{"id":22593,"date":"2009-03-10T11:05:49","date_gmt":"2009-03-10T11:05:49","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22593"},"modified":"2009-03-10T11:05:49","modified_gmt":"2009-03-10T11:05:49","slug":"mulheres-identificam-dificuldades-no-acesso-a-informacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22593","title":{"rendered":"Mulheres identificam dificuldades no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de direito fundamental garantido pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (art. 5&ordm;, inciso XXXIII), &eacute; um direito instrumental para a realiza&ccedil;&atilde;o de outros direitos. Sem informa&ccedil;&atilde;o sobre as a&ccedil;&otilde;es do Estado em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; sa&uacute;de, moradia, educa&ccedil;&atilde;o, entre outros, os cidad&atilde;os e cidad&atilde;s ficam impossibilitados de avaliar pol&iacute;ticas p&uacute;blicas, fazer parte do processo pol&iacute;tico e decis&oacute;rio, monitorar a execu&ccedil;&atilde;o or&ccedil;ament&aacute;ria, etc.<\/p>\n<p>H&aacute; muitas formas pelas quais as mulheres s&atilde;o discriminadas e enfrentam desvantagens pol&iacute;ticas. A discrimina&ccedil;&atilde;o no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; uma delas.  Certos tipos de informa&ccedil;&atilde;o, por si s&oacute;, s&atilde;o essenciais para as mulheres: por exemplo, a informa&ccedil;&atilde;o sobre sa&uacute;de reprodutiva &eacute; algo que tem impacto durante um longo per&iacute;odo de suas vidas.<\/p>\n<p> Al&eacute;m disso, a informa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m pode ser uma forma de superar as restri&ccedil;&otilde;es ao poder e ao papel da mulher na sociedade. Usando o mesmo exemplo, a falta de controle sobre a sa&uacute;de reprodutiva por parte das mulheres &eacute; uma das grandes restri&ccedil;&otilde;es para que elas n&atilde;o desenvolvam plenamente seu papel na sociedade, incluindo a participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica. Um mapeamento inicial feito pela ARTIGO 19 sobre o uso de informa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas de interesse das mulheres mostra que a transpar&ecirc;ncia governamental e a disponibiliza&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es por parte do Estado &eacute; valiosa tamb&eacute;m na promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas.<\/p>\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es oficiais s&atilde;o utilizadas por organiza&ccedil;&otilde;es que promovem e defendem os direitos das mulheres para o monitoramento e sugest&atilde;o de revis&atilde;o ou cria&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Os dados tamb&eacute;m s&atilde;o utilizados para a elabora&ccedil;&atilde;o de informativos e realiza&ccedil;&atilde;o de oficinas de treinamento e capacita&ccedil;&atilde;o, elabora&ccedil;&atilde;o do plano interno de trabalho das organiza&ccedil;&otilde;es, entre outros.  Infelizmente, por&eacute;m, segundo as entrevistas ainda h&aacute; muitas dificuldades em se obter informa&ccedil;&otilde;es de &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos.<\/p>\n<p> A aus&ecirc;ncia de dados oficiais consolidados sobre a perspectiva de g&ecirc;nero e racial em temas como educa&ccedil;&atilde;o, viol&ecirc;ncia policial, participa&ccedil;&atilde;o no mercado de trabalho, acesso a novas tecnologias, etc, foi identificada como o principal problema na coleta de informa&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas. &ldquo;Os servi&ccedil;os p&uacute;blicos em geral e institui&ccedil;&otilde;es da sociedade civil n&atilde;o t&ecirc;m priorizado fazer recorte racial nos levantamentos de dados ou informa&ccedil;&otilde;es. Apesar do quesito cor ser obrigat&oacute;rio nos documentos oficiais, ele n&atilde;o &eacute; contemplado&rdquo;, afirmou Sueli Carneiro, do Geled&eacute;s &#8211; Instituto da Mulher Negra. <\/p>\n<p> A morosidade em disponibilizar informa&ccedil;&otilde;es nos s&iacute;tios eletr&ocirc;nicos, a aus&ecirc;ncia de resposta a requisi&ccedil;&otilde;es e a falta de preparo e disposi&ccedil;&atilde;o dos funcion&aacute;rios p&uacute;blicos para a presta&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es foram identificadas como obst&aacute;culos ao acesso pelo CFEMEA &ndash; Centro Feminista de Estudos e Assessoria. Rubia Abs da Cruz, do Themis Assessoria Jur&iacute;dica e Estudos de G&ecirc;nero, chamou aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que muitas vezes os dados dispon&iacute;veis n&atilde;o conversam entre si. <\/p>\n<p>Informa&ccedil;&otilde;es sobre direitos econ&ocirc;micos e mulher, sa&uacute;de sexual e reprodutiva e viol&ecirc;ncia contra a mulher foram elencadas como urgentes para a melhoria da situa&ccedil;&atilde;o das mulheres no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Desafio para promo&ccedil;&atilde;o do direito &agrave; sa&uacute;de das mulheres negras<\/p>\n<p><\/strong>Se por um lado o acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio para que a sociedade monitore as a&ccedil;&otilde;es do Estado, por outro, a coleta de informa&ccedil;&otilde;es por parte dos &oacute;rg&atilde;os p&uacute;blicos &eacute; essencial para o desenvolvimento de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que atendam &agrave;s verdadeiras necessidades da popula&ccedil;&atilde;o. A inexist&ecirc;ncia de informa&ccedil;&otilde;es oficiais com recorte racial e de g&ecirc;nero na &aacute;rea da sa&uacute;de se reflete na aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas espec&iacute;ficas para determinados grupos. &Eacute; o caso das mulheres negras.<\/p>\n<p>Estudos apontam que, em 1996, as mulheres negras tinham menos chances de passar pelo processo completo de pr&eacute;-natal e exames ginecol&oacute;gicos; menos chances de passar por pr&eacute;-natal antes do quarto m&ecirc;s de gravidez; menos chances de receber informa&ccedil;&otilde;es sobre a import&acirc;ncia de uma alimenta&ccedil;&atilde;o saud&aacute;vel durante a gravidez e da amamenta&ccedil;&atilde;o para o beb&ecirc; do que mulheres brancas.<\/p>\n<p>H&aacute; alguns anos, o munic&iacute;pio de S&atilde;o Paulo reconheceu a import&acirc;ncia de incluir os campos g&ecirc;nero e cor nos formul&aacute;rios utilizados pelos agentes de sa&uacute;de. O preenchimento destes dados, no entanto, n&atilde;o &eacute; obrigat&oacute;rio e fica sob a responsabilidade do agente de sa&uacute;de, caso o paciente ou um de seus familiares n&atilde;o o preencha.<\/p>\n<p>Uma das pessoas que tem lutado para mudar esse cen&aacute;rio &eacute; M&aacute;rcia Giovanetti, do Programa de DST\/Aids da Secretaria Estadual da Sa&uacute;de de S&atilde;o Paulo. Ela tem promovido e participado de diversas iniciativas para que haja melhorias nas informa&ccedil;&otilde;es de g&ecirc;nero e cor coletadas no sistema de sa&uacute;de. Com os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos respons&aacute;veis pelo preenchimento dos formul&aacute;rios, M&aacute;rcia promove treinamentos sobre a import&acirc;ncia de se preencher os dados corretamente. Al&eacute;m disso, produz materiais informativos para que as pessoas compreendam a import&acirc;ncia dessas informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>M&aacute;rcia tamb&eacute;m participa de um grupo de trabalho dentro do Programa para discutir especificamente como solucionar a quest&atilde;o da coleta desses dados e planejar estrat&eacute;gias com a sociedade civil. Para ela, &eacute; muito importante trabalhar pr&oacute;ximo &agrave; sociedade civil. A p&aacute;gina especial sobre acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o e direitos da mulher apresenta mais informa&ccedil;&otilde;es sobre leis que garantem o acesso, experi&ecirc;ncias internacionais sobre direitos sexuais e reprodutivos e veja links e artigos sobre o tema [<a href=\"http:\/\/www.livreacesso.net\/tiki-index.php?page=Mulher\">veja aqui<\/a> ].                   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m de direito fundamental garantido pela Constitui&ccedil;&atilde;o Federal (art. 5&ordm;, inciso XXXIII), &eacute; um direito instrumental para a realiza&ccedil;&atilde;o de outros direitos. 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