{"id":22642,"date":"2009-04-02T14:36:34","date_gmt":"2009-04-02T14:36:34","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22642"},"modified":"2009-04-02T14:36:34","modified_gmt":"2009-04-02T14:36:34","slug":"tv-digital-acertos-e-desacertos-no-processo-de-implantacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22642","title":{"rendered":"TV Digital: acertos e desacertos no processo de implanta\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"padrao\">Passado pouco mais de um ano de seu lan&ccedil;amento, a TV digital atinge 46% da popula&ccedil;&atilde;o. No entanto, o percentual de brasileiros que aderiram &agrave; tecnologia &eacute; ainda insignificante: apenas 645 mil usu&aacute;rios, at&eacute; dezembro de 2008. A falta de esclarecimento e conte&uacute;dos atrativos para a popula&ccedil;&atilde;o, incentivos para as ind&uacute;strias, defini&ccedil;&otilde;es para a interatividade e regula&ccedil;&atilde;o para a nova m&iacute;dia s&atilde;o car&ecirc;ncias que ajudam a entender o atraso na ades&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo assim, 12 cidades brasileiras j&aacute; transmitem o sinal digital. S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro, Goi&acirc;nia, Campinas, Cuiab&aacute;, Belo Horizonte, Florian&oacute;polis, Vit&oacute;ria, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Teresina s&atilde;o as pioneiras. Em breve, mais cidades do interior paulista, bem como Uberl&acirc;ndia, tamb&eacute;m ter&atilde;o acesso &agrave; tecnologia. O objetivo do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es &eacute; avan&ccedil;ar no cronograma de implanta&ccedil;&atilde;o e levar a televis&atilde;o digital para todas as capitais brasileiras at&eacute; o final de 2009.<\/p>\n<p>A campanha do F&oacute;rum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), denominada &quot;Democracia Digital&quot;, veiculada pelas emissoras televisivas abertas a partir do carnaval, tenta convencer a sociedade das vantagens da nova tecnologia, como maior qualidade de imagem e som de forma gratuita (na verdade, sem pagamento adicional direto). Contudo, os pseudo-benef&iacute;cios apresentados est&atilde;o longe de atingir as expectativas geradas pelo pol&ecirc;mico sistema nipo-brasileiro, na verdade mais nipo do que brasileiro. <\/p>\n<p>Expectativas estas causada pela promessa de interatividade e, conseq&uuml;entemente, maior participa&ccedil;&atilde;o dos telespectadores na programa&ccedil;&atilde;o, o que garantiria maior diversidade e inclus&atilde;o social, al&eacute;m de outras caracter&iacute;sticas levantadas durante o processo de implanta&ccedil;&atilde;o, como a multiprograma&ccedil;&atilde;o (transmiss&atilde;o simult&acirc;nea de at&eacute; quatro programas por canal).<\/p>\n<p><strong>Lan&ccedil;amento do primeiro middleware<br \/><\/strong><br \/>Um fator adicional a ser analisado &eacute; que, neste momento, h&aacute; necessidade de reduzir custos na produ&ccedil;&atilde;o de conversores e televisores, para torn&aacute;-los acess&iacute;veis &agrave; popula&ccedil;&atilde;o. Neste caso, uma solu&ccedil;&atilde;o poderia ser dada pelo governo federal atrav&eacute;s de isen&ccedil;&atilde;o fiscal ou incentivos financeiros. Seria uma a&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria, perante a inviabilidade do crescimento do setor a partir unicamente das vari&aacute;veis econ&ocirc;micas. Outro ponto fr&aacute;gil na defini&ccedil;&atilde;o do caminho nacional de televis&atilde;o digital &eacute; que o compromisso dos japoneses de instalar uma ind&uacute;stria de semicondutores no Brasil, divulgado pelo governo brasileiro no per&iacute;odo do acordo entre os dois pa&iacute;ses, em 2006, padeceu por n&atilde;o cumprimento, um caminho presum&iacute;vel, j&aacute; que tal solu&ccedil;&atilde;o n&atilde;o foi formalizada.<\/p>\n<p>Na &uacute;ltima semana de fevereiro de 2009, o primeiro middleware baseado em Ginga chegou ao mercado. Ele foi desenvolvido pela RCA Soft Inform&aacute;tica, de Campinas, e est&aacute; dispon&iacute;vel para compra no s&iacute;tio da empresa. Basicamente, o usu&aacute;rio que fizer a aquisi&ccedil;&atilde;o s&oacute; vai us&aacute;-lo para acompanhar os testes digitais de algumas emissoras paulistas e, ainda assim, sem a linguagem Java, que permite a interatividade esperada. No entanto, o lan&ccedil;amento do middleware representou a estr&eacute;ia comercial do primeiro componente genuinamente brasileiro da TV digital, fruto de s&eacute;rias pesquisas acad&ecirc;micas.<\/p>\n<p><strong>Inclus&atilde;o digital e diversidade<br \/><\/strong><br \/>Poucas pessoas ficaram sabendo da novidade porque, na pr&aacute;tica, n&atilde;o houve repercuss&atilde;o, estando as quest&otilde;es da poss&iacute;vel interatividade na televis&atilde;o digital brasileira muito marcadas por desinforma&ccedil;&atilde;o. O alvo das aten&ccedil;&otilde;es nesse per&iacute;odo foi outro importante recurso da TV digital: a multiprograma&ccedil;&atilde;o. Regularizada de forma exclusiva para as emissoras da Uni&atilde;o, ela tornou-se proibida mesmo para as TVs educativas estaduais. O argumento do ministro das Comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, &eacute; evitar abusos por parte das emissoras comerciais, como o aluguel dos canais. Entretanto, a promessa &eacute; de que a situa&ccedil;&atilde;o se regularize num curto espa&ccedil;o de tempo.<\/p>\n<p>A medida adotada pelo governo federal pode ter sido uma decis&atilde;o pol&iacute;tica, originada da press&atilde;o exercida pelos grupos de comunica&ccedil;&atilde;o hegem&ocirc;nicos, notadamente a Rede Globo. &Eacute; fato que a multiprograma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; aprovada pela Globo, j&aacute; que a produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos para mais de uma programa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de envolver grandes investimentos, aumenta a disputa por audi&ecirc;ncia e patrocinadores, favorecendo as n&atilde;o-l&iacute;deres, ao multiplicar ainda mais a oferta de produtos culturais. Desse modo, mesmo que o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es regularize essa quest&atilde;o, o impasse est&aacute; longe de acabar, uma vez que a tecnologia pode ampliar a comercializa&ccedil;&atilde;o de espa&ccedil;os para outros agentes, assim como a pirataria.<\/p>\n<p>Uma nova legisla&ccedil;&atilde;o para a comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica, que englobe as plataformas convergentes com a tecnologia digital, poderia solucionar grande parte dos problemas, com a cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que fomentem a inclus&atilde;o digital e garantam maior diversidade no amplo setor das comunica&ccedil;&otilde;es. Esta &eacute;, sem d&uacute;vida, uma pauta que deve estar presente na Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, convocada para dezembro de 2009 pelo presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva. O que n&atilde;o se pode &eacute; endossar uma confer&ecirc;ncia para discutir a comunica&ccedil;&atilde;o que s&oacute; aborde os ve&iacute;culos alternativos, deixando de lado a m&iacute;dia hegem&ocirc;nica nacional.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passado pouco mais de um ano de seu lan&ccedil;amento, a TV digital atinge 46% da popula&ccedil;&atilde;o. No entanto, o percentual de brasileiros que aderiram &agrave; tecnologia &eacute; ainda insignificante: apenas 645 mil usu&aacute;rios, at&eacute; dezembro de 2008. 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