eacute;rica Latina e do Caribe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jornalista Antonio Roberto Espinosa, professor de Pol&iacute;tica Internacional, doutorando em Ci&ecirc;ncia Pol&iacute;tica pela Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), autor de &quot;Abra&ccedil;os que sufocam &ndash; E outros ensaios sobre a liberdade e editor da Enciclop&eacute;dia Contempor&acirc;nea da Am&eacute;rica Latina e do Caribe&quot;, encaminhou uma carta &agrave; reda&ccedil;&atilde;o da Folha de S&atilde;o Paulo, protestando contra a &hellip; <a href=\"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22651\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Jornalista denuncia m\u00e1 f\u00e9 da FSP e armadilha contra Dilma<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[271],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22651"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22651"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22651\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22651"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22651"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22651"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}