{"id":22589,"date":"2009-03-06T18:50:07","date_gmt":"2009-03-06T18:50:07","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22589"},"modified":"2009-03-06T18:50:07","modified_gmt":"2009-03-06T18:50:07","slug":"proposta-do-minicom-levanta-polemica-sobre-multiprogramacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22589","title":{"rendered":"Proposta do Minicom levanta pol\u00eamica sobre multiprograma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><!--  \/* Font Definitions *\/  @font-face \t{font-family:\"Cambria Math\"; \tpanose-1:2 4 5 3 5 4 6 3 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:roman; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1610611985 1107304683 0 0 159 0;} @font-face \t{font-family:Calibri; \tpanose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; \tmso-font-charset:0; \tmso-generic-font-family:swiss; \tmso-font-pitch:variable; \tmso-font-signature:-1610611985 1073750139 0 0 159 0;}  \/* Style Definitions *\/  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal \t{mso-style-unhide:no; \tmso-style-qformat:yes; \tmso-style-parent:\"\"; \tmargin-top:0cm; \tmargin-right:0cm; \tmargin-bottom:10.0pt; \tmargin-left:0cm; \tline-height:115%; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:11.0pt; \tfont-family:\"Calibri\",\"sans-serif\"; \tmso-fareast-font-family:Calibri; \tmso-bidi-font-family:\"Times New Roman\"; \tmso-fareast-language:EN-US;} p \t{mso-style-noshow:yes; \tmso-style-priority:99; \tmso-margin-top-alt:auto; \tmargin-right:0cm; \tmso-margin-bottom-alt:auto; \tmargin-left:0cm; \tmso-pagination:widow-orphan; \tfont-size:12.0pt; \tfont-family:\"Times New Roman\",\"serif\"; \tmso-fareast-font-family:\"Times New Roman\";} .MsoChpDefault \t{mso-style-type:export-only; \tmso-default-props:yes; \tfont-size:10.0pt; \tmso-ansi-font-size:10.0pt; \tmso-bidi-font-size:10.0pt; \tmso-ascii-font-family:Calibri; \tmso-fareast-font-family:Calibri; \tmso-hansi-font-family:Calibri;} @page Section1 \t{size:612.0pt 792.0pt; \tmargin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; \tmso-header-margin:36.0pt; \tmso-footer-margin:36.0pt; \tmso-paper-source:0;} div.Section1 \t{page:Section1;} --><\/p>\n<p class=\"padrao\">No &uacute;ltimo dia 25, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es divulgou a &ldquo;Norma Geral para Execu&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Televis&atilde;o P&uacute;blica Digital&rdquo;. Ela restringiu a multiprograma&ccedil;&atilde;o (veicula&ccedil;&atilde;o de mais de uma programa&ccedil;&atilde;o em um canal digital) apenas aos canais outorgados aos poderes da Uni&atilde;o ou a &oacute;rg&atilde;os da Administra&ccedil;&atilde;o Indireta, proibindo a pr&aacute;tica para o restante das emissoras, incluindo as p&uacute;blicas n&atilde;o-federais, universit&aacute;rias, comunit&aacute;rias e comerciais.<\/p>\n<p>O ministro das comunica&ccedil;&otilde;es, H&eacute;lio Costa, justificou a medida como forma de coibir poss&iacute;veis abusos das televis&otilde;es, como o aluguel de programa&ccedil;&otilde;es inteiras para terceiros. &quot;N&oacute;s sentimos que, se n&atilde;o fiz&eacute;ssemos alguma coisa, haveria uma prolifera&ccedil;&atilde;o [de transmiss&otilde;es n&atilde;o autorizadas]. Queremos evitar os abusos dos inconseq&uuml;entes e que v&atilde;o se aproveitar para fazer proselitismos de todos os tipos&quot;, disse ao notici&aacute;rio Tela Viva News.<\/p>\n<p>A iniciativa foi mal recebida pelos mais diversos setores. A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Radiodifus&atilde;o (Abra), que re&uacute;ne emissoras associadas &agrave; Bandeirantes e &agrave; RedeTV!, classificou-a de &ldquo;absurda&rdquo;. &ldquo;A entidade [Abra] considera inadequada a medida do governo, uma vez que o padr&atilde;o escolhido para a TV Digital, a partir do japon&ecirc;s e adaptado &agrave;s necessidades do Brasil,&nbsp; tem como principal caracter&iacute;stica o multicanal.&nbsp; N&atilde;o faz sentido proibir a utiliza&ccedil;&atilde;o de uma das caracter&iacute;sticas principais do sistema brasileiro de TV digital&rdquo;.<\/p>\n<p><strong>Interesses &lsquo;globais&rsquo;<br \/><\/strong><br \/>Na avalia&ccedil;&atilde;o de Val&eacute;rio Brittos, professor da Unisinos e autor de um livro sobre o tema, a publica&ccedil;&atilde;o da Norma atende aos interesses do principal grupo de televis&atilde;o do pa&iacute;s: a Rede Globo. &ldquo;Parece-me claro que a norma n&atilde;o interessa &agrave;s grandes redes, mas especialmente &agrave; Globo. Ela n&atilde;o tem projeto de fazer multiprograma&ccedil;&atilde;o e v&ecirc; os poss&iacute;veis novos agentes como prejudiciais ao seu neg&oacute;cio&rdquo;. Para o professor, subordinar a regulamenta&ccedil;&atilde;o de um servi&ccedil;o importante como este a um grupo &ldquo;&eacute; um problema s&eacute;rio&rdquo;, pois ela responde &agrave;s demandas de apenas um operador, desconsiderando os interesses da sociedade como um todo.<\/p>\n<p>O acad&ecirc;mico v&ecirc; a rea&ccedil;&atilde;o das demais redes comerciais como algo normal, pois v&aacute;rias delas se beneficiariam do uso da veicula&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&otilde;es adicionais. Ele cita explicitamente a Band, que j&aacute; possui o BandSports e a BandNews no cabo e poderia transmiti-los em seus canais digitais. O mesmo vale para a Record, que tamb&eacute;m oferta no cabo a RecordNews. Os regramentos institu&iacute;dos pela Norma, na avalia&ccedil;&atilde;o de Brittos, s&atilde;o uma forma artificial de &ldquo;manter um feudo&rdquo; no cen&aacute;rio convergente, onde deveriam ser buscados outros modelos de neg&oacute;cios diferentes e um ambiente com maior diversidade de agentes.<\/p>\n<p><strong>Ilegalidade e desperd&iacute;cio de espectro<br \/><\/strong><br \/>Para Diogo Moys&eacute;s, integrante do Intervozes &ndash; Coletivo Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o Social, a Norma tem um equ&iacute;voco central: regulamentar um uso do servi&ccedil;o de televis&atilde;o que &eacute; ilegal. Segundo a legisla&ccedil;&atilde;o atual, &ldquo;uma concess&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de uma programa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, explica. Isso porque as novas programa&ccedil;&otilde;es seriam novos servi&ccedil;os de radiodifus&atilde;o de sons e imagens (televis&atilde;o) executados sem que tenham sido autorizados pelo Estado, ente respons&aacute;vel pela concess&atilde;o de outorgas para a explora&ccedil;&atilde;o de canais de r&aacute;dio e TV. &ldquo;N&atilde;o &eacute; o operador que tem que decidir isso&rdquo;, endossa Val&eacute;rio Brittos.<\/p>\n<p>Outro problema, segundo Moys&eacute;s, &eacute; o fato da Norma aprofundar um grave defeito do Decreto 5.820\/2006, que criou o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD-T): o desperd&iacute;cio de espa&ccedil;o no espectro de radiofreq&uuml;&ecirc;ncias. &ldquo;O fato de os concession&aacute;rios terem recebido 6 MHz para a explora&ccedil;&atilde;o do canal digital promove um brutal desperd&iacute;cio deste bem p&uacute;blico e finito. Hoje, as emissoras que est&atilde;o transmitindo o sinal digital n&atilde;o ocupam nem 20% da capacidade de transporte do canal. Mesmo que o sinal seja em alta defini&ccedil;&atilde;o, h&aacute; desperd&iacute;cio de espectro, j&aacute; que caberiam pelo menos mais duas programa&ccedil;&otilde;es&rdquo;, critica. <\/p>\n<p><strong>Limita&ccedil;&otilde;es &agrave;s emissoras p&uacute;blicas<br \/><\/strong><br \/>Al&eacute;m de receber cr&iacute;ticas de radiodifusores, ativistas e acad&ecirc;micos, a Norma tamb&eacute;m foi considerada limitada por parte dos dirigentes de TVs p&uacute;blicas. &ldquo;N&atilde;o concordo com a exclus&atilde;o [da possibilidade de realizar multiprogramac&atilde;o] das TVs p&uacute;blicas de natureza estadual e universit&aacute;ria que estejam efetivamente subordinadas ao controle social e n&atilde;o aos empres&aacute;rios de educa&ccedil;&atilde;o&rdquo;, afirma a presidente da Empresa Brasil de Comunica&ccedil;&atilde;o (EBC), Tereza Cruvinel.<\/p>\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Emissoras P&uacute;blicas, Educativas e Culturais (Abepec) tamb&eacute;m viu com retic&ecirc;ncias a iniciativa. As TVs afiliadas &agrave; associa&ccedil;&atilde;o, em sua maioria estaduais, ser&atilde;o as principais prejudicadas com a restri&ccedil;&atilde;o trazida pela Norma, pois, diferentemente dos ve&iacute;culos federais, n&atilde;o poder&atilde;o construir parcerias parar transmitir em multiprograma&ccedil;&atilde;o. No Rio Grande do Sul, j&aacute; havia negocia&ccedil;&otilde;es para lan&ccedil;ar um canal digital com a TVE-RS e a TV da Assembl&eacute;ia Legislativa do estado.<\/p>\n<p>Gustavo Gindre, integrante do Comit&ecirc; Gestor da Internet e pesquisador sobre o tema, alerta que a limita&ccedil;&atilde;o da Norma ocorre at&eacute; mesmo no n&iacute;vel federal. &ldquo;Ela n&atilde;o cita a inclus&atilde;o da NBr [o canal do governo federal] e do Canal Sa&uacute;de [mantido pela FioCruz, funda&ccedil;&atilde;o ligada ao Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de], que s&atilde;o, como os demais, explorados diretamente pela Uni&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>Segundo Tereza Cruvinel, o texto n&atilde;o foi negociado com as emissoras p&uacute;blicas e sua publica&ccedil;&atilde;o repentina &eacute; estranha, pois n&atilde;o h&aacute; urg&ecirc;ncia deste campo na normatiza&ccedil;&atilde;o da possibilidade de veicular programa&ccedil;&otilde;es adicionais. &ldquo;N&atilde;o sei a que urg&ecirc;ncia ela [a Norma] estava respondendo, sem d&uacute;vida n&atilde;o era a das TVs p&uacute;blicas. Queremos a multiprograma&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o estamos preparados para pratic&aacute;-la neste momento&rdquo;, diz.<\/p>\n<p><strong>Novas regras<br \/><\/strong><br \/>A presidente da EBC disse ao Observat&oacute;rio do Direito &agrave; Comunica&ccedil;&atilde;o que j&aacute; est&aacute; em curso uma articula&ccedil;&atilde;o entre as TVs p&uacute;blicas para que a norma seja revista e contemple tamb&eacute;m as emissoras estaduais. O mesmo movimento foi patrocinado pelos radiodifusores comerciais, que cobraram do ministro H&eacute;lio Costa mudan&ccedil;as radicais nas regras sobre multiprograma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As press&otilde;es levaram o titular do Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es a anunciar, no &uacute;ltimo dia 2, que o &oacute;rg&atilde;o dever&aacute; apresentar uma nova proposta de regulamento em at&eacute; 90 dias. Para os entrevistados pelo Observat&oacute;rio, no entanto, ajustes pontuais n&atilde;o ir&atilde;o resolver a quest&atilde;o.<\/p>\n<p>Isso porque, sendo a multiprograma&ccedil;&atilde;o ilegal, apenas uma nova lei poderia regulamentar este tipo de servi&ccedil;o. &ldquo;O fato &eacute; que a introdu&ccedil;&atilde;o da TV digital deveria ser tratada com mais seriedade do ponto de vista legislativo, pois na pr&aacute;tica se trata de um novo servi&ccedil;o, com especificidades inimagin&aacute;veis no ambiente anal&oacute;gico&rdquo;, analisa Diogo Moys&eacute;s. Para Tereza Cruvinel, os novos diplomas legais sobre o tema precisam de fato regulamentar a multiprograma&ccedil;&atilde;o nas emissoras p&uacute;blicas, firmando princ&iacute;pios, limites e obriga&ccedil;&otilde;es para seu uso.<\/p>\n<p>Para Gustavo Gindre, uma nova legisla&ccedil;&atilde;o precisaria estender a no&ccedil;&atilde;o de operador de rede a todo o sistema. &ldquo;A Norma publicada pelo Minicom demonstra que o operador de rede &eacute; importante para otimizar o uso do espectro e poupar recursos p&uacute;blicos (permitindo construir apenas uma &uacute;nica infra-estrutura de transmiss&atilde;o). Ora, por que o mesmo racioc&iacute;nio n&atilde;o se aplica &agrave;s emissoras privadas, que tamb&eacute;m usar&atilde;o o bem p&uacute;blico e finito do espectro e recursos p&uacute;blicos para construir suas antenas de trnasmiss&atilde;o (atrav&eacute;s do Pro-TVD do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico e Social])?&rdquo;, questiona.<span class=\"padrao\"><\/p>\n<p>Val&eacute;rio Brittos vai ainda mais longe. Na opini&atilde;o do acad&ecirc;mico, n&atilde;o basta uma lei para a TV digital, mas deve ser discutida uma nova legisla&ccedil;&atilde;o para a comunica&ccedil;&atilde;o social eletr&ocirc;nica incluindo n&atilde;o s&oacute; a TV e o r&aacute;dio digitais como a rela&ccedil;&atilde;o destes servi&ccedil;os com as novas plataformas convergentes.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No &uacute;ltimo dia 25, o Minist&eacute;rio das Comunica&ccedil;&otilde;es divulgou a &ldquo;Norma Geral para Execu&ccedil;&atilde;o dos Servi&ccedil;os de Televis&atilde;o P&uacute;blica Digital&rdquo;. 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