{"id":22624,"date":"2009-03-24T19:22:09","date_gmt":"2009-03-24T19:22:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22624"},"modified":"2009-03-24T19:22:09","modified_gmt":"2009-03-24T19:22:09","slug":"minc-apresenta-proposta-de-revisao-da-lei-rouanet","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22624","title":{"rendered":"MinC apresenta proposta de revis\u00e3o da Lei Rouanet"},"content":{"rendered":"<p> \t<!-- \t\t@page { margin: 2cm } \t\tP { margin-bottom: 0.21cm } \t\tA:link { so-language: zxx } \t--> \t                                   <\/p>\n<p class=\"padrao\">Ap&oacute;s mais de cinco anos de debate, o Minist&eacute;rio da Cultura finalmente apresentou publicamente sua proposta da revis&atilde;o da Lei Federal de Incentivo &agrave; Cultura (8.313\/1991), mais conhecida como Lei Rouanet. O Projeto de Lei, que prev&ecirc; a substitui&ccedil;&atilde;o desse instrumento por um  Programa de Fomento e Incentivo &agrave; Cultura (Profic), foi divulgado nessa segunda-feira (23) em Bras&iacute;lia e colocado sob consulta p&uacute;blica no s&iacute;tio do Minist&eacute;rio (<a href=\"http:\/\/www.cultura.gov.br\/\">www.cultura.gov.br<\/a>) pelos pr&oacute;ximos 45 dias.<\/p>\n<p>O ministro Juca Ferreira admitiu no evento que houve uma demora para a conclus&atilde;o do texto, mas argumentou que ela possibilitou uma articula&ccedil;&atilde;o mais s&oacute;lida em torno da proposta. &ldquo;Assumo que houve atraso. Poder&iacute;amos ter feito no terceiro ano do primeiro governo Lula. Mas lucramos com a demora, pois ganhamos ambiente favor&aacute;vel ao debate&rdquo;, justificou.<\/p>\n<p>Como lembrado por Ferreira, desde a primeira gest&atilde;o do governo Lula que a pasta, ent&atilde;o comandada por Gilberto Gil, declara-se fortemente descontente com o atual modelo de financiamento da &aacute;rea. O principal problema, na avalia&ccedil;&atilde;o do MinC, &eacute; a din&acirc;mica que coloca os recursos p&uacute;blicos, pois advindos de impostos n&atilde;o arrecadados em raz&atilde;o da ren&uacute;ncia fiscal, sob controle privado, uma vez que as empresas s&atilde;o as definidoras dos projetos beneficiados.<\/p>\n<p>Por conta da aposta de governos anteriores neste mecanismo, ele assumiu uma presen&ccedil;a desproporcional em rela&ccedil;&atilde;o aos recursos investidos diretamente pelo governo federal. Enquanto o primeiro movimenta R$ 1,2 bilh&atilde;o por ano, o Executivo injeta apenas R$ 280 milh&otilde;es no setor. No entanto, isso n&atilde;o significa que a maior parte dos investimentos seja de origem privada. Segundo dados do Minist&eacute;rio, 90% dos recursos aplicados em projetos culturais s&atilde;o p&uacute;blicos e apenas 10% v&ecirc;m de contrapartidas da iniciativa privada.<\/p>\n<p>&ldquo;Este modelo n&atilde;o &eacute; justo, n&atilde;o &eacute; pol&iacute;tica p&uacute;blica, pois a Lei n&atilde;o nos d&aacute; instrumentos para realizar uma pol&iacute;tica de fato para a Cultura. As empresas &eacute; que definem o que vai ser financiado. O que predomina &eacute; o crit&eacute;rio privado, que &eacute; excludente&rdquo;, analisou o ministro. Esta l&oacute;gica, acrescentou, se mostrou concentradora do ponto de vista financeiro, regional e dos setores beneficiados. Atualmente, apenas 3% dos proponentes abocanham 50% dos recursos captados, sendo 80% deste total destinado aos estados do Rio de Janeiro e de S&atilde;o Paulo. Enquanto isso, os 30 menores segmentos recebem apenas 14% das verbas incentivadas.<\/p>\n<p>Segundo Juca Ferreira, esta pol&iacute;tica foi motivada por uma &ldquo;hipocrisia cont&aacute;bil&rdquo;,  &ldquo;pois o dinheiro n&atilde;o aparece no c&aacute;lculo do super&aacute;vit prim&aacute;rio&rdquo;, e pela ideologia de que o Estado deveria ter uma participa&ccedil;&atilde;o m&iacute;nima na sociedade. &ldquo;Esta id&eacute;ia acabou. N&atilde;o somos estatistas, mas temos responsabilidades que s&atilde;o incontorn&aacute;veis e intransfer&iacute;veis. N&atilde;o h&aacute; como democratizar a cultura com esta id&eacute;ia ing&ecirc;nua de que o Estado tem que estar de fora&rdquo;, defendeu.<\/p>\n<p><strong>Racionaliza&ccedil;&atilde;o&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>O diagn&oacute;stico duro em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Lei Rouanet n&atilde;o &eacute; acompanhado, no projeto do MinC, de uma ruptura ou mudan&ccedil;a radical. &Eacute; fato que o projeto organiza de fato um sistema de financiamento, fortalecendo o Fundo Nacional de Cultura e dividindo-o em seis fundos setoriais. Destes, cinco seriam criados &#8211; voltados &agrave;s &aacute;reas de Artes; Cidadania, Identidade e Diversidade Cultural; Mem&oacute;ria e Patrim&ocirc;nio Brasileiro; e Livro e Leitura -, um seria incorporado &#8211; o Fundo Setorial do Audiovisual &ndash; e um seria institu&iacute;do para promover uma aloca&ccedil;&atilde;o equilibrada das verbas &#8211; Fundo Global de Equaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; fato tamb&eacute;m que a proposta racionaliza os mecanismos de parceria com a iniciativa privada, especialmente o da ren&uacute;ncia fiscal. O texto prev&ecirc; a extin&ccedil;&atilde;o dos percentuais fixos de 100% e de 30% para a ren&uacute;ncia, prevendo &iacute;ndices de 30%, 60%, 70%, 80%, 90% e 100%. Estes seriam definidos a partir de tr&ecirc;s crit&eacute;rios de avalia&ccedil;&atilde;o: desenvolvimento de linguagem, contribui&ccedil;&atilde;o para a economia da cultura e acessibilidade. Ou seja, a ren&uacute;ncia seria tanto maior quanto fosse o atendimento destes crit&eacute;rios, entendidos como contribui&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias ao desenvolvimento cultural do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Esta avalia&ccedil;&atilde;o, segundo a proposta, ser&aacute; prerrogativa da Comiss&atilde;o Nacional de Incentivo &agrave; Cultura (CNIC), que passaria a definir o montante e a forma de aloca&ccedil;&atilde;o dos recursos. A composi&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o, com metade dos membros da sociedade e metade do poder p&uacute;blico, foi um dos pontos destacados pelo ministro Juca Ferreira como um instrumento de democratiza&ccedil;&atilde;o da gest&atilde;o sobre os recursos do setor.<\/p>\n<p>Por fim, o projeto tamb&eacute;m visa atingir o gargalo do consumo ao propor a cria&ccedil;&atilde;o de um Vale Cultura, com valor de face de R$ 50. Ele seria custeado de maneira compartilhada, sendo 30% pelo governo por meio de ren&uacute;ncia fiscal, 50% pelos empregadores e 20% pelos trabalhadores. A expectativa do MinC &eacute; beneficiar 12 milh&otilde;es de pessoas com este instrumento.<\/p>\n<p><strong>..sem reequil&iacute;brio<\/strong><\/p>\n<p>Mas o principal problema do modelo, a despropor&ccedil;&atilde;o entre os recursos via ren&uacute;ncia, portanto geridos por entes privados, e aqueles oriundos do Or&ccedil;amento do Estado, n&atilde;o &eacute; atacado de maneira mais radical no projeto. O reequil&iacute;brio depende, ainda, das articula&ccedil;&otilde;es que o Minist&eacute;rio da Cultura ir&aacute; fazer para atrair fontes de recursos para a nova formata&ccedil;&atilde;o do Fundo Nacional de Cultura. &ldquo;Estamos buscando recursos ainda, de fato ainda temos pouca coisa garantida&rdquo;, disse Juca Ferreira no evento de apresenta&ccedil;&atilde;o do texto.<\/p>\n<p>Na proposta do Minist&eacute;rio, a &uacute;nica fonte de receitas nova &eacute; a Loteria Federal da Cultural, que seria criada por lei espec&iacute;fica. Ferreira lembrou que o Fundo Setorial do Audiovisual j&aacute; conta com um montante relevante de recursos e afirmou que est&atilde;o avan&ccedil;adas as negocia&ccedil;&otilde;es para a reserva de verbas ao futuro fundo setorial da Leitura e do Livro.<\/p>\n<p>No entanto, Ferreira admitiu que a fonte central &eacute; vincula&ccedil;&atilde;o dos recursos da Uni&atilde;o ao setor, prevista na Proposta de Emenda Constitucional 150 em tramita&ccedil;&atilde;o no Congresso. Ela prop&otilde;e que a &aacute;rea receba, obrigatoriamente 2% do Or&ccedil;amento Geral da Uni&atilde;o (OGU), 1,5% do or&ccedil;amento dos estados e 1% do or&ccedil;amento dos munic&iacute;pios. &ldquo;Nosso sonho &eacute; garantir 2%, mas precisamos de, no m&iacute;nimo, 1% do OGU&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Caminho tortuoso<br \/><\/strong><br \/>O projeto j&aacute; ter&aacute; sua primeira prova de fogo na consulta p&uacute;blica. Embora o largo tempo de prepara&ccedil;&atilde;o tenha possibilitado &agrave; equipe do MinC angariar apoios, ainda h&aacute; resist&ecirc;ncias no meio cultural. Mas os maiores obst&aacute;culos deve vir da grande m&iacute;dia comercial e dos partidos de oposi&ccedil;&atilde;o no Congresso Nacional, que desde a proposta de cria&ccedil;&atilde;o de uma Ag&ecirc;ncia Nacional de Cinema e Audiovisual (Ancinav), apresentada pelo Minist&eacute;rio em 2004, atacam qualquer iniciativa de melhoria da presen&ccedil;a do Estado no setor, utilizando a acusa&ccedil;&atilde;o indiscriminada de &ldquo;dirigismo cultural&rdquo;.<\/p>\n<p>Soma-se a isso o escasso tempo at&eacute; o fim desta segunda gest&atilde;o do governo Lula. O ano de 2010, em raz&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais e estaduais, ser&aacute; mais curto para o Legislativo e dever&aacute; ser tomado pelo acirramento da disputa partid&aacute;ria, o que pode dificultar acordos no parlamento. &ldquo;Teremos oposi&ccedil;&atilde;o ao projeto, a proximidade com 2010 vai atrapalhar um pouco&rdquo;, comentou Juca Ferreira. Mas o ministro acredita que ser&aacute; poss&iacute;vel aprovar a cria&ccedil;&atilde;o do Profic. &ldquo;Trabalharemos at&eacute; o &uacute;ltimo dia do governo para que a proposta seja transformada em Lei&rdquo;, disse.  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de racionalizar e qualificar os mecanismos de ren\u00fancia fiscal, proposta n\u00e3o altera desequil\u00edbrio entre receitas incentivadas e investimentos estatais diretos <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[159],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22624"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22624"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22624\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}