{"id":22610,"date":"2009-03-17T16:14:29","date_gmt":"2009-03-17T16:14:29","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22610"},"modified":"2009-03-17T16:14:29","modified_gmt":"2009-03-17T16:14:29","slug":"conseguira-cristina-fazer-o-que-lula-nao-fez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22610","title":{"rendered":"Conseguir\u00e1 Cristina fazer o que Lula n\u00e3o fez?"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"padrao\">Na abertura da sess&atilde;o legislativa no &uacute;ltimo dia 1&ordm; de mar&ccedil;o, a presidenta argentina Cristina Kirchner reiterou que ser&aacute; enviado ao Congresso, ainda este ano, projeto de lei geral de radiodifus&atilde;o para substituir o decreto-lei 22.285, promulgado pela ditadura militar em 1981, que pretende desmonopolizar o mercado e democratizar a radiodifus&atilde;o. O envio ser&aacute; precedido pelo lan&ccedil;amento de grande campanha de comunica&ccedil;&atilde;o que dever&aacute; estimular o debate p&uacute;blico do tema e real&ccedil;ar sua import&acirc;ncia para o cotidiano dos argentinos.<\/p>\n<p>A principal preocupa&ccedil;&atilde;o do governo argentino &eacute; o controle da m&iacute;dia &ndash; eletr&ocirc;nica e\/ou impressa &ndash;, hoje concentrado nas m&atilde;os de uns poucos empres&aacute;rios privados (nacionais e\/ou estrangeiros) &ndash; o que lhes confere, obviamente, enorme poder (ver abaixo trechos de entrevista de Gabriel Mariotto, interventor do Comit&eacute; Federal de Radiodifusi&oacute;n). Al&eacute;m disso, ao contr&aacute;rio do Brasil, a Argentina n&atilde;o decidiu ainda sobre o padr&atilde;o digital que adotar&aacute;. Tamb&eacute;m n&atilde;o se decidiu sobre a entrada das teles na distribui&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;do audiovisual. Tudo isso dever&aacute; ser regulado previamente por uma nova Lei Geral de Radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p><strong>Tr&ecirc;s pontos do projeto<\/strong><\/p>\n<p>Pelo que se sabe, tr&ecirc;s pontos se destacam no futuro projeto:<\/p>\n<p>1. A radiodifus&atilde;o passaria a ser organizada em tr&ecirc;s &quot;sistemas&quot;, cada um equivalente a 33% do mercado: comercial, explorado pelo setor privado (este setor controla hoje cerca de 95% do mercado); estatal, explorado pelo Estado; e o restante pelo setor privado n&atilde;o comercial. A expectativa do governo argentino &eacute; que o processo de digitaliza&ccedil;&atilde;o multiplique por cinco o n&uacute;mero de canais hoje dispon&iacute;veis, possibilitando, assim, a distribui&ccedil;&atilde;o de novas concess&otilde;es e a democratiza&ccedil;&atilde;o do controle da radiodifus&atilde;o.<\/p>\n<p>2. Dever&aacute; ser reduzido pela metade (12), o n&uacute;mero de concess&otilde;es de r&aacute;dio, televis&atilde;o aberta e televis&atilde;o a cabo, para um s&oacute; grupo empresarial que, ademais, n&atilde;o poderia controlar mais de 35% de um mesmo mercado (essa medida, por exemplo, atingiria diretamente os interesses comerciais do Grupo Clar&iacute;n, que det&eacute;m cerca de 80% das concess&otilde;es de TV a cabo em Buenos Aires).<\/p>\n<p>3. A explora&ccedil;&atilde;o das concess&otilde;es de radiodifus&atilde;o seria considerada uma presta&ccedil;&atilde;o de &quot;servi&ccedil;o p&uacute;blico&quot;, o que permitiria que o Estado, a exemplo do que j&aacute; ocorre com a presta&ccedil;&atilde;o de outros servi&ccedil;os p&uacute;blicos, regule os pre&ccedil;os cobrados pelos concession&aacute;rios (de TV a cabo) aos consumidores.<\/p>\n<p><strong>Li&ccedil;&otilde;es para o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Anunciado pela primeira vez em maio de 2008, o projeto do governo &ndash; que ainda n&atilde;o se materializou &ndash; enfrenta, todavia, resist&ecirc;ncias ferozes da oposi&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica e, claro, dos atuais controladores da m&iacute;dia argentina.<\/p>\n<p>A oposi&ccedil;&atilde;o acusa o governo de tentar controlar a m&iacute;dia, &quot;a exemplo do que faz Hugo Ch&aacute;vez, contra a m&iacute;dia privada na Venezuela&quot;. A presidente da Comiss&atilde;o de Liberdade de Express&atilde;o da C&acirc;mara dos Deputados considera que n&atilde;o existem as condi&ccedil;&otilde;es m&iacute;nimas necess&aacute;rias para discuss&atilde;o e aprova&ccedil;&atilde;o de uma reforma na radiodifus&atilde;o tendo em vista os constantes enfrentamentos entre governo e meios de comunica&ccedil;&atilde;o. A Federa&ccedil;&atilde;o Argentina dos Trabalhadores de Imprensa, por outro lado, emitiu nota apoiando as inten&ccedil;&otilde;es do governo e declarando-se comprometida com a modifica&ccedil;&atilde;o de uma &quot;lei da ditadura, que ser&aacute; defendida com unhas e dentes pelos grandes senhores do monop&oacute;lio&quot;.<\/p>\n<p>Infelizmente, no Brasil a regula&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica da m&iacute;dia permanece um tema que n&atilde;o consegue avan&ccedil;ar faz tempo. Ao contr&aacute;rio das enormes expectativas que se criaram antes do primeiro governo Lula, a elabora&ccedil;&atilde;o de um projeto de lei geral de comunica&ccedil;&atilde;o eletr&ocirc;nica jamais se concretizou.<\/p>\n<p>As &uacute;ltimas esperan&ccedil;as para algum avan&ccedil;o na democratiza&ccedil;&atilde;o do setor convergem para a Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, cuja realiza&ccedil;&atilde;o passou a ser de interesse de todos, tendo em vista a aus&ecirc;ncia de regula&ccedil;&atilde;o e a necessidade de regras para a disputa dos mercados. E &eacute; exatamente a&iacute; que est&aacute; o maior risco de se ter uma confer&ecirc;ncia nacional que acabe controlada pelos atores &ndash; organizados e poderosos &ndash; que sempre dominaram o setor e que legitime a perpetua&ccedil;&atilde;o de uma m&iacute;dia concentrada e longe de contemplar o direito &agrave; comunica&ccedil;&atilde;o da cidadania brasileira.<\/p>\n<p>Enquanto isso, apesar da feroz oposi&ccedil;&atilde;o que enfrenta da grande m&iacute;dia local, o governo de Cristina Kirchner, compreendendo a enorme import&acirc;ncia da m&iacute;dia, parece que quer avan&ccedil;ar.<\/p>\n<p>Ser&aacute; que se far&aacute; na Argentina o que mal se consegue discutir nesta Terra de Santa Cruz?<\/p>\n<p><strong>Entrevista de Gabriel Mariotto<\/strong><\/p>\n<p>Trechos de entrevista concedida ao P&aacute;gina 12 por Gabriel Mariotto, em julho de 2008 (muito antes, portanto, da elei&ccedil;&atilde;o de Barack Obama), logo depois de fazer uma viagem aos Estados Unidos para discutir a regula&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia (<a href=\"http:\/\/www.pagina12.com.ar\/diario\/sociedad\/3-107328-2008-07-06.html\">&iacute;ntegra dispon&iacute;vel aqui<\/a>).<\/p>\n<p>En el imaginario social, Estados Unidos no se caracteriza por la intervenci&oacute;n del Estado, sino por dejar al mercado sin demasiadas regulaciones. &iquest;Con qu&eacute; realidad se encontr&oacute; en materia de medios?<\/p>\n<p>Gabriel Mariotto &ndash; Est&aacute;n viviendo un debate. Est&aacute;n muy preocupados porque no se concentren en pocas manos los medios de una misma &aacute;rea de cobertura, de una misma regi&oacute;n. Las leyes de comunicaci&oacute;n en Estados Unidos garantizan libertad de expresi&oacute;n sobre la base de leyes antimonop&oacute;licas que tambi&eacute;n tiene la sociedad norteamericana y que son muy fuertes. En Estados Unidos hay muchos medios de comunicaci&oacute;n y muchas voces que se expresan, pero tambi&eacute;n se ve una tendencia a concentrar. Entonces aparece el Estado en su funci&oacute;n, en su rol parlamentario, para profundizar el debate y pedir mucha informaci&oacute;n cada vez que un empresario quiere comprar otro medio en una misma &aacute;rea de cobertura. Y la sociedad tambi&eacute;n pide mucha informaci&oacute;n. En Argentina, en cambio, en los &uacute;ltimos 25 a&ntilde;os vivimos un fen&oacute;meno de concentraci&oacute;n casi sin debatirlo. Parece que fuera natural.<\/p>\n<p>&iquest;C&oacute;mo es la legislaci&oacute;n estadounidense en materia de comunicaci&oacute;n?<\/p>\n<p>G.M. &ndash; El Estado es absolutamente claro en fijar normativas para garantizar la libertad de expresi&oacute;n. Porque hay una preocupaci&oacute;n de los funcionarios, de la Comisi&oacute;n Federal de Comunicaciones, de los parlamentarios y de la sociedad, que busca garantizar m&uacute;ltiples puntos de vista. Eso hace a una democracia real y plural y participativa, como corresponde. Concentrar, en cambio, significa restringir puntos de vista. En Estados Unidos y la Argentina llegamos a un lugar filos&oacute;fico del debate pero con dos realidades distintas: los norteamericanos est&aacute;n discutiendo para que el sistema de medios no se concentre y nosotros para que se pluralice.<\/p>\n<p><strong>Os argumentos do establishment<br \/><\/strong><br \/>O para atenuar la concentraci&oacute;n ya existente.<\/p>\n<p>G.M. &ndash; Nosotros buscamos garantizar pluralidad, no atenuar concentraci&oacute;n solamente. Garantizar que haya muchas m&aacute;s voces que puedan expresarse. Por eso el proyecto de la ley que hemos terminado garantiza que personas jur&iacute;dicas sin fines de lucro, el Estado y las personas jur&iacute;dicas con fin de lucro dispongan del 33% del espectro cada una. Para que esa pluralidad de voces ya tenga un status legal y que a la pregunta de qui&eacute;n es el que emite, haya diversidad de respuestas.<\/p>\n<p>&iquest;La pr&oacute;xima batalla parlamentaria es la ley de radiodifusi&oacute;n?<\/p>\n<p>G.M. &ndash; La ley de servicios de comunicaci&oacute;n audiovisual es la redistribuci&oacute;n de la palabra. Por eso est&aacute;n ligados una cosa con la otra. Desde la Ley 22.285 impuesta por la dictadura no se debate sobre la conformaci&oacute;n de un sistema de medios democr&aacute;tico. Esa falta de debate trajo una concentraci&oacute;n de voces que no ha sido motivo de discusi&oacute;n en los &aacute;mbitos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>La oposici&oacute;n dice que la nueva ley no puede ser sancionada sin tambi&eacute;n legislar sobre el acceso a la informaci&oacute;n p&uacute;blica.<\/p>\n<p>G.M. &ndash; Hay que sancionar muchas leyes y debatir muchos temas de comunicaci&oacute;n. Es cierto que hay otros temas que hay que poner en agenda, pero se me ocurre que cuando los diputados de la oposici&oacute;n est&aacute;n diciendo que con esta sola ley no alcanza, est&aacute;n siendo funcionales a los argumentos de los sectores del establishment medi&aacute;tico que durante veinticinco a&ntilde;os no quisieron tratar la ley de radiodifusi&oacute;n y sostuvieron la 22.285.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na abertura da sess&atilde;o legislativa no &uacute;ltimo dia 1&ordm; de mar&ccedil;o, a presidenta argentina Cristina Kirchner reiterou que ser&aacute; enviado ao Congresso, ainda este ano, projeto de lei geral de radiodifus&atilde;o para substituir o decreto-lei 22.285, promulgado pela ditadura militar em 1981, que pretende desmonopolizar o mercado e democratizar a radiodifus&atilde;o. 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