{"id":22584,"date":"2009-03-05T16:49:40","date_gmt":"2009-03-05T16:49:40","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22584"},"modified":"2009-03-05T16:49:40","modified_gmt":"2009-03-05T16:49:40","slug":"por-uma-democratica-lei-de-imprensa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22584","title":{"rendered":"Por uma democr\u00e1tica Lei de Imprensa"},"content":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal deve julgar neste m&ecirc;s de mar&ccedil;o o processo que alega inconstitucionalidade da atual Lei de Imprensa. A Fenaj (Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas) defende a revoga&ccedil;&atilde;o dos artigos considerados autorit&aacute;rios e inconstitucionais, mas tamb&eacute;m defende a manuten&ccedil;&atilde;o dos demais artigos, at&eacute; que o Congresso Nacional resgate sua d&iacute;vida com a sociedade e vote um novo texto democr&aacute;tico para regrar as rela&ccedil;&otilde;es da sociedade com os ve&iacute;culos de imprensa e, em especial, os seus profissionais. <\/p>\n<p>Pronto para ser inclu&iacute;do na pauta  de vota&ccedil;&atilde;o em plen&aacute;rio da C&acirc;mara  dos Deputados, o projeto de uma nova legisla&ccedil;&atilde;o para a imprensa vem  sendo sistematicamente &quot;esquecido&quot;  pelo Parlamento brasileiro h&aacute; quase  12 anos. Na omiss&atilde;o do Congresso  Nacional, o STF suspendeu, no in&iacute;cio  do ano passado, liminarmente, v&aacute;rios  artigos da lei n&ordm; 5.250\/1967. <\/p>\n<p>  Historicamente, a Fenaj tem defendido a  revoga&ccedil;&atilde;o dessa lei, com dispositivos  que a tornam um aut&ecirc;ntico &quot;entulho  autorit&aacute;rio&quot;, como apreens&atilde;o de jornais e pris&atilde;o para jornalistas, e a sua  substitui&ccedil;&atilde;o por uma nova e democr&aacute;tica legisla&ccedil;&atilde;o, cujo conte&uacute;do est&aacute;  expresso no substitutivo do ex-deputado Vilmar Rocha ao projeto de lei  n&ordm; 3.232\/1992, aprovado pela Comiss&atilde;o de Constitui&ccedil;&atilde;o e Justi&ccedil;a da C&acirc;mara em 14 de agosto de 1997. <\/p>\n<p>Do ponto de vista da luta pela democratiza&ccedil;&atilde;o da comunica&ccedil;&atilde;o, temos  a convic&ccedil;&atilde;o de que a aprova&ccedil;&atilde;o desse  substitutivo corresponderia a uma  conquista importante para a sociedade e para a autonomia de trabalho aos  jornalistas. A proposta traz inova&ccedil;&otilde;es  como rito sum&aacute;rio e fixa&ccedil;&atilde;o de prazos  para direito de resposta, determina&ccedil;&atilde;o de que a resposta tenha de ser  veiculada no mesmo espa&ccedil;o onde  ocorreu a ofensa, pluralidade de  vers&otilde;es em mat&eacute;ria controversa,  obrigatoriedade do servi&ccedil;o de atendimento ao p&uacute;blico, n&atilde;o-impedimento  de veicula&ccedil;&atilde;o de publicidade ou mat&eacute;ria paga, identifica&ccedil;&atilde;o dos reais  controladores dos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o e convers&atilde;o das penas de  cerceamento da liberdade para os  delitos de imprensa em presta&ccedil;&atilde;o  de servi&ccedil;os &agrave; comunidade. <\/p>\n<p>Do comportamento de alguns setores que sempre se opuseram a qualquer regulamenta&ccedil;&atilde;o para a imprensa depreende-se que, havendo condi&ccedil;&otilde;es de impedir a tramita&ccedil;&atilde;o de uma lei para a imprensa, essa continuar&aacute; a ser a conduta adotada. Tornando isso dif&iacute;cil ou imposs&iacute;vel, a linha de atua&ccedil;&atilde;o desses setores ser&aacute; sempre no sentido de reduzir as obriga&ccedil;&otilde;es e os deveres que qualquer legisla&ccedil;&atilde;o venha a impor. Destoa desse comportamento a posi&ccedil;&atilde;o editorial da Folha,  divulgada no in&iacute;cio do ano passado,  em defesa de uma Lei de Imprensa. <\/p>\n<p>Diante da crescente demanda da sociedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; m&iacute;dia, segmentos contr&aacute;rios &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m enfrentado limites para produzir uma argumenta&ccedil;&atilde;o em defesa da pura e simples inexist&ecirc;ncia de regras democr&aacute;ticas para as pr&aacute;ticas sociais da m&iacute;dia. Outro dado a ser considerado &eacute; que, na medida em que transcorre o tempo, aumentam as exig&ecirc;ncias e as demandas da sociedade e as condi&ccedil;&otilde;es institucionais para sustent&aacute;-las. Ou seja, com o passar do tempo, aquilo que atualmente est&aacute; no substitutivo de Vilmar Rocha &#8211; e que foi negociado pelos setores diretamente envolvidos no debate &#8211; provavelmente n&atilde;o ser&aacute; suficiente para a sociedade. <\/p>\n<p>A pr&oacute;pria Fenaj tem contribui&ccedil;&otilde;es para o aperfei&ccedil;oamento da mat&eacute;ria, como mecanismos de restri&ccedil;&atilde;o &agrave; litig&acirc;ncia de m&aacute;-f&eacute; e que co&iacute;bam a &quot;falsidade n&atilde;o-nominativa&quot;, que &eacute; a possibilidade de que sejam reparadas &#8211; por meio da a&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, provocado ou por conta pr&oacute;pria &#8211; falsidades veiculadas pelos ve&iacute;culos de comunica&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o atinjam direta e especificamente a algu&eacute;m. Ou, ainda, a inclus&atilde;o da cl&aacute;usula de consci&ecirc;ncia, numa acep&ccedil;&atilde;o ampla e que de fato ampare o jornalista. &Eacute; claro que a aprova&ccedil;&atilde;o de emendas ou de um novo texto na C&acirc;mara implica o seu retorno ao Senado, onde haver&aacute; novas vota&ccedil;&otilde;es, com um retardamento de todo o processo. <\/p>\n<p>Tal circunst&acirc;ncia s&oacute; refor&ccedil;a a interpreta&ccedil;&atilde;o de que, sem uma solu&ccedil;&atilde;o  amparada em ampla base de consenso, o direito de a sociedade ter uma  Lei de Imprensa atualizada continuar&aacute; sendo obstaculizado e adiado.  Faz parte da tradi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica brasileira e elabora&ccedil;&atilde;o de legisla&ccedil;&atilde;o  espec&iacute;fica para a imprensa. A luta  pela revoga&ccedil;&atilde;o da lei atual n&atilde;o  pode confundir-se com as propostas  de lei nenhuma. Possibilidade que  n&atilde;o interessa aos jornalistas e, em  especial, &agrave; sociedade em geral. <\/p>\n<p>Uma legisla&ccedil;&atilde;o assentada em bases  democr&aacute;ticas canaliza as rela&ccedil;&otilde;es do  cidad&atilde;o com a imprensa, tornando-se  instrumento de defesa da liberdade  de imprensa e de um jornalismo &eacute;tico  e socialmente respons&aacute;vel. <\/p>\n<p><em>S&eacute;rgio Murillo de Andrade , 47, jornalista, professor do curso de jornalismo da Ielusc (Instituto de Ensino  Luterano de Santa Catarina), &eacute; presidente da Fenaj (Federa&ccedil;&atilde;o Nacional dos Jornalistas) desde 2004.<\/em>     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Supremo Tribunal Federal deve julgar neste m&ecirc;s de mar&ccedil;o o processo que alega inconstitucionalidade da atual Lei de Imprensa. 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