{"id":22575,"date":"2009-03-03T00:36:53","date_gmt":"2009-03-03T00:36:53","guid":{"rendered":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/wordpress\/?p=22575"},"modified":"2014-09-07T02:58:13","modified_gmt":"2014-09-07T02:58:13","slug":"sul-e-centro-oeste-se-destacam-sudeste-decepciona","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/?p=22575","title":{"rendered":"Sul e Centro-Oeste se destacam; Sudeste decepciona"},"content":{"rendered":"<p>A regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o na televis&atilde;o brasileira n&atilde;o depende e n&atilde;o &eacute; influenciada diretamente pelo tamanho dos mercados publicit&aacute;rios. Enquanto regi&otilde;es com poucos anunciantes e &iacute;ndice potencial de consumo m&eacute;dio, como Sul e Centro-Oeste, apresentam as melhores m&eacute;dias de regionaliza&ccedil;&atilde;o, o Sudeste, com os mais ricos anunciantes do pa&iacute;s, t&ecirc;m as emissoras com menor presen&ccedil;a de conte&uacute;dos locais.<\/p>\n<p>Esta foi a principal conclus&atilde;o do estudo &ldquo;Produ&ccedil;&atilde;o Regional na TV Aberta Brasileira&rdquo;, realizado a partir da an&aacute;lise de 58 emissoras em 11 capitais brasileiras [<a href=\"http:\/\/localhost\/intervozes_direitoacomunicacao\/wordpress\/?p=18299\">veja aqui<\/a>]. Segundo a pesquisa, as TVs da regi&atilde;o Sul ocupam 13,92% de suas grades com conte&uacute;dos realizados em suas cidades. A segunda regi&atilde;o com maior &iacute;ndice de regionaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; a Centro-Oeste, que registrou m&eacute;dia de 11,66%.&nbsp;<\/p>\n<p>Na regi&atilde;o Sul, o &iacute;ndice acima da m&eacute;dia nacional foi puxado pelas duas emissoras p&uacute;blicas, TVE RS e Paran&aacute; Educativa, que veiculam, respectivamente, 22,82% e 50% de produ&ccedil;&atilde;o local em suas grades. Outro caso da regi&atilde;o que se destaca &eacute; o da TV Pampa, que preenche 26,5% do tempo com atra&ccedil;&otilde;es ga&uacute;chas. <\/p>\n<p>No Centro-Oeste, o &iacute;ndice foi impulsionado pelo peculiar caso da TV Rondon, de Cuiab&aacute;, que ocupa 45% de sua grade com produ&ccedil;&otilde;es locais, majoritariamente religiosas e de televendas, uma vez que seis das nove emissoras analisadas em Cuiab&aacute; e Bras&iacute;lia dedicam menos de 10% do seu tempo&nbsp; para locais em sua grade. O destaque negativo fica com a SBT Bras&iacute;lia e Cidade Verde, da capital matogrossense, que registraram, respectivamente, 3% e 5,95%.<\/p>\n<p>J&aacute; a regi&atilde;o Norte, da qual foram pesquisadas as emissoras apenas de Bel&eacute;m, manteve praticamente a m&eacute;dia nacional, com 9,91% de produ&ccedil;&atilde;o local em suas seis televis&otilde;es. Os destaques positivos s&atilde;o a p&uacute;blica TV Cultura, com 15,41%, e a RBA, afiliada &agrave; Rede Bandeirantes, com 15,82%. J&aacute; o SBT Bel&eacute;m transmite 3,66% e a rede religiosa Boas Novas, 5,65%.<\/p>\n<p><strong>Poder de mercado e riqueza cultural sem influ&ecirc;ncia<\/p>\n<p><\/strong>A Regi&atilde;o Sudeste &#8211; que abrange os principais mercados de televis&atilde;o do pa&iacute;s, e, portanto, teria supostamente condi&ccedil;&otilde;es financeiras para sustentar uma pol&iacute;tica de regionaliza&ccedil;&atilde;o mais forte de suas emissoras &#8211; teve o desempenho mais baixo, com m&eacute;dia de 9,19% de regionaliza&ccedil;&atilde;o. Das 11 emissoras analisadas nesta regi&atilde;o, apenas duas veiculam mais do que a m&eacute;dia nacional, Rede Minas (34,32%) e Record MG (12,5%). <\/p>\n<p>O &iacute;ndice foi baixo pela pouca presen&ccedil;a de conte&uacute;do regional nas afiliadas da Rede TV no Rio e em Belo Horizonte, ambas com apenas 1,48% da grade nesta modalidade de programa. Uma raz&atilde;o para o &iacute;ndice da regi&atilde;o mais rica do pa&iacute;s &eacute; a for&ccedil;a da programa&ccedil;&atilde;o das cabe&ccedil;as-de-rede, que terminam sendo retransmitidas em propor&ccedil;&atilde;o maior do que no restante do pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Se o poder de mercado n&atilde;o est&aacute; diretamente relacionado &agrave; regionaliza&ccedil;&atilde;o da produ&ccedil;&atilde;o, tampouco a diversidade de manifesta&ccedil;&otilde;es culturais influencia neste sentido. A regi&atilde;o Nordeste, conhecida pela riqueza de suas v&aacute;rias culturas locais, teve &iacute;ndice abaixo da m&eacute;dia nacional de 10,83%, com 9,8% do tempo de suas emissoras dedicado &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local. <\/p>\n<p>Dentre as 20 emissoras pesquisadas nesta regi&atilde;o, foi poss&iacute;vel constatar uma disparidade muito grande, com TVs com produ&ccedil;&atilde;o local razo&aacute;vel, como a afiliada do SBT no Cear&aacute; TV Jangadeiro (20,3%), a afiliada da Band em Recife TV Clube (13,78%) e a afiliada do SBT em Natal TV Ponta Negra (17,5%). Esta &uacute;ltima, de propriedade da prefeita da cidade, Micarla de Souza, no entanto, chegou a esta marca com forte ocorr&ecirc;ncia de programas arrendados a igrejas e televendas. O destaque negativo foi as afiliadas da Rede TV em Fortaleza e Recife e a TV MTV Recife, que n&atilde;o veiculam um minuto sequer de produ&ccedil;&atilde;o local.&nbsp; <\/p>\n<p><strong>Diferentes realidades<\/p>\n<p><\/strong>Se observadas individualmente as cidades, &eacute; poss&iacute;vel perceber realidades bem diferenciadas no pa&iacute;s. A capital paranaense, Curitiba, foi a cidade com &iacute;ndice mais alto de regionaliza&ccedil;&atilde;o, com 15,74%. O &iacute;ndice &eacute; puxado pela Paran&aacute; Educativa, que dedica 50% de seu tempo a conte&uacute;dos locais, bem como por experi&ecirc;ncias como as da Rede Paranaense de Comunica&ccedil;&atilde;o, afiliada da Rede Globo, que preenche surpreendentes 12,99% de sua grade com atra&ccedil;&otilde;es locais. <\/p>\n<p>Cuiab&aacute; foi a segunda cidade com maior &iacute;ndice de localidade, com 14,38% das grades de suas emissoras ocupados por programas locais. O destaque positivo &eacute; o j&aacute; citado caso da TV Rondon (Rede TV), que preenche 45% de sua grade com produ&ccedil;&otilde;es cuiabanas, seguida de longe pela TV Gazeta (Record), com 15,22%. As TVs Centro Am&eacute;rica (Globo) e Cidade Verde (SBT) equilibraram o &iacute;ndice, com cerca de 6% de conte&uacute;do local inseridos em suas grades.<\/p>\n<p>Belo Horizonte destaca-se em meio &agrave; baixa m&eacute;dia do Sudeste, com 12% de regionaliza&ccedil;&atilde;o. O &iacute;ndice foi garantido pela grande presen&ccedil;a destes conte&uacute;dos na Rede Minas (34,32%), que compensou as escassas atra&ccedil;&otilde;es locais na Rede TV MG (1,48%) e na Globo Belo Horizonte (5,9%). Em seguida vem Porto alegre, que registrou 11,77% de m&eacute;dia. Embora tenha duas emissoras com altos &iacute;ndices, TVE RS e TV Pampa, as emissoras SBT Poa e Band RS, com, respectivamente, 1,78% e 3,57%. <\/p>\n<p>Logo abaixo vem a capital baiana, Salvador, que atingiu &iacute;ndice pouco acima da m&eacute;dia nacional, com 11% de produ&ccedil;&atilde;o local. O percentual foi sustentado pela TVE BA, com 14,78% de conte&uacute;dos locais na grade, e pela TV Itapoan (Record), com 12,50%. O &iacute;ndice foi garantido tamb&eacute;m pelo desempenho razo&aacute;vel das outras tr&ecirc;s emissoras com menos atra&ccedil;&otilde;es locais, TV Bahia (Globo), TV Aratu (SBT) e Band Bahia, todas com mais de 9% das horas dedicadas a atra&ccedil;&otilde;es produzidas em Salvador.<\/p>\n<p>As emissoras de Fortaleza veiculam 11,2% de atra&ccedil;&otilde;es locais. A m&eacute;dia &eacute; resultado de uma situa&ccedil;&atilde;o d&iacute;spar, com tr&ecirc;s emissoras com bons &iacute;ndices &#8211; Tv Jangadeiro (SBT) (20,3%), TV Cear&aacute; (15,97%) e TV Cidade Record (13,44%) &ndash; e duas com pouco espa&ccedil;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local &ndash; TV Verdes Mares (Globo) (6%) e Rede TV Fortaleza (0%). <\/p>\n<p>Natal manteve-se pouco acima da m&eacute;dia nacioinal, com 10,74% de atra&ccedil;&otilde;es locais. O destaque positivo foi a TV Ponta Negra, de propriedade da prefeita, Micarla de Souza. No entanto, o alto &iacute;ndice &eacute; resultado de intensa participa&ccedil;&atilde;o de shows religiosos e infomerciais de televendas que alugam espa&ccedil;o da emissora. Das quatro emissoras avaliadas (a TVU n&atilde;o disponibilizou sua grade de programa&ccedil;&atilde;o), duas mantiveram-se na m&eacute;dia: Band Natal (9,82%) e Tropical (Record) (9,92%). O pior &iacute;ndice foi da afiliada da Rede Globo TV Cabugi (5,75%). <\/p>\n<p>Uma das cidades com cultural local de maior prest&iacute;gio no pa&iacute;s, Recife obteve um dos &iacute;ndices mais baixos, com apenas 7% de horas dedicadas &agrave; produ&ccedil;&atilde;o local entre suas emissoras. O percentual &eacute; resultado do fato de duas emissoras, MTV Recife e Rede TV Recife, n&atilde;o terem nenhum programa realizado na capital pernambucana. Diferente de outras cidades, as afiliadas da Band, TV Clube, e do SBT, TV Jornal, dedicam mais tempo do que a m&eacute;dia para atra&ccedil;&otilde;es locais, 13,78% e 12.40%, respectivamente. <\/p>\n<p>Bras&iacute;lia, a despeito de alimentar o restante do pa&iacute;s como fonte de informa&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, foi uma das cidades com pior desempenho, atingindo m&eacute;dia de 6,61%. A &uacute;nica emissora que ultrapassou a m&eacute;dia nacional foi a TV Bras&iacute;lia, de propriedade dos Di&aacute;rios Associados e do vice-governador do DF, Paulo Oct&aacute;vio, com 11% de conte&uacute;dos locais transmitidos. As demais emissoras, afiliadas das quatro maiores redes, mant&ecirc;m &iacute;ndices piores: Record DF (8,48%), Globo (5,75%), Band (4,76%) e SBT (3%). <\/p>\n<p>J&aacute; a capital carioca teve a m&eacute;dia mais baixa, com 5,82%. Se a cidade &eacute; conhecida nacionalmente por conta da penetra&ccedil;&atilde;o de produ&ccedil;&otilde;es das cabe&ccedil;as-de-rede TV Globo e TV Brasil, o conte&uacute;do voltado ao Rio das emissoras possui pouco espa&ccedil;o em suas grades, cujos destaques negativos s&atilde;o a Rede TV Rio e o SBT Rio, ambos com 1,48%.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo no maior mercado publicit\u00e1rio do pa\u00eds, emissoras da regi\u00e3o Sudeste apresentam menor m\u00e9dia de produ\u00e7\u00f5es locais. Conhecida pela riqueza cultural, regi\u00e3o Nordeste tamb\u00e9m registra \u00edndice baixo. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[40],"tags":[992],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22575"}],"collection":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=22575"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22575\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28012,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/22575\/revisions\/28012"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=22575"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=22575"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/obscom.intervozes.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=22575"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}