{"id":22636,"date":"2009-03-30T13:42:33","date_gmt":"2009-03-30T13:42:33","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22636"},"modified":"2014-09-07T02:58:18","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:18","slug":"a-audiencia-na-tv-cultura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22636","title":{"rendered":"A audi\u00eancia na TV Cultura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"padrao\">Desde o final de fevereiro, a TV Cultura de S&atilde;o Paulo vem sendo questionada publicamente sobre o seu desempenho no Ibope. O debate come&ccedil;ou no Conselho Curador da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta, &agrave; qual pertence a emissora, e logo ganhou p&aacute;ginas de jornais, revistas, al&eacute;m de blogs e sites. Como integrante do conselho, presenciei todas as discuss&otilde;es. Nem todos os argumentos, por&eacute;m, chegaram ao conhecimento da opini&atilde;o p&uacute;blica. Por isso julgo pertinente fazer aqui alguns esclarecimentos [veja <a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=22609\">&quot;TV Cultura: Governo de S&atilde;o Paulo critica baixos &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia&quot;<\/a> ].<\/p>\n<p>Comecemos pelos n&uacute;meros do Ibope. Como o pr&oacute;prio presidente da Funda&ccedil;&atilde;o Padre Anchieta, o jornalista Paulo Markun, declarou ao jornal Folha de S.Paulo no dia 17 de mar&ccedil;o, a audi&ecirc;ncia m&eacute;dia (por minuto domiciliar) da Cultura, das 7 &agrave;s 24 horas na grande S&atilde;o Paulo, &eacute; de 1,4%. Trata-se de um &iacute;ndice modesto, sobretudo quando comparado aos da Globo, que s&atilde;o dez vezes mais altos, segundo c&aacute;lculos da pr&oacute;pria Cultura com base em dados do Ibope.<\/p>\n<p>Um quadro desalentador, certo? Errado. Esses n&uacute;meros devem ser lidos com mais aten&ccedil;&atilde;o. A Cultura tem menos telespectadores que a l&iacute;der no Ibope, &eacute; fato, mas tamb&eacute;m tem muito menos dinheiro. O or&ccedil;amento anual da Rede Globo (conforme foi divulgado pela Folha em 8\/12\/2008) &eacute; 36 vezes maior que o da Cultura e, quando levamos em conta essas propor&ccedil;&otilde;es, as coisas come&ccedil;am a mudar de fisionomia.<\/p>\n<p>Tome-se como exemplo a programa&ccedil;&atilde;o infantil da emissora, que registra entre tr&ecirc;s e quatro pontos. Melhor ainda: se considerarmos apenas o universo das crian&ccedil;as de 4 a 11 anos de idade, veremos que at&eacute; 10% delas ficam ligadas na Cultura. Enfim, para quem gosta de contabilizar quantidade de telespectadores em fun&ccedil;&atilde;o do dinheiro investido, os resultados ainda deixam a desejar, mas est&atilde;o longe de ser p&iacute;fios.<\/p>\n<p><strong>Cultura e informa&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>Falemos um pouco mais de cifr&otilde;es. No ano passado, o or&ccedil;amento da Cultura atingiu a casa dos R$ 204,4 milh&otilde;es. Desses, apenas R$ 85,9 milh&otilde;es vieram dos cofres do governo estadual. O restante teve origem em receitas pr&oacute;prias, como os servi&ccedil;os prestados a terceiros (&agrave; TV Justi&ccedil;a, por exemplo), os financiamentos viabilizados pela Lei Rouanet e a publicidade. N&atilde;o &eacute; verdade, portanto, que o Estado de S&atilde;o Paulo destine anualmente R$ 200 milh&otilde;es &agrave; Cultura, como chegou a ser noticiado. Ele investe bem menos do que isso.<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que investe pouco. O montante de R$ 85,9 milh&otilde;es chega a ser t&iacute;mido perto dos R$ 350 milh&otilde;es reservados pelo governo federal, apenas em 2008, para a Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), que p&otilde;e no ar a TV Brasil. &Eacute; ainda mais rasteiro diante das fortunas que o poder p&uacute;blico, em todos os n&iacute;veis da administra&ccedil;&atilde;o, paga aos ve&iacute;culos privados pela veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade governamental.<\/p>\n<p>Para que se tenha uma ideia, apenas no ano de 2007 a Presid&ecirc;ncia da Rep&uacute;blica e seus principais minist&eacute;rios ocuparam espa&ccedil;os publicit&aacute;rios avaliados em R$ 449,4 milh&otilde;es pelo M&iacute;dia Dados, editado pelo Grupo de M&iacute;dia S&atilde;o Paulo. No mesmo ano, s&oacute; os espa&ccedil;os publicit&aacute;rios do governo paulista atingiram o valor de R$ 59,3 milh&otilde;es. O fato &eacute; que os governos p&otilde;em muito mais dinheiro nas emissoras privadas do que nas p&uacute;blicas e, estranhamente, n&atilde;o se v&ecirc; ningu&eacute;m reclamando da qualidade dos programas comerciais patrocinados por verbas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>Isso tudo quer dizer que devamos descartar o debate sobre a audi&ecirc;ncia da TV p&uacute;blica? De modo algum. A audi&ecirc;ncia &eacute; desej&aacute;vel. Quanto maior, melhor. Mas &eacute; preciso ir com calma. Para uma TV comercial, os &iacute;ndices de audi&ecirc;ncia v&ecirc;m em primeiro lugar porque s&atilde;o a medida de sua mercadoria: o que ela vende para os anunciantes s&atilde;o os olhos da plateia &ndash; e quem mede a quantidade de olhos s&atilde;o os pontos do Ibope. <\/p>\n<p>J&aacute; para uma TV p&uacute;blica, o que mais importa &eacute; levar cultura e informa&ccedil;&atilde;o de qualidade aos diversos segmentos da popula&ccedil;&atilde;o. A quantidade de telespectadores &eacute; um dos crit&eacute;rios a levar em conta, por certo, mas n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico nem o priorit&aacute;rio (se assim fosse, bastariam alguns audit&oacute;rios espalhafatosos no domingo e notici&aacute;rios sensacionalistas nos finais da tarde para que todo mundo se desse por satisfeito).<\/p>\n<p><strong>Mais ousadia<\/strong><\/p>\n<p>A TV p&uacute;blica existe para ser uma alternativa ao mercado. Existe para ser diferente. Se se contentasse em reeditar as f&oacute;rmulas da radiodifus&atilde;o comercial, a&iacute;, sim, desperdi&ccedil;aria cada centavo nela investido. N&oacute;s n&atilde;o precisamos de emissoras p&uacute;blicas que fa&ccedil;am proselitismo governista &ndash; e tamb&eacute;m n&atilde;o precisamos delas para fazer eco aos ditames da ind&uacute;stria do entretenimento. Elas s&oacute; s&atilde;o necess&aacute;rias porque s&atilde;o de outra natureza. Se fossem iguais, seriam dispens&aacute;veis.<\/p>\n<p>Uma TV comercial n&atilde;o pode se dar ao luxo de exibir programas de literatura ou de m&uacute;sica cl&aacute;ssica. Eles n&atilde;o d&atilde;o lucro. J&aacute; a TV p&uacute;blica tem o dever de mant&ecirc;-los na grade, pois os cidad&atilde;os que normalmente n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave;s salas de concerto ou aos saraus liter&aacute;rios dependem dela para conhecer essas formas de arte. Do mesmo modo, quando difunde cria&ccedil;&otilde;es da cultura popular, a TV p&uacute;blica d&aacute; visibilidade a manifesta&ccedil;&otilde;es que sem ela minguariam na escurid&atilde;o.<\/p>\n<p>Claro que n&atilde;o se faz uma boa programa&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica apenas com folclore e cl&aacute;ssicos. Claro que n&atilde;o se pode dar de ombros para as prefer&ecirc;ncias dos telespectadores. Tanto isso &eacute; verdade que uma das marcas das boas emissoras p&uacute;blicas &eacute; a sua capacidade de inovar e surpreender, dentro de uma grade diferente, diversificada e ampla.<\/p>\n<p>Oferecer qualidade cultural sem se divorciar do p&uacute;blico n&atilde;o &eacute; um desafio qualquer. &Eacute; espinhoso. Melhorar a nossa TV p&uacute;blica requer muito mais do que t&eacute;cnicas espertas que prometem turbinar a audi&ecirc;ncia. Requer de n&oacute;s a arte de promover o encontro entre as necessidades culturais de nossa gente e a intelig&ecirc;ncia, a inventividade, a capacidade de envolver o p&uacute;blico.<\/p>\n<p class=\"padrao\">Melhorar a nossa TV p&uacute;blica come&ccedil;a pela ousadia de compreend&ecirc;-la. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde o final de fevereiro, a TV Cultura de S&atilde;o Paulo vem sendo questionada publicamente sobre o seu desempenho no Ibope. 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