{"id":22597,"date":"2009-03-12T15:28:09","date_gmt":"2009-03-12T15:28:09","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22597"},"modified":"2009-03-12T15:28:09","modified_gmt":"2009-03-12T15:28:09","slug":"a-luta-das-mulheres-por-outra-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22597","title":{"rendered":"A luta das mulheres por outra comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, o movimento feminista dar&aacute; um passo importante em sua luta pela igualdade de g&ecirc;nero no Brasil. No bojo das atividades do m&ecirc;s de mar&ccedil;o, quando celebramos o Dia Internacional de Luta das Mulheres, ter&aacute; in&iacute;cio em S&atilde;o Paulo o semin&aacute;rio nacional &ldquo;O Controle Social da Imagem da Mulher na M&iacute;dia&rdquo;, cujo objetivo principal &eacute; articular, por todo o pa&iacute;s, uma rede de monitoramento do conte&uacute;do veiculado pelos grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o. A id&eacute;ia &eacute; que, a partir deste acompanhamento, o movimento tenha elementos para provocar mudan&ccedil;as concretas na m&iacute;dia nacional, h&aacute; tanto tempo reivindicadas pelas feministas.&nbsp;&nbsp; <\/p>\n<p>A aus&ecirc;ncia da imagem e da voz de um Brasil plural, multicultural e multi-&eacute;tnico faz com que a maioria das brasileiras n&atilde;o se reconhe&ccedil;a na TV. S&atilde;o constantes na grade de programa&ccedil;&atilde;o a banaliza&ccedil;&atilde;o do sexo e da viol&ecirc;ncia; a fragilidade e subalternidade refor&ccedil;adas como coisa natural; a maternidade e o casamento como &uacute;nica fonte de realiza&ccedil;&atilde;o; a produ&ccedil;&atilde;o, espetaculariza&ccedil;&atilde;o e interpreta&ccedil;&atilde;o da &ldquo;realidade&rdquo; segundo uma vis&atilde;o &uacute;nica e conservadora; e o modelo inalcan&ccedil;&aacute;vel e impositivo de beleza vendido pela publicidade, que tamb&eacute;m nos trata como uma mercadoria a ser comercializada.<\/p>\n<p>Cotidianamente, temos nossa auto-estima rebaixada por este modelo irreal de mulher que a televis&atilde;o projeta em nosso inconsciente. Da mesma forma, a TV interfere no imagin&aacute;rio coletivo, perpetuando um mundo habitado pela desigualdade de g&ecirc;nero em vez de produzir imagens que proponham novas possibilidades nas rela&ccedil;&otilde;es humanas. Onde est&atilde;o as l&eacute;sbicas, as negras, as ind&iacute;genas, as mulheres com defici&ecirc;ncia, as trabalhadoras rurais, as sindicalistas?<\/p>\n<p>&Eacute; um universo complexo, no qual as entidades voltadas &agrave; promo&ccedil;&atilde;o da igualdade de g&ecirc;nero come&ccedil;am a se aprofundar. Brasil afora, s&atilde;o diversas as iniciativas de ONGs e redes que buscam pautar o tema da comunica&ccedil;&atilde;o na agenda do movimento feminista. Destacam-se, neste sentido, os diversos semin&aacute;rios j&aacute; promovidos pelo Instituto Patr&iacute;cia Galv&atilde;o; as atividades de forma&ccedil;&atilde;o e monitoramento das mulheres pernambucanas; as a&ccedil;&otilde;es na Justi&ccedil;a tocadas pela organiza&ccedil;&atilde;o Themis, do Rio Grande do Sul; o direito de resposta obtido pelo Intervozes e outras organiza&ccedil;&otilde;es contra o programa &ldquo;Tardes Quentes&rdquo;, do apresentador Jo&atilde;o Kleber; entre tantas outras.<\/p>\n<p><strong>Exigindo uma representa&ccedil;&atilde;o adequada<br \/><\/strong><br \/>Bebendo destas fontes, em mar&ccedil;o de 2007, o movimento de mulheres de S&atilde;o Paulo entrou nesta briga. Articuladas, elas encaminharam ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico Federal (MPF) uma representa&ccedil;&atilde;o contra diversas viola&ccedil;&otilde;es de direitos das mulheres cometidas pelas emissoras de TV, solicitando um direito de resposta coletivo. Partia-se do princ&iacute;pio que, como concession&aacute;rias p&uacute;blicas exploradoras do servi&ccedil;o de radiodifus&atilde;o, as emissoras t&ecirc;m o dever de respeitarem a diversidade e a pluralidade, assim como funcionarem com base no interesse p&uacute;blico. <\/p>\n<p>No dia 23 de abril, uma concorrida audi&ecirc;ncia p&uacute;blica colocou representantes dos movimentos feministas, de mulheres e das emissoras de TV frente a frente, num di&aacute;logo nunca antes estabelecido de tal maneira. Sem surpresas, as emissoras revelaram grande arrog&acirc;ncia e recusaram-se a modificar o conte&uacute;do de sua programa&ccedil;&atilde;o de forma a garantir, na tela, uma representa&ccedil;&atilde;o mais democr&aacute;tica da diversidade das mulheres.<\/p>\n<p>A luta, no entanto, n&atilde;o terminou ali. Deste processo surgiu a Articula&ccedil;&atilde;o Mulher &amp; M&iacute;dia, uma frente de v&aacute;rias entidades feministas que, desde ent&atilde;o, tem promovido palestras, debates e a&ccedil;&otilde;es de controle social da imagem da mulher veiculada nos meios de comunica&ccedil;&atilde;o. Sua organiza&ccedil;&atilde;o em torno do tema levou &agrave; aprova&ccedil;&atilde;o, na II Confer&ecirc;ncia Nacional de Pol&iacute;ticas para as Mulheres, de um eixo espec&iacute;fico sobre comunica&ccedil;&atilde;o e cultura democr&aacute;ticas no Plano Nacional de Pol&iacute;ticas para as Mulheres (PNPM).<\/p>\n<p><strong>Um programa feminista para a comunica&ccedil;&atilde;o<br \/><\/strong><br \/>As resolu&ccedil;&otilde;es II Confer&ecirc;ncia demonstram que as mulheres querem exercer participa&ccedil;&atilde;o central, ativa e constante na luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o do acesso &agrave; m&iacute;dia, pela defini&ccedil;&atilde;o de crit&eacute;rios transparentes para outorga e renova&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es e pelo desenvolvimento de mecanismos de controle social do conte&uacute;do veiculado na TV. <\/p>\n<p>Todas sabem que a democratiza&ccedil;&atilde;o da m&iacute;dia em nosso pa&iacute;s poderia ainda ajudar a desenvolver os demais eixos do Plano Nacional. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas necess&aacute;rias para a sa&uacute;de, a educa&ccedil;&atilde;o, a cultura, o combate &agrave; viol&ecirc;ncia e a toda forma de discrimina&ccedil;&atilde;o e para a amplia&ccedil;&atilde;o do espa&ccedil;o pol&iacute;tico da mulher poderiam ter grandes avan&ccedil;os com uma televis&atilde;o que representasse a diversidade e a pluralidade de vis&otilde;es e fosse um espa&ccedil;o acess&iacute;vel &agrave;s mulheres.<\/p>\n<p>O semin&aacute;rio que come&ccedil;a nesta quinta-feira responde justamente a esta demanda: despertar a consci&ecirc;ncia das mulheres para a quest&atilde;o da m&iacute;dia e, a partir da&iacute;, diante da forma&ccedil;&atilde;o de uma rede, inaugurar um processo de capacita&ccedil;&atilde;o e reflex&atilde;o mais profunda, para uma a&ccedil;&atilde;o mais uniforme e conseq&uuml;ente das mulheres no campo da comunica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Num ano que promete marcar o campo com a realiza&ccedil;&atilde;o da I Confer&ecirc;ncia Nacional de Comunica&ccedil;&atilde;o, as mulheres e sua luta pelo controle social da m&iacute;dia ser&atilde;o aliadas de primeira hora de todos e todas que reivindicam uma televis&atilde;o p&uacute;blica de qualidade, baseada no princ&iacute;pio do interesse p&uacute;blico e na compreens&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o como um direito humano. Que sejam bem-vindas a esta batalha todas essas companheiras!<\/p>\n<p>Acompanhe o semin&aacute;rio pelo endere&ccedil;o <a href=\"http:\/\/www.mulheremidia.org.br\">www.mulheremidia.org.br<\/a><\/p>\n<p><em>Bia Barbosa &eacute; jornalista, integrante do Intervozes e da Articula&ccedil;&atilde;o Mulher &amp; M&iacute;dia, e empreendedora social da Ashoka.<br \/><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nesta quinta-feira, o movimento feminista dar&aacute; um passo importante em sua luta pela igualdade de g&ecirc;nero no Brasil. 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